Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

Título de Especialista (SBACV)

Certificação em Doppler Vascular (CBR)

Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
Diretriz SBACV 2023 · Parte 3

Diretriz Brasileira de Doença Venosa Crônica (SBACV 2023) — Parte 3: Tratamento Conservador

Fármacos venoativos (diosmina-hesperidina Nível A), compressão elástica, exercícios físicos e controle de peso — as 4 recomendações de tratamento conservador da Diretriz SBACV 2023.

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 16 de junho de 202611 min min de leitura

Tratamento Conservador — 4 Recomendações (Rec. 10–13)

O tratamento conservador da DVC inclui quatro pilares: farmacológico, compressão, exercício e controle de peso. A diretriz SBACV 2023 os posiciona como intervenções complementares ao tratamento invasivo quando este está indicado — e como tratamento definitivo quando o invasivo não é viável ou não é necessário.

Rec. 10
Fármacos venoativos
Nível A · Classe IIa
Rec. 11
Compressão elástica
Nível B · Classe I
Rec. 12
Exercícios físicos
Nível B · Classe I
Rec. 13
Controle de massa corpórea
Nível C · Classe I

Recomendação 10 — Fármacos Venoativos

Recomendamos usar drogas venoativas para o tratamento sintomático da insuficiência venosa crônica.

Nível A · Classe IIa

Revisões sistemáticas sugerem que as drogas venoativas provavelmente reduzem ligeiramente o edema em comparação com o placebo e provavelmente reduzem a circunferência do tornozelo. Distúrbios gastrointestinais foram os eventos adversos mais frequentemente relatados — mas todos os fármacos apresentaram poucos efeitos adversos nos estudos revisados.

FármacoMecanismoEvidênciaObservação
Diosmina-hesperidina micronizada (MPFF)Flavonoide — reduz ativação leucocitária e permeabilidade capilarCochrane · Nível AFármaco de destaque nas revisões; forma micronizada com maior biodisponibilidade
SulodexidaGlicosaminoglicano — efeito no endotélio venosoNível ARandomizados duplo-cegos com evidência favorável
Extrato de videira vermelha (rutosídeos)Flavonoide — diminui permeabilidade microvascularNível AIncluído na Cochrane com resultados favoráveis
Dobesilato de cálcioReduz a permeabilidade capilar e edemaNível BEficiente em C3–C4 (Rabe E et al., randomizado duplo-cego)
Escina (castanha-da-índia)Anti-inflamatório, reduz edemaNível BEficaz em ensaios randomizados isolados

Recomendação 11 — Terapia Compressiva

Recomendamos o uso da terapia compressiva para tratamento sintomático da insuficiência venosa crônica.

Nível B · Classe I

Benefícios documentados
  • ✓ Redução de dor e desconforto
  • ✓ Redução da recorrência de úlcera de perna
  • ✓ Melhora do retorno venoso
  • ✓ Eficácia em todos os estágios CEAP
Desafios clínicos
  • ⚠ Adesão é o principal obstáculo
  • ⚠ Dificuldade de uso em pressões mais elevadas
  • ⚠ Intolerância em clima quente
  • ⚠ Dificuldade de calçar em idosos e obesos

A terapia compressiva usa meias elásticas em suas mais diversas graduações. O uso para redução de recorrência de úlcera de perna é uma das indicações mais bem estabelecidas. A diretriz reconhece que a adesão é o principal desafio — tecnologias facilitadoras (como meias com sistemas de Velcro) podem ser alternativas para pacientes com dificuldade de uso das meias convencionais.

Recomendação 12 — Exercícios Físicos

Recomendamos a realização de exercícios físicos para tratamento da insuficiência venosa crônica em qualquer etapa.

Nível B · Classe I

O exercício físico é eficaz na melhora do refluxo venoso, da força muscular e da amplitude de movimento do tornozelo — três determinantes da eficiência da bomba venosa da panturrilha. Estudos mostram que mesmo exercícios guiados sem supervisão podem produzir benefícios.

🦵
Bomba da panturrilha
Força muscular aumenta o retorno venoso ativo
🦶
Amplitude tibiotársica
Flexão plantar/dorsal determina eficiência da bomba
🏃
Qualidade de vida
Redução de dor e melhora funcional documentadas

Protocolo de Bonn: Programas de exercícios mostraram melhora na amplitude de movimento da articulação tibiotársica e na qualidade de vida em qualquer intensidade praticada. O aumento da força muscular afeta a bomba venosa, melhora sua função e amplitude de movimento do tornozelo — com redução documentada da dor e melhora da qualidade de vida.

Recomendação 13 — Controle de Massa Corpórea

Recomendamos controlar a massa corpórea para tratamento e prevenção da insuficiência venosa crônica em qualquer etapa.

Nível C · Classe I

Como a obesidade agrava a DVC

  • Maior pressão intra-abdominal → reduz retorno venoso
  • Redução da amplitude de movimento tibiotársico → bomba venosa menos eficiente
  • Pressão venosa de pé significativamente maior em obesos em todas as posições
  • DVC mais avançada em obesos vs. eutróficos (todos os estágios CEAP)
  • Maior prevalência de úlceras venosas em obesos

Evidências da perda de peso

  • Estudo: correlação entre maior IMC e maior diâmetro de safena ao duplex (p < 0,05)
  • Correlação entre obesidade e maior prevalência de veias perfurantes incompetentes
  • Após cirurgia bariátrica em obesos mórbidos: relatos consistentes de melhora da IVC
  • Obesidade contribui também para maior incidência de IVC C3–C6

Referência

Kikuchi R et al. Diretriz brasileira de doença venosa crônica da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular. J Vasc Bras. 2023;22:e20230064. DOI: 10.1590/1677-5449.202300641

Perguntas Frequentes

Quais fármacos venoativos têm melhor evidência na DVC?
A diosmina-hesperidina em sua fração micronizada (MPFF — Micronized Purified Flavonoid Fraction) tem o maior nível de evidência — Nível A, Classe IIa (Rec. 10). Revisões sistemáticas Cochrane mostram que venoativas provavelmente reduzem ligeiramente o edema e a circunferência do tornozelo vs. placebo. A sulodexida (glicosaminoglicano de baixo peso molecular) e o extrato de videira vermelha (rutosídeos) também têm evidências favoráveis. Distúrbios gastrointestinais são os efeitos adversos mais comuns, mas todos apresentaram poucos eventos adversos nos estudos revisados.
A compressão elástica é eficaz em todos os estágios da DVC?
Sim — a compressão é recomendada para tratamento sintomático da IVC em qualquer estágio (Rec. 11, Nível B, Classe I). Os benefícios incluem redução de dor, melhora do desconforto e redução de recorrência de úlcera de perna. Contudo, a adesão continua sendo o principal obstáculo — especialmente quando utilizadas pressões mais elevadas. A diretriz cita que apesar das várias demonstrações positivas, a adesão ao tratamento com meias continua sendo um desafio terapêutico relevante.
Os exercícios físicos realmente melhoram a DVC?
Sim. Os exercícios são recomendados em qualquer estágio da DVC (Rec. 12, Nível B, Classe I). Os mecanismos principais são: (1) aumento da força muscular da panturrilha — que funciona como bomba venosa; (2) melhora da amplitude de movimento da articulação tibiotársica — determinante para eficiência da bomba venosa; (3) redução do refluxo venoso. Estudos mostram que exercícios guiados, mesmo sem supervisão, podem beneficiar. A dor e a qualidade de vida melhoram significativamente com programas de exercícios.
O controle de peso é obrigatório no tratamento da DVC?
É uma recomendação forte da diretriz (Rec. 13, Nível C, Classe I). A obesidade trabalha contrariamente ao retorno venoso de múltiplas formas: aumenta a pressão intra-abdominal, reduz a amplitude de movimento tibiotársico e aumenta a estase venosa. A prevalência de úlceras venosas é significativamente maior em obesos. Pacientes obesos apresentam pior estadiamento CEAP e maior diâmetro de veia safena no duplex. Inclusive, após cirurgia bariátrica em obesos mórbidos, há relatos consistentes de melhora da IVC.
As drogas venoativas devem ser usadas em associação com outros tratamentos?
A diretriz as posiciona como tratamento sintomático, não como alternativa ao tratamento invasivo quando este está indicado. Elas reduzem sintomas (peso nas pernas, dor, inchaço) e são especialmente úteis em pacientes que aguardam tratamento definitivo, têm contraindicação ao tratamento invasivo ou têm DVC em estágios iniciais. A MPFF tem nível A, o que a coloca como opção bem fundamentada como adjuvante em qualquer estágio da DVC sintomática.
Quais são as principais drogas venoativas disponíveis no Brasil?
No Brasil, as principais opções com evidências são: (1) Diosmina-hesperidina micronizada (MPFF) — diosmin 90% + hesperidina 10%, destaque Cochrane; (2) Sulodexida — glicosaminoglicano que age no endotélio venoso; (3) Extrato de videira vermelha (Ruscus aculeatus + hesperidina + vitamina C); (4) Rutosídeos (rutina) — com evidências mais modestas; (5) Dobesilato de cálcio — mostrou-se eficiente na redução do edema em CEAP C3–C4 (estudos randomizados duplo-cegos).

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⚕️ Aviso médico: O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico especialista. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde habilitado. Dr. Maurício Hiroshi Yamada — CRM-PR 21589.

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