Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

Título de Especialista (SBACV)

Certificação em Doppler Vascular (CBR)

Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
Saúde da Mulher

Varizes Vulvares: O Que São, Por Que Surgem e Como Tratar

Um tema cercado de silêncio e dúvidas. Entenda por que as varizes na região genital feminina aparecem — na gravidez e fora dela —, o que fazer para aliviar o desconforto e quando buscar tratamento definitivo.

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 08 de junho de 2026

Varizes na região genital feminina ainda são um assunto cercado de silêncio — por vergonha, desinformação ou simples falta de espaço para a conversa. Mas o problema é muito mais comum do que se imagina: estudos apontam que entre 8% e 22% das gestantes desenvolvem varizes vulvares ao longo da gravidez. Chegou a hora de falar sobre isso com clareza médica.

Infográfico 'Varizes Vulvares: Entenda o Desconforto e Saiba Como Tratar' — explica o que são (veias dilatadas e tortuosas nos grandes e pequenos lábios), por que surgem na gravidez (aumento do sangue, hormônios e pressão do útero), os sinais de alerta (peso, inchaço, dor que piora em pé e desconforto íntimo), soluções no dia a dia (roupas compressivas, dormir sobre o lado esquerdo), o mito do parto normal (varizes vulvares não impedem o parto vaginal), tratamentos modernos como a escleroterapia com espuma, e estatísticas: 4% das mulheres em geral, 8% a 22% das grávidas (com melhora após o parto) e até 40% das mulheres com dor pélvica
Causas, sinais de alerta, soluções na gestação e o mito do parto normal: tudo sobre as varizes vulvares em um só guia — Maringá Vasculares

Rompendo o Silêncio: O Que São as Varizes Vulvares?

Assim como acontece nas pernas, as varizes vulvares são veias dilatadas e tortuosas — só que localizadas na vulva e na região da virilha. Elas se originam no plexo pudendo, uma rede de veias pélvicas responsável por drenar o sangue da região genital. Quando essas veias perdem a capacidade de impulsionar o sangue de volta ao coração, ele se acumula, dilata as paredes venosas e forma as varizes — exatamente o mesmo mecanismo da insuficiência venosa nas pernas, mas em outro território.

O incômodo é real e a vergonha de falar sobre o assunto faz com que muitas mulheres convivam caladas com a dor — sem saber que existe explicação médica clara e, principalmente, tratamento.

Por Que Elas Aparecem? Dois Cenários Diferentes

Entender quando as varizes vulvares surgem é o primeiro passo para entender por que elas surgem. Existem dois cenários clínicos bem distintos — e cada um aponta para uma causa diferente:

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Cenário A — Durante a Gestação

  • Hipervolemia: o volume de sangue circulante aumenta entre 40% e 50% para nutrir o bebê, sobrecarregando o sistema venoso.
  • Efeito hormonal: a progesterona e a relaxina relaxam a parede das veias, facilitando a dilatação.
  • Compressão mecânica: o útero em crescimento comprime as veias pélvicas, dificultando o retorno do sangue da região genital.
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Cenário B — Fora da Gestação

  • Síndrome de Nutcracker: compressão da veia renal esquerda entre a aorta e a artéria mesentérica superior, gerando refluxo para o plexo pélvico.
  • Síndrome de May-Thurner: compressão da veia ilíaca comum esquerda pela artéria ilíaca direita, causando obstrução ao fluxo venoso pélvico.
  • Outros fatores de risco: multiparidade, predisposição genética, obesidade e longos períodos em pé.

📌 Por que isso importa: quando as varizes vulvares aparecem fora da gravidez — ou persistem muito tempo depois do parto —, elas deixam de ser um "efeito colateral" passageiro da gestação e passam a sinalizar uma causa estrutural nas veias pélvicas, que precisa ser investigada e mapeada por um cirurgião vascular.

Sinais e Sintomas: Como Reconhecer

Os sintomas costumam ser desconfortáveis, mas raramente são silenciosos — o problema é que muitas mulheres não os relacionam às varizes por não saberem que elas também ocorrem nessa região. Os sinais mais comuns incluem:

⚖️

Peso e plenitude

Sensação de peso, pressão ou "estar cheia" na região vulvar e na virilha, que costuma piorar ao longo do dia e com o tempo em pé.

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Dispareunia

Dor ou desconforto durante a relação sexual, causados pela congestão e dilatação das veias na região genital.

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Aspecto de "cacho de uvas"

Veias visivelmente dilatadas e tortuosas, formando relevos arredondados característicos sob a pele da vulva.

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Piora pré-menstrual

Os sintomas tendem a se intensificar nos dias que antecedem a menstruação, acompanhando as variações hormonais do ciclo.

O Mito do Parto Normal: Desfazendo o Maior Receio

É talvez a dúvida mais frequente — e mais angustiante — entre as gestantes que descobrem varizes vulvares: "isso vai impedir meu parto normal?" A resposta, respaldada pela prática obstétrica e vascular, é tranquilizadora:

✓ Não, as varizes vulvares não impedem o parto normal. Diferentemente das veias arteriais, elas são vasos de baixa pressão e paredes elásticas. O risco de sangramento relevante durante o parto é baixo — e, quando ocorre, é facilmente controlado com medidas simples, como compressão local ou sutura. A presença isolada de varizes vulvares não é, por si só, indicação de cesariana.

Essa informação muda a forma como a gestante encara a própria gravidez: o que parecia um obstáculo ao parto natural é, na verdade, uma condição comum, benigna na maioria dos casos, e perfeitamente administrável pela equipe obstétrica.

Diagnóstico Moderno: A Classificação SVP

Para organizar o raciocínio clínico e direcionar o tratamento mais adequado, a medicina vascular utiliza a classificação SVP — um sistema que avalia três dimensões do problema, de forma semelhante ao que a classificação CEAP faz para as varizes de membros inferiores:

SiglaDimensão avaliadaO que define
S — SintomasImpacto clínicoPresença e intensidade de dor, peso, dispareunia e demais sintomas relatados pela paciente
V — VarizesLocalização anatômicaMapeamento de onde as veias dilatadas estão presentes — vulva, virilha, períneo ou coxa medial
P — FisiopatologiaMecanismo da doençaDefine se a causa é refluxo (válvulas que falham) ou obstrução (compressão mecânica das veias pélvicas)

É justamente o componente "P" que orienta a decisão terapêutica: saber se o problema é causado por refluxo valvular ou por obstrução mecânica (como nas síndromes de Nutcracker e May-Thurner) muda completamente a estratégia de tratamento.

Como Aliviar o Desconforto Durante a Gravidez

Como o tratamento definitivo é, em geral, postergado para depois do parto e da amamentação, o foco durante a gestação é o alívio dos sintomas com medidas simples e seguras:

Cuidados que fazem diferença no dia a dia:

  • Higiene postural: dormir preferencialmente do lado esquerdo reduz a compressão do útero sobre a veia cava e melhora o retorno venoso da região pélvica.
  • Suporte pélvico: o uso de calcinhas ou cintas de sustentação compressivas ajuda a aliviar a sensação de peso e a conter a dilatação das veias.
  • Exercícios de Kegel: o fortalecimento da musculatura do assoalho pélvico favorece o retorno venoso da região genital.
  • Crioterapia: compressas frias aplicadas na região, por curtos períodos, ajudam a reduzir a congestão e o desconforto local.

Tratamentos Definitivos: Quando e Como Intervir

Fora do contexto da gestação — ou após o término da amamentação, quando os sintomas persistem — existem dois procedimentos minimamente invasivos consagrados para tratar as varizes vulvares de forma definitiva:

Escleroterapia com microespuma (Técnica de Tessari)

Uma microespuma é preparada a partir do polidocanol em baixa concentração (cerca de 1%, na proporção 1:4 com ar) e injetada diretamente nas veias dilatadas da vulva. A espuma irrita a parede do vaso, promovendo seu fechamento e posterior reabsorção pelo organismo — com bom resultado estético e funcional.

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Embolização pélvica

Indicada quando o refluxo se origina nas veias ovarianas ou no plexo pélvico (como na Síndrome de Nutcracker). O cirurgião vascular introduz pequenas molas de metal (coils) por cateter, ocluindo a veia doente e redirecionando o fluxo sanguíneo para vasos saudáveis — sem necessidade de cirurgia aberta.

Segurança e Resultados: O Que Mostram os Números

Procedimentos minimamente invasivos têm taxa de sucesso elevada — em torno de 93% em um ano — e o perfil de efeitos colaterais é, em sua maioria, leve e temporário. Ainda assim, é importante que a paciente conheça as estatísticas reais antes de decidir pelo tratamento:

Efeito ou complicaçãoFrequência aproximada
Dor leve ou coceira local após o procedimentoAté 80% dos casos (transitório)
Hiperpigmentação (manchas escuras na pele)31% a 35% dos casos (geralmente reversível)
Escotomas visuais — em pacientes com forame oval patentePouco frequente, requer triagem prévia
Sintomas sistêmicos ou episódios tromboembólicosRaros
Necrose de pele no local da injeçãoRaríssima
Complicações graves no geralInferior a 0,6% dos casos

Estatísticas de referência da literatura vascular sobre escleroterapia e embolização pélvica para varizes da região genital feminina. Os percentuais variam conforme a técnica, o volume tratado e as características de cada paciente — por isso a avaliação individual é indispensável.

Conclusão: Não Sofra em Silêncio

As varizes vulvares são mais comuns do que o silêncio em torno delas sugere — e têm explicação médica clara, seja na gestação, seja fora dela. Elas não representam um obstáculo ao parto normal, têm manejo eficaz durante a gravidez e contam com tratamentos minimamente invasivos definitivos, com altas taxas de sucesso, quando chega o momento certo de tratar.

Se você convive com esse desconforto — grávida ou não —, o caminho é simples: procure uma avaliação com um cirurgião vascular especializado. O mapeamento correto das veias pélvicas é o que diferencia um tratamento genérico de um plano terapêutico realmente eficaz para o seu caso.

Perguntas Frequentes

Varizes vulvares impedem o parto normal?
Não. Esse é um dos maiores receios das gestantes, mas não tem respaldo médico. As varizes vulvares são veias de baixa pressão e paredes elásticas — diferente das varizes arteriais. O risco de sangramento importante durante o parto é baixo, e mesmo quando ocorre, é controlado com medidas simples, como compressão local ou sutura. A presença de varizes vulvares isoladamente não é indicação de cesariana.
Varizes vulvares na gravidez são perigosas?
Na grande maioria dos casos, não. Causam desconforto — peso, ardência, sensação de "estar cheia" — mas raramente complicações graves. O acompanhamento com o obstetra e, se necessário, com um cirurgião vascular, garante que sinais de alerta (dor súbita intensa, endurecimento da veia, vermelhidão) sejam identificados e tratados a tempo.
Por que as varizes aparecem na vulva durante a gestação?
Três fatores agem juntos: o aumento de até 40-50% no volume de sangue circulante, o efeito relaxante da progesterona e da relaxina sobre a parede das veias, e a compressão mecânica que o útero em crescimento exerce sobre as veias pélvicas, dificultando o retorno do sangue da região genital e das pernas.
Varizes vulvares também ocorrem fora da gravidez?
Sim. Quando aparecem fora do contexto gestacional, costumam apontar para uma causa estrutural nas veias pélvicas — como a Síndrome de Nutcracker (compressão da veia renal esquerda) ou a Síndrome de May-Thurner (compressão da veia ilíaca comum esquerda). Nesses casos, o estudo vascular detalhado é essencial para definir o tratamento correto.
Qual o tratamento definitivo para varizes vulvares?
Fora da gestação, as duas opções intervencionistas mais usadas são a escleroterapia com microespuma (técnica de Tessari, com polidocanol) para as varizes visíveis na vulva, e a embolização pélvica — colocação de molas (coils) nas veias ovarianas — quando o refluxo se origina no plexo pélvico. A escolha depende do mapeamento detalhado feito pelo cirurgião vascular, com taxas de sucesso em torno de 93% no primeiro ano.

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⚕️ Aviso médico: O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico especialista. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde habilitado. Dr. Maurício Hiroshi Yamada — CRM-PR 21589.

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