Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

Título de Especialista (SBACV)

Certificação em Doppler Vascular (CBR)

Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
Varizes

Ablação Térmica vs Não-Térmica da Safena: EVLA, RFA, CAC, MOCA e PEM — Guideline 3 SVS 2022

Comparação baseada em evidências de técnicas de ablação endovenosa térmica (EVLA, RFA) e não-térmica (VenaSeal, ClariVein, Varithena): eficácia, oclusão, dor, neuropatia e seleção de técnica baseada em anatomia e expertise — SVS 2022.

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 17 de junho de 202616 min de leitura

Resposta direta: Ablação térmica (EVLA/RFA) vs não-térmica (CAC/MOCA): resultados de oclusão em 12 meses são comparáveis (~94–97% para EVLA, ~94% para CAC — VeClose trial). Vantagem do não-térmico: sem anestesia tumescente, maior conforto imediato. Desvantagem: custo mais alto, dados de longo prazo mais limitados. MOCA (ClariVein): 80% oclusão em 3 anos vs 100% EVLA (LAMA trial, n=72) — Classe IIb, ESVS 2022.

O Guideline 3 da SVS 2022 reconhece que tanto ablação térmica (EVLA, RFA) quanto não-térmica (CAC, MOCA, UGFS, PEM) são eficazes e seguras para o tratamento de varizes da safena — com diferenças importantes em dor periprocedural, taxa de oclusão a longo prazo, risco de neuropatia e necessidade de anestesia tumescente que devem orientar a seleção individualizada de técnica.

Infográfico — Ablação térmica vs não-térmica para varizes: comparação EVLA, RFA, CAC (VenaSeal), MOCA (ClariVein), UGFS e PEM (Varithena) — Guideline 3 SVS 2022

As 3 Recomendações do Guideline 3 — SVS 2022

O Guideline 3 da SVS 2022 cobre ablação endovenosa da grande safena (GSV), pequena safena (SSV) e tributárias acessórias (AAGSV/PAGSV). Em todos os cenários, a recomendação é de equivalência entre térmica e não-térmica — com a escolha orientada pela expertise do médico e preferência do paciente.

Recomendação 3.1.1 — Grande Safena (GSV)Grade 1B · Forte · Evidência Moderada

GSV com refluxo axial sintomático

RECOMENDAR ablação térmica E não-térmica da virilha até abaixo do joelho, dependendo da expertise do médico e preferência do paciente.

EVLARFACAC (VenaSeal)MOCA (ClariVein)UGFSPEM (Varithena)
Recomendação 3.1.2 — Pequena Safena (SSV)Grade 1C · Forte · Evidência Baixa

SSV com refluxo axial sintomático

RECOMENDAR ablação térmica E não-térmica do joelho ao mid-calf superior, dependendo da expertise e preferência do paciente.

Nota crítica — SSV: menor volume de evidência (Grade C) comparado à GSV. Risco de neuropatia do nervo sural e gastrocnêmio com técnicas térmicas é diferenciador relevante nesse segmento.
Recomendação 3.1.3 — Tributárias Acessórias (AAGSV/PAGSV)Grade 2C · Fraca · Evidência Baixa

AAGSV / PAGSV (tributárias acessórias)

SUGERIR ablação térmica OU não-térmica com flebectomia adicional se necessário. Grade 2 (fraco) — a evidência não garante que todos os pacientes bem-informados fariam essa escolha.

Princípio central do Guideline 3:

A SVS 2022 não estabelece hierarquia entre ablação térmica e não-térmica. A recomendação de equivalência reflete que, quando considerados conjuntamente os desfechos de oclusão, dor, retorno às atividades, qualidade de vida e complicações neurológicas, nenhuma categoria demonstra superioridade consistente. A seleção deve ser guiada por expertise disponível, anatomia da veia e preferências informadas do paciente.

Dados de Eficácia por Técnica — Métricas Principais

89–96%
EVLA — Oclusão 5 anos
CLASS trial · Vahaaho 2015 · Rasmussen 2013
~96%
RFA — Oclusão 5 anos
EVOLVeS trial · VeClose 5a (comparador)
91.4%
CAC — Oclusão 5 anos
VeClose trial · Morrison et al 2020 · n=89
77–82%
MOCA — Oclusão 1–3 anos
LAMA RCT 2021 · Vahaaho et al RCT 3a
51%
UGFS — Oclusão 5 anos
CLASS trial (5 anos)
93.5%
PEM — Oclusão 3 anos
Deak 2022

Comparações diretas entre estudos devem considerar heterogeneidade de populações, critérios de oclusão (duplex), diâmetro venoso e seguimento. Os dados refletem os estudos de referência citados pelo Guideline 3 SVS 2022.

Técnicas Térmicas — Requerem Anestesia Tumescente

EVLA e RFA utilizam energia para gerar calor intraluminal que induz fibrose e oclusão venosa. A anestesia tumescente (solução salina/lidocaína perivenosa) é obrigatória para isolar termicamente a veia, proteger tecidos adjacentes e comprimir a luz venosa para melhorar o contato cateter-parede.

EVLA — Endovenous Laser Ablation
Ablação a Laser Endovenosa
Comprimentos de Onda e Dispositivos
  • 810, 940, 980 nm — absorção pela hemoglobina; mecanismo por vapor sanguíneo; maior dor e equimose pós-operatória
  • 1320, 1470 nm — absorção pela água; mecanismo mais seletivo na parede venosa; melhor perfil de dor e equimose
  • Dispositivo de referência: VenaCure NTNT 1470-nm (Angiodynamics)
89–96%
Oclusão 5 anos
4.8%
Neuropatia safena
Vantagem vs cirurgia: neuropatia 4.8% (EVLA) vs 19.6% (HL&S) — meta-análise Boersma et al, 49 estudos
RFA — Radiofrequency Ablation (ClosureFast)
Ablação por Radiofrequência — Medtronic
Mecanismo e Dispositivo

Cateter ClosureFast (Medtronic) com elemento de aquecimento segmentar resistivo: tratamento de 7 cm por ciclo de 20 segundos a 120°C. Contato circunferencial com a parede venosa garante ablação homogênea sem risco de perfuração por fio de fibra óptica.

~96%
Oclusão 5 anos
9.7%
Neuropatia safena
EVOLVeS trial: RFA — retorno às atividades em 1 dia em 80.5% vs HL&S 46.9%. Menos dor e equimose que EVLA de 980 nm na maioria dos estudos comparativos diretos.
Anestesia tumescente — considerações técnicas: solução de Klein modificada (SF 0,9% + lidocaína 0.1% + epinefrina 1:1.000.000 + bicarbonato) injetada perivenosa sob guia de ultrassom. Volume típico: 100–200 mL por 10 cm de veia tratada. Funções: isolamento térmico, compressão da luz venosa, analgesia local, vasoconstrição. Veia superficial <1 cm da pele requer atenção especial ao volume tumescente para evitar queimadura cutânea.

Técnicas Não-Térmicas — Sem Anestesia Tumescente

As técnicas não-térmicas dispensam anestesia tumescente — vantagem relevante em conforto procedural, redução de agulhadas e possibilidade de tratamento ambulatorial simplificado. A ausência de calor também elimina o principal mecanismo de neuropatia térmica.

CAC — Cianoacrilato (VenaSeal®)
N-butil cianoacrilato · Medtronic / VariClose® · Biolas
91.4%
oclusão 5a
Mecanismo

Adesivo n-butil cianoacrilato aplicado endoluminalmente por cateter-dispensador. Induz reação inflamatória e fibrose da parede venosa. Polimeriza em contato com proteínas sanguíneas — sem necessidade de calor ou componente químico esclerosante adicional.

Evidência — VeClose Trial
  • Morrison et al 2020 · 5 anos · 89 pacientes
  • CAC 91.4% vs RFA 85.2% — não-inferioridade demonstrada
  • Dor periprocedural significativamente menor com CAC (Bozkurt et al, Calik et al: P<0.001)
Vantagens
  • • Sem tumescência, sem agulhas perivenosas
  • • Dor periprocedural mínima
  • • Oclusão a 5 anos não-inferior à RFA
  • • Risco de neuropatia <1% (SSV: Cho et al 96.3%, 2 anos, sem neuropatia sural)
Limitações / Contraindicações
  • • Alergia a cianoacrilatos (contraindicação absoluta)
  • • Glue clumps — excisão eventual (Yang et al: 3/335 infecções)
  • • Custo relativo mais elevado ($$$$)
  • • Tromboflebite superficial aguda, sépsis
MOCA — Ablação Mecanoquímica (ClariVein®)
Mecânica + Química sem calor · MeritMedical
77–82%
oclusão 1–3a
Mecanismo Duplo

Fio rotativo (3.500 rpm) disrompe o endotélio mecanicamente + injeção simultânea de esclerosante líquido (polidocanol 1–3%). A combinação mecânica-química potencializa a ação esclerosante sem necessidade de calor. Ausência de tumescência simplifica o procedimento.

Evidências — RCTs
  • LAMA RCT (Mohamed et al 2021, 150 pacientes): EVLA 91% vs MOCA 77% oclusão 1 ano (P=0.020)
  • Vahaaho et al RCT (132 pacientes, 3 anos): oclusão MOCA 82% vs EVLA/RFA 100% (P=0.005)
  • MARADONA RCT (213 pacientes, 2 anos): menor dor intraoperatória vs RFA; mais hiperpigmentação vs RFA
  • Lane et al RCT (170 pacientes, RFA vs MOCA): dor máxima e média significativamente menor com MOCA (P<0.003)
Vantagens
  • • Sem tumescência, dor mínima intraprocedimento
  • • Melhora de VCSS e QoL comparável a EVLA/RFA
  • • Menor risco de neuropatia sural na SSV
Limitações
  • • Oclusão menor vs EVLA/RFA nos RCTs disponíveis
  • • GSV >7 mm: maior taxa de recanalização (Vahaaho et al)
  • • Tortuosidade extrema dificulta avanço do fio rotativo
  • • Hiperpigmentação mais frequente vs RFA (MARADONA)
UGFS — Escleroterapia com Espuma Ecoguiada
Ultrasound-Guided Foam Sclerotherapy

Solução esclerosante em espuma (polidocanol ou tetradecilsulfato de sódio) injetada sob guia de ultrassom. Sem cateter, sem tumescência.

51%
Oclusão 5a (CLASS)
$
Custo mais baixo

Coberta em detalhes no Guideline 2.4 SVS 2022 (links relacionados).

PEM — Microespuma Polidocanol (Varithena®)
Physician-Compounded Endovenous Microfoam · BTG/Boston Sci

Microespuma de polidocanol 1% com gás proprietário (O2/CO2) em pressão controlada — menor risco de acidente visual/neurológico vs espuma composta manualmente.

93.5%
Oclusão 3a (Deak 2022)
$$
Custo intermediário

Aprovada FDA; disponibilidade variável no Brasil.

Tabela Comparativa — 6 Técnicas de Ablação

Comparação direta dos principais parâmetros clínicos. Dados de oclusão referem-se ao maior seguimento disponível nos estudos de referência. Dor e neuropatia baseadas em meta-análises e RCTs citados no texto.

TécnicaAnestesia tumescenteDor periproceduralOclusãoRisco neuropatiaCusto relativo
EVLASimModerada
Menor com 1470 nm vs 980 nm
89–96% (5a)4.8%
Boersma et al
$$$
RFA (ClosureFast)SimLeve-moderada
Menos que EVLA 980 nm
~96% (5a)9.7%
Boersma et al
$$$
CAC (VenaSeal)NãoMínima
P<0.001 vs RFA (Calik et al)
91.4% (5a VeClose)<1% relatado
Sem sural em SSV (Cho et al)
$$$$
MOCA (ClariVein)NãoMínima
P<0.003 vs RFA (Lane et al)
77–82% (1–3a)Baixo (SSV)
Menor que térmico
$$$
UGFSNãoLeve51% (5a CLASS)Baixo$
PEM (Varithena)NãoLeve93.5% (3a Deak 2022)Mínimo$$

Neuropatia comparativa de referência — cirurgia convencional (HL&S): 19.6% (Boersma et al systematic review, 49 estudos, 44 coortes; 58% HL&S, 98.5% EVLA anatomical success, 97.1% RFA anatomical success). Custo relativo aproximado: $ = menor, $$$$ = maior.

Neuropatia como Diferenciador Crítico na Seleção de Técnica

Meta-análise de Boersma et al — 49 estudos, 44 coortes

19.6%
Cirurgia (HL&S)
neuropatia safena
9.7%
RFA
neuropatia safena
4.8%
EVLA
neuropatia safena
<1%
Não-Térmicas
CAC, MOCA, PEM

O gradiente de neuropatia — cirurgia > RFA > EVLA > não-térmicas — é consistente com o mecanismo de lesão: dissecção e ligação cirúrgica > calor circunferencial por RFA > calor pontual por laser > ausência de calor (não-térmicas). O nervo safeno acompanha a GSV ao longo de toda a coxa e perna — qualquer técnica de ablação pode causar lesão por proximidade.

Neuropatia na SSV — Nervo Sural

A SSV apresenta risco adicional de neuropatia do nervo sural (sensitivo, face lateral do tornozelo) e ramos do nervo gastrocnêmio medial e lateral — estruturas que correm em íntima proximidade com a SSV na panturrilha.

  • CAC em SSV: Jimenez 2022 (49 SSVs e 23 SSVs adicionais) — sem neuropatia sural ou safena reportada
  • MOCA em SSV: menor risco de neuropatia sural vs EVLA e RFA em estudos de coorte
  • PEM em SSV: Jimenez 2022 — sem neuropatia reportada

Indicações Clínicas para Não-Térmico pela Neuropatia

  • Profissionais com demanda sensitiva elevada: músicos, trabalhos manuais de precisão, cirurgiões
  • SSV com nervo sural identificado por duplex em proximidade: <1 mm de separação
  • GSV below-knee: qualquer técnica não-térmica reduz risco vs ablação térmica distal
  • Paciente com neuropatia prévia: evitar fator de risco adicional
  • Hipersensibilidade ao calor tecidual: pele <1 cm sobre a veia

Heterogeneidade metodológica na avaliação de neuropatia

Boersma et al confirmam heterogeneidade significativa entre estudos na definição e método de avaliação de neuropatia. Avaliação clínica (formigamento, parestesia ao toque), monofilamento e EMG geram incidências muito diferentes para o mesmo procedimento. Estudos com EMG sistemático reportam neuropatia subclínica em taxas 3–5× maiores que avaliação clínica isolada. Não-térmicas têm consistentemente menor taxa de neuropatia nos estudos disponíveis — dado clinicamente plausível pelo mecanismo, mas que deve ser interpretado com cautela dada a heterogeneidade.

Seleção de Técnica na Prática — Critérios Anatômicos e de Expertise

O Guideline 3 SVS 2022 afirma explicitamente que a expertise do médico é o fator mais importante para o resultado. A seguir, os critérios que devem guiar a escolha entre técnicas equivalentes na ausência de contraindicações absolutas.

Critérios Anatômicos
Veia <1 cm da pele: não-térmica preferida — risco de queimadura cutânea com tumescência insuficiente mesmo após injeção perivenosa adequada
GSV diâmetro >10–12 mm: EVLA ou RFA com parâmetros de maior energia; MOCA tem maior taxa de falha em veias calibrosas; CAC tem resultados satisfatórios mesmo em veias maiores
GSV diâmetro >7 mm: Vahaaho et al identificam maior taxa de recanalização após MOCA — considerar técnica térmica ou CAC para veias >7 mm
Tortuosidade extrema: dificulta avanço do cateter em todas as técnicas; fio rotativo do ClariVein especificamente limitado em curvas agudas — considerar EVLA com fibra flexível ou CAC
Contraindicações Absolutas por Técnica
CAC (VenaSeal): hipersensibilidade a cianoacrilato; tromboflebite superficial aguda; sépsis
MOCA (ClariVein): alergia ao esclerosante utilizado (polidocanol); tortuosidade extrema que impeça avanço do cateter
PEM (Varithena): forame oval patente (FOP) com grande shunt direita-esquerda; alergia ao polidocanol
EVLA / RFA: trombose venosa profunda aguda ipsilateral; impossibilidade de anestesia tumescente adequada
Preferências do Paciente
Paciente que quer evitar agulhas/tumescência: CAC ou MOCA são alternativas válidas com dor periprocedural significativamente menor (P<0.001 em RCTs)
Paciente que prioriza máxima durabilidade: EVLA 1470 nm ou RFA — taxas de oclusão a 5 anos de 89–96% vs 77–82% com MOCA a 3 anos
Paciente com restrição de custo: UGFS é a opção de menor custo ($); PEM ($$ intermediário); RFA/EVLA/MOCA ($$$); CAC ($$$$)
Paciente com ocupação de alta demanda sensitiva: não-térmica (CAC, MOCA, PEM) para SSV e GSV below-knee — menor risco neurológico

Expertise como determinante principal

O Guideline SVS 2022 é explícito: a escolha entre técnicas equivalentes deve depender primariamente da expertise disponível do médico. Resultados de ablação endovenosa têm correlação direta com volume de procedimentos do operador — não com a técnica específica. Um operador com 500 procedimentos de MOCA obterá resultados superiores a um operador com 10 procedimentos de CAC, independentemente dos dados comparativos publicados.

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Perguntas Frequentes

O CAC (VenaSeal) demonstra não-inferioridade real vs RFA a 5 anos — isso muda a indicação de primeira linha?
O VeClose trial (5 anos, Morrison et al 2020, 89 pacientes) demonstrou CAC 91.4% vs RFA 85.2% de oclusão — não-inferioridade confirmada (P não-inferior). No entanto, o comitê da SVS 2022 manteve ambas as técnicas como recomendação equivalente (Grade 1B) sem preferência explícita por CAC sobre RFA. As vantagens adicionais de CAC — ausência de tumescência, menor dor periprocedural (Bozkurt et al, Calik et al: P<0.001) — somadas à não-inferioridade em oclusão tornam-o uma alternativa sólida onde disponível. Custo elevado ($$$$) e risco de glue clumps com necessidade eventual de excisão (Yang et al: 3 infecções em 335 pacientes) são limitações práticas que justificam a ausência de preferência absoluta pelo guideline.
A MOCA tem oclusão de 77–82% a 1–3 anos vs 91–100% com EVLA/RFA — isso é clinicamente aceitável?
Depende da prioridade individual do paciente. Para pacientes que priorizam a experiência procedural — sem dor (Lane et al RCT: P<0.003 favor MOCA), sem agulhas de tumescência e sem anestesia local — 77–82% de oclusão a 1–3 anos com melhora de VCSS e QoL comparável pode ser clinicamente aceitável. Para pacientes que priorizam durabilidade máxima, EVLA e RFA são superiores (LAMA RCT: EVLA 91% vs MOCA 77%, P=0.020; Vahaaho et al RCT: 100% vs 82%, P=0.005). O Guideline SVS 2022 reconhece explicitamente que a escolha deve depender da preferência do paciente e expertise do operador. Critério anatômico adicional: GSV com diâmetro >7 mm apresenta maior taxa de recanalização após MOCA — dado que deve guiar a seleção.
As fibras de laser de 1470 nm realmente têm menos dor que as de 980 nm?
Sim. A diferença é mecanicamente fundamentada. Fibras de 1470 nm são absorvidas preferencialmente pela água intraluminal, gerando calor mais seletivo na parede venosa com menor dano por vapor. Fibras de 810–980 nm são absorvidas pela hemoglobina — o mecanismo envolve geração de bolhas de vapor sanguíneo com impacto mecânico na parede venosa, causando mais dano perivascular, dor e equimose pós-operatória. Estudos sistemáticos demonstram consistentemente menores escores de dor pós-operatória com 1470 nm vs 980 nm, com eficácia de oclusão similar em ambos os comprimentos de onda. A técnica VenaCure NTNT (Angiodynamics) com fibra de 1470 nm é um dos dispositivos de referência nesse segmento.
Quando a ablação endovenosa abaixo do joelho (GSV distal/panturrilha) está indicada?
Em pacientes com refluxo axial completo (da junção safeno-femoral ao tornozelo) sintomático que não responde a tratamento conservador. Revisão sistemática (Sussman et al) demonstra que ablação térmica abaixo do joelho tem menor incidência de neuropatia safena vs HL&S convencional. RCTs específicos documentam segurança e eficácia do EVLA below-knee. No entanto, o risco de neuropatia safena aumenta conforme a progressão distal da ablação — a veia safena acompanha o nervo safeno a partir do terço distal da perna. Técnicas não-térmicas (CAC, MOCA, UGFS, PEM) são preferíveis em pacientes com maior risco neurológico, ocupações de demanda sensitiva elevada ou quando a proximidade nervo-veia é identificada por duplex.
Qual técnica não-térmica é preferível para SSV?
Não há dados suficientes para preferência absoluta. CAC (VenaSeal): Cho et al documentam 96.3% de oclusão a 2 anos em 163 membros tratados para SSV, sem neuropatia sural major. MOCA (ClariVein): estudos consistentemente demonstram menor risco de neuropatia sural vs EVLA e RFA para SSV. PEM (Jimenez 2022, 49 SSVs e 23 SSVs): ausência de neuropatia sural reportada. A escolha entre CAC e MOCA para SSV depende fundamentalmente de disponibilidade local e expertise do operador. O ponto de consenso entre todas as técnicas não-térmicas é a vantagem sobre EVLA/RFA em termos de risco de neuropatia sural e gastrocnêmio lateral/medial — argumento particularmente relevante em pacientes jovens, trabalhadores ativos e profissionais com demanda sensitiva.
A recomendação Grade 1B (forte, evidência moderada) para "ambas as técnicas" implica que o operador pode escolher livremente?
Sim. O Guideline 3.1.1 da SVS 2022 é explícito: "depending on available expertise of the treating physician and the preference of the patient." Grade 1 (strong) implica que a grande maioria dos pacientes bem-informados faria essa escolha (ablação endovenosa vs. conservador), mas a escolha específica entre térmica e não-térmica não é mandatória pelo guideline — ambas são recomendadas sem hierarquia explícita. Essa equivalência reflete o reconhecimento do comitê de que os dados disponíveis não sustentam superioridade clínica consistente de uma categoria sobre a outra quando se considera o conjunto de desfechos relevantes: oclusão, dor, retorno às atividades, QoL e complicações neurológicas.
Como comparar os dados de neuropatia entre os estudos se os métodos de avaliação variam?
A heterogeneidade metodológica é substancial — Boersma et al (49 estudos, 44 coortes) confirmam. Avaliação por paresia clínica, eletromiografia, sensibilidade cutânea (monofilamento) ou questionário de sintomas gera incidências muito diferentes para o mesmo procedimento. A meta-análise de Boersma (neuropatia safena: 19.6% após cirurgia, 4.8% após EVLA, 9.7% após RFA) usa avaliação clínica padronizada, mas estudos individuais têm variação ampla. Estudos com EMG sistematicamente reportam neuropatia subclínica em taxas 3–5× maiores que avaliação clínica isolada. Não-térmicas têm consistentemente menor taxa de neuropatia nos estudos disponíveis — dado clinicamente plausível pelo mecanismo (ausência de calor + ausência de tumescência perivascular). A heterogeneidade reforça que a seleção de técnica deve ser individualizada, não baseada em comparações cruzadas entre estudos de diferentes metodologias.

Suas varizes merecem avaliação especializada.

Cada caso é único. O Eco-Doppler Vascular mapeia o refluxo e define qual técnica — espuma, laser, radiofrequência ou cirurgia — é a certa para você.

Artigo escrito e validado pelo Dr. Maurício Hiroshi Yamada (CRM-PR 21589 | RQE: 18282). Cirurgião Vascular formado pela UEL, com residência no HSPE/SP e título de especialista pela SBACV. É referência em tratamentos minimamente invasivos (Laser, Radiofrequência e Espuma) na clínica Maringá Vasculares, no Paraná.
⚕️ Aviso médico: O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico especialista. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde habilitado. Dr. Maurício Hiroshi Yamada — CRM-PR 21589.

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