Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

Título de Especialista (SBACV)

Certificação em Doppler Vascular (CBR)

Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
Varizes

Ablação Térmica, Cirurgia e UGFS para Varizes: Comparação de Resultados a 5 Anos — Guideline 2.4 SVS 2022

Evidências de longo prazo comparando EVLA, RFA, HL&S e UGFS para varizes: taxa de oclusão, QoL doença-específica, custo-efetividade e papel do PEM (Varithena) — baseado nas Diretrizes SVS 2022.

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 17 de junho de 202614 min de leitura

Resposta direta: Seguimento a longo prazo (5 anos) das técnicas de ablação: EVLA 85–90% oclusão; RFA 83–88%; stripping 75–80%; UGFS 64–68% — metanálise de 21 ECRs (n=7.000+). Taxa de reintervenção em 5 anos: EVLA 5%, stripping 15%, UGFS 30%. Varizes recidivadas pós-ablação (recanalização): em 10–15% após EVLA a 5 anos, tratáveis com segunda sessão de UGFS. Qualidade de vida (CIVIQ-20) melhora igualmente com todas as técnicas nos primeiros 12 meses.

O Guideline 2.4 SVS 2022 aborda diretamente a questão de durabilidade: para pacientes que priorizam qualidade de vida e recorrência a longo prazo, o comitê sugere ablação térmica (EVLA ou RFA) ou cirurgia aberta (HL&S) sobre espuma com polidocanol composta pelo médico (physician-compounded UGFS). A força da recomendação é Grade 2 (weak) — fraca — pois envolve values e preferências variáveis (custo versus durabilidade), reconhecendo que pacientes diferentes podem legitimamente priorizar aspectos distintos do tratamento.

Infográfico — Comparação de resultados a 5 anos: EVLA vs RFA vs HL&S vs UGFS para varizes — Guideline 2.4 SVS 2022

Guideline 2.4 SVS 2022 — As Três Recomendações

O Guideline 2.4 abrange três cenários anatômicos distintos — GSV (grande veia safena), SSV (pequena veia safena) e AAGSV/PAGSV (ramos anteriores e posteriores da safena) — com recomendações consistentes em direção favorável à ablação térmica ou cirurgia quando a prioridade é durabilidade.

Recomendação 2.4.1 — Grande Veia Safena (GSV)
Grade 2 — WeakEvidence B

Em pacientes com GSV incompetente e alta prioridade em resultados a longo prazo (QoL e recorrência), sugerir EVLA, RFA ou HL&S sobre UGFS physician-compounded.

Recomendação 2.4.2 — Pequena Veia Safena (SSV)
Grade 2 — WeakEvidence C

Em pacientes com SSV incompetente e alta prioridade em resultados a longo prazo, sugerir EVLA, RFA ou HL&S (joelho ao mid-calf) sobre UGFS.

Recomendação 2.4.3 — AAGSV / PAGSV
Grade 2 — WeakEvidence C

Em pacientes com AAGSV ou PAGSV e alta prioridade em longo prazo, sugerir ablação endovenosa ou HL&S + flebectomia se necessário, sobre UGFS.

Escopo preciso da recomendação

Esta recomendação aplica-se exclusivamente à physician-compounded UGFS utilizada para ablação de veia safena truncal — preparada com técnica de Tessari. NÃO aborda o uso de UGFS para tributárias varicosas, onde a espuma guiada por ecodoppler mantém papel clínico importante e não é restringida pelas recomendações 2.4.1–2.4.3.

CLASS Trial — Dados de Oclusão e QoL a 5 Anos

Brittenden J et al. NEJM 2014 / Ann Surg 2019. RCT multicêntrico, 798 pacientes randomizados; 595 avaliados a 5 anos (EVLA n=212, HL&S n=289, UGFS n=292). Principal ensaio randomizado comparando as três modalidades.

HL&S — Cirurgia Aberta
96%
oclusão / fechamento a 5 anos
Referência de durabilidade
EVLA — Laser Endovenoso
89%
oclusão / fechamento a 5 anos
P<0.001 vs UGFS
UGFS — Espuma Physician-Compounded
51%
oclusão / fechamento a 5 anos
−38 pp vs EVLA · P<0.001

Tabela Comparativa CLASS Trial — Resultados a 5 Anos

Desfecho (5 anos)HL&S
n=289
EVLA
n=212
UGFS
n=292
Valor P / Tamanho de Efeito
Oclusão / Fechamento Truncal96%89%51%P<0.001 (UGFS vs EVLA e vs HL&S)
QoL Doença-Específica (AVVQ) — EVLA vs UGFSSuperiorReferênciaRR −2.86 (IC 95% −4.49 a −1.22); P<0.001
QoL Doença-Específica (AVVQ) — HL&S vs UGFSSuperiorReferênciaRR −2.60 (IC 95% −3.99 a −1.22); P<0.001
QoL Genérica (SF-36)SimilarSimilarSimilarDiferenças não significativas entre grupos a 5 anos

Interpretação clínica

A diferença de 38 pontos percentuais na oclusão anatômica entre UGFS (51%) e EVLA (89%) traduz-se em desfecho clínico mensurável: QoL doença-específica significativamente inferior no grupo UGFS a 5 anos (P<0.001 para ambas as comparações). A QoL genérica (SF-36) não difere entre grupos — sugerindo que a diferença é capturada por instrumentos específicos à doença venosa, como o AVVQ (Aberdeen Varicose Vein Questionnaire).

Custo-Efetividade — Por Que o Custo Inicial Mais Baixo do UGFS Pode Enganar

Lattimer et al — RCT 100 Pacientes
  • Custo inicial UGFS: £230 — 3.15× mais barato que EVLA
  • Custo inicial EVLA: £724.72
  • Reintervenções: 56% do grupo UGFS vs 6% do grupo EVLA
  • Conclusão: custo total a longo prazo se equaliza após contabilização das reintervenções
Canadian Cost-Analysis
  • RFA ~$110–220 mais caro que cirurgia aberta por procedimento
  • Menor taxa de complicações da RFA parcialmente compensa diferença de custo
  • Análise favorece ablação endovenosa em perspectiva de longo prazo
NICE / NHS UK — Custo-Efetividade
1º EVLA
Ranqueado primeiro em custo-efetividade pelo NHS
£16,966 / QALY (~$23,700)
2º RFA
Segundo em custo-efetividade — abaixo do limiar NHS de £20,000/QALY
UGFS e HL&S
Considerados não custo-efetivos pelos preços praticados no NHS — custo total elevado após reintervenções e menor ganho de QALY

Ponto crítico: custo de reintervenções

O custo aparentemente baixo do UGFS (3× inferior ao EVLA no ato inicial) é substancialmente diluído pela necessidade de tratamento adicional em 56% dos pacientes (Lattimer RCT). A análise de custo-efetividade deve, portanto, incorporar o custo cumulativo de reintervenções — que equaliza ou reverte a vantagem inicial do UGFS.

Papel da Espuma (UGFS) — Quando Ainda É Indicada

Apesar da menor durabilidade para ablação de veia safena truncal, a escleroterapia com espuma guiada por ecodoppler mantém papel clínico relevante em cenários específicos que o guideline 2.4 não restringe.

Tributárias Varicosas

Não é o alvo do guideline 2.4. UGFS para tributárias mantém indicação sólida e não é abordada pelas recomendações 2.4.1–2.4.3.

Varizes Recorrentes Pós-Cirurgia

Anatomia complexa, aderências e tecido cicatricial tornam a abordagem cirúrgica e a ablação endovenosa tecnicamente mais difíceis — UGFS representa alternativa de acesso mais simples.

Retalhos e Varicosidades de Difícil Acesso

Varicosidades em localização incomum, tortuosidade extrema ou calibre incompatível com cateterização para ablação endovenosa.

Contraindicação à Tumescência

Pacientes que não toleram anestesia tumescente ou técnicas tumescent-dependent — UGFS não requer infiltração perivenosa.

Controle de Sintomas a Curto/Médio Prazo

Resultado aceitável a 1 ano: AVVQ e VCSS melhoram significativamente. Vantagem de custo inicial quando apenas controle sintomático a curto prazo é o objetivo declarado do paciente.

Caveat — Reintervenções

56% do grupo UGFS no RCT de Lattimer necessitou tratamento adicional — dado que deve integrar a discussão de consentimento com o paciente.

PEM (Polidocanol Endovenous Microfoam — Varithena®) — Dados Atuais

O Varithena é o único produto de espuma comercialmente preparado com aprovação FDA/EMA — distinto do physician-compounded UGFS que é o alvo das recomendações 2.4.1–2.4.3.

Deak et al 2022 — Coorte Retrospectiva
  • n: 1.070 pacientes C2–C6 (C2 n=469)
  • Refluxo eliminado a 3 anos:
  • • PEM: 93,5% (514/550)
  • • EVLA: 92,8% (482/520)
  • Eventos neurológicos ou cardíacos: nenhum
  • Limitação: estudo retrospectivo — não RCT
Gibson K et al — Varithena 013 Trial
  • RCT controlado por placebo
  • Eficácia e segurança confirmadas a curto prazo
  • Único RCT disponível ao momento do guideline; sem comparação head-to-head versus ablação térmica
Por que o Varithena não está nas recomendações 2.4.1–2.4.3?

O guideline SVS 2022 é explícito: "long-term effectiveness of commercial PEM are not yet available" — ao momento da elaboração (evidência até 2020), apenas um RCT comparava Varithena ao placebo, sem comparação head-to-head versus ablação térmica e sem dados de 5 anos.

Os dados de 3 anos de Deak 2022 são promissores (93,5% de eliminação de refluxo vs 92,8% com EVLA), mas foram publicados após a finalização do guideline.

Nota importante sobre interpretação:

As recomendações 2.4.1–2.4.3 especificam physician-compounded UGFS. O PEM (Varithena), por ser produto comercialmente preparado com concentração e propriedades físicas padronizadas, pode ter resultados a longo prazo superiores à espuma composta manualmente — a ausência de dados de longo prazo não implica equivalência negativa com o UGFS composto pelo médico.

Decisão Compartilhada — O Papel da Preferência do Paciente

A força Grade 2 (weak) reflete diretamente a heterogeneidade nas preferências dos pacientes. Dados de survey pré-avaliação (111 pacientes, Reino Unido) demonstram que 56% não estavam preocupados com retorno ao trabalho, enquanto a importância de desconforto pós-operatório e risco de recorrência variou amplamente — evidenciando que nenhum único desfecho domina a decisão para todos os pacientes.

Prioridade: Durabilidade e QoL a 5 Anos

Paciente que valoriza máxima taxa de oclusão e menor probabilidade de recorrência sintomática a longo prazo:

EVLA / RFA ou HL&S
Prioridade: Custo Inicial

Paciente sem cobertura para ablação endovenosa ou que explicita custo como fator determinante, com ciência da menor durabilidade:

UGFS é razoável
Sem Acesso à Ablação Endovenosa

Paciente sem plano/cobertura ou acesso a centro de ablação endovenosa — alternativa com excelente durabilidade anatômica (96%):

HL&S — Cirurgia Aberta

A força Grade 2 (weak) não significa que a recomendação é incerta

Significa que a decisão final deve incorporar as preferências do paciente. A evidência de superioridade da ablação térmica em oclusão anatômica e QoL doença-específica a 5 anos é robusta (CLASS trial, 798 pacientes, P<0.001). O grau fraco reflete que valores individuais — custo, acesso, aversão à tumescência — podem justificar a escolha de UGFS em determinados pacientes, desde que devidamente informados sobre a diferença de durabilidade.

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Perguntas Frequentes

A diferença de oclusão a 5 anos entre UGFS (51%) e EVLA (89%) é clinicamente significativa?
Sim. A diferença de 38 pontos percentuais representa taxa de recanalização progressivamente maior no grupo UGFS — implicando maior probabilidade de ressurgimento de sintomas, necessidade de reintervenção e custo cumulativo maior a longo prazo. O CLASS trial com 798 pacientes randomizados (maior RCT do tema) demonstrou diferença estatisticamente significativa em QoL doença-específica a 5 anos (P<0.001) — não apenas anatômica.
Por que a recomendação é Grade 2 (weak) se a evidência de oclusão favorece claramente a ablação térmica?
A força da recomendação reflete o balanço entre benefícios, riscos, custos e valores do paciente — não apenas a magnitude do efeito. Custo 3× mais baixo do UGFS, ausência de tumescência e facilidade de acesso são aspectos valorizados por muitos pacientes. O comitê reconhece que pacientes que priorizam custo podem razoavelmente escolher UGFS, especialmente para tratamento a curto prazo.
Existe subconjunto de pacientes onde UGFS tem resultado comparável à ablação térmica a longo prazo?
Evidências insuficientes para definir esse subgrupo. Estudos sugerem que veias menores e menos tortuosas respondem melhor à escleroterapia. GSV com diâmetro >8–10 mm tem taxa de recanalização significativamente maior após UGFS. Porém, os RCTs disponíveis não estratificaram adequadamente por diâmetro para análise de subgrupo definitiva.
Por que o Varithena não está incluído explicitamente nas recomendações 2.4.1–2.4.3?
Porque, no momento da elaboração do guideline (evidência até 2020), havia apenas um RCT (Gibson K, Varithena 013 trial) comparando Varithena a placebo — não head-to-head versus ablação térmica. Dados de 5 anos não estavam disponíveis. O guideline é explícito: "long-term effectiveness of commercial PEM are not yet available." Dados de 3 anos (Deak 2022) são promissores, mas não alteram a recomendação.
A espuma guiada por ecodoppler (UGFS) com polidocanol 3% tem resultado diferente de 1%?
Sim. Vahaaho et al (RCT 5 anos, comparando UGFS 1% vs 3% polidocanol e STS 1%): grupo UGFS com oclusão de 41% sem intervenção adicional vs 89–96% nos grupos cirurgia/EVLA (P<0.001). Não houve diferença de desfecho clínico relevante entre concentrações 1% e 3% de polidocanol na espuma nas análises disponíveis — ambos apresentam taxa de recanalização similar a 5 anos.
O guideline 2.4 se aplica ao uso de UGFS para tributárias após ablação truncal?
Explicitamente NÃO. O guideline 2.4 aborda especificamente "physician-compounded foam using the Tessari technique" para ablação de veia safena truncal. Ele não aborda e não restringe o uso de UGFS para tributárias varicosas, onde o contexto clínico, anatômico e as metas terapêuticas são diferentes.

Suas varizes merecem avaliação especializada.

Cada caso é único. O Eco-Doppler Vascular mapeia o refluxo e define qual técnica — espuma, laser, radiofrequência ou cirurgia — é a certa para você.

Artigo escrito e validado pelo Dr. Maurício Hiroshi Yamada (CRM-PR 21589 | RQE: 18282). Cirurgião Vascular formado pela UEL, com residência no HSPE/SP e título de especialista pela SBACV. É referência em tratamentos minimamente invasivos (Laser, Radiofrequência e Espuma) na clínica Maringá Vasculares, no Paraná.
⚕️ Aviso médico: O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico especialista. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde habilitado. Dr. Maurício Hiroshi Yamada — CRM-PR 21589.

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