Diretriz Brasileira de Doença Venosa Crônica (SBACV 2023) — Parte 3: Tratamento Conservador
Fármacos venoativos (diosmina-hesperidina Nível A), compressão elástica, exercícios físicos e controle de peso — as 4 recomendações de tratamento conservador da Diretriz SBACV 2023.
Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295
Tratamento Conservador — 4 Recomendações (Rec. 10–13)
O tratamento conservador da DVC inclui quatro pilares: farmacológico, compressão, exercício e controle de peso. A diretriz SBACV 2023 os posiciona como intervenções complementares ao tratamento invasivo quando este está indicado — e como tratamento definitivo quando o invasivo não é viável ou não é necessário.
Recomendação 10 — Fármacos Venoativos
Recomendamos usar drogas venoativas para o tratamento sintomático da insuficiência venosa crônica.
Nível A · Classe IIa
Revisões sistemáticas sugerem que as drogas venoativas provavelmente reduzem ligeiramente o edema em comparação com o placebo e provavelmente reduzem a circunferência do tornozelo. Distúrbios gastrointestinais foram os eventos adversos mais frequentemente relatados — mas todos os fármacos apresentaram poucos efeitos adversos nos estudos revisados.
| Fármaco | Mecanismo | Evidência | Observação |
|---|---|---|---|
| Diosmina-hesperidina micronizada (MPFF) | Flavonoide — reduz ativação leucocitária e permeabilidade capilar | Cochrane · Nível A | Fármaco de destaque nas revisões; forma micronizada com maior biodisponibilidade |
| Sulodexida | Glicosaminoglicano — efeito no endotélio venoso | Nível A | Randomizados duplo-cegos com evidência favorável |
| Extrato de videira vermelha (rutosídeos) | Flavonoide — diminui permeabilidade microvascular | Nível A | Incluído na Cochrane com resultados favoráveis |
| Dobesilato de cálcio | Reduz a permeabilidade capilar e edema | Nível B | Eficiente em C3–C4 (Rabe E et al., randomizado duplo-cego) |
| Escina (castanha-da-índia) | Anti-inflamatório, reduz edema | Nível B | Eficaz em ensaios randomizados isolados |
Recomendação 11 — Terapia Compressiva
Recomendamos o uso da terapia compressiva para tratamento sintomático da insuficiência venosa crônica.
Nível B · Classe I
- ✓ Redução de dor e desconforto
- ✓ Redução da recorrência de úlcera de perna
- ✓ Melhora do retorno venoso
- ✓ Eficácia em todos os estágios CEAP
- ⚠ Adesão é o principal obstáculo
- ⚠ Dificuldade de uso em pressões mais elevadas
- ⚠ Intolerância em clima quente
- ⚠ Dificuldade de calçar em idosos e obesos
A terapia compressiva usa meias elásticas em suas mais diversas graduações. O uso para redução de recorrência de úlcera de perna é uma das indicações mais bem estabelecidas. A diretriz reconhece que a adesão é o principal desafio — tecnologias facilitadoras (como meias com sistemas de Velcro) podem ser alternativas para pacientes com dificuldade de uso das meias convencionais.
Recomendação 12 — Exercícios Físicos
Recomendamos a realização de exercícios físicos para tratamento da insuficiência venosa crônica em qualquer etapa.
Nível B · Classe I
O exercício físico é eficaz na melhora do refluxo venoso, da força muscular e da amplitude de movimento do tornozelo — três determinantes da eficiência da bomba venosa da panturrilha. Estudos mostram que mesmo exercícios guiados sem supervisão podem produzir benefícios.
Protocolo de Bonn: Programas de exercícios mostraram melhora na amplitude de movimento da articulação tibiotársica e na qualidade de vida em qualquer intensidade praticada. O aumento da força muscular afeta a bomba venosa, melhora sua função e amplitude de movimento do tornozelo — com redução documentada da dor e melhora da qualidade de vida.
Recomendação 13 — Controle de Massa Corpórea
Recomendamos controlar a massa corpórea para tratamento e prevenção da insuficiência venosa crônica em qualquer etapa.
Nível C · Classe I
Como a obesidade agrava a DVC
- ●Maior pressão intra-abdominal → reduz retorno venoso
- ●Redução da amplitude de movimento tibiotársico → bomba venosa menos eficiente
- ●Pressão venosa de pé significativamente maior em obesos em todas as posições
- ●DVC mais avançada em obesos vs. eutróficos (todos os estágios CEAP)
- ●Maior prevalência de úlceras venosas em obesos
Evidências da perda de peso
- ●Estudo: correlação entre maior IMC e maior diâmetro de safena ao duplex (p < 0,05)
- ●Correlação entre obesidade e maior prevalência de veias perfurantes incompetentes
- ●Após cirurgia bariátrica em obesos mórbidos: relatos consistentes de melhora da IVC
- ●Obesidade contribui também para maior incidência de IVC C3–C6
Referência
Kikuchi R et al. Diretriz brasileira de doença venosa crônica da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular. J Vasc Bras. 2023;22:e20230064. DOI: 10.1590/1677-5449.202300641
Perguntas Frequentes
Quais fármacos venoativos têm melhor evidência na DVC?
A compressão elástica é eficaz em todos os estágios da DVC?
Os exercícios físicos realmente melhoram a DVC?
O controle de peso é obrigatório no tratamento da DVC?
As drogas venoativas devem ser usadas em associação com outros tratamentos?
Quais são as principais drogas venoativas disponíveis no Brasil?
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