Compressão em Varizes: Quando Indicar, Quando Evitar e por Quanto Tempo — Guideline 2 SVS 2023
O SVS 2023 Part II Guideline 2 redefine o papel da meia elástica em varizes: não como pré-requisito obrigatório para intervenção, mas como tratamento adjuvante com duração baseada em evidências. Entenda as recomendações 2.1.1 a 2.2.1, o COMETA trial e os casos em que a compressão é, de fato, o tratamento de escolha.
Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295
Resposta direta: Compressão elástica (ECS) na DVC — quando indicar por CEAP: C0s/C1s/C2 sintomática: ≥15 mmHg (Rec 9, Classe I, ESVS 2022); C3 (edema): 20–40 mmHg (Rec 10, Classe I); C4b (lipodermatoesclerose): 20–40 mmHg (Rec 11, Classe I — novidade 2022); SPT: 20–40 mmHg (Rec 12, Classe IIa); C6 (úlcera ativa): ≥40 mmHg (Rec 70, Classe I). ITB obrigatório antes de pressões ≥30 mmHg. Contraindicada em ITB <0,6 (ou <60 mmHg de pressão absoluta no tornozelo).
O Guideline 2 das Diretrizes SVS 2023 Part II (Gloviczki et al., J Vasc Surg Venous Lymphat Disord 2024;12:101670) posiciona a terapia compressiva com precisão: útil como paliativo e como adjuvante pós-procedimento, mas não superior à ablação no tratamento do refluxo truncal e não justificável como exigência pré-operatória obrigatória.

O que o SVS 2023 diz sobre compressão em varizes?
O Guideline 2 é organizado em dois blocos: (A) compressão como alternativa ou adjuvante ao tratamento definitivo (Recomendações 2.1.1 a 2.1.4) e (B) compressão pós-procedimento (Recomendação 2.2.1). As evidências de base incluem a revisão Cochrane de 13 RCTs comparando compressão vs cirurgia, o REACTIV trial (UK) e o COMETA trial (Bootun et al., 2021).
Bloco 2.1 — Compressão vs Intervenção
Base de Evidências do Guideline 2.1
Compressão vs cirurgia aberta: cirurgia superior em QoL e melhora de sintomas
Cirurgia vs compressão: AVVQ melhor no grupo cirúrgico a 2 anos; base para Grade 1B
Sem RCT demonstrando benefício do período de "ensaio" obrigatório
Bloco 2.2 — Compressão Pós-Procedimento
Síntese dos Estudos sobre Duração da Compressão Pós-Ablação
| Estudo | Comparação | Resultado Principal |
|---|---|---|
| COMETA trial (Bootun 2021) | 1 semana vs 2 semanas após RFA/EVLA | Sem diferença em dor, hematoma ou QoL — 1 semana suficiente |
| Marsden 2015 | 3 dias vs sem compressão após ablação | Tendência a menor dor com alguma compressão, mesmo por período curto |
| Krasznai et al. | Compressão vs não compressão após stripping | Redução de hematoma e equimose com compressão na primeira semana |
| AVF/SVS 2019 (Guideline) | Revisão sistemática pós-ablação | Recomendação "Best Practice": compressão precoce após todos os procedimentos de varizes |
Algoritmo Clínico: Compressão em Varizes
Compressão como Tratamento Definitivo — Indicar SE:
- Risco cirúrgico excessivo (ASA IV, insuficiência orgânica grave)
- Recusa do procedimento pelo paciente (devidamente informado)
- Contraindicação técnica à ablação (ex.: TVP ativa)
- Gravidez (até o puerpério)
- ITB <0,5 (contraindicação relativa à compressão >20 mmHg)
Compressão como Adjuvante — Duração por Procedimento:
- Ablação térmica (EVLA/RFA): ≥1 semana (20–30 mmHg)
- Ablação não-térmica (VenaSeal/MOCA): ≥1 semana (individualizar)
- Stripping/cirurgia: ≥1 semana (30–40 mmHg imediato)
- UGFS: 1–2 semanas (reduz hiperpigmentação)
- Escleroterapia de telangiectasias: 3–7 dias mínimo
Impacto Prático: A Questão das Pré-Autorizações
A Recomendação 2.1.4 (Grade 2B) do SVS 2023 é diretamente relevante ao contexto brasileiro, onde operadoras de saúde frequentemente exigem comprovação de "tratamento conservador prévio por 3 meses" como requisito para autorizar a ablação endovenosa. Do ponto de vista das diretrizes internacionais, essa exigência não tem suporte científico: o REACTIV trial e a revisão Cochrane demonstram que a intervenção é superior à compressão desde o início, sem necessidade de período de "ensaio".
O SVS 2023 alinha-se ao posicionamento da ESVS 2022 e do NICE (UK) nesse ponto: quando o diagnóstico de refluxo truncal está documentado por DUS e o paciente é candidato à intervenção, a aprovação deve ser baseada na indicação clínica — não em um período arbitrário de compressão prévia.
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Perguntas Frequentes
O plano de saúde pode exigir 3 meses de meia elástica antes de aprovar o tratamento de varizes?
A meia elástica é melhor ou pior que a cirurgia/ablação no tratamento de varizes?
Quando a meia elástica é o tratamento indicado para varizes — e não a ablação?
Por quanto tempo usar meia elástica após ablação endovenosa de varizes?
A compressão após escleroterapia deve seguir o mesmo protocolo que após ablação térmica?
O ensaio COMETA demonstrou que a meia elástica pós-ablação é desnecessária?
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