Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

Título de Especialista (SBACV)

Certificação em Doppler Vascular (CBR)

Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
Diagnóstico

Classificação CEAP: O que Significa seu Estágio

O padrão mundial para medir a gravidade da doença venosa — do vasinho invisível (C0) à úlcera ativa (C6). Entenda onde você está e o que isso significa para o seu tratamento.

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 07 de junho de 202610 min de leitura

Quando um cirurgião vascular diz que você está em C2 ou C4, está usando um idioma universal criado em 1994 para classificar a doença venosa com precisão em qualquer lugar do mundo. Este guia traduz esse idioma para você.

Escala CEAP da doença venosa: infográfico mostrando a evolução de C0 (sem sinais visíveis) a C6 (úlcera venosa ativa), com ilustrações de cada estágio nas pernas — vasinhos, varizes, edema, alterações de pele e úlcera
Do vasinho à úlcera: a evolução da doença venosa pela Escala CEAP — Maringá Vasculares

O que é a Classificação CEAP?

Antes de 1994, a medicina não tinha uma linguagem comum para descrever a gravidade da doença venosa. O que um especialista chamava de "dermatite", outro classificava como "varizes complicadas". Para resolver essa confusão, foi criado o sistema CEAP — sigla para Clínica, Etiologia, Anatomia e Fisiopatologia.

Para o paciente, o mais importante é a dimensão Clínica (o "C" da sigla): uma escada de sete degraus — de C0 a C6 — que descreve objetivamente o que se vê e sente nas pernas. Ela permite que qualquer cirurgião vascular do mundo entenda imediatamente a gravidade do caso com um único código.

Sintomático ou Assintomático? Os Modificadores "S" e "A"

A aparência das pernas nem sempre reflete o nível de desconforto do paciente. Por isso, ao lado do número, o médico adiciona uma letra:

  • C2A (Assintomático): há varizes visíveis, mas o paciente não sente dor.
  • C2S (Sintomático): há varizes e sintomas — pernas pesadas, queimação, formigamento, cãibras noturnas ou coceira.

Os sintomas do tipo "S" são o grito do sistema circulatório sob estresse. Dois pacientes podem ter a mesma aparência e estágios completamente diferentes de urgência terapêutica.

Os Estágios da Doença Venosa: C0 a C6

C0 — A Doença Invisível

Não há sinais visíveis ou palpáveis de varizes. No entanto, o paciente classificado como C0s sente todos os sintomas — dor, peso, cãibras — indicando que a doença está ocorrendo nos bastidores, em veias mais profundas que a pele oculta. O Eco-Doppler é o único exame capaz de identificá-la neste estágio.

C1 — Os "Vasinhos" (Telangiectasias e Veias Reticulares)

A doença emerge na superfície em duas formas:

  • Telangiectasias: vasos finos (menos de 1 mm), como teias de aranha vermelhas ou roxas.
  • Veias Reticulares: vasos maiores (1 a 3 mm), azulados ou esverdeados, que funcionam como "raízes" que alimentam os vasinhos menores.

Quando acompanhados de sintomas (C1s), indicam refluxo ativo que precisa ser mapeado com Doppler.

C2 — As Varizes Clássicas

As veias estão dilatadas (mais de 3 mm), tortuosas e saltadas. As válvulas internas — que deveriam impedir o sangue de descer pela gravidade — falharam. O sangue "despenca" de volta para os pés (refluxo), esticando progressivamente a parede da veia. A atualização de 2020 introduziu o código C2r para varizes que retornam após cirurgia anterior (recidiva).

C3 — O Inchaço (Edema)

Quando a pressão nas veias aumenta muito, o líquido do sangue escapa para os tecidos. O paciente nota tornozelos roliços e marcas de meias ou sapatos ao final do dia — inchaço que costuma sumir após uma noite de repouso. É o último estágio antes do dano à pele e o momento ideal para tratar de forma definitiva.

C4 — Alterações na Pele ⚠️ Ponto de Alerta

A doença deixa de ser apenas um problema nas veias e começa a destruir a pele. Divide-se em três subtipos:

  • C4a — Dermatite ocre e eczema: manchas cor de ferrugem causadas pelo ferro do sangue "enferrujando" o tecido, acompanhadas de coceira intensa.
  • C4b — Lipodermatoesclerose e atrofia branca: a pele torna-se dura como couro e a perna afina perto do tornozelo, ganhando o formato de "garrafa de champanhe invertida". Surgem manchas brancas — pequenas áreas de pele morta.
  • C4c — Corona Phlebectatica: rede em leque de vasos no calcanhar e arco do pé. Sinal crítico: o risco de úlcera aberta é 5 vezes maior.

C5 — A Úlcera Cicatrizada

O paciente já teve uma ferida aberta no passado que conseguiu fechar. A pele nesse local é extremamente frágil — pode romper novamente com qualquer trauma mínimo. Sem tratamento da causa venosa, a recidiva da úlcera é quase certa.

C6 — A Úlcera Ativa 🚨 Emergência

Estágio mais grave: ferida aberta que não cicatriza sozinha. Gera dor intensa, risco de infecções graves (erisipela, celulite, sepse) e impacto severo na qualidade de vida e mobilidade. Exige avaliação vascular urgente — a úlcera venosa não fecha sem tratar a hipertensão venosa que a causa.

Resumo dos Estágios

EstágioO que se vê na peleO que o paciente sente
C0Pele normalDor, peso e cãibras "invisíveis"
C1Vasinhos (teias de aranha)Queimação e desconforto estético
C2Veias grossas e saltadasVeias doloridas e risco de tromboflebite
C3Inchaço (edema)Tornozelos inchados e marcas de sapatos
C4Manchas, pele dura ou coceiraInflamação da pele; perna "enferrujada"
C5Cicatriz de ferida antigaPele fina como papel; medo de nova ferida
C6Ferida aberta (Úlcera)Dor intensa, secreção e dificuldade de andar

O Divisor de Águas: Desordem vs. Insuficiência

A medicina divide o CEAP em dois grandes grupos com prognósticos radicalmente diferentes:

C0 a C3 — Desordem Venosa

A pele ainda está saudável. O prognóstico é excelente: o tratamento costuma eliminar os sintomas e o inchaço por completo. Este é o momento ideal para tratar.

C4 a C6 — Insuficiência Venosa Crônica

A doença cruzou uma linha perigosa. As alterações de pele costumam ser irreversíveis. O foco muda: salvar o membro e evitar complicações graves.

Por que C4 a C6 Exigem Ação Imediata

O diagnóstico a partir do estágio C4 exige ação rápida por três motivos:

  1. Destruição tecidual: a inflamação crônica libera enzimas que "devoram" a pele, levando à morte dos tecidos. Cada semana sem tratamento aprofunda o dano.
  2. Risco de infecção: feridas abertas (C6) são portas de entrada para bactérias — podendo causar erisipela, celulite e até sepse (infecção generalizada).
  3. Risco de trombose: o sangue parado em veias inflamadas coagula mais facilmente, podendo levar a TVP ou Embolia Pulmonar.

Como o Cirurgião Vascular Usa o CEAP para Decidir o Tratamento

O CEAP funciona como uma bússola estratégica, mas nunca decide sozinho. O processo envolve:

  • Eco-Doppler Venoso: obrigatório antes de qualquer tratamento — mapeia onde o refluxo começa e "quem" está alimentando o problema visível na pele. Sem Doppler, o tratamento é às cegas.
  • Modulação da técnica por estágio: para C1–C2, o foco pode ser estética e alívio de sintomas com escleroterapia ou microcirurgias. Para C4–C6, é necessário desativar a "bomba de pressão" com laser (EVLA), radiofrequência ou espuma densa.
  • Alinhamento de expectativas: o CEAP ajuda o médico a explicar com precisão o que o tratamento pode e não pode reverter — como as manchas do C4a, que costumam ser permanentes mesmo após a correção das varizes.

💡 Regra prática: Se você está em C3 ou abaixo, tem tempo para planejar o tratamento com calma. Se está em C4 ou acima, a avaliação vascular deve acontecer nas próximas semanas — não meses. Se há úlcera aberta (C6), procure o cirurgião vascular o quanto antes.

Perguntas Frequentes

O que significa se meu médico disse que estou em C3?
C3 significa que você tem edema (inchaço) causado por doença venosa. Ainda está no grupo de "desordem venosa" — a pele não foi danificada. Com tratamento adequado das veias que causam a pressão, o inchaço pode ser eliminado por completo. É o momento ideal para tratar antes de progredir para C4.
Posso piorar de estágio sem perceber?
Sim. A progressão de C1 para C2 e de C2 para C3 pode ser gradual e imperceptível no dia a dia. A passagem para C4 — quando a pele começa a ser comprometida — é a mais crítica. Por isso o acompanhamento com Eco-Doppler Venoso periódico é fundamental, especialmente para quem tem histórico familiar.
A classificação CEAP é usada para decidir se preciso de cirurgia?
É uma das ferramentas, não a única. O CEAP define a gravidade clínica, mas a decisão cirúrgica depende também do Eco-Doppler — que mostra onde o refluxo começa — e das condições clínicas do paciente. Pacientes em C4 ou superior geralmente têm indicação de tratamento mais agressivo para evitar progressão.
Manchas na pele (C4a) têm cura depois do tratamento?
As manchas cor de ferrugem (dermatite ocre do C4a) são causadas pelo depósito de ferro do sangue extravasado — são permanentes na maioria dos casos. O tratamento vascular pode impedir que novas manchas apareçam e que a situação piore, mas as já instaladas raramente desaparecem por completo.
Vasinhos (C1) são apenas estéticos ou indicam doença?
Depende. Vasinhos isolados sem sintomas podem ser puramente estéticos. Mas quando acompanhados de queimação, formigamento ou peso nas pernas (C1s), indicam doença venosa ativa. O Eco-Doppler é o único exame que confirma se há refluxo subjacente alimentando os vasinhos — o que muda completamente o tratamento.

Suas varizes merecem avaliação especializada.

Cada caso é único. O Eco-Doppler Vascular mapeia o refluxo e define qual técnica — espuma, laser, radiofrequência ou cirurgia — é a certa para você.

⚕️ Aviso médico: O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico especialista. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde habilitado. Dr. Maurício Hiroshi Yamada — CRM-PR 21589.

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