Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

Título de Especialista (SBACV)

Certificação em Doppler Vascular (CBR)

Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
Compressão Pós-Procedimento — AVF/SVS 2019 · Parte 4

Compressão Pós-Procedimento em Varizes: Diretrizes AVF/SVS 2019 — Parte 4: Compressão após Escleroterapia (Recomendações 3.1 e 3.2)

Guia para especialistas: as Recomendações 3.1 (GRADE 2C) e 3.2 (Best Practice) da diretriz AVF/SVS sobre compressão após escleroterapia — racional fisiológico, evidências de Weiss, Kern e Hamel-Desnos, meias vs. bandagens e o papel dos rolos de algodão (eccentric pads).

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 15 de junho de 20269 min de leitura

Nas Partes 2 e 3 desta série, exploramos a compressão após ablação térmica e stripping (Recomendações 1.1, 1.2 e 2.1). Chegou a hora de tratar o terceiro grande grupo da diretriz AVF/SVS 2019: a escleroterapia. As Recomendações 3.1 e 3.2 trazem um racional fisiológico próprio — em que a compressão não é apenas uma medida de conforto, mas parte do mecanismo de ação do próprio tratamento esclerosante.

Infográfico: Compressão após Escleroterapia — Diretrizes Clínicas e Evidências para Especialistas. Mostra a Diretriz 3.1 (GRADE 2C — sugestão de compressão imediata após escleroterapia para melhorar resultados clínicos), a Diretriz 3.2 (Best Practice — duração determinada por julgamento clínico), a explicação do sistema GRADE (recomendações de Grau 2 são fracas, com benefícios e riscos equilibrados ou evidência de baixa qualidade), o racional fisiológico e benefícios (melhoria da eficácia esclerosante pela aposição das paredes da veia, efeitos hemodinâmicos como aumento do fluxo venoso profundo, produção de prostaciclina e liberação de ativador de plasminogênio, e redução de complicações como TVP, edema, flebite superficial e hiperpigmentação), a análise de evidências clínicas (3 semanas de compressão vs. sem compressão segundo Weiss et al. e Kern et al., meias de compressão vs. bandagens, uso de rolos de algodão como compressão excêntrica, e a controvérsia sobre escleroterapia com espuma segundo Hamel-Desnos et al.) e os fatores críticos para o sucesso (adesão/complacência do paciente e personalização do tratamento conforme o diâmetro da veia).
Diretrizes oficiais (Recomendações 3.1 e 3.2), racional fisiológico, evidências clínicas e fatores críticos para o sucesso da compressão pós-escleroterapia.

Assista: Compressão após Escleroterapia, na Prática

1. Recomendações 3.1 e 3.2: O Que Dizem as Diretrizes

O terceiro grupo de recomendações da diretriz conjunta AVF/SVS/ACP/SVM/UIP (2019) trata especificamente da compressão após escleroterapia de veias superficiais — seja com agente líquido, seja com espuma. Duas recomendações estruturam essa seção: uma sobre indicação (3.1) e outra sobre duração (3.2), seguindo o mesmo padrão já visto para ablação térmica e stripping.

Recomendação 3.1 — Compressão Imediata

GRADE 2C

"Recomenda-se a terapia de compressão imediatamente após o tratamento de veias superficiais com escleroterapia, para melhorar os resultados clínicos."

Recomendação 3.2 — Duração da Terapia

Best Practice

"Na ausência de evidências definitivas, recomenda-se o melhor julgamento clínico para determinar a duração da compressão após a escleroterapia."

Força das recomendações (sistema GRADE): recomendações de Grau 2 são consideradas "fracas" — o balanço entre benefícios e riscos é estreito, ou a qualidade da evidência disponível é baixa (Nível C). Na prática, isso significa que a conduta deve ser adaptada ao contexto clínico, e não aplicada de forma rígida e universal.

2. Racional Fisiológico: Por Que Comprimir Após Escleroterapia

Diferente da ablação térmica — em que a compressão atua principalmente sobre dor, edema e equimose —, na escleroterapia a compressão participa do próprio mecanismo terapêutico. Três efeitos sustentam a Recomendação 3.1:

Eficácia esclerosante

A compressão permite a aposição direta das paredes da veia tratada, o que potencializa a esclerose e diminui a formação de trombos intraluminais.

Efeitos hemodinâmicos

Aumenta a velocidade do fluxo sanguíneo nas veias profundas, a produção de prostaciclina e a liberação de ativador de plasminogênio.

Menos complicações

O uso de meias ou bandagens reduz o risco de TVP, edema, flebite superficial e hiperpigmentação (manchas).

Riscos e efeitos adversos reduzidos pela compressão
  • Trombose Venosa Profunda (TVP)
  • Edema
  • Flebite superficial
  • Hiperpigmentação (manchas)

3. Evidências Clínicas: O Que os Estudos Mostram

3 Semanas vs. Sem Compressão

Estudos como os de Weiss et al. e Kern et al. demonstraram que 3 semanas de compressão contínua resultaram em maior desaparecimento dos vasos tratados e menos hiperpigmentação do que nenhum tratamento compressivo — um dos achados que mais sustenta a Recomendação 3.1, ainda que classificada como GRADE 2C.

Meias de Compressão vs. Bandagens

Ensaios sugerem que meias de alta compressão podem ser superiores às bandagens em termos de satisfação do paciente e redução da incidência de flebite. Esse achado contrasta com o cenário pós-ablação térmica, em que bandagens rígidas (nonyielding cuffs) têm vantagem hemodinâmica — na escleroterapia, praticidade e adesão parecem pesar mais no resultado final.

Rolos de Algodão (Eccentric Compression)

A aplicação de rolos de algodão diretamente sobre a veia injetada, sob a meia de compressão, facilita a compressão local e melhora os resultados — particularmente na macroescleroterapia de veias de maior calibre. O mecanismo é o mesmo discutido na Parte 2 para os pads excêntricos na ablação térmica: pela Lei de Laplace, a redução do raio local aumenta a pressão efetiva exercida sobre o trajeto venoso tratado.

Controvérsia: Escleroterapia com Espuma

Nem todos os achados são consistentes. Alguns estudos, como o de Hamel-Desnos et al., não encontraram diferença significativa na eficácia ou na dor com ou sem compressão especificamente para a escleroterapia com espuma — sugerindo que o racional construído para a escleroterapia líquida convencional pode não se transferir integralmente para a espuma, e que mais pesquisas são necessárias.

4. Fatores Críticos para o Sucesso

O Desafio da Complacência (Adesão)

A conformidade do paciente com o uso da compressão é um dos fatores mais importantes para o desfecho positivo — mas é frequentemente sub-relatada nos estudos, dificultando a quantificação real do seu impacto.

Personalização do Tratamento

A dose e o método de compressão devem ser ajustados individualmente, considerando o diâmetro da veia tratada e o perfil clínico do paciente — uma veia reticular não demanda a mesma estratégia que uma veia tributária de maior calibre.

5. Visão Geral: Recomendações 1 a 3 da Diretriz AVF/SVS 2019

Reunindo o que já foi visto nas Partes 2 e 3 com o conteúdo desta Parte 4, fica mais clara a lógica geral da diretriz: a indicação de comprimir é sempre uma recomendação fraca (Grau 2), mas a dosagem e a duração recebem tratamentos distintos conforme o procedimento.

RecomendaçãoProcedimentoGRADEResumo
1.1Ablação térmica / stripping2CCompressão sugerida quando possível.
1.2Ablação térmica / cirurgia2B>20 mmHg + pads excêntricos reduzem dor e equimose em 7 dias.
2.1Ablação térmica / strippingBest PracticeDuração definida por julgamento clínico.
3.1Escleroterapia2CCompressão imediata melhora os resultados clínicos.
3.2EscleroterapiaBest PracticeDuração definida por julgamento clínico.

Síntese para a Prática e Próximos Passos

  • Indicação: a compressão imediata após escleroterapia (Recomendação 3.1, GRADE 2C) melhora os resultados clínicos ao potencializar a ação esclerosante e reduzir complicações como TVP, edema, flebite e hiperpigmentação.
  • Dispositivo: meias de alta compressão tendem a ser preferíveis às bandagens nesse contexto, e os rolos de algodão (compressão excêntrica) reforçam o efeito local — especialmente na macroescleroterapia.
  • Duração e espuma: a duração segue sendo Best Practice (Recomendação 3.2), e a evidência para a escleroterapia com espuma ainda é controversa, exigindo julgamento individualizado.

Concluímos aqui a análise dos três grandes grupos de procedimentos — ablação térmica/stripping (Partes 2 e 3) e escleroterapia (Parte 4). A Parte 5 — a última desta série encerra o ciclo com o quarto e último grupo da diretriz: compressão no manejo da úlcera venosa, incluindo a transição da Recomendação 2C para a recomendação GRADE 1B (forte) e o caso particular da úlcera de etiologia mista.

*Este texto tem caráter de revisão e atualização para profissionais de saúde, com base na diretriz internacional citada. Não substitui a avaliação clínica individualizada de cada paciente.

Ref: Lurie F, Lal BK, Antignani PL, et al. Compression therapy after invasive treatment of superficial veins of the lower extremities: Clinical practice guidelines of the American Venous Forum, Society for Vascular Surgery, American College of Phlebology, Society for Vascular Medicine, and International Union of Phlebology. J Vasc Surg Venous Lymphat Disord. 2019;7(1):17-28.

Perguntas Frequentes

A compressão após escleroterapia segue o mesmo racional da compressão após ablação térmica?
Em parte. O racional fisiológico de fundo é o mesmo — favorecer a aposição das paredes da veia tratada — mas na escleroterapia esse mecanismo é ainda mais central: a compressão melhora a eficácia do próprio agente esclerosante, potencializando a esclerose e reduzindo a formação de trombos intraluminais. Por isso a Recomendação 3.1 trata a compressão como parte do racional terapêutico, e não apenas como medida de conforto.
O que diz exatamente a Recomendação 3.1?
A Recomendação 3.1 sugere o uso de terapia de compressão imediatamente após o tratamento de veias superficiais com escleroterapia, para melhorar os resultados clínicos. Ela recebe classificação GRADE 2C — uma recomendação fraca, baseada em evidência de baixa qualidade (estudos observacionais ou séries de casos), o que significa que a conduta pode variar conforme o julgamento do especialista e o perfil do paciente.
Por quanto tempo manter a compressão após escleroterapia?
A Recomendação 3.2 não define um número fixo de dias — ela é classificada como Best Practice (Melhor Prática), recomendando que a duração seja determinada pelo julgamento clínico, na ausência de evidências definitivas. Na prática, os estudos mais citados (como Weiss et al. e Kern et al.) avaliaram protocolos de cerca de 3 semanas de uso contínuo, com resultados favoráveis no desaparecimento dos vasos tratados e na redução de hiperpigmentação.
Meias elásticas ou bandagens: o que usar após escleroterapia?
As evidências disponíveis apontam para uma vantagem das meias de alta compressão sobre as bandagens nesse contexto específico — tanto em satisfação do paciente quanto na redução da incidência de flebite superficial. Isso contrasta com o cenário pós-ablação térmica (Partes 2 e 3), em que bandagens rígidas têm vantagem hemodinâmica; na escleroterapia, a praticidade e a adesão das meias parecem pesar mais.
Os rolos de algodão (eccentric pads) também são úteis na escleroterapia?
Sim, e o mecanismo é o mesmo discutido na Parte 2 para a ablação térmica (Lei de Laplace): a aplicação de rolos de algodão diretamente sobre a veia injetada, sob a meia de compressão, concentra a pressão localmente. Essa compressão excêntrica facilita a compressão direta da veia tratada e melhora os resultados, particularmente na macroescleroterapia de veias de maior calibre.
A escleroterapia com espuma também exige compressão pós-procedimento?
Aqui a evidência é mais controversa. Alguns estudos, como o de Hamel-Desnos et al., não encontraram diferença significativa na eficácia ou na dor com ou sem compressão especificamente para a escleroterapia com espuma — sugerindo que o racional construído para a escleroterapia líquida convencional pode não se aplicar integralmente à espuma. A recomendação prática, na ausência de dados conclusivos, continua sendo a aplicação do julgamento clínico (Recomendação 3.2), sem que a omissão da compressão na espuma seja considerada um erro.

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Este conteúdo é voltado para profissionais de saúde. Para encaminhamento de paciente, segunda opinião ou discussão de conduta com o Dr. Maurício, entre em contato direto pelo WhatsApp.

⚕️ Aviso médico: O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico especialista. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde habilitado. Dr. Maurício Hiroshi Yamada — CRM-PR 21589.

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