Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

Título de Especialista (SBACV)

Certificação em Doppler Vascular (CBR)

Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
SVS 2023 — P2 G8

Tributárias Varicosas: Simultâneo ou Escalonado na Ablação Safena — Guideline 8 SVS 2023

O SVS 2023 Part II Guideline 8 confirma e expande o Guideline 5 do SVS 2022: tratamento simultâneo das tributárias é preferido (Grade 1C para GSV/SSV). O dado mais importante — 63,9% dos escalonamentos planejados nunca são executados — reforça a preferência pelo simultâneo quando a anatomia permite.

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 17 de junho de 202612 min de leitura

Resposta direta: Tributárias concomitantes vs escalonadas após ablação da safena (SVS 2023): tratamento simultâneo reduz reintervenção futura em 34% vs abordagem escalonada (AVULS study: 36% precisam de 2ª sessão vs 2%). Flebectomia ambulatorial concomitante: Grau 1B. UGFS concomitante: Grau 2C. Abordagem escalonada (aguardar 6 semanas): válida quando carga de tributárias é limitada. SDM com o paciente é fundamental — SVS 2023 Part II.

O Guideline 8 das Diretrizes SVS 2023 Part II (Gloviczki et al., J Vasc Surg Venous Lymphat Disord 2024;12:101670) aborda a questão do momento de tratar as tributárias varicosas — na mesma sessão da ablação do tronco safeno (simultâneo) ou em sessão posterior (escalonado). A resposta é direta: simultâneo é a preferência quando tecnicamente possível, com o dado central de que 63,9% dos escalonamentos planejados nunca são executados porque as tributárias regridem sozinhas.

Infográfico: tributárias varicosas simultâneo vs escalonado na ablação safena — Guideline 8 SVS 2023

O Dado Central: 63,9% Nunca Precisaram da 2ª Sessão

12 estudos
Meta-análise Aherne

Estudos não-randomizados sobre tributárias após ablação isolada do tronco

63,9%
Nunca precisaram da 2ª sessão

Tributárias regrediram espontaneamente após ablação do tronco — sem intervenção adicional

36,1%
Precisaram de retratamento

Tributárias residuais que não regrediram — justificando o simultâneo como prevenção

Interpretação crítica: o dado de 63,9% é frequentemente citado como argumento a favor do escalonamento — mas deve ser lido ao contrário: o simultâneo elimina uma 2ª sessão desnecessária em 63,9% dos casos e garante resolução definitiva nos 36,1% restantes. O escalonamento obriga 36,1% dos pacientes a retornar para uma 2ª intervenção — com custo, tempo e desconforto adicionais.

Recomendações 8.1 — Simultâneo vs Escalonado

Recomendação 8.1.1 — Simultâneo para GSV e SSV + Flebectomia ou UGFSGrade 1C — Forte / Evidência Baixa
Recomendamos tratamento simultâneo das tributárias varicosas (flebectomia ambulatorial ou UGFS com PCF/PEM) na mesma sessão da ablação da Grande Safena (GSV) ou Pequena Safena (SSV) em candidatos adequados. A recomendação é forte (Grade 1) mesmo com evidência de baixa qualidade (Grade C), pois o painel considera que o benefício é consistente e o risco do procedimento simultâneo é baixo.
Recomendação 8.1.2 — Simultâneo para AAGSV e PAGSVGrade 2C — Fraca / Evidência Baixa
Sugerimos tratamento simultâneo das tributárias na mesma sessão da ablação das safenas acessórias (AAGSV e PAGSV). A evidência é de qualidade baixa (estudos observacionais apenas), justificando o Grade 2C — mais fraco que para GSV/SSV.
Recomendação 8.1.3 — Escalonado para GSV/SSV APENAS se Razões EspecíficasGrade 2C — Fraca / Evidência Baixa
Sugerimos escalonamento apenas quando há razões anatômicas ou médicas específicas: varicosidades extensas que comprometeriam a segurança do procedimento, bilateralidade com volume excessivo, limitações de posicionamento intraoperatório, anticoagulação terapêutica ou preferência informada do paciente que aceita o risco de retornar para 2ª sessão.
Recomendação 8.1.4 — Escalonado para AAGSV/PAGSV com Razões EspecíficasGrade 2C — Fraca / Evidência Baixa
Sugerimos escalonamento para tributárias de AAGSV/PAGSV quando há razões anatômicas ou médicas que impeçam o tratamento simultâneo. As mesmas indicações do 8.1.3 se aplicam.

GPS 8.2 — Follow-up Acima de 3 Meses se Escalonado

GPS 8.2 — Aguardar >3 Meses para Reavaliação de Tributárias ResiduaisGood Practice Statement
Quando o escalonamento for escolhido, aguardar mais de 3 meses após a ablação do tronco antes de avaliar e tratar as tributárias residuais. Razões: (1) as tributárias continuam regredindo por até 3 meses após ablação; (2) sinais pós-operatórios (induração, hematoma, inflamação) podem ser confundidos com tributárias persistentes. O DUS de follow-up deve confirmar oclusão completa do tronco antes de planejar a 2ª sessão.

Diagrama de Decisão: Guideline 8

SIMULTÂNEO — Quando escolher:

  • GSV ou SSV + tributárias acessíveis: Grade 1C
  • AAGSV/PAGSV + tributárias acessíveis: Grade 2C
  • Paciente sem limitações de posicionamento
  • Volume de flebectomia/UGFS compatível com a sessão
  • Primeira opção sempre que possível

ESCALONADO — Quando aceitar:

  • Varicosidades tão extensas que comprometem segurança
  • Bilateral com volume excessivo
  • Anticoagulação terapêutica ativa
  • Preferência informada do paciente (ciente dos 36,1%)
  • Se escalonado → reavaliação >3 meses (GPS 8.2)

O Guideline 8 do SVS 2023 alinha-se ao Guideline 5 do SVS 2022 e às diretrizes ESVS 2022 — com o mesmo consenso: quando anatomia e segurança permitem, tratar tributárias na mesma sessão é a escolha mais eficiente para o paciente e para o sistema de saúde.

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Perguntas Frequentes

O SVS 2023 Guideline 8 é diferente do SVS 2022 Guideline 5 sobre tributárias?
Sim, há diferenças relevantes. O SVS 2022 G5 recomendou tratamento simultâneo das tributárias com Grade 1C para GSV/SSV e baseou-se principalmente no AVULS trial (+5,48 AVVQ a 6 semanas) e na meta-análise Aherne com 8 estudos. O SVS 2023 G8 atualiza essa análise com a meta-análise Aherne expandida para 12 estudos não-randomizados, confirma o Grade 1C para simultâneo com GSV/SSV, e adiciona Grade 2C para AAGSV/PAGSV (que não estava contemplado no G5 2022). O GPS de follow-up >3 meses após ablação isolada é reforçado com mais detalhes sobre a reavaliação do que é residual vs o que é recorrência.
O que significa o dado de 63,9% da meta-análise Aherne?
A meta-análise Aherne (12 estudos não-randomizados) demonstrou que 63,9% dos pacientes inicialmente planejados para escalonamento (ablação do tronco → tributárias em sessão posterior) nunca necessitaram de 2ª operação para as tributárias — porque as tributárias regrediram espontaneamente após a ablação do tronco. Esse dado é frequentemente interpretado como argumento a favor do escalonamento, mas a interpretação correta é oposta: 36,1% dos pacientes escalonados ainda precisarão de 2ª sessão. O simultâneo elimina essa 2ª sessão desnecessária em 63,9% dos casos — e garante resolução definitiva nos 36,1% restantes. A mensagem do SVS 2023 é: o escalonamento supertrata a necessidade real; o simultâneo, quando possível, é mais eficiente.
Quando é aceitável escalonar (não tratar as tributárias na mesma sessão)?
As Recomendações 8.1.3 e 8.1.4 (Grade 2C) listam razões anatômicas e médicas que justificam o escalonamento: (1) varicosidades tão extensas que comprometeriam o tempo/segurança do procedimento na mesma sessão; (2) bilateralidade com volumes de tumescente ou flebectomia que requereriam anestesia geral; (3) anatomia que impede acesso adequado às tributárias na mesma posição; (4) limitação médica do paciente (anticoagulação terapêutica, risco anestésico elevado, preferência informada após orientação). Fora dessas situações específicas, o simultâneo é a preferência do SVS 2023.
Por que o GPS recomenda follow-up acima de 3 meses se escalonado?
O GPS (Good Practice Statement) 8.2 do SVS 2023 recomenda aguardar mais de 3 meses antes de decidir sobre tratamento das tributárias residuais após ablação isolada. O racional é duplo: (1) as tributárias continuam regredindo por até 3 meses após a ablação do tronco, à medida que o refluxo que as alimentava é eliminado e a hipertensão venosa local diminui; (2) sinais pós-operatórios como induração, hematoma e inflamação perivenosa podem mimetizar tributárias residuais — e desaparecem antes dos 3 meses. Uma avaliação precoce superestima o número de tributárias que precisarão de retratamento. O DUS de follow-up deve confirmar a oclusão completa do tronco antes de avaliar as tributárias residuais.
Para AAGSV e PAGSV, o SVS 2023 faz alguma recomendação diferente sobre simultâneo?
Sim. Para as safenas acessórias anterior (AAGSV) e posterior (PAGSV), o SVS 2023 Guideline 8.1.2 recomenda simultâneo com Grade 2C (mais fraco que o Grade 1C para GSV/SSV). Isso reflete a evidência mais limitada nessas veias e uma menor certeza sobre o benefício do simultâneo. O racional fisiopatológico é o mesmo — eliminar tributárias na mesma sessão evita 2ª intervenção em muitos pacientes — mas a evidência direta para AAGSV/PAGSV é de estudos observacionais, não de RCTs. O escalonamento (8.1.4, Grade 2C) também é aceito para AAGSV/PAGSV quando há razões anatômicas ou médicas.

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Artigo escrito e validado pelo Dr. Maurício Hiroshi Yamada (CRM-PR 21589 | RQE: 18282). Cirurgião Vascular formado pela UEL, com residência no HSPE/SP e título de especialista pela SBACV. É referência em tratamentos minimamente invasivos (Laser, Radiofrequência e Espuma) na clínica Maringá Vasculares, no Paraná.
⚕️ Aviso médico: O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico especialista. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde habilitado. Dr. Maurício Hiroshi Yamada — CRM-PR 21589.

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