Farmacoterapia de Varizes: MPFF, Ruscus e Venoativos — Guideline 3 SVS 2023
O SVS 2023 Part II Guideline 3 classifica os flebotônicos com rigor GRADE: MPFF e Ruscus obtêm Grade 2B com base em meta-análises de múltiplos RCTs, enquanto dobesilato, hidroxietilrutosídeos e extratos herbais recebem Grade 2C, com importantes alertas de segurança. Saiba o que prescrever — e com qual evidência.
Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295
Resposta direta: MPFF (Diosmina-Hesperidina Micronizada 450mg/50mg): flebotônico de primeira linha para DVC sintomática. Cochrane 2012 (7 ECRs, 1.692 pts): melhora de dor, sensação de peso, cansaço e edema. Dose: 2 comprimidos/dia por ≥3 meses. Sulodexida: anti-inflamatório e antitrombótico venoso — 13 estudos, 1.901 pts. Dobesilato: reduz permeabilidade capilar — 10 ECRs, 778 pts. Nenhum substitui compressão ou correção do refluxo — são complementares (Rec 14, ESVS 2022, Classe IIa).
Os venoativos (flebotônicos) ocupam uma posição peculiar na medicina vascular: amplamente prescritos, heterogêneos na composição e com base de evidências desigual. O Guideline 3 do SVS 2023 Part II (Gloviczki et al., J Vasc Surg Venous Lymphat Disord 2024;12:101670) separa o que tem evidência suficiente para recomendação — MPFF e Ruscus, ambos Grade 2B — do que tem evidências insuficientes ou alertas de segurança relevantes.

Por que o SVS 2023 revisou a farmacoterapia de varizes?
As edições anteriores do SVS e a diretriz ESVS 2022 já incluíam venoativos, mas com graduações variáveis. O SVS 2023 Part II sistematizou a revisão aplicando rigorosamente o GRADE a cada agente e separou dois níveis de evidência:
- Guideline 3.1 — venoativos com meta-análises de RCTs adequadas: MPFF (diosmina-hesperidina) e Ruscus aculeatus → Grade 2B
- Guideline 3.2 — venoativos com evidência limitada, qualidade metodológica inferior ou alertas de segurança: hidroxietilrutosídeos, dobesilato de cálcio, castanha-da-índia, videira vermelha, sulodexida → Grade 2C
O documento também emite alerta explícito sobre o status regulatório nos EUA — onde a maioria desses agentes é comercializada como suplemento alimentar (não como medicamento) — destacando a ausência de aprovação FDA e as implicações para controle de qualidade e biodisponibilidade.
Guideline 3.1 — MPFF e Ruscus: Grade 2B
MPFF — Base de Evidências
1.692 pacientes — redução significativa de dor, câimbras, edema e sensação de peso
Estudo observacional multicêntrico, 6 meses — melhora de sintomas e qualidade de vida (CIVIQ)
RCT controlado por placebo — redução de edema (perimetria) e melhora de sintomas a 3 meses
Mecanismo de Ação do MPFF
Efeito Venotônico
- Aumento do tônus venoso por inibição de noradrenalina
- Redução da distensibilidade venosa
- Melhora do retorno venoso e redução do pooling
Efeito Anti-Inflamatório
- Inibição de PGE2 e TXB2 (mediadores inflamatórios)
- Redução de leucotrienos e ativação leucocitária
- Proteção endotelial contra hipóxia
- Melhora da drenagem linfática
Dose-padrão: MPFF 1.000 mg/dia (2 comprimidos de 500 mg) por pelo menos 3–6 meses para avaliação da resposta sintomática.
Ruscus aculeatus — Base de Evidências
719 pacientes — estudos em IVC e varizes C2–C4
IC 95%: 0,14–0,58 — redução significativa de dor vs placebo
Edema tornozelo — redução significativa vs placebo nos RCTs
Mecanismo: saponinas esteroidais (ruscogenina + neoruscogenina) com efeito vasoconstritor alfa-adrenérgico e anti-inflamatório. Frequentemente combinado com hesperidina e vitamina C (Cyclo 3 Fort).
Guideline 3.2 — Outros Venoativos: Grade 2C
Venoativos Grade 2C — Perfil de Evidência e Alertas de Segurança
Hidroxietilrutosídeos (Oxerutinas)
Estudos em edema venoso e câimbras — heterogeneidade metodológica. Evidência suficiente para sintomas leves. Perfil de segurança aceitável. Não aprovado FDA.
Dobesilato de Cálcio (Doxium) ⚠️
ALERTA: 13 casos de agranulocitose relatados na literatura europeia — reação potencialmente fatal. Monitoramento de hemograma obrigatório. Não aprovado FDA. Usado com maior cautela que outros agentes da classe.
Castanha-da-Índia (Escina / Aesculus hippocastanum)
Revisão Cochrane com RCTs — redução de edema equiparável à compressão em alguns estudos. Comercializado como suplemento (não medicamento) no Brasil e EUA. Variabilidade de dose e biodisponibilidade entre produtos.
Videira Vermelha (Vitis vinifera)
Poucos RCTs — evidência limitada para sintomas de IVC. Antioxidante por OPC (oligoproantocianidinas). Suplemento alimentar, sem aprovação como medicamento.
Sulodexida (Vessel Due F)
Maior evidência em úlcera venosa (C5–C6) do que em varizes C2–C3. Em varizes sem úlcera, evidência insuficiente para recomendação forte. Efeito anti-trombótico e anti-inflamatório por glicosaminoglicanos (heparan sulfato + dermatan sulfato).
Alerta FDA: Suplementos vs Medicamentos
⚠️ Nota do SVS 2023: nos Estados Unidos, a maioria dos venoativos listados no Guideline 3 é comercializada como suplemento alimentar (dietary supplement), não como medicamento. Suplementos não passam pelo processo de aprovação FDA (eficácia e segurança), não têm garantia de biodisponibilidade padronizada e podem variar significativamente em composição entre marcas. O SVS recomenda que os médicos informem os pacientes sobre esse status regulatório ao prescrever ou recomendar esses agentes. No Brasil, a ANVISA tem categorias intermediárias (medicamento fitoterápico vs suplemento), mas muitos produtos circulam sem estudo de equivalência farmacêutica.
Como Integrar os Venoativos na Prática Clínica
Os venoativos não substituem a ablação quando há indicação de intervenção — esta é a mensagem central do SVS 2023. Mas têm papel real no algoritmo de tratamento:
Quando indicar venoativo ANTES da ablação:
- Período de espera para o procedimento (>4 semanas)
- Gravidez — MPFF é usado com cautela no 2º e 3º trimestres
- Paciente com sintomas intensos (câimbras noturnas, peso, queimação)
- CEAP C3 com edema intenso antes da intervenção
Quando indicar venoativo APÓS a ablação:
- Prevenção de flebite pós-escleroterapia (evidência limitada)
- Varizes residuais pequenas aguardando retratamento
- CEAP C3–C4 com sintomas persistentes após ablação do tronco
- Complemento à compressão em doença venosa avançada
Suas pernas estão te preocupando?
Dr. Maurício Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular em MaringáCRM-PR 21589 · Atendimento com hora marcada
Agendar pelo WhatsAppOu ligue: (44) 99129-7111
Perguntas Frequentes
O que é o MPFF e qual a sua composição?
Por que o SVS 2023 classifica o MPFF como Grade 2B em vez de 1A?
O que o dobesilato de cálcio tem a ver com agranulocitose?
A castanha-da-índia (escina) é um tratamento válido para varizes?
O sulodexida pode ser usado no tratamento de varizes?
O Ruscus aculeatus é uma alternativa ao MPFF?
Pronto para cuidar da sua saúde vascular?
Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular em Maringá. Atendimento personalizado, tecnologia de ponta, sem filas.
Leia também
Tem dúvidas? Agende uma avaliação vascular
Agendar pelo WhatsApp