Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

Título de Especialista (SBACV)

Certificação em Doppler Vascular (CBR)

Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
Diretriz SBACV 2023 · Parte 5 (Final)

Diretriz Brasileira de Doença Venosa Crônica (SBACV 2023) — Parte 5: Tributárias e Pequenos Vasos

Flebectomia ambulatorial, laser e espuma para tributárias; escleroterapia química líquida (Nível A), laser Nd:YAG e radiofrequência transdérmica para telangiectasias — Recomendações 22 a 31 da Diretriz SBACV 2023.

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 16 de junho de 202613 min min de leitura

Tributárias e Pequenos Vasos — 10 Recomendações (Rec. 22–31)

Esta última parte da série cobre o tratamento de veias tributárias (afluentes das safenas) e veias de pequeno calibre — telangiectasias e veias reticulares (CEAP C1). São 10 recomendações (22–31) que abordam flebectomia, laser endovenoso, escleroterapia com espuma e técnicas para pequenos vasos.

Rec. 22–25: Tributárias
  • Rec. 22 — Flebectomia ambulatorial (Nível B)
  • Rec. 23 — Laser endovenoso tributárias (Nível C)
  • Rec. 24 — Espuma escleroterapia (Nível B)
  • Rec. 25 — Eco-Doppler intraoperatório (Nível C)
Rec. 26–31: Pequenos Vasos (C1)
  • Rec. 26 — Escleroterapia química líquida (Nível A) ★
  • Rec. 27 — Laser transdérmico para C1 (Nível B)
  • Rec. 28 — RF transdérmica para C1 (Nível C)
  • Rec. 29 — Laser + escleroterapia C1 (Nível C)
  • Rec. 30 — Compressão pós-pequenos vasos (Nível B)
  • Rec. 31 — Contra uso rotineiro de tópicos (Classe III)

Tratamento de Veias Tributárias (Rec. 22–24)

Rec. 22 — Recomendamos a flebectomia para o tratamento de tributárias.

Nível B · Classe I

Rec. 23 — Sugerimos o laser endovenoso como alternativa para o tratamento de tributárias.

Nível C · Classe IIb

Rec. 24 — Recomendamos a escleroterapia com espuma para o tratamento de veias tributárias.

Nível B · Classe IIa

Comparativo das opções para tributárias

TécnicaRec.VantagensLimitações
Flebectomia ambulatorial22Padrão histórico; resultados bem conhecidos; baixa recorrência em 1–2 anosProcedimento cirúrgico; algumas complicações inerentes
Escleroterapia c/ espuma24Sem anestesia geral; ambulatorial; possibilidade de repetição; para veia grande + tributárias tronculares: alta taxa de sucessoTromboflebite superficial (evento adverso mais comum); volume limitado em grandes extensões
Laser endovenoso (tributárias)23Alternativa mínimamente invasiva; possibilidade endoluminalPoucas evidências; técnica mais longa; custo elevado; endurecimentos; impopular entre especialistas

Associação de técnicas para tributárias tronculares

A combinação de flebectomia + escleroterapia com espuma para tributárias, especialmente quando associada a abordagens endotérmicas da safena, apresenta altas taxas de sucesso preferentemente em procedimento único. Em grandes extensões de tributárias, a associação pode ser o melhor caminho — a flebectomia para os segmentos maiores e a espuma para os segmentos menores ou de difícil acesso.

Tratamento de Pequenos Vasos — CEAP C1 (Rec. 26–31)

A escleroterapia tem diversas aplicações no tratamento de telangiectasias cutâneas, insuficiência venosa superficial, refluxo venoso pélvico e malformações venosas. Os acidentes vasculares cerebrais — a complicação mais temida — são raros. Enxaquecas e distúrbios visuais são mais comumente relatados.

Rec. 26 — Recomendamos a escleroterapia química líquida para tratamento da DVC C1.

Nível A · Classe IIa Maior nível de evidência para C1

A escleroterapia líquida é recomendada para veias reticulares menores, venulectasia e telangiectasia. Definir expectativas realistas com o paciente é fundamental — a adesão ao acompanhamento e o entendimento de que múltiplas sessões podem ser necessárias são essenciais para uma experiência positiva.

Agente detergente vs. hipertônico

Resultados superiores com agente detergente (ex: polidocanol) comparados a agente hipertônico isolado (ex: glicose 75%). Sem evidência de superioridade clara entre esclerosantes dentro da categoria detergente.

Hiperpigmentação

Evento adverso mais comum e motivo de maior preocupação estética. Poucas complicações de úlcera pós-escleroterapia ou tromboflebite em C1. A hiperpigmentação é mais frequente nas formas concentradas.

Rec. 27 — Recomendamos o laser transdérmico para tratamento da DVC C1, principalmente em telangiectasias.

Nível B · Classe IIa

Rec. 28 — Sugerimos a radiofrequência transdérmica para tratamento da DVC C1, em especial as telangiectasias.

Nível C · Classe IIa

Laser Nd:YAG 1064 nm
  • Tipo mais utilizado para MMII em C1
  • Vantagem: trata lesões onde escleroterapia não é factível
  • Resultados bastante variáveis — dependem do parâmetro utilizado, comprimento de onda e agente comparado
  • Deve ser melhor estudado e avaliado
Radiofrequência Transdérmica
  • Resultados isolados ou em associação com escleroterapia: promissores
  • Ainda necessita de estudos mais robustos
  • Indicação específica: C1 refratário a outras técnicas
  • Deve ser melhor indicada e conhecida

Rec. 29 — Sugerimos o laser associado à escleroterapia química para tratamento da DVC C1.

Nível C · Classe IIb

A associação do laser com a escleroterapia líquida ou em espuma tem sido muito utilizada e é altamente recomendada por alguns grupos. Os estudos das técnicas associadas são restritos a algumas séries de casos — a maioria com resultados promissores, mas com algumas complicações desastrosas descritas. A indicação deve ser criteriosa.

Recomendações 30–31 — Compressão e Tópicos após Tratamento de C1

Rec. 30 — Sugerimos a terapia compressiva após tratamento de pequenos vasos com escleroterapia, laser ou radiofrequência.

Nível B · Classe IIb

Rec. 31 — Sugerimos CONTRA o uso rotineiro de medicamento tópico após tratamento da DVC C1 com qualquer modalidade.

Nível C · Classe III ⚠ Contra-indicado como rotina

Compressão pós C1 — controvérsia

O real benefício da compressão após tratamento de pequenos vasos é difícil de explicar — a pressão necessária para o colapso desses vasos é muito alta, maior que a fornecida por meias compressivas. Outros argumentam que o custo é maior e inconveniente. Há evidência Nível B favorável, mas com Classe IIb (utilidade não bem estabelecida).

Tópicos — sem benefício (Classe III)

Sem evidência de benefício para: corticosteroides, arnica, bromelina. Algumas podem causar malefícios. A recomendação após o tratamento em pele é protetor solar e hidratação — mesmo assim, sem evidência de melhora ou diminuição de complicações. 'Matting' não tem tratamento tópico eficaz.

Resumo da Série — 31 Recomendações SBACV 2023

GrupoTemaRec.Parte
ClassificaçãoCEAP, VCSS, questionários (CIVIQ, AVVQ)1–31
DiagnósticoDuplex scan, IVUS, angiotomografia, PPG4–92
ConservadorFármacos venoativos, compressão, exercício, peso10–133
SafenasTermoablação, stripping, espuma, MOCA, CHIVA14–214
TributáriasFlebectomia, laser endovenoso, espuma22–255
Pequenos vasos C1Escleroterapia (Nível A), laser, RF, associação, compressão, tópicos26–315

Considerações Finais (SBACV 2023)

Este projeto teve como finalidade orientar profissionais e a população em diversas situações de uma doença extremamente comum. As recomendações não tiveram a pretensão de ser determinantes da conduta médica, mas sim uma forma de ajudar o médico assistente a tomar a melhor decisão para o seu paciente. O modelo de elaboração seguiu extensa revisão aliada às opiniões dos especialistas em caso de evidências escassas ou antagônicas. Ainda há várias lacunas para o desenvolvimento científico — novas publicações são necessárias e essas recomendações devem ser revisadas periodicamente de acordo com novas evidências.

Referência

Kikuchi R, Nhuch C, Drummond DAB, Santiago FR, Coelho Neto F, Mauro FO, Três Silveira F, Peçanha GP, Merlo I, Corassa JM, Stambowsky L, Figueiredo M, Takayanagi M, Flumignan RLG, Evangelista SSM, Campos Jr W, Jovilano EE, Araujo WJB Jr, Oliveira JCP. Diretriz brasileira de doença venosa crônica da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular. J Vasc Bras. 2023;22:e20230064. DOI: 10.1590/1677-5449.202300641

Perguntas Frequentes

Flebectomia ou escleroterapia com espuma para tributárias — qual escolher?
Ambas são recomendadas (Rec. 22 e 24, Nível B). A flebectomia ambulatorial é o padrão histórico, com resultados bem conhecidos — taxas de recorrência pequenas em 1 e 2 anos, embora com algumas complicações inerentes ao procedimento. A escleroterapia com espuma pode ser feita com diversas concentrações, tanto líquida quanto em espuma. O evento adverso mais comum da escleroterapia é a tromboflebite superficial, extremamente desagradável. Para grandes extensões e número maior de afluentes, o volume de espuma pode ser empecilho. A combinação de flebectomia + escleroterapia para tributárias (técnicas endotérmicas associadas) apresenta altas taxas de sucesso em procedimento único.
O laser endovenoso tem papel no tratamento de tributárias?
Sim — a Rec. 23 sugere laser endovenoso como alternativa para o tratamento de tributárias (Nível C, Classe IIb). Existem poucas evidências mostrando o benefício, e a técnica mais longa, custos mais elevados e possibilidade de endurecimentos no pré-procedimento tornam esta técnica impopular entre os especialistas. Além disso, existe dúvida sobre a energia a ser utilizada e as melhores indicações. A escleroterapia e a flebectomia permanecem como opções preferenciais para tributárias.
Qual a melhor opção para tratar telangiectasias (CEAP C1)?
A escleroterapia química líquida tem o maior nível de evidência para C1 — Nível A, Classe IIa (Rec. 26). É recomendada para veias reticulares menores, venulectasia e telangiectasia. Definir expectativas realistas antes do tratamento é fundamental. O laser transdérmico (Nd:YAG 1064 nm) é recomendado para C1, especialmente telangiectasias, como alternativa (Rec. 27, Nível B). A radiofrequência transdérmica é sugerida como opção adicional para C1 (Rec. 28, Nível C). A associação escleroterapia + laser é sugerida para C1 (Rec. 29, Nível C).
É necessária compressão após escleroterapia de pequenos vasos?
A diretriz sugere a terapia compressiva após tratamento de pequenos vasos com escleroterapia, laser ou radiofrequência (Rec. 30, Nível B, Classe IIb). No entanto, essa é uma área controversa. O real benefício da compressão pós-tratamento de pequenos vasos é difícil de explicar quando sabemos que a pressão necessária para o colapso desses vasos é muito alta — muito maior do que a fornecida por meias compressivas convencionais. O uso pode ajudar a reduzir hematomas e desconforto, mas a evidência de melhora de resultados é limitada.
O uso de cremes e medicamentos tópicos após escleroterapia de C1 é recomendado?
Não — a diretriz contra-indica o uso rotineiro de medicamento tópico após tratamento da DVC C1 (Rec. 31, Nível C, Classe III). Não há evidência de que substâncias como corticosteroides, arnica ou bromelina tenham benefício. Algumas podem, inclusive, causar malefícios. A recomendação após o tratamento em pele é protetor solar e hidratação — mas mesmo assim, sem evidência de melhora de resultados ou diminuição de complicações. O 'matting' (telangiectasias finas após escleroterapia) tem sido tratado com substâncias tópicas, mas sem grandes evidências.
Qual a diferença entre escleroterapia líquida e em espuma para C1?
Para telangiectasias C1, a escleroterapia líquida é preferida pela maioria (Rec. 26, Nível A). A espuma, quando usada em tributárias menores, apresenta resultados bons em curto prazo com taxas de retratamento de 20%/ano. Para telangiectasias puras, a escleroterapia líquida tem a vantagem de menor volume, menor risco de dispersão sistêmica e melhor controle técnico. A associação escleroterapia líquida + laser Nd:YAG (Rec. 29) pode ser indicada quando há componente de telangiectasia refratária à escleroterapia isolada.

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