FAV: Infecção e Aneurismas — Preservação vs Desativação do Acesso
Diretrizes SBACV 2023: infecção da FAV — preservar o acesso se paciente estável hemodinamicamente, sem acometimento da anastomose e respondendo ao tratamento conservador (opinião de expert). Antibiótico 6 semanas; ressecção segmentar e reconstrução em FAVs autóloas. Aneurisma assintomático: vigilância — cirurgia somente na presença de sangramento, úlceras, trombose, dificuldade de canulação ou hiperfluxo.
Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295
Resposta direta: Infecção da FAV: NÃO desativar imediatamente se paciente estável sem acometimento da anastomose — antibiótico 6 semanas + medidas cirúrgicas adjuvantes (opinião de expert). FAV autóloa: possível ressecção segmentar + reconstrução. Aneurisma ASSINTOMÁTICO: vigilância clínica — sem indicação cirúrgica pelo diâmetro isolado. Cirurgia INDICADA em: sangramento/ruptura, ulcerações, lesões cutâneas, dor intratável, dificuldade de canulação, trombose ou hiperfluxo.
Duas situações que testam o julgamento clínico do cirurgião vascular: a fístula infectada e o aneurisma volumoso. Preservar ou desativar? Operar ou vigiar? As Diretrizes SBACV 2023 respondem com critérios objetivos baseados na clínica, e não apenas no aspecto do acesso.
Pergunta 13 — Infecção da FAV: Preservar ou Desativar?
NÃO é indicada a desativação imediata em todo paciente com infecção da FAV (opinião de expert)
✅ Tentar preservar quando:
- • Paciente estável hemodinamicamente
- • Sem acometimento da anastomose
- • Sem sangramento ativo ameaçador à vida
- • Boa resposta ao tratamento conservador
- • Antibioticoterapia + medidas cirúrgicas adjuvantes
⛔ Explante obrigatório quando:
- • Instabilidade hemodinâmica grave
- • Acometimento da anastomose pela infecção
- • Sangramento ativo com risco de vida
- • Infecção não responsiva ao ATB
- • Evolução para sepse ou choque séptico
Estratégias de preservação nas FAVs autóloas:
- • Antibioticoterapia por 6 semanas — escolha do antimicrobiano baseada em cultura e antibiograma
- • Ressecção segmentar: ressecar o segmento venoso infectado e reconstruir com interposição de enxerto em trajeto tunelizado NÃO infectado (mesmo tempo ou diferido)
- • Nos enxertos (próteses): classificação de Kingsmore orienta a conduta (drenagem simples → redirecionamento → explante segmentar ou total)
- • Microrganismos mais comuns: S. aureus e S. epidermidis nos MMSS; gram-negativos polimicrobianos nos MMII
- • Taxa de infecção FAV nativa: 2-4%; próteses: 1,6 a 35% dos casos
Pergunta 14 — Aneurisma Assintomático: Cirurgia?
NÃO — conduta conservadora com vigilância clínica regular (opinião de expert)
O diâmetro isolado do aneurisma NÃO é indicativo de abordagem cirúrgica
| Situação | Conduta |
|---|---|
| Aneurisma ASSINTOMÁTICO | Vigilância clínica regular — NÃO operar pelo diâmetro |
| Sangramento ou risco de ruptura | Cirurgia OBRIGATÓRIA |
| Ulcerações ou lesões cutâneas | Cirurgia INDICADA |
| Dor ou dificuldade de canulação | Cirurgia INDICADA |
| Trombose do acesso ou hiperfluxo | Cirurgia INDICADA |
| Aparência inaceitável + desejo do paciente | Avaliar individualmente |
Definições e opções cirúrgicas:
- • Aneurisma verdadeiro: diâmetro >18 mm ou 3× o diâmetro da veia maturada — todas as camadas preservadas
- • Pseudoaneurisma em prótese: tratar quando diâmetro >2× o diâmetro da prótese — maior risco de ruptura
- • Opções cirúrgicas: ressecção com interposição de enxerto, aneurismorrafia, implante de stent revestido, ligadura do acesso
- • Antes da cirurgia: corrigir estenoses ou hiperfluxo associados ao desenvolvimento do aneurisma
📌 Síntese da Série C — SBACV 2023:
14 perguntas clínicas respondidas com GRADE por 14 cirurgiões vasculares especialistas em acesso vascular para hemodiálise. As respostas refletem a evidência disponível até maio de 2022 e o consenso do grupo de trabalho da SBACV. Para as questões sem evidência suficiente, a diretriz apresenta a opinião de expert como nível de recomendação.
Referência
Harduin LO, Guerra JB, Filippo MG, et al. Diretrizes sobre acesso vascular para hemodiálise da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular. J Vasc Bras. 2023;22:e20230052. DOI: 10.1590/1677-5449.202300521
Tenho uma dilatação ou infecção na minha fístula para hemodiálise e gostaria de avaliação cirúrgica especializada
Dr. Maurício Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular em MaringáCRM-PR 21589 · Atendimento com hora marcada
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Perguntas Frequentes
A fístula arteriovenosa infectada deve ser sempre desativada?
O aneurisma da fístula arteriovenosa sempre precisa de cirurgia?
Qual a diferença entre aneurisma verdadeiro e pseudoaneurisma na FAV?
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