Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

Título de Especialista (SBACV)

Certificação em Doppler Vascular (CBR)

Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
SVS 2023 — P2 G2

Compressão em Varizes: Quando Indicar, Quando Evitar e por Quanto Tempo — Guideline 2 SVS 2023

O SVS 2023 Part II Guideline 2 redefine o papel da meia elástica em varizes: não como pré-requisito obrigatório para intervenção, mas como tratamento adjuvante com duração baseada em evidências. Entenda as recomendações 2.1.1 a 2.2.1, o COMETA trial e os casos em que a compressão é, de fato, o tratamento de escolha.

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 17 de junho de 202613 min de leitura

Resposta direta: Compressão elástica (ECS) na DVC — quando indicar por CEAP: C0s/C1s/C2 sintomática: ≥15 mmHg (Rec 9, Classe I, ESVS 2022); C3 (edema): 20–40 mmHg (Rec 10, Classe I); C4b (lipodermatoesclerose): 20–40 mmHg (Rec 11, Classe I — novidade 2022); SPT: 20–40 mmHg (Rec 12, Classe IIa); C6 (úlcera ativa): ≥40 mmHg (Rec 70, Classe I). ITB obrigatório antes de pressões ≥30 mmHg. Contraindicada em ITB <0,6 (ou <60 mmHg de pressão absoluta no tornozelo).

O Guideline 2 das Diretrizes SVS 2023 Part II (Gloviczki et al., J Vasc Surg Venous Lymphat Disord 2024;12:101670) posiciona a terapia compressiva com precisão: útil como paliativo e como adjuvante pós-procedimento, mas não superior à ablação no tratamento do refluxo truncal e não justificável como exigência pré-operatória obrigatória.

Infográfico: indicações e contraindicações da meia elástica em varizes — Guideline 2 SVS 2023

O que o SVS 2023 diz sobre compressão em varizes?

O Guideline 2 é organizado em dois blocos: (A) compressão como alternativa ou adjuvante ao tratamento definitivo (Recomendações 2.1.1 a 2.1.4) e (B) compressão pós-procedimento (Recomendação 2.2.1). As evidências de base incluem a revisão Cochrane de 13 RCTs comparando compressão vs cirurgia, o REACTIV trial (UK) e o COMETA trial (Bootun et al., 2021).

Bloco 2.1 — Compressão vs Intervenção

Recomendação 2.1.1 — Compressão como Tratamento DefinitivoGrade 2C — Fraca / Evidência Baixa
Sugerimos compressão como tratamento primário (não apenas adjuvante) apenas nos seguintes cenários: paciente com risco cirúrgico excessivo para ablação, paciente que recusa procedimento após orientação completa, contraindicação técnica à ablação, ou gravidez. Fora dessas situações, a compressão não deve ser o tratamento de escolha em pacientes com refluxo truncal documentado.
Recomendação 2.1.2 — Intervenção Superior à Compressão para GSV e SSVGrade 1B — Forte / Evidência Moderada
Recomendamos ablação endovenosa ou cirurgia em vez de compressão isolada para pacientes com insuficiência da Grande Safena (GSV) ou Pequena Safena (SSV) documentada por DUS, que são candidatos ao procedimento. A intervenção é superior à compressão em qualidade de vida, melhora do VCSS e regressão dos sintomas — com evidência de qualidade moderada (vários RCTs, incluindo o REACTIV trial).
Recomendação 2.1.3 — AAGSV e PAGSV: Intervenção PreferívelGrade 2C — Fraca / Evidência Baixa
Sugerimos ablação em vez de compressão para insuficiência das veias safenas acessórias anterior (AAGSV) e posterior (PAGSV) da grande safena, em candidatos adequados. A evidência é de qualidade baixa (estudos não randomizados), mas o racional fisiopatológico é o mesmo da GSV — o refluxo não é corrigido pela compressão.
Recomendação 2.1.4 — CONTRA Exigência de 3 Meses de MeiaGrade 2B — Fraca / Evidência Moderada
Sugerimos que NÃO se imponha um período obrigatório de compressão (tipicamente 3 meses) como pré-requisito para autorização de tratamento intervencionista em pacientes com refluxo truncal documentado. O REACTIV trial não demonstrou que esse período de "ensaio" de compressão melhore os desfechos pós-intervenção ou selecione melhor os pacientes. A exigência apenas atrasa o tratamento definitivo e não tem suporte científico.

Base de Evidências do Guideline 2.1

13 RCTs
Cochrane Review

Compressão vs cirurgia aberta: cirurgia superior em QoL e melhora de sintomas

REACTIV
Trial UK

Cirurgia vs compressão: AVVQ melhor no grupo cirúrgico a 2 anos; base para Grade 1B

2.1.4
CONTRA 3 meses pré-procedimento

Sem RCT demonstrando benefício do período de "ensaio" obrigatório

Bloco 2.2 — Compressão Pós-Procedimento

Recomendação 2.2.1 — Compressão por ≥1 Semana após AblaçãoGrade 2B — Fraca / Evidência Moderada
Sugerimos compressão com meia elástica (20–30 mmHg) por pelo menos 1 semana após ablação endovenosa (EVLA, RFA) ou cirurgia de varizes. A compressão reduz dor pós-procedimento, hematoma perivenoso e flebite local no período imediato. Não há benefício demonstrado de compressão além de 1 semana para os desfechos primários (COMETA trial, Bootun et al. 2021).

Síntese dos Estudos sobre Duração da Compressão Pós-Ablação

EstudoComparaçãoResultado Principal
COMETA trial (Bootun 2021)1 semana vs 2 semanas após RFA/EVLASem diferença em dor, hematoma ou QoL — 1 semana suficiente
Marsden 20153 dias vs sem compressão após ablaçãoTendência a menor dor com alguma compressão, mesmo por período curto
Krasznai et al.Compressão vs não compressão após strippingRedução de hematoma e equimose com compressão na primeira semana
AVF/SVS 2019 (Guideline)Revisão sistemática pós-ablaçãoRecomendação "Best Practice": compressão precoce após todos os procedimentos de varizes

Algoritmo Clínico: Compressão em Varizes

Compressão como Tratamento Definitivo — Indicar SE:

  • Risco cirúrgico excessivo (ASA IV, insuficiência orgânica grave)
  • Recusa do procedimento pelo paciente (devidamente informado)
  • Contraindicação técnica à ablação (ex.: TVP ativa)
  • Gravidez (até o puerpério)
  • ITB <0,5 (contraindicação relativa à compressão >20 mmHg)

Compressão como Adjuvante — Duração por Procedimento:

  • Ablação térmica (EVLA/RFA): ≥1 semana (20–30 mmHg)
  • Ablação não-térmica (VenaSeal/MOCA): ≥1 semana (individualizar)
  • Stripping/cirurgia: ≥1 semana (30–40 mmHg imediato)
  • UGFS: 1–2 semanas (reduz hiperpigmentação)
  • Escleroterapia de telangiectasias: 3–7 dias mínimo

Impacto Prático: A Questão das Pré-Autorizações

A Recomendação 2.1.4 (Grade 2B) do SVS 2023 é diretamente relevante ao contexto brasileiro, onde operadoras de saúde frequentemente exigem comprovação de "tratamento conservador prévio por 3 meses" como requisito para autorizar a ablação endovenosa. Do ponto de vista das diretrizes internacionais, essa exigência não tem suporte científico: o REACTIV trial e a revisão Cochrane demonstram que a intervenção é superior à compressão desde o início, sem necessidade de período de "ensaio".

O SVS 2023 alinha-se ao posicionamento da ESVS 2022 e do NICE (UK) nesse ponto: quando o diagnóstico de refluxo truncal está documentado por DUS e o paciente é candidato à intervenção, a aprovação deve ser baseada na indicação clínica — não em um período arbitrário de compressão prévia.

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Perguntas Frequentes

O plano de saúde pode exigir 3 meses de meia elástica antes de aprovar o tratamento de varizes?
Do ponto de vista das evidências, não há justificativa clínica para exigir um período obrigatório de compressão antes do tratamento de varizes. O Guideline 2.1.4 do SVS 2023 (Grade 2B) recomenda CONTRA a imposição de 3 meses de meia elástica como pré-requisito para intervenção em pacientes com refluxo truncal documentado por DUS. O REACTIV trial demonstrou que a compressão isolada não melhora os desfechos de qualidade de vida nem reduz a progressão clínica em relação à cirurgia precoce. Essa recomendação é consistente com o SVS 2022 Part I Guideline 2.1 e com as diretrizes ESVS 2022.
A meia elástica é melhor ou pior que a cirurgia/ablação no tratamento de varizes?
Para pacientes com insuficiência da Grande Safena (GSV) ou Pequena Safena (SSV) documentada por DUS, a intervenção (ablação endovenosa ou cirurgia) é superior à compressão em todos os desfechos relevantes: qualidade de vida, regressão dos sintomas e melhora do VCSS (Grade 1B, Guideline 2.1.2). A compressão é uma medida de controle de sintomas — não trata o refluxo subjacente. A meia melhora o edema e o desconforto, mas não elimina as varizes nem reverte a incompetência valvular.
Quando a meia elástica é o tratamento indicado para varizes — e não a ablação?
O Guideline 2.1.1 (Grade 2C) do SVS 2023 indica compressão como tratamento definitivo — em vez de ablação — nos seguintes cenários: (1) paciente com comorbidades graves que tornam o procedimento de risco excessivo (ASA IV, insuficiência cardíaca descompensada, insuficiência arterial severa com ITB <0,5); (2) paciente que recusa qualquer procedimento após orientação adequada; (3) contraindicação técnica à ablação (trombose venosa aguda, anatomia desfavorável); (4) gravidez — nesse caso, a compressão é o único tratamento indicado até o puerpério. Fora desses cenários, a ablação deve ser o tratamento-padrão.
Por quanto tempo usar meia elástica após ablação endovenosa de varizes?
O Guideline 2.2.1 (Grade 2B) recomenda compressão por pelo menos 1 semana após ablação endovenosa (EVLA, RFA, VenaSeal, MOCA) ou cirurgia. O COMETA trial (Bootun et al., 2021) não demonstrou benefício adicional com compressão além de 1 semana após RFA/EVLA em desfechos de dor, hematoma ou qualidade de vida. Entretanto, a compressão precoce (primeiras 24–72h) reduz a dor pós-procedimento e o hematoma pericateter, justificando seu uso no período imediato. Compressão prolongada (>2 semanas) pode ser considerada individualmente em casos de hematoma extenso ou flebite induzida.
A compressão após escleroterapia deve seguir o mesmo protocolo que após ablação térmica?
Não exatamente. A escleroterapia com espuma (UGFS) gera mais flebite peri-vascular do que a ablação térmica, e a compressão nesse contexto tem impacto maior na redução da inflamação e manchas hipercrômicas. O SVS 2023 segue as diretrizes AVF/SVS 2019 de compressão pós-procedimento: após UGFS, recomenda-se compressão com meia 20–30 mmHg por 1–2 semanas, podendo estender para reduzir hiperpigmentação. Após ablação térmica, 1 semana é suficiente na maioria dos casos (Guideline 2.2.1, Grade 2B).
O ensaio COMETA demonstrou que a meia elástica pós-ablação é desnecessária?
O COMETA trial (Bootun et al., Phlebology 2021) randomizou pacientes para compressão por 1 semana vs 2 semanas após EVLA ou RFA e demonstrou que não há diferença em dor, equimose ou qualidade de vida entre os dois grupos. O estudo NÃO randomizou "compressão vs nenhuma compressão" — apenas comparou durações. Portanto, o COMETA corrobora a recomendação de pelo menos 1 semana (Grade 2B), mas não sustenta a eliminação completa da compressão pós-procedimento. O estudo de Marsden (2015) com 3 dias vs nenhuma compressão sugeriu tendência a menor dor com alguma compressão, mesmo por período curto.

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Artigo escrito e validado pelo Dr. Maurício Hiroshi Yamada (CRM-PR 21589 | RQE: 18282). Cirurgião Vascular formado pela UEL, com residência no HSPE/SP e título de especialista pela SBACV. É referência em tratamentos minimamente invasivos (Laser, Radiofrequência e Espuma) na clínica Maringá Vasculares, no Paraná.
⚕️ Aviso médico: O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico especialista. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde habilitado. Dr. Maurício Hiroshi Yamada — CRM-PR 21589.

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