Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

Título de Especialista (SBACV)

Certificação em Doppler Vascular (CBR)

Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
Varizes

Veias Perfurantes Incompetentes em CEAP C2: Quando Tratar e Quando Não Tratar — Guideline 4 SVS 2022

Revisão das Diretrizes SVS 2022 para ablação de perfurantes incompetentes em varizes C2: por que não tratar concomitante ao tronco, quando a exceção existe, e os dados dos RCTs que embasam as recomendações.

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 17 de junho de 202612 min de leitura

Resposta direta: Veias perfurantes incompetentes são comuns na DVC mas raramente justificam intervenção isolada. Critérios de PV patológica: diâmetro >3,5mm + refluxo >500ms + localização adjacente a alteração de pele ou ferida (C4b-C6). Em C2-C3: tratar a incompetência superficial principal — PVs colapsam espontaneamente após ablação safena em 70–80% dos casos. Ablação de PV: radiofrequência (MOCA ou EVLA) ou ligadura cirúrgica via SEPS — ESVS 2022.

O Guideline 4 SVS 2022 entrega uma recomendação contraintuitiva: em pacientes com varizes C2 e perfurantes incompetentes (IPVs) identificadas no ecodoppler, recomenda-se NÃO tratar as perfurantes concomitante à ablação truncal inicial — com Grade 1 (strong), Evidence C para GSV/SSV. Entender por quê exige compreender a fisiopatologia das IPVs em C2.

Infográfico — Veias perfurantes incompetentes em C2: critérios diagnósticos, Guideline 4 SVS 2022 e fluxograma de decisão

1. Anatomia das Veias Perfurantes Relevantes para C2

Veias perfurantes conectam o sistema venoso superficial ao profundo, perfurando a fáscia muscular. Em condições normais, o fluxo ocorre do superficial para o profundo (inward); na incompetência, o fluxo se inverte (outward), pressorizando o sistema superficial. As principais localizações de IPVs com relevância clínica para doença venosa superficial são:

Perfurantes Femorais (Coxa)

Região medial da coxa, conectando a GSV ao sistema femoral profundo. Clinicamente mais relevantes em CEAP C2 — localizadas adjacentes ao tronco truncal incompetente. Normalizam frequentemente após ablação truncal.

Relevância C2: ALTA — principal alvo do Guideline 4
Perfurantes Laterais

Face lateral da perna — associadas à veia safena acessória anterolateral (AAGSV) e tributárias laterais. Relevantes quando o refluxo principal origina-se do compartimento lateral e não do tronco GSV medial.

Relevância C2: MODERADA — conforme anatomia do refluxo
Perfurantes Paratibiais (Perna)

Terço médio da perna, face medial. Mais relevantes em doença avançada com hipertensão venosa crônica. Em C2, sua presença como origem de tributárias sintomáticas é menos frequente.

Relevância C2: BAIXA — mais relevantes em C3-C4
Perfurantes Tibiais Posteriores (Cockett/Boyd)

Tornozelo medial. Fundamentais na fisiopatologia da úlcera venosa — sua incompetência sustenta hipertensão venosa no terço distal da perna. Em C2 isolado, raramente são origem do refluxo primário.

Relevância C2: MUITO BAIXA — escopo: C5-C6

Para CEAP C2: perfurantes de coxa (thigh perforators)

As perfurantes femorais adjacentes ao tronco truncal incompetente são as clinicamente mais relevantes para o Guideline 4. Sua incompetência em C2 é frequentemente secundária ao refluxo truncal — mecanismo que fundamenta a recomendação de não tratar concomitante à ablação inicial.

2. Definição de Perfurante Incompetente (IPV Patológica) em C2

O SVS 2022 (Implementation remark 1.1c) estabelece critério duplo para definir IPV patológica em CEAP C2. Ambos os critérios são necessários — um isolado não é suficiente para indicação de tratamento:

≥ 500 ms
Duração do Fluxo de Saída

Outward flow (da profundidade para a superfície) com duração mínima de 500 milissegundos ao ecodoppler com compressão/descompressão distal. Reflete incompetência valvular sustentada, não artefato de manobra.

≥ 3,5 mm
Diâmetro no Ecodoppler

Diâmetro mínimo de 3,5 mm medido no ponto de perfuração da fáscia. Reflete dilatação secundária à hipertensão venosa crônica — marcador de relevância hemodinâmica do vaso.

Base de evidência — acurácia diagnóstica

  • Labropoulos et al: 96% especificidade e 73% sensibilidade para DU predizer incompetência de perfurante com diâmetro 3,9 mm — alta especificidade favorece diagnóstico correto, menor sensibilidade implica que perfurantes menores podem ser incompetentes mas não identificadas (sem impacto clínico, pois não preenchem critério).
  • Sandri et al: mais de 90% das IPVs clinicamente relevantes apresentavam diâmetro >3,5 mm — validando o ponto de corte como clinicamente significativo.
Atenção ao critério duplo: uma perfurante com diâmetro 4,2 mm mas fluxo de saída de apenas 300 ms NÃO preenche o critério de IPV patológica pelo SVS 2022. Da mesma forma, fluxo de saída prolongado em perfurante de 2,8 mm também não. O comitê considera que apenas perfurantes que preenchem ambos os critérios têm relevância hemodinâmica suficiente para potencial indicação de tratamento.

3. Guideline 4.1 — Não Tratar IPVs Concomitante à Ablação Truncal em C2

Recomendações e Base dos RCTs — Table IV SVS 2022

Guideline 4.1.1 — GSV / SSV com C2

RECOMENDAR CONTRA tratamento de IPVs concomitante à ablação truncal inicial de GSV ou SSV em pacientes com CEAP C2 e IPVs identificadas no ecodoppler.

Grade 1 · STRONGEvidence C · Low–Very Low
Guideline 4.1.2 — AAGSV / PAGSV com C2

SUGERIR CONTRA tratamento de IPVs concomitante à ablação da safena acessória anterolateral (AAGSV) ou posterolateral (PAGSV) em pacientes C2 com IPVs identificadas.

Grade 2 · WEAKEvidence C · Low–Very Low

Table IV — RCTs que Embasam o Guideline 4.1 (SVS 2022)

Quatro estudos randomizados avaliaram o benefício incremental do tratamento de IPVs além da ablação truncal em doença venosa superficial com predominância C2/C3.

Estudo / nDelineamentoGruposResultados PrincipaisConclusão
Kianifard et al
2007 · RCT
72 pacientes
Cirurgia padrão (ligadura JSF + stripping GSV + flebectomia) ± SEPS (subfascial endoscopic perforator surgery). 71% C2 no Grupo SEPS; 75% C2 no Grupo controle.G1 (n=38): cirurgia padrão + SEPS
G2 (n=32): cirurgia padrão sem SEPS
Sem diferença significativa a 1 ano em: dor (VAS), mobilidade, score cosmético, QoL (SF-36, AVVQ). Redução no número de IPVs maior no grupo SEPS, mas sem impacto em desfechos clínicos.Sem benefício de SEPS em C2SEPS não indicada em doença C2
Park et al
2012 · RCT
69 pacientes C2/C3
IPVs de coxa + JSF competente + GSV distal incompetente. EVLA de IPV de coxa seguida de ablação GSV distal (IPVA) vs ablação GSV sem ablação da IPV (GSVA).IPVA (n=34): ablação IPV + GSV distal
GSVA (n=35): ablação GSV sem IPV
Sucesso técnico: 76,5% IPVA vs 100% GSVA (P=0,002). Sem diferença em sucesso clínico a 1 semana, 1, 3, 6 e 12 meses (100% fechamento em ambos os grupos em todos os timepoints).Menor sucesso técnico ao adicionar IPVEstudos adicionais necessários para casos de IPV isolada
Fitridge et al
1999 · RCT
38 membros / 35 pacientes
GSV stripping + flebectomia com ou sem ligadura aberta de IPVs. Avaliação de função venosa por pletismografia antes e após cirurgia.Com ligadura (n=21): stripping + flebectomia + ligadura aberta IPVs
Sem ligadura (n=17): stripping + flebectomia
Sem diferença em função venosa pré/pós-op (volume venoso, índice enchimento venoso, fração de ejeção). DU pós-op falhou em identificar IPVs previamente mapeadas em ~50% do grupo sem ligadura — evidência de normalização espontânea.~50% das IPVs normalizam após strippingIPVs secundárias ao refluxo truncal desaparecem com ablação do tronco
Koroglu et al
2011 · Prospectivo
60 membros
EVLA de safena + escleroterapia de tributárias em membros com IPVs. Comparação de desfechos entre subgrupos com refluxo isolado de safena vs refluxo de safena + IPV.Avaliação de oclusão de IPV após EVLA safenosa + escleroterapia. Comparação de VAS para dor entre grupos.Oclusão de IPV: 75% vs 98,6% de safena — menor sucesso técnico nas perfurantes. VAS score significativamente maior para redução de dor no grupo de refluxo isolado da safena (P<0,05).Menor oclusão de IPV vs safenaMelhor resposta clínica no grupo sem IPV associada

Fonte: Table IV, Gloviczki P et al. Society for Vascular Surgery, American Venous Forum, and American Vein and Lymphatic Society Clinical Practice Guidelines for the Management of Varicose Veins. J Vasc Surg Venous Lymphat Disord. 2023.

Algoritmo de Decisão — Guideline 4 SVS 2022

Fluxograma de decisão para manejo de perfurantes incompetentes em CEAP C2, baseado nas recomendações 4.1 e 4.2 do SVS 2022.

Ponto de Entrada
C2 + IPVs identificadas no Ecodoppler
Fluxo de saída ≥500 ms · Diâmetro ≥3,5 mm
GUIDELINE 4.1 — Grade 1, Evidence C
Recomendação Forte (Grade 1)
Ablação Truncal (GSV/SSV/AAGSV)
SEM ablação concomitante das IPVs
EVLA · RFA · Escleroterapia · Cirurgia conforme Guideline 2-3
Seguimento
Follow-up com Ecodoppler
Mínimo 3 meses pós-ablação truncal completa
Sintomas Persistentes?
DU confirma ablação truncal completa?
NÃO — Assintomático
Resultado Esperado
IPVs normalizadas (63,9% dos casos)
Sem tratamento adicional necessário. Retorno anual para seguimento clínico.
SIM — Tributárias Residuais
Avaliação DU
IPV é a origem das tributárias?
Único ponto de refluxo alimentando tributárias sintomáticas?
▼ Se SIM
GUIDELINE 4.2 — Grade 2, Evidence C
Ablação da IPV
EVLA · UGFS · Escleroterapia guiada por DU

4. Guideline 4.2 — Quando o Tratamento de IPVs Está Indicado

Guideline 4.2 — Indicação de Ablação de IPV em C2

Em pacientes C2 com sintomas persistentes ou recorrentes após ablação completa do tronco truncal, sugerir tratamento das IPVs se são demonstradas como origem das tributárias sintomáticas.

Grade 2 · WEAKEvidence C · Low–Very Low

Critérios para Aplicação do Guideline 4.2

1
Sintomas persistentes após ablação truncal completa confirmada

Ecodoppler pós-operatório confirma oclusão do tronco tratado (GSV/SSV/AAGSV). O intervalo mínimo recomendado é de 3 meses — período suficiente para resolução espontânea de IPVs secundárias ao refluxo truncal.

2
IPV identificada como único ponto de refluxo alimentando tributárias residuais

Mapeamento hemodinâmico por DU deve demonstrar que a IPV é a fonte do refluxo das tributárias sintomáticas — não refluxo de tronco residual, recanalização, ou refluxo de nova tributária sem conexão com IPV.

5. Caso Especial — Perfurante de Coxa Isolada com GSV Distal Incompetente

Configuração Anatômica

Paciente com JSF competente + GSV distal incompetente + IPV de coxa como ponto de entrada do refluxo no sistema superficial. A IPV de coxa funciona como equivalente funcional da JSF incompetente: ponto onde o sangue do sistema profundo alimenta o sistema superficial.

Essa configuração representa um desafio técnico: para tratar a GSV distal, é necessário definir o ponto proximal da ablação — e nesse caso, a IPV é a fonte do refluxo proximal, não a JSF.

Abordagem Técnica Proposta

  • Opção 1: Ablação da GSV distal apenas — iniciando proximal ao nível da IPV; a IPV é observada para normalização espontânea. Evidência: sem dados robustos; pode ser tentativa válida se IPV é o único ponto de entrada.
  • Opção 2: Ablação combinada — GSV distal ao nível da IPV + ablação da própria IPV (EVLA guiado por DU). Abordagem tentada por Park et al (2012): sucesso técnico de apenas 76,5% — dados insuficientes para recomendar como padrão.
Limitação de evidência: Park et al (RCT 2012) foi o único estudo a tentar sistematicamente a ablação de IPV de coxa como procedimento inicial nessa configuração, com sucesso técnico de 76,5% — inferior ao esperado para ablação de tronco. O SVS 2022 sinaliza que estudos adicionais são necessários para suportar a ablação de perfurante de coxa no procedimento inicial nessa situação específica. Na prática atual, a abordagem mais defensável é ablação do tronco distal com observação da IPV e tratamento seletivo apenas se IPV persiste sintomática.

6. Métodos de Tratamento das IPVs (Quando Indicado)

Quando o Guideline 4.2 indica tratamento de IPV (C2 com sintomas persistentes pós-ablação truncal + IPV como origem confirmada por DU), as opções técnicas disponíveis são:

Ablação Endovenosa (EVLA / RFA)

Cateter guiado por ecodoppler diretamente na perfurante. Técnica de escolha quando o diâmetro e o trajetório permitem acesso guiado. Requer: superfície de ablação adequada, afastamento do plano subfascial (risco de lesão nervosa e muscular).

Dados: 76,5% sucesso técnico (Park et al 2012); 75% oclusão (Koroglu et al)
Escleroterapia Guiada por DU (UGFS)

Escleroterapia com espuma ou solução líquida guiada por ecodoppler diretamente na perfurante. Técnica menos invasiva, realizável em consultório. Risco de reflexo de esclerosante para o sistema profundo — monitoramento intraoperatório obrigatório.

Indicação: perfurantes de acesso difícil para cateter, ou como complemento à ablação truncal
Ligadura Cirúrgica Percutânea

Abordagem aberta mínima guiada por DU pré-operatório. Indicada em casos selecionados — perfurantes de grande diâmetro em que as técnicas endovenosas são tecnicamente inadequadas. Rara no contexto C2.

Reservada: casos selecionados com limitação técnica para ablação endovenosa
SEPS — Contraindicada em C2

Subfascial endoscopic perforator surgery — reservada para CEAP C5-C6 com úlceras venosas refratárias adjacentes a IPVs. Perfil de invasividade (acesso subfascial endoscópico) completamente desproporcional para C2.

CONTRAINDICADA para C2 — Kianifard et al demonstrou ausência de benefício + Guideline 4.1 Grade 1

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Perguntas Frequentes

Por que uma recomendação Grade 1 (strong) baseia-se em Evidence C (low to very low)?
A força da recomendação (1 vs 2) reflete o balanço de benefícios vs riscos, não apenas a certeza da evidência. Grade 1C significa: "recomendamos fortemente, mas a certeza da evidência é baixa." O comitê avaliou que os riscos do tratamento concomitante das IPVs (custo, tempo de procedimento, risco de neuropatia, trombose venosa) superam os benefícios não demonstrados — justificando recomendação forte mesmo com evidência de baixa certeza. Isso é conceitualmente distinto de Grade 2C ("sugerimos, com evidência fraca"), que seria usado se o balanço fosse incerto. Aqui, o julgamento do comitê foi que o balanço benefício-risco é claramente desfavorável ao tratamento concomitante.
O fato de o DU pós-operatório não identificar ~50% das IPVs previamente mapeadas sugere o quê clinicamente?
Que muitas IPVs identificadas no DU pré-operatório são secundárias ao refluxo truncal — não patológicas primariamente. Após a ablação do tronco truncal, o fluxo de saída pela perfurante cessa porque não há mais fonte de pressão no sistema superficial. Isso é o mecanismo pelo qual 63,9% dos pacientes não necessitam de tratamento adicional após ablação isolada (Aherne et al meta-analysis). A implicação prática é direta: tratar essas IPVs "secundárias" no procedimento inicial seria tratar uma consequência, não uma causa — expondo o paciente a risco adicional sem benefício clínico. O DU pós-operatório (mínimo 3 meses) identifica quais IPVs persistem como origem autônoma de refluxo.
Quando devo suspeitar que uma IPV é a origem real das tributárias sintomáticas em C2 e não a GSV?
Quando: (a) o ecodoppler mostra GSV competente ou com refluxo apenas segmentar, mas a IPV tem fluxo de saída robusto ≥500 ms e diâmetro ≥3,5 mm conectada a tributárias sintomáticas; (b) após ablação completa da GSV confirmada por DU, tributárias persistem com refluxo rastreável até uma IPV; (c) configuração anatômica de perforator-fed varicosities — veias tributárias divergindo do ponto de uma IPV incompetente sem conexão com tronco truncal incompetente proximal. Nessas situações, a IPV é o ponto de entrada do refluxo, substituindo funcionalmente a JSF incompetente. O mapeamento ecodoppler detalhado do padrão hemodinâmico — não apenas a identificação anatômica da perfurante — é o que define a indicação.
A SEPS ainda tem algum papel no tratamento das varizes C2?
Não, para CEAP C2. Kianifard et al (único RCT disponível para C2) demonstrou ausência de benefício de SEPS adicionado à cirurgia em C2 — sem diferença em dor (VAS), mobilidade, score cosmético ou QoL (SF-36, AVVQ) em 1 ano. O papel da SEPS permanece para doença venosa crônica avançada (C5-C6) com IPVs adjacentes a úlceras venosas de difícil cicatrização — contexto clinicamente distinto de C2. O Guideline SVS 2022 para C2 é explícito contra o tratamento concomitante das IPVs, e SEPS é particularmente inadequada para C2 dado seu perfil de invasividade (acesso subfascial endoscópico) desproporcional ao benefício não demonstrado nessa classe CEAP.
Há diferença entre IPVs de coxa e IPVs de perna (paratibiais/tibiais posteriores) no contexto de C2?
Sim, clinicamente relevante. IPVs de coxa (thigh perforators): adjacentes ao tronco truncal, facilmente identificadas no DU, funcionalmente mais ligadas ao refluxo truncal — normalizam frequentemente após ablação do tronco (mecanismo explicado no FAQ 2). São as mais relevantes para o Guideline 4, que aborda especificamente C2. IPVs paratibiais e tibiais posteriores (Cockett/Boyd): mais relevantes para C4-C6, onde são sabidamente associadas a dermatolipoesclerose e formação de úlcera — fora do escopo do Guideline 4 que aborda especificamente C2. Em C2, a presença de IPVs de perna (Cockett) deve sinalizar possível subclassificação CEAP: investigar se há alterações tróficas cutâneas (C4) não identificadas na avaliação clínica.
Se o Guideline 4.2 recomenda tratar IPVs como origem de tributárias recorrentes, quais são os critérios de sucesso técnico esperados?
Dados limitados para IPVs específicas: Park et al (76,5% sucesso técnico para ablação de IPV de coxa com EVLA vs 100% para ablação GSV standard — P=0,002); Koroglu et al (75% oclusão de IPV em 6 meses vs 98,6% de safena). As taxas de oclusão das IPVs são inferiores às do tronco safenoso — anatomia perfurante (trajetória perpendicular à fáscia, diâmetro menor, turbulência no ponto de perfuração) dificulta a ablação completa. Implicação para planejamento: informar o paciente sobre menor taxa de sucesso técnico e maior chance de necessidade de reintervenção em comparação com ablação do tronco principal. O seguimento com DU em 3 meses após ablação de IPV deve ser rotineiro.

Suas varizes merecem avaliação especializada.

Cada caso é único. O Eco-Doppler Vascular mapeia o refluxo e define qual técnica — espuma, laser, radiofrequência ou cirurgia — é a certa para você.

Artigo escrito e validado pelo Dr. Maurício Hiroshi Yamada (CRM-PR 21589 | RQE: 18282). Cirurgião Vascular formado pela UEL, com residência no HSPE/SP e título de especialista pela SBACV. É referência em tratamentos minimamente invasivos (Laser, Radiofrequência e Espuma) na clínica Maringá Vasculares, no Paraná.
⚕️ Aviso médico: O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico especialista. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde habilitado. Dr. Maurício Hiroshi Yamada — CRM-PR 21589.

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