Consenso de Duplex Venoso SBACV-SP/CBR — Parte 2: Mapeamento de Varizes
Manobras por território, roteiro do exame, medidas obrigatórias das junções e safenas e o que o laudo de mapeamento venoso precisa conter.
Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295
Resposta direta: No mapeamento de varizes, o consenso SBACV-SP/CBR manda usar Valsalva na femoral comum e na junção safenofemoral e compressão distal nas demais veias (grau 1A). As junções e as safenas são medidas em pontos fixos mesmo sem refluxo (grau 1C). O laudo descreve cada membro separadamente, por sistema, com origem, extensão e drenagem de cada refluxo.

O que o mapeamento precisa responder
O exame de quem tem doença venosa crônica não serve apenas para confirmar que há varizes. Ele precisa entregar ao cirurgião um mapa:
- quais junções safênicas estão insuficientes e com que diâmetro;
- até onde vai o refluxo de cada safena;
- onde estão e quanto medem as perfurantes insuficientes;
- que outras veias têm refluxo;
- quais veias faltam (hipoplásicas, atrésicas ou retiradas em cirurgia anterior);
- como está o sistema profundo, inclusive sinais de trombose antiga.
Antes de ligar o aparelho
- Examine o paciente e pergunte sobre tratamentos anteriores. Saber onde estão as varizes orienta a busca das fontes de refluxo.
- Sala aquecida. O frio contrai as veias e pode esconder refluxos menores.
- Insonação longitudinal, com ângulo de 45° a 60° entre o feixe e a veia.
- Diâmetros medidos no plano axial, incluindo a parede da veia.
Manobras: qual usar em cada lugar
Valsalva na veia femoral comum e na junção safenofemoral; compressão distal, manual ou pneumática, em todas as demais veias.
Grau 1 · Nível A
Na compressão distal, comprime-se abaixo do ponto examinado, solta-se de uma vez e mede-se a duração do fluxo retrógrado. A dorsiflexão ativa do pé seguida de relaxamento é uma alternativa descrita. Os cortes de tempo estão na Parte 1.
Roteiro por território
Teste a fasicidade respiratória na femoral comum. Se ela desaparece, suspeite de obstrução no eixo ilíaco-cava do mesmo lado. Avalie a femoral comum acima e abaixo de uma junção safenofemoral insuficiente para separar o refluxo que vem da junção de um refluxo profundo verdadeiro. Siga a veia femoral até a poplítea; perto do canal dos adutores, a janela anterior pelo vasto medial costuma ser a melhor.
Paciente em pé, de frente para o examinador. Faça uma varredura transversal da face medial da coxa, da virilha ao joelho. A junção vai da válvula terminal à pré-terminal, cerca de 3 a 5 cm abaixo. Entre as duas desembocam a epigástrica superficial, a circunflexa ilíaca superficial e a pudenda externa. A acessória anterior se alinha com os vasos femorais; esse “sinal do alinhamento” evita confundi-la com a magna.
Paciente de costas, com o joelho levemente fletido. Avalie a poplítea acima e abaixo da junção safenopoplítea; refluxo poplíteo acima de 1 s é profundo. Procure refluxo ou trombose nas gastrocnêmias. Investigue fontes alternativas: perfurante da fossa poplítea, extensão cranial da parva, veia de Giacomini, veias pélvicas que descem pela nádega ou pelo períneo e veias que acompanham o nervo isquiático.
Procure na face medial da coxa e da perna durante o estudo da magna e das veias profundas. Estude também as faces lateral e posterior quando houver varizes nessas regiões. Mais sobre o assunto em veias perfurantes: quando tratar.
As medidas obrigatórias, com ou sem refluxo
Medir as junções safenofemoral e safenopoplítea e as safenas magna e parva em pontos fixos, independentemente da presença de refluxo.
Grau 1 · Nível C
| Estrutura | O que medir |
|---|---|
| Junção safenofemoral | diâmetro |
| Safena magna | 2 medidas anteroposteriores: coxa e perna |
| Junção safenopoplítea | diâmetro + distância até a prega do joelho |
| Safena parva | 2 medidas na perna |
| Perfurante insuficiente | diâmetro no nível da fáscia + distância da prega do joelho ou da planta do pé |
A safena deve ser medida no tronco, nunca num ponto de saída de variz ou num seio valvular dilatado.
Como escrever o laudo
- ✓Um bloco por membro (direito e esquerdo), separado em sistema profundo, superficial e perfurante.
- ✓Para cada refluxo: se envolve a junção, onde começa, até onde vai e onde drena, cada safena descrita à parte.
- ✓Diferencie o refluxo profundo do que vem de uma junção insuficiente.
- ✓Registre o refluxo que passa para a Giacomini e para as acessórias anterior e posterior.
- ✓Perfurantes: topografia, diâmetro, acima ou abaixo do joelho e distância da referência.
- ✓Varizes recidivadas: diga a fonte (acessória ou safena residual insuficiente, neovascularização, coto residual, perfurante).
- ✓Documente o refluxo no modo espectral, com a veia em vermelho e a onda acima da linha de base. Um diagrama esquemático ajuda quem vai operar.
Referência
Nardino EP, Santos JEM (org.); Ribeiro BJ, Brandão GMS, Bordinhon TS, Couto VAP (ed.). Consenso sobre Duplex Scan (Ultrassom Doppler Colorido) para Avaliação da Doença Venosa Crônica dos Membros Inferiores. Consenso e Recomendações da SBACV-SP e do CBR. São Paulo: Guanabara Koogan; 2019. Documento original no site do CBR.
Perguntas Frequentes
Por que medir a safena mesmo quando ela não tem refluxo?
Como saber se o refluxo na femoral comum é profundo ou vem da junção?
O que procurar quando a safena parva já foi operada e as varizes voltaram?
O ambiente da sala influencia o exame?
Quer uma segunda opinião?
Este conteúdo é voltado para profissionais de saúde. Para encaminhamento de paciente, segunda opinião ou discussão de conduta com o Dr. Maurício, entre em contato direto pelo WhatsApp.
Saiba como funciona o Eco-Doppler