Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

Título de Especialista (SBACV)

Certificação em Doppler Vascular (CBR)

Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
SVS 2023 — P2 G9

Varizes Recorrentes: Classificação de Edimburgo, DUS e Tratamento por Fonte — Guideline 9 SVS 2023

O SVS 2023 Part II Guideline 9 estrutura o manejo das varizes recorrentes em torno de um princípio central: identificar a fonte antes de tratar. A Classificação de Edimburgo (tipos 1A–2B), o DUS obrigatório e as técnicas específicas por tipo de recorrência definem o protocolo — com recorrência >50% em 5 anos tornando o seguimento indispensável.

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 17 de junho de 202614 min de leitura

Resposta direta: Varizes recorrentes pós-tratamento (PREVAIT): reavaliação com Eco-Doppler mapeamento completo antes de qualquer reintervenção. Causas: neovascularização na JSF (principal após stripping — 60%), recanalização (após ablação — 10–15%), refluxo residual não tratado, progressão da DVC. Tratamento preferencial: UGFS para varizes recorrentes de qualquer calibre (menos invasiva, repetível). Reoperação cirúrgica da JSF: risco maior de lesão linfática e nervosa — indicada apenas em casos selecionados.

O Guideline 9 das Diretrizes SVS 2023 Part II (Gloviczki et al., J Vasc Surg Venous Lymphat Disord 2024;12:101670) aborda a realidade inevitável do tratamento de varizes: recorrência em 6,6–37% dos casos em 2 anos e acima de 50% em 5 anos. O protocolo parte de um princípio inegociável — DUS sempre antes de reintervenção — e define a estratégia de tratamento por tipo de recorrência segundo a Classificação de Edimburgo.

Infográfico: varizes recorrentes — classificação de Edimburgo e tratamento por fonte — Guideline 9 SVS 2023

A Realidade da Recorrência de Varizes

6,6–37%
Recorrência em 2 anos

Variação depende da técnica inicial, seleção do paciente e critério de recorrência

>50%
Recorrência em 5 anos

Consistente nas diversas séries de seguimento de longo prazo para todas as técnicas

DUS
Mandatório pré-retratamento

Identifica fonte de recorrência e define estratégia — Consenso 9.1.1

Classificação de Edimburgo: Mapeando a Origem da Recorrência

Tipo 1 — Mesma Localização do Tratamento Prévio

1A — GSV Residual ou Recanalizada

Ablação incompleta do tronco ou recanalização parcial. DUS identifica refluxo no segmento tratado. Candidata a nova ablação endovenosa ou UGFS.

1B — Tributárias Residuais Ampliadas

Tributárias que não foram tratadas e progrediram. Comum após escalonamento ou ablação isolada. Tratar com flebectomia ou UGFS.

1C — Neovascularização ⚠️

Crescimento de novos vasos na área operada (especialmente virilha). NÃO reabrir cirurgicamente. UGFS ou flebectomia ambulatorial.

Tipo 2 — Nova Localização (Progressão da Doença)

2A — Cross-Connections

Conexões entre sistemas venosos que não existiam antes do tratamento — refluxo redistribuído após ablação. Tratamento individualizado por DUS.

2B — Perfurantes da Coxa

Veias perfurantes incompetentes como nova fonte de refluxo. RFA, EVLA ou UGFS das perfurantes identificadas ao DUS.

Seguimento Anual — Recomendado

DUS anual em pacientes tratados: detecta recorrência precoce antes da progressão clínica.

Consensos 9.1 — Protocolo de Tratamento por Fonte

Consenso 9.1.1 — DUS Antes de Qualquer Reintervenção
Toda reintervenção em varizes recorrentes deve ser precedida de avaliação clínica + DUS para identificar a fonte do refluxo. O DUS é o único exame que distingue os tipos 1A–2B da Classificação de Edimburgo e permite planejar a técnica correta. Tratar varizes recorrentes sem DUS é como tratar sem diagnóstico.
Consenso 9.1.2 — GSV/AAGSV Recanalizada: Open ou Endovascular com Bons Resultados
Recorrência por recanalização da GSV ou AAGSV tem bons resultados com retratamento (aberto ou endovascular). EVLA ou RFA de segunda ablação é a opção de maior durabilidade quando o coto é longo e acessível. UGFS é alternativa quando o coto é curto/tortuoso. Os resultados do retratamento endovascular são comparáveis ao tratamento primário em múltiplas séries.
Consenso 9.1.3 — Neovascularização na Virilha: EVLA/RFA (Coto Longo) ou UGFS/Flebectomia. NÃO Reabrir
Recorrência por neovascularização na virilha (tipo 1C): EVLA ou RFA se há coto safeno identificável e longo; UGFS ecoguiada ou flebectomia ambulatorial para vasos neovasculares. Não reabrir cirurgicamente a virilha — campo cicatricial com risco elevado de complicações vasculares e nervosas; resultados da reexploração são inferiores às técnicas minimamente invasivas.
Consenso 9.1.4 — SSV Recorrente: UGFS como Primeira Linha
Recorrência da Pequena Safena (SSV): UGFS é a primeira linha de tratamento. A anatomia da SSV, em relação íntima com o nervo sural, dificulta nova ablação térmica e aumenta o risco de lesão nervosa em campo cirúrgico prévio. O UGFS guiado por DUS pode alcançar a veia recanalizada com segurança e sem risco térmico.
Consenso 9.1.5 — Perfurante Incompetente como Fonte: Open ou Endovascular
Quando a recorrência é por veia perfurante incompetente (tipo 2B), técnicas abertas (ligadura direta) ou endovasculares (RFA, EVLA ou UGFS da perfurante guiados por DUS) são igualmente eficazes. A escolha depende da localização e calibre da perfurante e da experiência do operador.

Síntese: Técnica por Tipo de Recorrência

Tipo (Edimburgo)Fonte de RecorrênciaTécnica PreferencialNota
1AGSV recanalizadaEVLA/RFA (coto longo) ou UGFSResultados similares ao primário
1BTributárias residuaisMicroflebectomia ou UGFSComum após escalonamento
1CNeovascularização virilhaUGFS/flebectomia — NÃO reabrirCampo cicatricial = alto risco
2ACross-connectionsIndividualizado por DUSRefluxo redistribuído pós-ablação
2BPerfurante incompetenteOpen ou endovascular da perfuranteRFA, EVLA ou UGFS
SSV recorrenteSSV recanalizadaUGFS (1ª linha)Risco de lesão do n. sural com ablação térmica

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Perguntas Frequentes

Por que as varizes voltam após o tratamento?
A recorrência de varizes após tratamento é multifatorial: (1) Recanalização do tronco tratado — a safena ablacionada pode parcialmente recanalizar, especialmente se a oclusão foi incompleta; (2) Progressão da doença venosa — novas tributárias desenvolvem refluxo ao longo do tempo; (3) Neovascularização — crescimento de novos vasos na virilha após cirurgia aberta na JCS; (4) Tributárias residuais não tratadas — especialmente se o tratamento foi escalonado; (5) Incompetência de veias perfurantes como nova fonte de refluxo. A taxa de recorrência é de 6,6–37% em 2 anos e supera 50% em 5 anos nas diversas séries publicadas — demonstrando que a doença venosa crônica é progressiva e o seguimento é essencial.
O que é a Classificação de Edimburgo para varizes recorrentes?
A Classificação de Edimburgo divide as varizes recorrentes em dois tipos principais: Tipo 1 (mesma localização do tratamento prévio): 1A = GSV residual ou recanalizada; 1B = tributárias residuais ampliadas; 1C = neovascularização (novos vasos na área operada, especialmente na virilha). Tipo 2 (nova localização): 2A = cross-connections (conexões entre sistemas que não existiam antes); 2B = veias perfurantes da coxa como nova fonte de refluxo. A classificação é importante porque define a estratégia de tratamento — o DUS é o único método capaz de identificar o tipo de recorrência antes da reintervenção.
Por que o DUS é obrigatório antes de tratar varizes recorrentes?
O Consenso 9.1.1 do SVS 2023 determina DUS obrigatório antes de qualquer reintervenção em varizes recorrentes. O motivo é que a origem da recorrência só pode ser identificada pelo DUS — e o tratamento é completamente diferente dependendo da fonte: GSV recanalizada requer nova ablação do tronco; neovascularização na virilha contraindica nova cirurgia aberta (alto risco de sangramento em campo cicatricial) e requer escleroterapia ou flebectomia; perfurante incompetente requer ablação da perfurante. Tratar varizes recorrentes sem DUS prévio é tratar o sintoma sem identificar a causa — com alta taxa de recorrência precoce.
Quando usar EVLA/RFA vs UGFS nas varizes recorrentes?
A escolha depende da fonte identificada pelo DUS: GSV ou VSMG recanalizada com coto longo (>10 cm) e calibre acessível → EVLA ou RFA de segunda ablação é a opção de maior durabilidade (Theivacumar, Turtulici — resultados similares ao tratamento primário). GSV recanalizada com coto curto ou tortuoso → UGFS, pois o acesso para cateter pode ser difícil. Pequena safena (SSV) recorrente → UGFS como preferência de primeira linha (Consenso 9.1.4), pela localização próxima ao nervo sural que dificulta nova ablação térmica. Neovascularização → UGFS ou flebectomia — nunca reoperação da virilha (Consenso 9.1.3). Perfurante incompetente → técnicas abertas ou endovasculares (RFA, EVLA ou FS).
Por que não se deve reabrir a virilha para tratar neovascularização?
O Consenso 9.1.3 do SVS 2023 recomenda explicitamente NÃO reabrir a virilha para tratar neovascularização pós-cirurgia. Os motivos são: (1) campo cicatricial com planos anatômicos obliterados — muito maior risco de lesão vascular e nervosa; (2) alto risco de sangramento intraoperatório; (3) resultados decepcionantes — a neovascularização retorna com alta frequência mesmo após reexploração cirúrgica; (4) alternativas menos invasivas têm eficácia equivalente ou superior: UGFS guiada por DUS trata a neovascularização com precisão, sem risco cirúrgico de campo cicatricial, com menores taxas de complicação e recuperação mais rápida.
Qual é a taxa de sucesso do retratamento das varizes recorrentes?
Os dados publicados mostram que o retratamento por técnicas endovasculares (EVLA, RFA) de GSV recanalizada tem resultados próximos ao tratamento primário — taxas de oclusão de 80–90% no seguimento curto/médio. O UGFS para tributárias residuais e para neovascularização tem eficácia variável (50–75% de oclusão completa), mas com efeito sintomático frequentemente satisfatório mesmo sem oclusão total. A mensagem do SVS 2023 é que o retratamento de varizes recorrentes é factível e bem-sucedido quando precedido de DUS para identificação correta da fonte — e que a escolha técnica deve ser orientada pela classificação de Edimburgo, não pela localização superficial das varizes visíveis.

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Artigo escrito e validado pelo Dr. Maurício Hiroshi Yamada (CRM-PR 21589 | RQE: 18282). Cirurgião Vascular formado pela UEL, com residência no HSPE/SP e título de especialista pela SBACV. É referência em tratamentos minimamente invasivos (Laser, Radiofrequência e Espuma) na clínica Maringá Vasculares, no Paraná.
⚕️ Aviso médico: O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico especialista. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde habilitado. Dr. Maurício Hiroshi Yamada — CRM-PR 21589.

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