Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

Título de Especialista (SBACV)

Certificação em Doppler Vascular (CBR)

Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
Diretriz SBACV 2023 · Parte 4

Diretriz Brasileira de Doença Venosa Crônica (SBACV 2023) — Parte 4: Tratamento Invasivo das Safenas

Laser endovenoso (92% sucesso, Nível A), stripping, espuma ecoguiada, MOCA, CHIVA/ASVAL e tratamento de perfurantes — Recomendações 14 a 21 da Diretriz SBACV 2023.

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 16 de junho de 202614 min min de leitura

Recomendação 14 — Indicação do Tratamento Invasivo

Recomendamos o tratamento invasivo com a supressão dos pontos de refluxo para pacientes com sintomas e diagnóstico de insuficiência venosa crônica.

Nível A · Classe I

O tratamento invasivo tem custo total para o sistema de saúde maior do que o conservador, mas oferece benefício para a saúde dos pacientes além do que os medicamentos e a compressão conseguem. Após o procedimento, observa-se melhora na qualidade de vida, queda da morbidade e diminuição de alterações tróficas da pele.

🎯
Objetivo
Supressão dos pontos de refluxo com melhora hemodinâmica
📊
Evidência
Nível A, Classe I — a evidência mais forte disponível
Indicação
Disponibilidade técnica + DVC varicosa sintomática

Recomendações 15–16 — Termoablação e Stripping das Safenas

Rec. 15 — Recomendamos a termoablação sem a ligadura da JSF para tratamento da VSM e VSP.

Nível A · Classe I

Rec. 16 — Recomendamos o stripping para tratamento da VSM e VSP.

Nível A · Classe IIa

Comparativo: Termoablação vs. Stripping

ParâmetroTermoablação (EVLA/RF)Stripping
Taxa de sucesso (VSM)92% (laser)Similar a longo prazo
Resultado de longo prazo (1 ano)Sem diferençaSem diferença
Complicações de curto prazoMenores e menos frequentesMais frequentes
Dor pós-procedimentoMenor (especialmente RF)Maior
AnestesiaTumescente local (sem JSF)Geral/raqui ou local
Custo-efetividadeEVLA anestesia local: mais econômico (revisão britânica)Moderado
AVVQ 3 meses pósSimilarSimilar

Laser Endovenoso (EVLA) — 92% de sucesso na VSM

O laser endovenoso tem taxa de sucesso de 92% no tratamento da VSM. Comprimentos de onda mais longos apresentam resultados mais satisfatórios, com menos dor. Outros instrumentos de termoablação têm sido estudados: eletrocoagulação, mas o laser e a radiofrequência, com anestesia tumescente sem a ligadura da junção safeno-femoral (JSF), têm se mostrado superiores ao stripping no curto prazo. A termoablação sem JSF é a recomendação Classe I.

Recomendação 17 — Escleroterapia com Espuma Ecoguiada

Recomendamos escleroterapia com espuma ecoguiada para o tratamento da insuficiência da VSM e VSP.

Nível A · Classe IIb

Vantagens da espuma ecoguiada
  • ✓ Sem anestesia necessária
  • ✓ Tratamento ambulatorial simples
  • ✓ Possibilidade de repetição do tratamento
  • ✓ Pode ser feita inclusive em úlceras ativas
  • ✓ Para tributárias: resultados duráveis (retratamento 20%)
Limitações e quando evitar
  • ⚠ Taxa de retratamento: 20% em 1 ano
  • ⚠ Escores de QoL pioram progressivamente
  • ⚠ Veia safena grande + refluxo basal: menos eficaz
  • ⚠ EVLA anestesia local é mais econômico a longo prazo
  • ⚠ Hiperpigmentação: evento adverso mais comum

Para tributárias, a escleroterapia com espuma tem resultados duráveis em curto prazo, com retratamento previsto em 20% dos membros em 1 ano. A grande vantagem da espuma é a facilidade de tratamento sem anestesia, com possibilidade de repetição em úlcera ativa. Quando comparada à termoablação, o EVLA com anestesia local tem mesmas taxas de sucesso a longo prazo e é considerado resultado inferior com a espuma a longo prazo (resultados 2ª linha).

Recomendação 18 — MOCA (Ablação Mecânico-Química)

Recomendamos MOCA para o tratamento da insuficiência da VSM e VSP.

Nível B · Classe IIb

A MOCA combina um cateter de ablação mecânica com injeção simultânea de agente esclerosante. É muito mais simples de executar do que outras técnicas. Não requer anestesia tumescente. As complicações relatadas são menores. No entanto, no seguimento de 12–36 meses, os índices de oclusão são menores que as termoablações — ainda não se comprovou no mesmo nível que as termoablações, com índices de oclusão menores.

Recomendação 19 — Técnicas de Preservação (CHIVA e ASVAL)

Sugerimos cirurgias de preservação de safenas para o tratamento da insuficiência venosa crônica.

Nível C · Classe IIb

CHIVA
Tratamento Hemodinâmico Conservador Ambulatorial da IVC
  • Corrige pontos de escape hemodinâmicos com ligadura
  • Preserva a veia safena
  • Resultados: melhores resultados estéticos e menos dor vs. cirurgia convencional
  • Curva de aprendizado longa
  • Exige grande conhecimento sobre hemodinâmica venosa
ASVAL
Ablação Seletiva de Veias Varicosas sob Anestesia Local
  • Teoria ascendente multifocal da DVC
  • Pressão da coluna sanguínea + fraqueza da parede → varicosidade
  • Tratamento sob anestesia local ambulatorial
  • Resultados similares ao CHIVA em estudos comparativos
  • Indica preservação da safena quando possível

Recomendações 20–21 — Tratamento de Veias Perfurantes

Rec. 20 — Sugerimos, quando indicado, a termoablação como terapêutica para o tratamento de veias perfurantes.

Nível C · Classe IIa

Rec. 21 — Sugerimos, quando indicado, a espuma para o tratamento de veias perfurantes.

Nível C · Classe IIa

Controvérsia: quando tratar perfurantes?

A necessidade de tratamento das veias perfurantes é controversa na literatura. As taxas de oclusão são de 30–70%, com melhora se houver repetição do tratamento. A ablação térmica com laser ou radiofrequência tem curva de aprendizado longa. Para muitos, a espuma é a opção inicial por ser menos invasiva e mais fácil de executar — mesmo que as taxas de oclusão sejam ligeiramente piores. Em geral, o tratamento do sistema superficial (safenas) costuma ser suficiente — o tratamento de perfurantes deve ser considerado principalmente em úlceras venosas refratárias com perfurantes claramente insuficientes.

Resumo das Recomendações 14–21

Rec.IntervençãoNívelClasse
14Tratamento invasivo com supressão de refluxo (indicação geral)AI
15Termoablação sem ligadura da JSF (VSM e VSP)AI
16Stripping para VSM e VSPAIIa
17Escleroterapia com espuma ecoguiada (VSM e VSP)AIIb
18MOCA para VSM e VSPBIIb
19Cirurgias de preservação (CHIVA/ASVAL)CIIb
20Termoablação para perfurantesCIIa
21Espuma para perfurantesCIIa

Referência

Kikuchi R et al. Diretriz brasileira de doença venosa crônica da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular. J Vasc Bras. 2023;22:e20230064. DOI: 10.1590/1677-5449.202300641

Perguntas Frequentes

Quando o tratamento invasivo da DVC está indicado?
A indicação invasiva (Rec. 14, Nível A, Classe I) é o tratamento com a supressão dos pontos de refluxo para pacientes com sintomas e diagnóstico de IVC. Isso inclui: pacientes sintomáticos com refluxo confirmado pelo duplex (independente do estágio CEAP), casos com alterações tróficas (C4–C6) e casos onde o tratamento conservador não foi suficiente. O tratamento invasivo é recomendado de acordo com a disponibilidade técnica, para pacientes com DVC varicosa sintomática — pois além de melhorar sintomas, melhora a QoL, reduz morbidade e reduz alterações tróficas da pele.
Termoablação ou stripping — qual é melhor?
São equivalentes a longo prazo (1 ano: sem diferença na taxa de oclusão ou AVVQ). A termoablação (laser endovenoso EVLA ou radiofrequência) tem vantagens de curto prazo: menos complicações, recuperação mais rápida e menos dor. O laser endovenoso tem taxa de sucesso de 92% no tratamento da VSM — comprimentos de onda mais longos (1470 nm) apresentam resultados mais satisfatórios com menos dor. O stripping (Rec. 16, Nível A, Classe IIa) continua sendo uma opção válida — em análise britânica, o EVLA com anestesia local é considerado a estratégia mais econômica em geral.
A espuma ecoguiada é uma boa opção para as safenas?
É uma opção importante, especialmente pela facilidade e possibilidade de retratamento (Rec. 17, Nível A, Classe IIb). Vantagens: sem anestesia, ambulatorial, possibilidade de repetição inclusive em úlceras ativas. Limitações: taxa de retratamento prevista de 20% dos membros em um ano; ao longo do tempo, os escores de qualidade pioram com necessidade de reabordagem (principalmente veias grandes e refluxo basal). A espuma é menos eficaz quando há veia safena grande e refluxo basal. O EVLA com anestesia local é mais econômico a longo prazo do que a espuma para casos com veia grande.
O que é MOCA e qual o seu papel no tratamento das safenas?
MOCA (Ablação Mecânico-Química) combina um cateter de ablação mecânica com injeção simultânea de esclerosante (Rec. 18, Nível B, Classe IIb). Principais vantagens: muito mais simples de executar que outras técnicas, sem necessidade de anestesia tumescente, curva de aprendizado menor. Resultados: no seguimento de 12–36 meses, índices de oclusão menores que as termoablações. Ainda não atingiu o mesmo nível que as termoablações, mas os resultados são promissores. É especialmente útil em consultório ou quando não há acesso a equipamento de laser/radiofrequência.
O que são as técnicas CHIVA e ASVAL?
São cirurgias hemodinâmicas de preservação da veia safena. CHIVA (Tratamento Hemodinâmico Conservador Ambulatorial da Insuficiência Venosa) corrige pontos de escape hemodinâmicos com ligadura e preservação da safena — baseada no conceito de shunts venovenosos. ASVAL (Ablação Seletiva de Veias Varicosas sob Anestesia Local) propõe a teoria ascendente multifocal. Comparação: CHIVA e EVLA apresentam melhores resultados estéticos e menos dor versus cirurgia convencional (Rec. 19, Nível C, Classe IIb). A CHIVA requer longa curva de aprendizado e grande conhecimento do cirurgião sobre hemodinâmica venosa.
Como tratar as veias perfurantes insuficientes?
A diretriz sugere termoablação como primeira opção quando indicada (Rec. 20, Nível C, Classe IIa). A escleroterapia com espuma também é sugerida quando indicada (Rec. 21, Nível C, Classe IIa). A escleroterapia com espuma pode ser considerada de primeira linha por ser minimamente dolorosa e menos dispendiosa. As taxas de oclusão com termoablação são de 30–70%, com melhora se houver repetição. A necessidade de tratamento das perfurantes é controversa, especialmente em casos sem úlcera ativa — o tratamento do sistema superficial (safenas) costuma ser suficiente.

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⚕️ Aviso médico: O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico especialista. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde habilitado. Dr. Maurício Hiroshi Yamada — CRM-PR 21589.

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