Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

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Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

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Título de Especialista (SBACV)

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Certificação em Doppler Vascular (CBR)

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Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
USV DIC/SBC — UV6

Ultrassom da FAV para Hemodiálise: Mapeamento, Volume de Fluxo e Maturação

O que o posicionamento de ultrassonografia vascular do DIC/SBC 2019 recomenda para a fístula arteriovenosa de hemodiálise: mapeamento antes da confecção, cálculo do volume de fluxo, critérios de maturação, causas de falência e o que vai no laudo.

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 21 de outubro de 2026⏱ 9 min de leitura

Resposta direta: Fazer um ultrassom antes da confecção da FAV e dois depois reduz a falência, que chega a 60% na maturação. Diâmetros ideais: 4 mm (cotovelo) e 3 mm (punho); mínimos: 2 e 1,8 mm. Fluxo = Vmédia × π × R² × 60, medido na veia a 2–5 cm da anastomose. Madura com veia ≥6 mm, fluxo ≥600 mL/min e profundidade ≤6 mm; fluxo <450 mL/min = risco de trombose; >3.000 mL/min = hiperfluxo (DIC/SBC 2019).

A fístula autógena — radiocefálica ou braquiocefálica, a Brescia-Cimino — continua sendo o melhor acesso para hemodiálise, mas até 60% delas não amadurecem. O ultrassom ajuda nas três etapas: escolher os vasos certos, acompanhar a maturação e encontrar cedo a causa da disfunção. O posicionamento do DIC/SBC 2019 traz números práticos para cada uma.

Infográfico: mapeamento pré-confecção, fórmula do volume de fluxo, valores de referência, maturação, causas de falência e laudo da FAV

Tipos de acesso e indicações do exame

Há dois grandes grupos: as fístulas autógenas (radiocefálica e braquiocefálica, com anastomoses laterolateral, terminolateral ou terminoterminal) e as de PTFE (pontes ou alças, no antebraço, no braço ou, no membro inferior, entre safena e femoral). Alternativas autógenas incluem ulnar-basílica e braquiobasílica, que precisam ser superficializadas.

  • Mapeamento pré-operatório, incluindo a avaliação dos vasos centrais.
  • Acompanhamento da maturação, sobretudo em obesos.
  • Seguimento funcional para detecção precoce de complicações.
  • Recomendação: um exame antes da confecção e dois depois, para reduzir a falência.
  • Contraindicações à confecção: síndrome de Paget-Schroetter e trombose venosa profunda.

Mapeamento antes da confecção

Transdutor linear de alta frequência, paciente em repouso, sala em temperatura agradável e membro estendido ao lado do corpo. Escolher o membro não dominante, se adequado, na ordem punho → cotovelo → prótese. Medir os diâmetros anteroposteriores em cortes transversais — o garrote ajuda a avaliar a distensibilidade da veia —, a profundidade até a pele e a distância entre a artéria e a veia candidatas.

MedidaCotoveloPunho
Diâmetro ideal (veia ou artéria)4 mm3 mm
Diâmetro mínimo funcional2 mm1,8 mm
Profundidade ideal para punção< 5 mm

O laudo pré-confecção registra trombose venosa profunda ou superficial, alterações do sistema arterial e variantes anatômicas (número de vasos, trajetos, vasos do antebraço que seguem no braço), além dos calibres por segmento — axilar, braquial, radial, ulnar, cefálica e basílica, do proximal ao distal —, da profundidade e da distância artéria–veia.

Como medir o volume de fluxo

Fluxo médio (mL/min) = Vmédia (cm/s) × π × R² (cm²) × 60

  • Na veia de drenagem, longe da anastomose, onde não há mais turbulência ao color — em geral entre 2 e 5 cm.
  • Diâmetro pelas bordas internas, de preferência no transverso, para obter o raio e a área.
  • Volume de amostra no centro do vaso, ângulo corrigido até 60°, velocidade média de 3 a 5 ciclos cardíacos.
  • Fluxo aferente: na artéria, 1 a 2 cm antes da anastomose. Fluxo eferente: na veia, 1 a 2 cm depois.

Padrão espectral esperado: artéria de baixa resistência e veia com fluxo "arterializado". Valores de referência: radiocefálica 614 ± 242 mL/min; PTFE 464 ± 199 mL/min; média normal 514 mL/min. Mínimo funcional: ≥ 200 mL/min no cotovelo e ≥ 150 mL/min no punho. Abaixo de 450 mL/min, alto risco de trombose em 2 a 6 semanas; acima de 3.000 mL/min, hiperfluxo.

Maturação

Maturação é o ganho de calibre e de fluxo que permite punções sucessivas com agulhas calibrosas. O posicionamento avalia três parâmetros — a conhecida regra dos 6:

≥ 6 mm

diâmetro da veia

≥ 600

mL/min de fluxo

≤ 6 mm

da pele até a veia

Esperar no mínimo 14 dias; o ideal é individualizar, com mais de 30 dias e, se possível, 60 a 90 dias antes da primeira punção. As metas para uma FAV adequada (95%) são diâmetro > 4 mm, fluxo > 500 mL/min e maturação > 30 dias, com calibres crescendo ao longo do tempo. Diâmetros < 3 mm e fluxo < 400 mL/min sinalizam alta probabilidade de falência.

Causas e tipos de falência

Na origem

  • Arterial: diabetes e ateromatose significativa
  • Venosa: fibrose
  • Anastomose: turbulência e hiperplasia intimal
  • Idiopática: punção e técnica cirúrgica

No exame

  • Escape por tributárias; tortuosidade acentuada; hiperplasia em valvas
  • Roubo: fluxo retrógrado na radial distal à anastomose
  • Estenose: V2/V1 ≥ 2 (> 50%) ou ≥ 4 (significativa — angioplastia se houver repercussão)
  • Trombose (inclusive dissecção por punção) e oclusão
  • Aneurisma, degeneração de prótese, pseudoaneurisma, infecção, hematoma, seroma, linfocele

Laudo pós-confecção

Descrever o tipo e o local da FAV; classificá-la como funcional, disfuncional ou não funcional, com a causa, a localização e a extensão do problema; informar os volumes de fluxo aferente e eferente em mL/min e os diâmetros da artéria, da veia e da anastomose. As limitações do exame são raras: edema muito importante, cicatrizes fibrosas e aparelhos ortopédicos.

Referência: Santos SN, Alcantara ML, Freire CMV, Cantisano AL, Teodoro JAR, Porto CLL, et al. Posicionamento de Ultrassonografia Vascular do Departamento de Imagem Cardiovascular da Sociedade Brasileira de Cardiologia – 2019. Arq Bras Cardiol. 2019;112(6):809-849. doi:10.5935/abc.20190106

Resumo independente, sem vínculo com a sociedade autora. Não substitui a leitura do documento original.

Perguntas Frequentes

Qual o diâmetro mínimo de veia e artéria para confeccionar uma FAV?
Pelo posicionamento do DIC/SBC 2019, os diâmetros ideais são de 4 mm no cotovelo e 3 mm no punho; os mínimos funcionais, de 2 mm no cotovelo e 1,8 mm no punho. A profundidade ideal entre pele e vaso para punção é menor que 5 mm, e a distância entre artéria e veia também deve ser medida.
Como calcular o volume de fluxo de uma fístula pelo Doppler?
Na veia de drenagem, entre 2 e 5 cm da anastomose, onde não há mais turbulência: medir o diâmetro interno no corte transversal para obter o raio e a área; posicionar a amostra no centro do vaso, com ângulo corrigido até 60°, e obter a velocidade média de 3 a 5 ciclos. Fluxo (mL/min) = velocidade média (cm/s) × π × R² (cm²) × 60.
Quando a fístula está madura para ser puncionada?
O posicionamento usa três parâmetros: veia com 6 mm ou mais, fluxo de 600 mL/min ou mais e profundidade de até 6 mm. Recomenda esperar pelo menos 14 dias, idealmente mais de 30 e, se possível, 60 a 90 dias antes da primeira punção, individualizando cada caso. Diâmetro menor que 3 mm com fluxo menor que 400 mL/min indica alta probabilidade de falência.
Qual volume de fluxo indica risco de trombose ou hiperfluxo?
Fístulas com fluxo abaixo de 450 mL/min têm alto risco de trombose em 2 a 6 semanas. O mínimo funcional é de 200 mL/min no cotovelo e 150 mL/min no punho. Hiperfluxo é definido acima de 3.000 mL/min. Como referência, a radiocefálica tem cerca de 614 ± 242 mL/min e o PTFE, 464 ± 199 mL/min.
Como o Doppler mostra o roubo e a estenose da FAV?
O roubo aparece como fluxo retrógrado na artéria radial distal à anastomose. A estenose é graduada pela razão de velocidades: V2/V1 de 2 ou mais indica estenose maior que 50%, e de 4 ou mais, estenose significativa — com alteração clínica ou hemodinâmica associada, recomenda-se angioplastia.

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Este conteúdo é voltado para profissionais de saúde. Para encaminhamento de paciente, segunda opinião ou discussão de conduta com o Dr. Maurício, entre em contato direto pelo WhatsApp.

Saiba como funciona o Eco-Doppler
Artigo escrito e validado pelo Dr. Maurício Hiroshi Yamada (CRM-PR 21589 | RQE: 18282). Cirurgião Vascular formado pela UEL, com residência no HSPE/SP e título de especialista pela SBACV. É referência em tratamentos minimamente invasivos (Laser, Radiofrequência e Espuma) na clínica Maringá Vasculares, no Paraná.
⚕️ Aviso médico: O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico especialista. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde habilitado. Dr. Maurício Hiroshi Yamada — CRM-PR 21589.

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