Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

Título de Especialista (SBACV)

Certificação em Doppler Vascular (CBR)

Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
Diretriz SBACV 2023 · Parte 2

Diretriz Brasileira de Doença Venosa Crônica (SBACV 2023) — Parte 2: Diagnóstico

Duplex scan como padrão-ouro (Nível A), IVUS superior à venografia na estenose ilíaca, angiotomografia, IVUS e fotopletismografia — Recomendações 4 a 9 da Diretriz SBACV 2023.

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 16 de junho de 202612 min min de leitura

Diagnóstico da DVC — Visão Geral

A diretriz SBACV 2023 estabelece 6 recomendações sobre diagnóstico (Rec. 4–9). A cartografia venosa é essencial para o planejamento cirúrgico e deve ser individualizada para cada paciente e técnica de tratamento. O duplex scan com Doppler permanece a ferramenta central — avalia tanto o refluxo superficial e profundo quanto a obstrução do segmento suprainguinal.

Rec. 4–6
Duplex Scan
Padrão-ouro · Nível A
Rec. 7–8
IVUS + Angiotomografia
Obstrução suprainguinal
Rec. 9
Fotopletismografia
Complementar · Nível C

Recomendações 4–6 — Duplex Scan com Doppler

Rec. 4 — Recomendamos o duplex scan como ferramenta inicial para diagnóstico em todo paciente com suspeita de IVC.

Nível A · Classe I

Rec. 5 — Recomendamos o duplex scan como ferramenta inicial para diagnóstico em pacientes com classificação CEAP C1 (para mapeamento de pontos de fuga de safenas).

Nível B · Classe IIa

Rec. 6 — Recomendamos o duplex scan venoso de abdome e pelve como ferramenta inicial para diagnóstico com suspeita de obstrução/estenose suprainguinal.

Nível B · Classe IIa

Parâmetros técnicos fundamentais

ParâmetroCritério / Valor de referênciaAplicação
Tempo de refluxo venoso≥ 1 segundo (veia femoral comum)Diagnóstico de refluxo patológico
Diâmetro da safena magnaCorrelação com classificação CEAP (sem valor de corte absoluto)Planejamento de tratamento
Fluxo bidirecionalP = 0,05 (maior em C0S vs. C0A)Suspeita de DVC subclínica
Razão de velocidade ilíaca> 2,5 (comparado à veia normal)Detecção de estenose ilíaca por duplex
Veias ovarianas (trans-abdominal)Diâmetro + refluxo documentadosSíndrome de congestão pélvica

Telangiectasias de coxa: duplex obrigatório antes do tratamento

Estudos demonstraram que pontos de fuga das safenas têm correlação positiva com telangiectasias e pequenas varicosidades. 22,6–50% dos pacientes com C1 têm incompetência safena associada — tratar apenas a telangectasia sem abordar o ponto de fuga aumenta recidiva. A análise de pontos de fuga por duplex antes do tratamento de C1 é essencial.

Recomendações 7–8 — Obstrução Suprainguinal: IVUS e Angiotomografia

Rec. 7 — Sugerimos usar outros exames de imagem (angiotomografia, angiorressonância e/ou venografia) no diagnóstico de pacientes com IVC e suspeita de estenose/obstrução suprainguinal.

Nível B · Classe IIb

Rec. 8 — Recomendamos usar ultrassom intravascular (IVUS) como investigação adicional no diagnóstico e/ou suspeita de estenose/obstrução suprainguinal.

Nível A · Classe IIa

IVUS vs. Venografia vs. Angiotomografia — Comparativo

Venografia Convencional
  • Identifica lesão ilíaca em apenas 19% dos casos confirmados pelo IVUS
  • Visão anteroposterior limita avaliação de compressão extrínseca
  • Pode guiar procedimento de stenting com sucesso
  • Limitada como diagnóstico isolado
Angiotomografia (TC)
  • Sensibilidade 94% e especificidade 79,2% para síndrome de compressão ilíaca ≥ 50%
  • Alternativa disponível ao IVUS
  • Radiação ionizante + contraste iodado
  • Boa para planejamento anatômico
IVUS (Ultrassom Intravascular)
  • PPV 95% para estenose ilíaca
  • Superior à venografia na detecção de estenose
  • Área máxima de estenose significativamente maior vs. venografia
  • Padrão de referência atual — Nível A, Classe IIa

Síndrome de May-Thurner (Compressão Ilíaca)

A compressão da veia ilíaca comum esquerda pela artéria ilíaca comum direita — síndrome de May-Thurner — é frequentemente subestimada pela venografia. Um estudo no Brasil avaliou a correlação do duplex com IVUS em pacientes com IVC: uma razão de velocidade > 2,5 foi o melhor critério por duplex para detectar obstruções mais graves. O escaneamento com duplex transabdominal tem PPV de 95,5% para estenoses mais graves nesse segmento.

Recomendação 9 — Fotopletismografia (PPG)

Sugerimos usar fotopletismografia como ferramenta complementar para diagnóstico e orientação terapêutica em pacientes com IVC.

Nível C · Classe IIa

Utilidades da PPG
  • ✓ Avaliação topográfica e hemodinâmica dos sistemas superficial e profundo
  • ✓ Ferramenta auxiliar de diagnóstico de IVC com repercussão funcional
  • ✓ Útil no seguimento pós-tratamento
  • ✓ Identifica refluxo residual após intervenção
Limitações da PPG
  • ⚠ Após tratamento, 71% dos pacientes ainda têm suspeita de refluxo pela PPG — mesmo sem melhora de QoL
  • ⚠ Pode indicar veias perfurantes insuficientes ou varicosidades residuais
  • ⚠ Não substitui o duplex scan para planejamento cirúrgico
  • ⚠ Evidência de baixo nível (Nível C)

Recomendação 25 — Eco-Doppler Intraoperatório

Orientamos o uso do eco-Doppler intraprocedimento durante o tratamento invasivo venoso.

Nível C · Classe I

O benefício da punção guiada por ultrassom foi claro, com redução de 82% na taxa de falha nos procedimentos. Com as técnicas endovasculares venosas modernas, o eco-Doppler é considerado inerente à execução dos procedimentos — ou seja, o procedimento não existiria sem a presença do ultrassom. Isso inclui tanto o acesso venoso quanto o monitoramento em tempo real da posição e do efeito da ablação.

Referência

Kikuchi R et al. Diretriz brasileira de doença venosa crônica da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular. J Vasc Bras. 2023;22:e20230064. DOI: 10.1590/1677-5449.202300641

Perguntas Frequentes

Por que o duplex scan é considerado o exame de primeira escolha na DVC?
O duplex scan com Doppler é o único exame que avalia simultaneamente a morfologia vascular (modo B) e a hemodinâmica venosa (Doppler colorido e espectral) em tempo real, sem radiação ionizante. Para considerar refluxo venoso, o tempo de fluxo reverso ≥ 1 segundo na veia femoral comum é o critério padrão. O exame permite estadiar a DVC pelo CEAP/VCSS e planejar a intervenção cirúrgica com precisão. Em revisão sistemática, confirmou-se como a primeira escolha para diagnóstico — Nível A, Classe I (Rec. 4 e 5).
O duplex scan transabdominal é necessário em todos os pacientes com DVC?
Não — é indicado especificamente quando há suspeita de obstrução/estenose suprainguinal (segmento ilíaco ou cava). Em mãos experientes, o duplex transabdominal pode demonstrar de forma consistente as veias ovarianas e documentar seu diâmetro e possível refluxo, evitando exames mais caros. A Rec. 6 (Nível B, Classe IIa) recomenda o duplex de abdome e pelve como ferramenta inicial para suspeita de obstrução suprainguinal — especialmente importante na síndrome de compressão ilíaca (May-Thurner) e congestão pélvica.
Quando o IVUS é superior à venografia?
O IVUS (ultrassom intravascular) é consistentemente superior à venografia na detecção de estenose ilíaca. Uma razão de velocidade > 2,5 (comparando a área da estenose com a veia ilíaca normal) é o melhor critério por duplex para detectar obstruções. A TC tem sensibilidade e especificidade de 94% e 79,2% para síndrome de compressão ilíaca ≥ 50% vs. IVUS. O PPV do IVUS para estenose é 95%. A venografia, paradoxalmente, identifica lesão ilíaca em apenas 19% dos casos onde o IVUS confirma a obstrução — diferença atribuída à visão anteroposterior limitada da venografia.
Qual o papel da fotopletismografia (PPG) no diagnóstico da DVC?
A PPG mede indiretamente a pressão arterial capilar — principal força motriz para troca de fluidos nos microvasos. É uma ferramenta auxiliar, não substituta do duplex. É indicada para orientação diagnóstica e terapêutica complementar (Rec. 9, Nível C, Classe IIa). Após tratamento, a PPG ainda mostrou suspeita de refluxo em 71% dos pacientes que não apresentaram melhora nos escores de QoL — sugerindo que pode ser útil no seguimento pós-intervenção para identificar refluxo residual ou veias perfurantes insuficientes.
Quando solicitar angiotomografia, angiorressonância ou venografia convencional?
Esses exames são indicados em pacientes com IVC e suspeita de estenose/obstrução suprainguinal quando o duplex transabdominal é inconclusivo (Rec. 7, Nível B, Classe IIb). A angiotomografia é a alternativa mais disponível, com boa acurácia para o segmento ilíaco. A venografia clássica identifica lesão ilíaca em apenas 19% dos casos confirmados pelo IVUS, e sua visão anteroposterior limita a avaliação de compressão extrínseca. O IVUS deve ser adicionado sempre que houver suspeita de obstrução ilíaca (Rec. 8, Nível A, Classe IIa).
Como mapear as telangiectasias de coxa antes do tratamento?
A ultrassonografia Doppler é recomendada para mapeamento de pontos de fuga das veias safenas antes de tratar telangiectasias e pequenas varicosidades (Rec. 5, Nível B, Classe IIa para CEAP C1). Um estudo mostrou que 22,6% a 40–50% dos pacientes com telangiectasias de coxa também têm refluxo de veia safena associado — o que muda completamente a estratégia terapêutica. Tratar apenas a telangiectasia sem abordar o ponto de fuga safeno aumenta as taxas de recorrência.

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Este conteúdo é voltado para profissionais de saúde. Para encaminhamento de paciente, segunda opinião ou discussão de conduta com o Dr. Maurício, entre em contato direto pelo WhatsApp.

⚕️ Aviso médico: O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico especialista. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde habilitado. Dr. Maurício Hiroshi Yamada — CRM-PR 21589.

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