Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

Título de Especialista (SBACV)

Certificação em Doppler Vascular (CBR)

Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
SVS 2023 — P2 G6

Preservação da Safena em Varizes: ASVAL e CHIVA — Guideline 6 SVS 2023

O SVS 2023 Part II Guideline 6 posiciona ASVAL e CHIVA como alternativas razoáveis (Grade 2B) para preservar o tronco safeno em candidatos selecionados — mas com dados que exigem expectativas realistas: 25,6% dos pacientes ASVAL precisarão de ablação adicional, e o CHIVA tem recorrência ecográfica de 46,7% em 24 meses.

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 17 de junho de 202613 min de leitura

Resposta direta: ASVAL (Ambulatory Selective Varicose vein Ablation under Local anaesthesia) e CHIVA preservam a safena magna quando não há incompetência do tronco principal. CHIVA (Cochrane 2021: 6 ECRs, 1.160 pts): recorrência similar ao stripping, mas pode reduzir VLU recorrência vs compressão. Indicação: C2 com tributárias incompetentes e refluxo descendente + JSF competente. Resultado: 66% liberdade de refluxo a 4 anos (ASVAL). Exige DUS detalhado pré-operatório — ESVS 2022 Rec 51-52 (Classe IIb).

O Guideline 6 das Diretrizes SVS 2023 Part II (Gloviczki et al., J Vasc Surg Venous Lymphat Disord 2024;12:101670) avalia duas técnicas de preservação safena com visões críticas baseadas em ensaios clínicos recentes: o ASVAL (flebectomia seletiva de tributárias preservando o tronco) e o CHIVA (correção hemodinâmica por ligadura seletiva de escape points). Ambas recebem Grade 2B — recomendação fraca com evidência moderada — o que exige entender precisamente o que isso significa na prática.

Infográfico: ASVAL vs CHIVA — preservação da safena em varizes, Grade 2B SVS 2023

Por que preservar a safena ainda é relevante?

A safena magna (GSV) é o conduto preferencial para bypass coronariano (CABG) e bypass periférico infrapoplíteo. Estima-se que 10–15% dos pacientes com varizes venham a necessitar de cirurgia cardíaca ou vascular no futuro — e a safena incompetente com refluxo não é adequada como conduto. Além disso, a teoria ascendente do refluxo propõe que, em uma subpopulação de pacientes, o refluxo safeno seria secundário (não primário), regredindo espontaneamente após remoção das tributárias responsáveis pela hipertensão local.

Essas premissas sustentam o interesse clínico em técnicas de preservação — mas os dados de seguimento são necessários para validar quando e para quem elas funcionam.

Guideline 6.1.1 — ASVAL: Flebectomia Seletiva com Preservação do Tronco

Recomendação 6.1.1 — ASVAL como Alternativa à Ablação em Candidatos SelecionadosGrade 2B — Fraca / Evidência Moderada
Sugerimos ASVAL (Ambulatory Selective Varicose vein removal under Local Anaesthesia) como alternativa razoável à ablação endovenosa em pacientes com varizes e refluxo safeno não-axial completo, especialmente com JCS competente, que priorizam a preservação do tronco safeno. A não-inferioridade em QOL foi demonstrada pelo SAPTAP RCT — mas 25,6% dos pacientes necessitarão de ablação adicional. Esse dado deve ser parte da decisão compartilhada com o paciente.

SAPTAP RCT (Scheerders et al., 2023)

464 p.
Tamanho do estudo

227 ASVAL vs 237 ablação térmica (RFA/EVLA)

Não-inferior
Desfecho primário (AVVQ)

Qualidade de vida equivalente à ablação térmica no tempo principal de seguimento

25,6%
Ablação adicional necessária

Pacientes ASVAL que precisaram de ablação do tronco safeno durante o seguimento

Resolução do Refluxo Safeno após ASVAL — Revisão 2021

Candidato Ideal para ASVAL

  • Refluxo safeno não-axial completo (segmentar)
  • JCS (junção safenofemoral) competente
  • Tributárias varicosas dominantes vs tronco
  • Preservação de conduto futuro como prioridade
  • Aceitação do risco de 25,6% de 2ª intervenção

Resolução Espontânea do Refluxo Safeno

50–85%
Resolução do refluxo VSG ao 1 ano

Em candidatos selecionados — revisão sistemática 2021

Guideline 6.1.2 — CHIVA: Correção Hemodinâmica por Mapeamento DUS

Recomendação 6.1.2 — CHIVA como Alternativa em Centros com ExpertiseGrade 2B — Fraca / Evidência Moderada
Sugerimos CHIVA (Cure Conservative et Hémodynamique de l'Insuffisance Veineuse en Ambulatoire) como alternativa à ablação em centros com expertise estabelecida em hemodinâmica venosa. O CHIVA demonstrou recorrência clínica comparável ao HL&S na Cochrane 2021 — mas com recorrência ecográfica significativamente maior e curva de aprendizado longa que limita sua aplicabilidade ampla.

Base de Evidências do CHIVA

Cochrane 2021 — 6 RCTs, 1.160 pacientes

Recorrência clínica CHIVA vs HL&S: RR 0,74 (IC 95%: 0,53–1,03) — pouca ou nenhuma diferença clinicamente significativa. Evidência de qualidade baixa-moderada (heterogeneidade e dependência da expertise).

RCT Gonzalez Canas 2020 — 214 membros, 24 meses

TécnicaRec. ClínicaRec. Eco
HL&S4,3%7,1%
RFA7,2%13%
CHIVA14,7%46,7%

Comparação ASVAL vs CHIVA vs Ablação Padrão

CritérioASVALCHIVAEVLA/RFAHL&S
AnestesiaLocalLocalLocal+tumescenteGeral/espinhal
Preserva safenaSimSimNãoNão
Grade SVS 20232B2B1B1B*
Rec. eco 24m46,7%13%7,1%
2ª intervenção25,6%14,7% clínicaMenorMenor
Curva aprendizadoModeradaLonga/especialistaModeradaPadrão cirúrgico

* HL&S quando ablação indisponível ou anatomia contraindica. Rec. eco = recorrência ecográfica.

Análise Crítica: Quando Faz Sentido Preservar?

O Grade 2B do SVS 2023 para ASVAL e CHIVA deve ser interpretado cuidadosamente. "Grade 2" significa que a recomendação é fraca — é uma sugestão, não uma recomendação forte. Isso implica que a maioria dos pacientes com refluxo axial completo e JCS incompetente se beneficiará mais da ablação padrão (Grade 1B) do que dessas técnicas preservadoras.

A preservação faz sentido em cenários específicos: paciente jovem com refluxo segmentar e JCS competente, onde a probabilidade de resolução espontânea do refluxo após remoção das tributárias é alta (50–85%); ou paciente com necessidade futura de conduto vascular em quem abrir a safena agora teria custo elevado a longo prazo.

A mensagem central do SVS 2023: ambas as técnicas são opções razoáveis em mãos experientes para pacientes selecionados — não substitutos da ablação para varizes avançadas com refluxo axial completo.

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Perguntas Frequentes

O que é o ASVAL e como ele preserva a veia safena?
ASVAL (Ambulatory Selective Varicose vein removal under Local Anaesthesia) é uma técnica de flebectomia seletiva das tributárias varicosas realizada sob anestesia local, sem tratar o tronco safeno. O racional baseia-se na teoria ascendente do refluxo: em alguns pacientes, o refluxo safeno seria secundário à hipertensão nas tributárias — e não primário no tronco. Ao remover as tributárias, o refluxo no tronco safeno pode regredir espontaneamente em 50–85% dos casos ao 1 ano. O tronco é preservado para eventual uso futuro como conduto para bypass coronariano ou periférico. O SVS 2023 classifica o ASVAL com Grade 2B — opção razoável em candidatos selecionados, especialmente com JCS competente e refluxo safeno não-axial completo.
O que demonstrou o SAPTAP trial sobre o ASVAL?
O SAPTAP RCT (Scheerders et al., 2023) randomizou 464 pacientes: 227 para ASVAL e 237 para ablação térmica (RFA/EVLA) da safena. O desfecho primário foi qualidade de vida pelo AVVQ — o ASVAL demonstrou não-inferioridade estatística à ablação térmica no tempo principal de seguimento. Entretanto, 25,6% dos pacientes do grupo ASVAL necessitaram de ablação adicional da safena durante o período de seguimento, contra 0% do grupo ablação. Isso significa que cerca de 1 em 4 pacientes tratados com ASVAL precisará de uma segunda intervenção para tratar o refluxo do tronco que não regrediu — dado que o SVS 2023 considera relevante ao aconselhar o paciente sobre a técnica.
O que é o CHIVA e por que exige tanto treinamento?
CHIVA (Cure Conservative et Hémodynamique de l'Insuffisance Veineuse en Ambulatoire) é um método desenvolvido por Claude Franceschi na França que classifica o refluxo em shunts (S1-S4) e identifica escape points e re-entry points com mapeamento DUS detalhado. O tratamento consiste em ligadura seletiva dos pontos de fuga, sem flebectomia das varicosidades. A técnica preserva o tronco safeno e as tributárias, corrigindo apenas a hemodinâmica. O longo treinamento necessário deve-se ao protocolo DUS pré-operatório altamente especializado — que difere substancialmente do DUS padrão para varizes — e à curva de aprendizado para identificar e ligar os escape points corretos. Centros com expertise restrita ao CHIVA obtêm taxas de recorrência muito superiores às publicadas por especialistas.
Por que a recorrência ecográfica do CHIVA é tão alta — 46,7% no estudo Gonzalez Canas?
O RCT Gonzalez Canas (2020, 214 membros, 24 meses) comparou CHIVA vs RFA vs HL&S e demonstrou recorrência ecográfica (retorno de refluxo ao DUS) de 46,7% para CHIVA vs 13% para RFA e 7,1% para HL&S. Essa diferença é substancial e clinicamente relevante. A alta recorrência ecográfica do CHIVA reflete que a correção hemodinâmica parcial (ligadura dos escape points) não elimina permanentemente o refluxo em muitos pacientes — que progressivamente desenvolvem novos shunts ou recanalizam as ligaduras. Entretanto, a recorrência clínica (sintomas, varizes visíveis) foi de 14,7% para CHIVA vs 7,2% RFA vs 4,3% HL&S — menor que a recorrência ecográfica, indicando que nem todo refluxo recorrente causa sintomas.
Para quais pacientes o ASVAL ou o CHIVA fazem mais sentido clinicamente?
Ambas as técnicas são mais adequadas em cenários específicos: (1) Paciente jovem que precisa preservar a safena para eventual uso como conduto vascular futuro (bypass coronariano ou periférico); (2) Refluxo safeno não-axial completo — ou seja, segmentar, não estendendo por todo o comprimento da safena; (3) JSF competente com refluxo safeno secundário a tributárias varicosas; (4) Preferência do paciente por procedimento menos invasivo com aceitação do risco de segunda intervenção. O ASVAL não é adequado para refluxo axial completo com JSF incompetente e GSV grande (>8 mm) — nesse cenário, a taxa de regressão espontânea do refluxo é baixa e a ablação é mais eficaz. O CHIVA deve ser restrito a centros com protocolo DUS hemodinâmico estabelecido.
Como a Cochrane 2021 avaliou o CHIVA em comparação ao tratamento padrão?
A revisão Cochrane 2021 sobre CHIVA analisou 6 RCTs com 1.160 pacientes e demonstrou pouca ou nenhuma diferença em recorrência clínica comparado ao HL&S (RR 0,74, IC 95%: 0,53–1,03) — com intervalos de confiança amplos refletindo a heterogeneidade dos estudos e a dependência da expertise do operador. A Cochrane não encontrou evidência de superioridade do CHIVA, mas também não demonstrou inferioridade clínica significativa. Entretanto, quando os dados de DUS (recorrência ecográfica) são adicionados — como no RCT Gonzalez Canas — a diferença é substancial. A Cochrane conclui que a evidência é de qualidade baixa-moderada, justificando o Grade 2B do SVS 2023.

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Artigo escrito e validado pelo Dr. Maurício Hiroshi Yamada (CRM-PR 21589 | RQE: 18282). Cirurgião Vascular formado pela UEL, com residência no HSPE/SP e título de especialista pela SBACV. É referência em tratamentos minimamente invasivos (Laser, Radiofrequência e Espuma) na clínica Maringá Vasculares, no Paraná.
⚕️ Aviso médico: O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico especialista. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde habilitado. Dr. Maurício Hiroshi Yamada — CRM-PR 21589.

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