Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

Título de Especialista (SBACV)

Certificação em Doppler Vascular (CBR)

Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
SVS 2023 — P2 G1

Avaliação de Varizes: CEAP 2020, VCSS Revisado e Ecodoppler — Guideline 1 SVS 2023

Protocolo completo de avaliação clínica e diagnóstica de varizes conforme as Diretrizes SVS/AVF/AVLS 2023 Part II: CEAP 2020 básico vs completo, VCSS revisado, DUS com limiares de refluxo e consensos 1.5.1–1.5.5.

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 17 de junho de 202614 min de leitura

Resposta direta: A avaliação completa de varizes inclui: CEAP 2020 (classificação clínica C0–C6), VCSS revisado (10 domínios, 0–30 pontos — para monitorar resposta ao tratamento) e DUS com limiar de refluxo >0,5s (Grade 1B — SVS 2023 Part II). DUS de membro inteiro é mandatório antes de qualquer intervenção. Refletir >3,5mm + refluxo >500ms em perfurante = perfurante patológica.

As Diretrizes SVS 2023 Part II (Gloviczki et al., J Vasc Surg Venous Lymphat Disord 2024;12:101670) consolidam o protocolo de avaliação de varizes em três pilares: classificação clínica padronizada pelo CEAP 2020, estadiamento funcional pelo VCSS revisado e mapeamento hemodinâmico pelo Ecodoppler venoso (DUS) com limiares de refluxo definidos por evidência de alta qualidade.

Infográfico: protocolo de avaliação de varizes — CEAP 2020, VCSS revisado e limiares de refluxo DUS conforme SVS 2023

Por que o SVS atualizou as diretrizes de avaliação em 2023?

A diretriz SVS 2022 (Part I) focou nas indicações de tratamento — quando intervir, qual técnica escolher e como tratar tributárias. A Part II (publicada em 2024 com dados de 2023) complementa com a estrutura de avaliação clínica e diagnóstica, integrando as atualizações do CEAP 2020, o VCSS revisado (rVCSS) e os consensos clínicos que orientam quando — e quando não — solicitar o Ecodoppler.

O documento traz 5 recomendações formais com graduação GRADE e 5 consensos de boa prática clínica (GPS) para o Guideline 1, estruturados em três blocos: classificação clínica, estadiamento funcional e avaliação de imagem.

CEAP 2020: Básico vs Completo

Consenso GPS 1.1 — CEAP BásicoGood Practice Statement
Documentar o CEAP básico (C, E, A, P) em toda consulta inicial de paciente com doença venosa crônica. O CEAP básico permite comunicação padronizada entre especialistas, comparação entre estudos e planejamento do tratamento. Registrar o modificador "s" (sintomático) ou "a" (assintomático) para cada classe C.
Consenso GPS 1.2 — CEAP CompletoGood Practice Statement
Usar o CEAP completo (com os 18 segmentos anatômicos e todos os subtipos) para pacientes submetidos a intervenção ou incluídos em estudos clínicos. O CEAP completo inclui os novos subtipos C2r (varizes recorrentes pós-tratamento), C4c (corona phlebectatica — RR 2,7× para progressão a úlcera), C6r (úlcera ativa recorrente) e a divisão Esi/Ese (insuficiência superficial interna/externa).

Novidades do CEAP 2020 vs CEAP 2004

Novos subtipos clínicos (C)

  • C2r — varizes recorrentes após tratamento prévio
  • C4c — corona phlebectatica (macerado de telangiectasias maleolares)
  • C6r — úlcera venosa ativa recorrente
  • Modificador "s/a" obrigatório em cada classe C

Mudanças anatômicas (A)

  • 18 segmentos venosos padronizados
  • Separação Esi (interna) / Ese (externa)
  • AAGSV e PAGSV como segmentos individuais
  • Veias tributárias identificadas por localização

VCSS Revisado: Monitorando a Evolução Funcional

Consenso GPS 1.3 — VCSS RevisadoGood Practice Statement
Usar o VCSS revisado (rVCSS) para monitorar a gravidade clínica e a resposta ao tratamento. O rVCSS captura mudanças dentro do mesmo estágio CEAP que o CEAP sozinho não detecta — essencial para comparar pré e pós-intervenção.

VCSS Revisado — 10 Domínios (0–30 pontos)

1. Dor ou desconforto

0 = ausente; 1 = ocasional sem restrição; 2 = diário, moderado; 3 = diário, intenso

2. Varizes

0 = ausente; 1 = telangiectasias/reticulares; 2 = varizes ≤5 mm; 3 = varizes >5 mm

3. Edema venoso

0 = ausente; 1 = tarde, perimaleolar; 2 = tarde, acima tornozelo; 3 = manhã, ao nível joelho

4. Pigmentação

0 = ausente; 1 = localizada, cor antiga; 2 = difusa, cor recente; 3 = extensa

5. Inflamação

0 = ausente; 1 = leve celulite, limitada; 2 = moderada, terço inferior; 3 = intensa, perna toda

6. Induração

0 = ausente; 1 = perimaleolar focal; 2 = terço inferior; 3 = terço inferior e além

7. Úlceras ativas (número)

0 = nenhuma; 1 = uma; 2 = duas; 3 = três ou mais

8. Duração da úlcera ativa

0 = ausente; 1 = <3 meses; 2 = 3–12 meses; 3 = >1 ano

9. Diâmetro da úlcera ativa

0 = ausente; 1 = <2 cm; 2 = 2–6 cm; 3 = >6 cm

10. Terapia compressiva

0 = não usada; 1 = intermitente; 2 = usada a maioria dos dias; 3 = adesão máxima

Redução ≥3 pontos = mudança clinicamente significativa. Pontuação máxima: 30 pontos.

Ecodoppler Venoso (DUS): Padrão-Ouro com Limiares Definidos

Recomendação 1.1 — DUS como Padrão-OuroGrade 1B — Forte / Evidência Moderada
Realizar Ecodoppler venoso (DUS duplex) em todo paciente com varizes CEAP C2 ou superior antes de qualquer intervenção. O DUS deve ser realizado com o paciente em posição ortostática para avaliação do refluxo superficial. Equipamento certificado pelos critérios do IAC (Intersocietal Accreditation Commission) ou ACR é preferencial.

Limiares de Refluxo Patológico — SVS 2023

>500 ms
Veias Superficiais

Grande Safena (GSV), Pequena Safena (SSV), AAGSV, PAGSV — manobra de compressão/descompressão

>1.000 ms
Veias Profundas

Femoral comum, femoral superficial, poplítea — Valsalva ou compressão de panturrilha

>500 ms + ≥3,5 mm
Veias Perfurantes

Ambos os critérios necessários para incompetência — manobra de compressão distal

Recomendação 1.2 — Avaliação do Sistema ProfundoGrade 1B — Forte / Evidência Moderada
Incluir avaliação do sistema venoso profundo no DUS de todo paciente com varizes CEAP C2 ou superior. A coexistência de obstrução ou refluxo profundo altera o planejamento cirúrgico e o prognóstico. TVP prévia ou síndrome pós-trombótica devem ser excluídas antes da intervenção.

Consensos 1.5: Quando (e Quando Não) Solicitar DUS

Consenso 1.5.1 — C1 Assintomático: Não Solicitar DUS
Pacientes com apenas telangiectasias (C1s) assintomáticas e sem sinais de doença venosa subjacente não necessitam de DUS de rotina. A probabilidade de refluxo truncal relevante é muito baixa nesse cenário e o exame não alterará a conduta de escleroterapia cosmética.
Consenso 1.5.2 — C2 ou Superior: DUS Mandatório
Todo paciente com varizes (CEAP ≥C2) deve ter DUS antes da intervenção para mapear a extensão do refluxo (superficial e profundo), identificar as veias-fonte do refluxo e planejar o acesso e a técnica. O DUS deve ser realizado pelo próprio cirurgião ou por profissional em estreita comunicação com ele.
Consenso 1.5.3 — Sistema Profundo Sempre Avaliado em C2+
O protocolo de DUS para varizes deve incluir obrigatoriamente o sistema venoso profundo (femoral, poplítea, tibiais posteriores). A incompetência valvular profunda primária e a obstrução pós-trombótica alteram o risco de recorrência e podem requerer estratégias adicionais de compressão ou recanalização antes da intervenção superficial.
Consenso 1.5.4 — JSF com Tronco Competente: Não Ablar a Junção Isolada
Quando o DUS demonstra refluxo na junção safenofemoral (JSF) mas o tronco da GSV é competente (sem refluxo >500 ms), não há indicação de ablação da junção isolada. O refluxo limitado à JSF com tronco íntegro não progride clinicamente na maioria dos casos e o tratamento das tributárias visíveis é suficiente.
Consenso 1.5.5 — Varizes Vulvares Assintomáticas: Não Investigar Sistema Pélvico
Varizes vulvares ou perineais assintomáticas (ausência de dor pélvica, dispareunia, peso pélvico ou sensação de pressão) não necessitam de DUS pélvico ou investigação de veias gonadais/ilíacas internas de rotina. A investigação pélvica está indicada apenas quando há sintomas sugestivos de síndrome de congestão pélvica.

Protocolo de DUS para Varizes: Checklist Essencial

Posicionamento e Técnica

  • Paciente em posição ortostática (em pé)
  • Peso do corpo no membro contralateral
  • Varredura de proximal para distal (inguinal → maléolo)
  • Compressão/descompressão distal: 3–5 segundos
  • Valsalva para sistemas profundo e junções

Documentação Obrigatória

  • Duração do refluxo em milissegundos em cada segmento
  • Diâmetro das safenas no terço médio da coxa
  • Permeabilidade e refluxo no sistema profundo
  • Mapeamento de perfurantes incompetentes (>500 ms + ≥3,5 mm)
  • Localização do ponto de entrada (junção SFJ, SSJ ou tributária)

Integração Clínica: CEAP + VCSS + DUS na Tomada de Decisão

O SVS 2023 enfatiza que nenhum dos três instrumentos funciona isoladamente. O CEAP classifica a apresentação atual, o rVCSS quantifica a carga funcional e o DUS mapeia a hemodinâmica. A decisão de intervir requer que os três dados se alinhem: um paciente C2s com rVCSS elevado e refluxo truncal >500 ms é candidato prioritário à intervenção; um paciente C2a com rVCSS baixo e refluxo limítrofe pode ser monitorado.

A documentação sistemática com esses três instrumentos também é essencial para auditar resultados, comunicar com operadoras de saúde e sustentar indicações em protocolos de pesquisa — exigências crescentes no cenário regulatório brasileiro e internacional.

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Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre o CEAP básico e o CEAP completo na avaliação de varizes?
O CEAP básico (GPS Básico) registra apenas as 4 categorias fundamentais — C (clínica), E (etiologia), A (anatomia) e P (fisiopatologia) — com um único nível para cada. É suficiente para a maioria das consultas e estudos epidemiológicos. O CEAP completo adiciona o sistema de pontuação de 18 segmentos anatômicos, subtipos C2r (varizes recorrentes), C4c (corona phlebectatica), C6r (úlcera ativa recorrente) e os modificadores "s" (sintomático) e "a" (assintomático) para cada categoria C. O SVS 2023 recomenda registrar ao menos o CEAP básico em todo paciente com doença venosa crônica e o CEAP completo nos casos que serão submetidos a intervenção ou incluídos em pesquisa.
O que é o VCSS revisado e como calcular o escore?
O Venous Clinical Severity Score revisado (rVCSS) é uma escala de 10 domínios, cada um pontuado de 0 a 3, com escore total de 0 a 30. Os domínios são: dor, varizes, edema venoso, pigmentação cutânea, inflamação, induração, número de úlceras ativas, duração da úlcera ativa, diâmetro da úlcera ativa e uso de terapia compressiva. Uma redução de ≥3 pontos no rVCSS é clinicamente significativa. O SVS 2023 recomenda usar o rVCSS em conjunto com o CEAP para monitorar a evolução clínica e o resultado das intervenções, pois o CEAP sozinho não captura mudanças dentro do mesmo estágio.
Quais são os limiares de refluxo no Ecodoppler venoso para o diagnóstico de varizes?
Conforme o Guideline 1 do SVS 2023 (Grade 1B), os limiares de refluxo patológico no Ecodoppler venoso (DUS) são: (1) Veias superficiais (grande safena, pequena safena, acessórias): refluxo >500 ms após manobra de compressão/descompressão; (2) Veias profundas (femoral, poplítea): refluxo >1.000 ms (1 segundo); (3) Veias perfurantes: refluxo >500 ms associado a diâmetro ≥3,5 mm. A manobra preferencial para superficiais e perfurantes é a compressão/descompressão manual; para profundas, a manobra de Valsalva é igualmente aceita.
Quando NÃO solicitar Ecodoppler venoso conforme o SVS 2023?
O Consenso 1.5.1 do SVS 2023 recomenda NÃO solicitar DUS de rotina em pacientes com apenas telangiectasias (C1) assintomáticas sem qualquer sinal de doença venosa subjacente — a probabilidade de refluxo truncal relevante é muito baixa e o exame não mudará a conduta. Adicionalmente, varizes vulvares isoladas sem sintomas de congestão pélvica (dor pélvica, dispareunia, peso pélvico) não necessitam de DUS pélvico de rotina (Consenso 1.5.5). O exame está indicado em todo C2 ou superior, em C1 com sintomas como queimação ou peso, e sempre que houver suspeita de refluxo truncal.
O Ecodoppler portátil (handheld Doppler) substitui o DUS duplex na avaliação de varizes?
Não. O Doppler portátil tem sensibilidade e especificidade inferiores ao DUS duplex (ultrassonografia duplex) para mapear a extensão e localização do refluxo. O SVS 2023 reserva o handheld Doppler para triagem em consultório ou confirmação de ausência de pulso arterial, nunca como substituto do DUS completo para planejamento cirúrgico. O DUS duplex (modo B + Doppler colorido + Doppler espectral) permanece o padrão-ouro (Grade 1B), com acreditação pelos critérios do IAC (Intersocietal Accreditation Commission) ou ACR.
O que significa o Consenso 1.5.3 sobre avaliação do sistema venoso profundo em varizes?
O Consenso 1.5.3 do SVS 2023 determina que todo paciente com varizes CEAP C2 ou superior deve ter o sistema venoso profundo avaliado pelo DUS, não apenas as safenas superficiais. O objetivo é excluir obstrução ou refluxo profundo que possa alterar o plano de tratamento. TVP prévia, síndrome pós-trombótica (SPT) ou insuficiência valvular profunda primária podem coexistir com varizes superficiais e impactam diretamente na escolha da técnica e no resultado esperado. Um refluxo profundo isolado sem refluxo superficial ou sem obstrução do sistema profundo não contraindica o tratamento das varizes superficiais.
Como interpretar o achado de refluxo na junção safenofemoral (JSF) sem insuficiência do tronco da grande safena?
O Consenso 1.5.3 aborda especificamente a situação em que há refluxo na JSF mas o tronco da grande safena é competente (sem refluxo >500 ms no tronco). Nesse cenário, o SVS 2023 recomenda NÃO ablar a JSF isoladamente, pois não há evidência de que a ablação da JSF sem refluxo truncal melhore os desfechos. O refluxo limitado à JSF com tronco competente geralmente mantém-se estável a longo prazo. O tratamento deve focar nas tributárias varicosas identificadas como fonte do refluxo.

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Artigo escrito e validado pelo Dr. Maurício Hiroshi Yamada (CRM-PR 21589 | RQE: 18282). Cirurgião Vascular formado pela UEL, com residência no HSPE/SP e título de especialista pela SBACV. É referência em tratamentos minimamente invasivos (Laser, Radiofrequência e Espuma) na clínica Maringá Vasculares, no Paraná.
⚕️ Aviso médico: O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico especialista. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde habilitado. Dr. Maurício Hiroshi Yamada — CRM-PR 21589.

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