Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

Título de Especialista (SBACV)

Certificação em Doppler Vascular (CBR)

Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
Diretriz SBACV 2023 · Parte 1

Diretriz Brasileira de Doença Venosa Crônica (SBACV 2023) — Parte 1: Classificação

Classificação CEAP atualizada (incluindo C4c corona flebectásica), VCSS para acompanhamento funcional e questionários de qualidade de vida — as 3 primeiras recomendações da Diretriz Brasileira de DVC.

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 16 de junho de 202610 min min de leitura

A Diretriz Brasileira de DVC — SBACV 2023

A Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV) organizou uma comissão de cirurgiões vasculares especialistas para produzir recomendações baseadas em evidências sobre a doença venosa crônica (DVC) dos membros inferiores. O resultado foram 31 recomendações distribuídas em cinco grandes temas: classificação, diagnóstico, tratamento conservador, tratamento invasivo e tratamento de pequenos vasos.

31
Recomendações baseadas em evidências
5
Temas principais cobertos
2023
J Vasc Bras — DOI: 10.1590/1677-5449.202300641

Os subgrupos realizaram buscas sistemáticas no MEDLINE, LILACS, SciELO e Central (português, inglês e espanhol). A qualidade dos estudos foi graduada pelos critérios da ESC, e os níveis de recomendação seguem a convenção européia (Nível A/B/C + Classe I/IIa/IIb/III).

Sistema de Graduação de Evidências (ESC)

Nível de EvidênciaDefinição
Nível AMúltiplos ensaios clínicos randomizados ou metanálises
Nível BÚnico ECR ou grandes estudos não randomizados
Nível CConsenso de especialistas, estudos retrospectivos ou relatos de casos
Classe de RecomendaçãoDefinição
Classe IEvidência e/ou concordância geral de que o tratamento é benéfico, útil e eficaz
Classe IIaPeso da evidência/opinião a favor da utilidade/eficácia
Classe IIbUtilidade/eficácia menos bem estabelecida por evidência/opinião
Classe IIIEvidência de que o tratamento não é útil/eficaz e pode ser prejudicial

Recomendação 1 — Classificação CEAP

Recomendamos a utilização da classificação CEAP para todo paciente com insuficiência venosa crônica para fins acadêmicos e legais.

Nível B · Classe I

O sistema CEAP — criado em 1994, revisado em 2004 e atualizado em 2020 — classifica a DVC em quatro dimensões: Clínica, Etiológica, Anatômica e Fisiopatológica. É o único sistema com linguagem global uniforme para comunicação entre especialistas.

Estadiamento Clínico (C0–C6)

EstágioDescriçãoDetalhe
C0Sem sinais visíveis ou palpáveisC0A = assintomático · C0S = sintomático
C1Telangiectasias e veias reticularesVeias < 3 mm
C2VarizesVeias ≥ 3 mm, tortuosas. C2r = recidivantes
C3EdemaOrigem venosa confirmada
C4aPigmentação e/ou eczemaAlterações tróficas iniciais
C4bLipodermatoesclerose e/ou atrofia brancaRisco elevado de úlcera
C4c ★Corona flebectásicaTelangiectasias no pé/tornozelo — nova subcategoria 2020, risco de úlcera
C5Úlcera venosa cicatrizada
C6Úlcera venosa ativaC6r = recidivante

★ Novidade 2020: Corona Flebectásica (C4c)

A corona flebectásica é um conjunto de telangiectasias na face medial do pé e tornozelo medial, associadas a alto risco de progressão para úlcera. Sua inclusão como C4c reconhece que esses pacientes merecem estadiamento específico e seguimento mais rigoroso — não devem ser classificados apenas como C1.

Dimensões E, A, P do CEAP

E — Etiologia
  • Ec — Congênita
  • Ep — Primária
  • Es — Secundária (intravenosa: pós-trombótica)
  • Esi — Causas intravenosas secundárias
  • En — Nenhuma causa identificada
A — Anatômica
  • As — Sistema superficial
  • Ap — Sistema perfurante
  • Ad — Sistema profundo
  • An — Nenhuma localização identificada
P — Fisiopatologia
  • Pr — Refluxo
  • Po — Obstrução
  • Pr,o — Refluxo + obstrução
  • Pn — Nenhum mecanismo identificado

Recomendação 2 — VCSS (Venous Clinical Severity Score)

Recomendamos a utilização do VCSS para todo paciente com insuficiência venosa crônica para fins acadêmicos e legais.

Nível B · Classe I

O VCSS foi criado como ferramenta para estadiar e quantificar a progressão natural da DVC evolutivamente. Avalia 10 atributos clínicos (dor, varizes, edema, pigmentação, inflamação, induração, úlcera ativa, duração da úlcera, tamanho da úlcera e terapia compressiva), cada um pontuado de 0 a 3, totalizando 0–30 pontos.

Vantagens do VCSS
  • ✓ Avalia resposta ao tratamento ao longo do tempo
  • ✓ Forte correlação com o CEAP (C0–C6)
  • ✓ Correlação positiva com Dermatology Quality Life Index (DLQI)
  • ✓ Permite análise de custo-efetividade
  • ✓ Reprodutível e ferramenta de suporte a decisões
Limitações do VCSS
  • ⚠ Não avalia gravidade de incapacidade funcional
  • ⚠ O CEAP não abrange avaliação de gravidade
  • ⚠ Falta de consenso internacional sobre classificações da DVC
  • ⚠ Pontuação de terapia compressiva pode mascarar a gravidade real

A diretriz recomenda usar CEAP e VCSS em conjunto: o CEAP fornece a "fotografia" clínica, enquanto o VCSS documenta a "evolução cinematográfica" da doença e do tratamento.

Recomendação 3 — Questionários de Qualidade de Vida (C1)

Sugerimos a utilização de um sistema específico para todo paciente com telangiectasias e veias reticulares (C1).

Nível C · Classe IIa

CIVIQ
Chronic Venous Insufficiency Questionnaire
  • 20 itens em 4 domínios
  • Dor, atividade física, social e psicológico
  • Validado especificamente para DVC
AVVQ
Aberdeen Varicose Vein Questionnaire
  • Foco em varizes e impacto visual
  • Correlação com DLQI (qualidade dermatológica)
  • Usado em ensaios clínicos de tratamento
VEINES-QOL/Sym
Venous Insufficiency Epidemiological and Economic Study
  • Avalia sintomas e QoL em DVC de MMII
  • Validado em múltiplos países
  • Útil em estudos de custo-efetividade

Epidemiologia da DVC: o que os dados mostram

A DVC afeta predominantemente o sexo feminino. Os fatores de risco mais consistentes na literatura incluem: gênero feminino, idade avançada, obesidade, longos períodos em pé, histórico familiar de varizes e multiparidade. A doença tem evolução geralmente benigna, mas pode se associar a trombose venosa ou hemorragias em casos específicos.

Fator de RiscoEvidênciaImpacto
Gênero femininoForte (coortes populacionais)Maior prevalência em todas as faixas etárias
Idade avançadaForte (Estudo de Bonn, n=3.072)Prevalência aumenta progressivamente com a idade
ObesidadeFortePior estadiamento CEAP e maior diâmetro de safena
Longos períodos em péModeradaHipertensão venosa ortostática prolongada
Histórico familiarModeradaComponente hereditário estabelecido
MultiparidadeModeradaCada gestação aumenta o risco
Histórico de TVPForteSíndrome pós-trombótica (Es/Esi no CEAP)

Referência

Kikuchi R, Nhuch C, Drummond DAB, Santiago FR, Coelho Neto F, Mauro FO, Três Silveira F, Peçanha GP, Merlo I, Corassa JM, Stambowsky L, Figueiredo M, Takayanagi M, Flumignan RLG, Evangelista SSM, Campos Jr W, Jovilano EE, Araujo WJB Jr, Oliveira JCP. Diretriz brasileira de doença venosa crônica da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular. J Vasc Bras. 2023;22:e20230064. DOI: 10.1590/1677-5449.202300641

Perguntas Frequentes

Por que a classificação CEAP foi atualizada e o que mudou com o C4c?
A classificação CEAP foi criada em 1994 e revisada em 2004 e 2020. A principal atualização recente foi a inclusão da subcategoria C4c para a corona flebectásica — conjunto de telangiectasias na face medial do pé e tornozelo. Esse sinal foi incluído porque tem alto risco potencial de evolução para úlcera venosa (C6), justificando estadiamento e intervenção mais precoces. A atualização 2020 também aprimorou a categorização da etiologia 'Esi' (causas intravenosas secundárias, como alterações pós-trombóticas).
O VCSS pode substituir o CEAP na prática clínica?
Não — os dois sistemas são complementares. O CEAP classifica aspectos clínicos, etiológicos, anatômicos e fisiopatológicos (estático), enquanto o VCSS mede a gravidade dos sintomas e resposta ao tratamento ao longo do tempo (dinâmico). O CEAP não abrange gravidade funcional nem qualidade de vida, lacunas que o VCSS e os questionários (CIVIQ, AVVQ) preenchem. A diretriz SBACV recomenda usar CEAP + VCSS em conjunto para fins acadêmicos e legais (Rec. 1 e 2).
Quais questionários de qualidade de vida são recomendados na DVC?
A diretriz cita três: (1) CIVIQ (Chronic Venous Insufficiency Questionnaire) — específico para DVC, valida 20 itens em 4 domínios (dor, atividade física, social, psicológico); (2) AVVQ (Aberdeen Varicose Vein Questionnaire) — foca em varizes e impacto visual/funcional; (3) VEINES-QOL/Sym — avalia sintomas e qualidade de vida em DVC de membros inferiores. Para telangiectasias e veias reticulares (C1), a Rec. 3 sugere sistema específico de acompanhamento (Nível C, Classe IIa).
Qual a prevalência da doença venosa crônica no Brasil?
No estudo de Bonn, com 3.072 participantes (18–79 anos), 22,6% tinham varizes e 15,8% eram portadores de IVC. A DVC é predominantemente feminina — gênero feminino, idade avançada, obesidade, longos períodos em pé, histórico familiar e paridade são fatores de risco estabelecidos. A progressão da DVC é mais comum em indivíduos com excesso de peso, histórico de TVP e presença de refluxo venoso profundo.
O que é a subcategoria CEAP C0S e por que ela importa clinicamente?
C0S são pacientes sem sinais visíveis ou palpáveis de DVC (C0), mas com sintomas venosos (S = sintomático). São frequentemente ignorados ou confundidos com outras doenças, mas um estudo mostrou que 22,6% dos participantes com sintomas venosos não tinham achados visíveis (C0S). Um estudo aberto comparou C0S com C0A (assintomático) e o Doppler identificou fluxo bidirecional significativamente maior em C0S (P=0,05), sugerindo incompetência venosa subclínica. Isso reforça o papel do duplex scan mesmo em pacientes sem varizes visíveis.
Como o sistema ESC de evidências se aplica às recomendações da diretriz SBACV?
A diretriz adotou os critérios da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC): Nível de evidência A (múltiplos ECRs ou metanálises), B (único ECR ou grandes estudos não randomizados) e C (consenso de especialistas, estudos retrospectivos ou relatos de casos). As classes de recomendação vão de Classe I (benefício confirmado) a Classe III (sem benefício ou potencialmente prejudicial). As 31 recomendações da diretriz estão classificadas por nível e classe, permitindo ao clínico ponderar a força de cada orientação.

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⚕️ Aviso médico: O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico especialista. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde habilitado. Dr. Maurício Hiroshi Yamada — CRM-PR 21589.

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