Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

Título de Especialista (SBACV)

Certificação em Doppler Vascular (CBR)

Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
SVS 2023 — P2 G11

ARTE/EHIT e TVP após Ablação Endovenosa: Nova Nomenclatura, Triagem Seletiva e DOAC — Guideline 11 SVS 2023

O SVS 2023 Part II Guideline 11 encerra o ciclo sobre complicações trombóticas da ablação: ARTE substitui EHIT, DUS rotineiro é recomendado CONTRA em assintomáticos de risco médio (Grade 1B), e DOAC é o anticoagulante preferencial para TVP proximal (Grade 1B) e ARTE sintomático (Grade 1C). Incidência real: ARTE 2,9%, TVP 0,26%, EP 0,03% em 31.663 pacientes.

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 17 de junho de 202612 min de leitura

Resposta direta: EHIT (Endovenous Heat-Induced Thrombosis) ocorre em 1,7% após ablação endovenosa (EVLA/RFA). Classificação EHIT: I = trombo na veia tratada; II = extensão até a junção sem comprometer >25% da luz; III = >50% da CFV; IV = oclusão completa. EHIT II: HBPM profilática por 2 semanas + eco-Doppler seriado. EHIT III-IV: anticoagulação terapêutica. TVP pós-EVTA: DVT em <1% — anticoagulação por 3 meses mínimo — SVS 2023.

O Guideline 11 das Diretrizes SVS 2023 Part II (Gloviczki et al., J Vasc Surg Venous Lymphat Disord 2024;12:101670) traz uma mudança conceitual importante: abandona o termo EHIT (calor) em favor de ARTE (qualquer técnica), recomenda CONTRA o DUS de rotina em assintomáticos de risco médio e consolida o DOAC como anticoagulante preferencial quando necessário. A incidência de eventos graves é baixa — 31.663 pacientes confirmam.

Infográfico: ARTE/EHIT e TVP após ablação endovenosa — classificação, triagem e conduta — Guideline 11 SVS 2023

Nova Nomenclatura: ARTE Substitui EHIT

EHIT (Endovenous Heat-Induced Thrombosis) descrevia apenas extensão trombótica por ablação térmica. Com a expansão das técnicas não-térmicas (cianoacrilato, MOCA), o SVS 2023 adotou ARTE (Ablation-Related Thrombus Extension) — termo que abrange qualquer modalidade ablativa.

ARTE I
Trombo restrito à JCS ou SPJ (junção safenopoplítea)
ARTE II
Trombo ocupa <50% do lúmen da veia profunda (VP)
ARTE III
Trombo ocupa >50% do lúmen da VP — sem oclusão
ARTE IV
Oclusão total da veia profunda
2,9%
ARTE (qualquer grau)
39 RCTs + 33 estudos
0,26%
TVP (ARTE III-IV)
31.663 pacientes
0,03%
Embolia Pulmonar
Evento raro confirmado

Recomendações 11.1 — Triagem com DUS Pós-Ablação

Recomendação 11.1.1 — CONTRA DUS Rotineiro em Assintomáticos de Risco MédioGrade 1B — Forte / Evidência Moderada
Recomendamos NÃO realizar DUS de rotina após ablação térmica em pacientes assintomáticos de risco médio. A incidência de ARTE graus III-IV clinicamente relevante é baixa, a maioria regride espontaneamente, e o custo de rastreamento universal é estimado em $61.292 por evento prevenido — caracterizando medicina de baixo valor. A triagem seletiva baseada em risco é a estratégia correta.
Recomendação 11.1.4 — DUS Imediato se SINTOMÁTICOGrade 1A — Forte / Evidência Alta
Recomendamos DUS precoce em qualquer paciente com sintomas após ablação (dor, edema, eritema atípico, sensação de peso no membro), independentemente da técnica utilizada (térmica ou não-térmica). O DUS sintomático é mandatório e deve ser realizado sem demora.
Consenso — DUS Precoce em Alto Risco AssintomáticoGood Practice Statement
Em pacientes assintomáticos com fatores de alto risco, o DUS pós-ablação é indicado mesmo na ausência de sintomas. Fatores de alto risco incluem: trombofilia conhecida, imobilidade prolongada, obesidade, terapia hormonal (anticoncepcional oral ou TRH), neoplasia ativa, flebectomia concomitante extensa, safena muito dilatada e história prévia de SVT.

Recomendações 11.2 — Tromboprofilaxia Perioperatória

Recomendação 11.2.1 — Profilaxia Farmacológica em Alto RiscoGrade 2C — Fraca / Evidência Baixa
Sugerimos tromboprofilaxia farmacológica pré ou pós-ablação em pacientes de alto risco trombótico. A evidência é fraca (Grade 2C) e a variação de risco entre pacientes pode ser de 15 a 20× — tornando a estratificação individual essencial. O Score de Caprini é uma ferramenta potencial mas não foi validado especificamente em ambulatório venoso.

Recomendações 11.3–11.4 — Conduta por Tipo de Evento

TVP distal sem fatores de risco

Ecografia seriada a cada 2 semanas — avaliar progressão antes de anticoagular

Grade 2B

TVP distal com fatores de risco

Anticoagulação (DOAC preferencial) — duração conforme extensão

Grade 2C

TVP proximal (poplítea, femoral, ilíaca)

DOAC preferencial sobre VKA (warfarin) — duração mínima 3 meses

Grade 1B

ARTE sintomático (qualquer grau)

DOAC preferencial sobre VKA — manter até resolução ao DUS

Grade 1C

ARTE III-IV assintomático

DOAC + DUS de seguimento até retração documentada

Consenso 11.4.1

ARTE I-II assintomático (risco médio)

Observação clínica — maioria regride espontaneamente sem anticoagulação

Consenso

Fatores de Alto Risco Trombótico

A identificação pré-procedimento dos fatores de risco permite estratificação individualizada — a base da abordagem do Guideline 11. Pacientes com múltiplos fatores são candidatos a profilaxia e DUS pós-procedimento mesmo assintomáticos.

Trombofilia conhecida
Imobilidade prolongada
Obesidade
Terapia hormonal (ACO/TRH)
Neoplasia ativa
Flebectomia concomitante extensa
VSG muito dilatada
História prévia de SVT

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Perguntas Frequentes

O que é ARTE e por que substitui o termo EHIT?
ARTE (Ablation-Related Thrombus Extension) é a nova nomenclatura adotada pelo SVS 2023 para descrever a extensão de trombo relacionada a qualquer técnica ablativa. O termo EHIT (Endovenous Heat-Induced Thrombosis) foi criado especificamente para ablação térmica e, por isso, não se aplica às técnicas não-térmicas como cianoacrilato e MOCA — que também podem causar extensão trombótica. O ARTE unifica a nomenclatura e descreve o fenômeno independentemente da técnica utilizada. A classificação ARTE mantém quatro graus: I (trombo restrito à junção safenofemoral/safenopoplítea), II (trombo ocupando <50% do lúmen da veia profunda), III (trombo ocupando >50% do lúmen) e IV (oclusão total da veia profunda).
Por que o SVS 2023 recomenda CONTRA o DUS rotineiro pós-ablação?
O Guideline 11.1.1 (Grade 1B) recomenda contra o DUS rotineiro em pacientes assintomáticos de risco médio após ablação térmica, por razões de custo-efetividade e baixa incidência clínica: a incidência de ARTE clinicamente relevante (graus III-IV) é baixa; a maioria dos ARTE I-II regride espontaneamente sem anticoagulação; o custo estimado de rastreamento universal é de $61.292 por evento prevenido; e a triagem universal leva a intervenções desnecessárias em eventos sem relevância clínica. A exceção é o paciente SINTOMÁTICO (dor, edema, eritema atípico) — nesses casos, DUS imediato é Grade 1A.
Qual a real incidência de ARTE, TVP e EP após ablação?
A revisão sistemática que embasou o Guideline 11 (39 RCTs + 33 estudos observacionais, 31.663 pacientes) encontrou: ARTE em qualquer grau: 2,9% dos pacientes; TVP (incluindo ARTE III-IV): 0,26%; Embolia pulmonar: 0,03%. Esses dados mostram que eventos clinicamente graves são raros, justificando a abordagem seletiva baseada em risco em vez do rastreamento universal. A maioria dos ARTE I-II regride sem anticoagulação, sendo clinicamente irrelevante na maioria dos casos.
Quando está indicada tromboprofilaxia farmacológica antes da ablação?
O Guideline 11.2.1 (Grade 2C — fraca, evidência baixa) sugere tromboprofilaxia farmacológica para pacientes de ALTO RISCO, definidos por: trombofilia conhecida, imobilidade prolongada, obesidade, terapia hormonal (anticoncepcional oral, TRH), neoplasia ativa, flebectomia concomitante extensa, veia safena muito dilatada (≥8 mm), história prévia de SVT. O Score de Caprini é uma ferramenta potencial mas não foi validado especificamente para pacientes ambulatoriais com varizes. A variação de risco entre pacientes pode ser de 15 a 20× — tornando a estratificação individual fundamental.
Por que DOAC é preferível ao warfarin em TVP e ARTE?
O Guideline 11.3.3 (Grade 1B) recomenda DOAC sobre VKA para TVP proximal após ablação. O Guideline 11.3.4 (Grade 1C) recomenda DOAC sobre VKA para ARTE sintomático. As razões são: DOACs têm eficácia equivalente ao warfarin para tratamento de VTE com perfil de sangramento similar ou superior; não requerem monitoramento INR; têm início de ação rápido; interagem com menos medicamentos e alimentos; são preferíveis em qualidade de vida. O Consenso 11.4.1 estende essa recomendação para ARTE assintomático graus III-IV — anticoagular até retração documentada ao DUS de seguimento.
Qual a conduta para TVP distal após ablação?
O SVS 2023 diferencia TVP distal (abaixo do joelho) de proximal: TVP distal SEM fatores de risco → ecografia seriada a cada 2 semanas para avaliar progressão (Grade 2B); TVP distal COM fatores de risco (trombofilia, câncer, história de VTE, sintomas graves) → anticoagulação (Grade 2C). Essa abordagem evita anticoagulação desnecessária na maioria dos casos de TVP distal isolada — evento frequentemente autolimitado — reservando o tratamento para situações de maior risco de progressão ou embolia.

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Artigo escrito e validado pelo Dr. Maurício Hiroshi Yamada (CRM-PR 21589 | RQE: 18282). Cirurgião Vascular formado pela UEL, com residência no HSPE/SP e título de especialista pela SBACV. É referência em tratamentos minimamente invasivos (Laser, Radiofrequência e Espuma) na clínica Maringá Vasculares, no Paraná.
⚕️ Aviso médico: O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico especialista. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde habilitado. Dr. Maurício Hiroshi Yamada — CRM-PR 21589.

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