Consenso de Duplex Venoso SBACV-SP/CBR — Parte 3: Duplex na Suspeita de TVP
Pré-teste antes do exame, técnica de compressão, o que o Doppler acrescenta, o laudo de TVP e a terminologia recomendada para os achados residuais.
Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295
Resposta direta: O consenso SBACV-SP/CBR recomenda o duplex na suspeita de TVP depois da probabilidade pré-teste (Wells), com compressão sequencial de todo o sistema profundo (grau 1A). A perda de compressibilidade é o sinal mais confiável. Achados residuais devem ser chamados de “alterações pós-trombóticas crônicas”, e o termo “TVP subaguda” deve ser usado com cautela (grau 1C). Recomenda-se um exame ao fim do tratamento como linha de base (grau 1C).

Por que o duplex é o padrão-ouro
O duplex é não invasivo, amplamente disponível e praticamente sem contraindicações. A flebografia fica para situações particulares. Os autores atribuem boa parte da queda de sensibilidade nas veias da perna à dificuldade técnica, que diminui com a curva de aprendizado.
Primeiro o pré-teste, depois o exame
Duplex para pesquisa de TVP depois da probabilidade pré-teste, com compressão sequencial de todo o segmento venoso profundo do membro estudado.
Grau 1 · Nível A
Os sinais clínicos de TVP são pouco específicos, e metade dos pacientes com TVP aguda não tem sintomas. O consenso segue a conferência multidisciplinar da Society of Radiologists in Ultrasound (2018):
Começa pelo dímero D. Negativo: TVP afastada. Positivo: duplex.
Direto ao duplex.
Técnica
- Paciente deitado, membro levemente fletido e rodado para fora.
- Compressão com o transdutor a cada 2 cm, em corte transversal no modo B, por todo o trajeto profundo.
- Veia normal: as paredes encostam totalmente na compressão. A perda de compressibilidade é o sinal mais confiável de trombo. Na TVP aguda, a veia também fica mais calibrosa que a artéria ao lado.
- Femoral e tibiais posteriores pela face medial; poplítea pela face posterior; tibiais anteriores pela face anterior, com o joelho fletido; fibulares pela face posterolateral.
- Não esqueça as veias musculares da panturrilha (gastrocnêmias e soleares): elas também embolizam.
- As veias da perna geralmente não têm fluxo espontâneo e precisam de compressão distal para aparecer no Doppler. Sentar o paciente com os pés apoiados ajuda a enchê-las.
O que o Doppler acrescenta
As veias ilíacas e a cava não podem ser comprimidas, e o Doppler avalia indiretamente esses segmentos. Na femoral comum, o fluxo normal é fásico com a respiração, simétrico entre os lados e aumenta quando se comprime a panturrilha.
sugerem obstrução acima do ponto examinado e pedem estudo das ilíacas e da cava.
sugere obstrução abaixo do ponto examinado.
O que o laudo de TVP deve conter
O exame é feito deitado, então o laudo não fala de refluxo. Ele descreve cada veia separadamente:
- veias acometidas e extensão do trombo;
- oclusão total ou parcial da luz;
- trombo aderido à parede ou não, e se há trombo flutuante;
- na safena, a distância do trombo até a junção safenofemoral e a válvula ostial;
- diagnósticos diferenciais encontrados, como cisto de Baker ou hematoma.
As imagens do modo B são registradas em corte transversal, com e sem compressão. No color e no espectral, registra-se a fasicidade e o aumento do fluxo à compressão distal na femoral comum.
Seguimento e terminologia
Preferir “alterações pós-trombóticas crônicas” a “TVP crônica” e usar “TVP subaguda” com cautela.
Grau 1 · Nível C
Repetir o duplex ao fim do tratamento anticoagulante, como base para exames futuros.
Grau 1 · Nível C
Não há necessidade de exames seriados no meio do tratamento, salvo suspeita de recorrência. No duplex de refluxo profundo, descreva também a trombose antiga: se o trombo está totalmente, parcialmente ou nada recanalizado (cordão fibroso), e onde há refluxo. Para as sequelas clínicas, veja síndrome pós-trombótica.
Referência
Nardino EP, Santos JEM (org.); Ribeiro BJ, Brandão GMS, Bordinhon TS, Couto VAP (ed.). Consenso sobre Duplex Scan (Ultrassom Doppler Colorido) para Avaliação da Doença Venosa Crônica dos Membros Inferiores. Consenso e Recomendações da SBACV-SP e do CBR. São Paulo: Guanabara Koogan; 2019. Documento original no site do CBR.
Perguntas Frequentes
Todo paciente com dor na perna precisa de duplex para afastar TVP?
O duplex negativo na panturrilha afasta trombose distal?
Por que não escrever “TVP crônica” no laudo?
Quando repetir o duplex depois de uma TVP tratada?
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