Consenso de Duplex Venoso SBACV-SP/CBR — Parte 4: Pós-Tratamento e Padronização do Laudo
Como descrever a veia após espuma, laser ou radiofrequência, classes de EHIT, mapeamento para enxerto com garrote e as 8 padronizações de laudo do consenso.
Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295
Resposta direta: Depois de espuma, laser ou radiofrequência, a veia ocluída não deve ser descrita como “trombose venosa”. O consenso padroniza termos próprios para cada tratamento, classifica a extensão do trombo na junção em EHIT 1 a 4, define o que o laudo precoce e o tardio devem conter e recomenda garrote na raiz do membro para medir veias no mapeamento pré-revascularização.

Como a veia tratada evolui
Logo após o tratamento, a veia se comporta de forma diferente conforme o método (espuma, laser ou radiofrequência). Com o tempo, o diâmetro diminui, muitas vezes de modo irregular ao longo do trajeto, até a veia virar um cordão fibroso hiperecogênico ou desaparecer ao ultrassom. O ritmo dessa evolução varia de paciente para paciente.
| Morfológico | Hemodinâmico (Valsalva e compressão distal) |
|---|---|
| Ocluída: incompressível, sem fluxo ou não visível | Sem fluxo |
| Parcialmente pérvia: compressão e fluxo parciais | Fluxo anterógrado |
| Totalmente pérvia: compressível, com fluxo em toda a luz | Fluxo retrógrado > 0,5 s (refluxo) |
Depois da espuma
- A veia tratada costuma entrar em espasmo. Nas semanas seguintes fica incompressível, com conteúdo ecogênico, que é reabsorvido em alguns meses.
- Entre 1 e 4 semanas, procure extensão do trombo da magna para a femoral comum. A protrusão para dentro da femoral comum é muito rara (menos de 1%) e é sempre achado patológico.
- O laudo informa quais veias estão ocluídas, a extensão, se a oclusão é total ou parcial e, nos tratamentos antigos, se houve recanalização e refluxo, com origem e drenagem.
Termo recomendado pelo consenso
“veia incompressível e preenchida por material compatível com status pós-tratamento por escleroterapia com espuma” — e não “trombose venosa”.
Orientações ao paciente após a sessão: Fiz espuma: e agora?
Depois de laser ou radiofrequência
Nas primeiras semanas, o diâmetro fica igual ou menor que antes, a parede espessa e a luz quase totalmente obliterada, sem fluxo no segmento tratado.
Termo recomendado pelo consenso
“veia incompressível compatível com status pós-tratamento por termoablação” — e não “trombose venosa”.
Trombo na junção: classificação EHIT
Veias ocluídas, extensão, oclusão total ou parcial, presença e extensão de trombose e, na junção, quanto o trombo avança e obstrui a veia profunda.
Veias ocluídas e extensão, recanalização, refluxo com origem e drenagem, e diâmetros das safenas e junções, se ainda visíveis.
A conduta por classe está na série EHIT: tratamento por classe (AVF/SVS 2021).
Mapeamento para revascularização (enxerto autólogo)
Para usar a veia como enxerto arterial ou planejar uma fístula, o consenso propõe registrar os diâmetros por segmento em tabela, que pode ser substituída por um desenho esquemático:
- membros superiores: cefálica e basílica no antebraço e no braço (distal, médio e proximal);
- membros inferiores: safena magna na coxa e na perna (proximal, médio e distal) e safena parva na perna.
As 8 padronizações de laudo do consenso
- 1Fluxo em direção ao coração em azul no color e abaixo da linha de base no espectral.
- 2Refluxo em vermelho no color e acima da linha de base no espectral.
- 3Na pesquisa de TVP, compressão em corte transversal no modo B.
- 4Na pesquisa de TVP, fasicidade e aumento do fluxo à compressão distal registrados no espectral da femoral comum.
- 5Fluxo que muda de direção por oclusão proximal é “fluxo invertido”, não refluxo.
- 6Veia tratada com espuma recebe o termo próprio de pós-escleroterapia, não “trombose venosa”.
- 7Veia tratada com laser ou radiofrequência recebe o termo próprio de pós-termoablação, não “trombose venosa”.
- 8Garrote na raiz do membro para medir veias no mapeamento pré-revascularização.
Referência
Nardino EP, Santos JEM (org.); Ribeiro BJ, Brandão GMS, Bordinhon TS, Couto VAP (ed.). Consenso sobre Duplex Scan (Ultrassom Doppler Colorido) para Avaliação da Doença Venosa Crônica dos Membros Inferiores. Consenso e Recomendações da SBACV-SP e do CBR. São Paulo: Guanabara Koogan; 2019. Documento original no site do CBR.
Perguntas Frequentes
Por que não chamar de trombose a safena ocluída depois da ablação?
O que muda entre EHIT 1 e EHIT 2?
Quando procurar extensão do trombo depois da espuma?
Para que serve o garrote no mapeamento pré-revascularização?
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