Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

Título de Especialista (SBACV)

Certificação em Doppler Vascular (CBR)

Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
Compressão Pós-Procedimento — AVF/SVS 2019 · Parte 5 (Final)

Compressão Pós-Procedimento em Varizes: Diretrizes AVF/SVS 2019 — Parte 5: Compressão no Manejo da Úlcera Venosa (Recomendação 4.1) — Conclusão da Série

Guia para especialistas: a Recomendação 4.1 (GRADE 1B) da diretriz AVF/SVS sobre compressão em pacientes com úlcera venosa de perna (VLU) — extrapolação da evidência, manejo de úlceras de etiologia mista (ITB > 0,5), adesão e dispositivos de Velcro. Conclusão da série de 5 partes.

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 15 de junho de 20269 min de leitura

Na Parte 4 desta série, encerramos a análise da compressão após escleroterapia. Chegamos agora ao quarto e último grupo da diretriz AVF/SVS 2019 — e ao cenário clínico de maior complexidade: o paciente com úlcera venosa de perna (VLU). Aqui a compressão deixa de ser uma sugestão (GRADE 2) e passa a ser uma recomendação forte (GRADE 1B), ainda que baseada em uma extrapolação importante da evidência. Esta é a quinta e última parte da série.

Infográfico: Compressão Pós-Tratamento de Veias Superficiais em Pacientes com Úlceras Venosas — Diretrizes Clínicas baseadas no Capítulo 4 da diretriz SVS/AVF. Mostra a Recomendação Forte para úlceras venosas puras (GRADE 1, Nível B — terapia de compressão recomendada para aumentar a taxa de cicatrização e diminuir o risco de recorrência, com modalidades como bandagens de elasticidade curta, sistemas multicomponentes, botas de Unna e compressão pneumática) e a Precaução para úlceras de etiologia mista (GRADE 2, Nível C — compressão sugerida apenas para pacientes com ITB maior que 0,5 ou pressão absoluta de tornozelo maior que 60 mmHg). Também mostra a implementação e adesão do paciente (transição para meias elásticas após a cicatrização, fatores que dificultam a conformidade como obesidade mórbida, idade avançada e artrite, e dispositivos de Velcro inelásticos e ajustáveis como alternativa) e as considerações sobre doença arterial periférica (comorbidade arterial presente em 25% dos casos, exigindo triagem rigorosa, e a importância da medição do ITB e da pressão de tornozelo para a segurança da compressão).
Recomendação forte para úlceras venosas puras, precaução para etiologia mista, adesão do paciente e considerações sobre doença arterial periférica — Capítulo 4 da diretriz SVS/AVF.

Assista: Compressão na Úlcera Venosa, Explicada

1. O Subgrupo Mais Crítico: Pacientes com Úlcera Venosa

O Capítulo 4 da diretriz conjunta SVS/AVF/ACP/SVM/UIP volta-se a um subgrupo particularmente sensível: pacientes com história de úlcera venosa de perna (VLU), ativa ou cicatrizada. Nesse cenário, a complexidade da cicatrização e o risco elevado de recorrência exigem uma estratégia capaz de neutralizar a hipertensão venosa persistente — mesmo após a eliminação cirúrgica ou térmica dos pontos de refluxo superficial.

Diferente das Partes 2-4, em que a maioria das recomendações tinha grau 2 (fraco), aqui encontramos a recomendação mais forte de toda a diretriz.

2. Recomendação 4.1: Compressão em Úlceras Venosas Puras

Recomendação 4.1 — Recomendação Forte

GRADE 1B

"Em um paciente com úlcera venosa de perna, recomendamos a terapia de compressão em vez de nenhuma compressão para aumentar a taxa de cicatrização da úlcera venosa e diminuir o risco de recorrência da úlcera."

Vale destacar o que essa força de recomendação significa na prática: enquanto as Recomendações 1.1, 3.1 e 3.2 (Partes 2 e 4) usam a linguagem "sugerimos" (Grau 2 — fraco, conduta variável conforme o paciente), a Recomendação 4.1 usa "recomendamos" (Grau 1 — forte, aplicável à grande maioria dos pacientes, com benefício que supera claramente o risco).

Uma recomendação forte, mas uma extrapolação

Sob a ótica da medicina baseada em evidências, é importante observar que esta recomendação é, em grande parte, uma extrapolação. Conforme Lurie et al. (2019), não existem publicações que abordem especificamente o papel da compressão exclusivamente no cenário pós-tratamento de veias superficiais em pacientes com VLU aberta ou cicatrizada. A força GRADE 1B deriva da evidência consolidada sobre compressão no manejo geral da úlcera venosa — e, dada a fisiopatologia da doença, a compressão é considerada a "pedra angular" (keystone) para consolidar a cicatrização e prevenir a recidiva, devendo ser mantida como prática padrão de excelência.

As modalidades de compressão recomendadas para essa fase incluem:

  • Bandagens de elasticidade curta (short-stretch)
  • Sistemas multicomponentes (multi-layer)
  • Botas de Unna
  • Compressão pneumática intermitente

3. Recomendação 4.2: Precaução com Úlceras de Etiologia Mista (Arterial e Venosa)

O manejo de pacientes com doença arterial periférica (DAP) concomitante exige cautela extrema. A evidência para o uso de compressão nesses casos é limitada a poucos estudos pequenos, o que reflete a necessidade de monitoramento rigoroso.

Recomendação 4.2 — Critérios de Segurança (Etiologia Mista)

GRADE 2C
CritérioLimite Mínimo Seguro
Índice Tornozelo-Braquial (ITB)> 0,5
Pressão de Tornozelo Absoluta> 60 mmHg

Para pacientes que se enquadram nesses critérios de segurança, a diretriz sugere o uso de compressão modificada com pressão reduzida. O objetivo é evitar o comprometimento da perfusão arterial enquanto se busca o benefício hemodinâmico venoso.

Comorbidade arterial em 25% dos casos

A doença arterial periférica pode coexistir em até um quarto dos pacientes com úlcera de perna, exigindo triagem rigorosa antes de indicar compressão.

Segurança da compressão

O uso em membros com perfusão arterial significativamente comprometida é inseguro. A medição do ITB e da pressão de tornozelo é essencial antes de prescrever.

Para uma revisão completa sobre como medir e interpretar esse índice, veja nosso guia sobre ITB — Índice Tornozelo-Braquial.

4. Desafios de Adesão (Compliance) e Limitações do Paciente

A eficácia da terapia compressiva é frequentemente limitada por fatores práticos e comorbidades que impedem a adesão a longo prazo — um tema recorrente em toda esta série, mas especialmente crítico em pacientes com úlcera, que costumam ser mais idosos e ter mais comorbidades.

Habilidade técnica

Dificuldades no donning and doffing (colocar e retirar) os dispositivos, especialmente em pacientes com força reduzida ou limitações motoras.

Comorbidades

Artrite severa dificulta a manipulação de meias de alta compressão. Na obesidade mórbida, o aumento da pressão intra-abdominal eleva a pressão venosa nos membros, o que pode "atropelar" a capacidade de contenção de produtos puramente elásticos.

Higiene e conforto

Preocupações com o uso prolongado, irritação cutânea e a necessidade de manutenção da integridade da pele.

5. Da Cicatrização à Manutenção: Velcro vs. Meias Elásticas

Uma vez alcançada a cicatrização da úlcera, a transição para a compressão de manutenção é vital para prevenir a recidiva. Enquanto as meias elásticas são a escolha mais comum, os dispositivos de compressão ajustáveis com Velcro oferecem vantagens técnicas superiores para perfis específicos de pacientes.

A superioridade hemodinâmica dos dispositivos de Velcro reside na sua natureza inelástica. Diferente das meias elásticas, eles possuem alta rigidez (stiffness), o que gera picos de pressão significativos durante a contração muscular (deambulação). Esse "efeito de bomba" é mais eficaz no esvaziamento venoso do que a pressão estática das meias.

Eficácia hemodinâmica

Maior redução da estase e do edema através de pressões elevadas durante a atividade.

Ajustabilidade

Permitem ajuste imediato conforme o volume da perna diminui ao longo do dia, mantendo a pressão terapêutica constante.

Facilidade de uso

Aplicação simplificada para pacientes com limitações físicas ou força manual reduzida.

6. Qualidade de Vida e Lacunas na Evidência

Apesar de ser uma prática clínica consolidada, o nível de evidência para o manejo pós-procedimento em pacientes com VLU permanece baixo a moderado. Há uma lacuna crítica de dados de Nível 1 que foquem exclusivamente no impacto da compressão após o sucesso da ablação térmica ou cirúrgica.

É imperativo que futuros estudos incorporem métricas de qualidade de vida centradas no paciente, reconhecendo que a manutenção da cicatrização e a prevenção do edema recorrente impactam diretamente a funcionalidade social e humana. Até que novas evidências surjam, a compressão deve ser prescrita de forma personalizada, ajustando-se o dispositivo às limitações físicas e à gravidade da insuficiência venosa de cada paciente.

7. Síntese Completa: as 7 Recomendações da Diretriz AVF/SVS 2019

Ao final desta série de cinco partes, eis o panorama completo das recomendações sobre compressão pós-procedimento em doença venosa, da indicação após ablação térmica até o manejo da úlcera:

RecomendaçãoCenário ClínicoGRADEResumo
1.1Ablação térmica / stripping2CCompressão sugerida quando possível.
1.2Ablação térmica / cirurgia2B>20 mmHg + pads excêntricos reduzem dor e equimose em 7 dias.
2.1Ablação térmica / strippingBest PracticeDuração definida por julgamento clínico.
3.1Escleroterapia2CCompressão imediata melhora os resultados clínicos.
3.2EscleroterapiaBest PracticeDuração definida por julgamento clínico.
4.1Úlcera venosa de perna (VLU)1BCompressão recomendada (forte) para cicatrização e prevenção de recorrência.
4.2Úlcera venosa de etiologia mista (DAP concomitante)2CCompressão modificada limitada a ITB > 0,5 ou pressão de tornozelo > 60 mmHg.

Síntese Final da Série

  • Gradiente de força: a recomendação para comprimir cresce em força conforme a gravidade do quadro — de "sugerimos" (2C) na ablação simples até "recomendamos" (1B) na úlcera venosa.
  • A dose e os adjuvantes importam: pads excêntricos (Lei de Laplace), bandagens multicomponentes, botas de Unna e dispositivos de Velcro otimizam o efeito hemodinâmico da compressão em cada cenário.
  • Segurança arterial em primeiro lugar: antes de comprimir qualquer paciente com fatores de risco, meça o ITB — o limite de 0,5 separa a compressão terapêutica da compressão perigosa.
  • Adesão é o elo mais fraco: em todas as cinco partes, a complacência do paciente — e não apenas a evidência — determina o sucesso da terapia.

Com esta Parte 5, encerramos a série Compressão Pós-Procedimento: Diretrizes AVF/SVS 2019. Esperamos que esse percurso — da metodologia GRADE (Parte 1) à dose ideal (Parte 2), da duração (Parte 3) à escleroterapia (Parte 4) e, finalmente, à úlcera venosa (Parte 5) — ofereça um panorama prático e fundamentado para a tomada de decisão no dia a dia da flebologia.

*Este texto tem caráter de revisão e atualização para profissionais de saúde, com base na diretriz internacional citada. Não substitui a avaliação clínica individualizada de cada paciente.

Ref: Lurie F, Lal BK, Antignani PL, et al. Compression therapy after invasive treatment of superficial veins of the lower extremities: Clinical practice guidelines of the American Venous Forum, Society for Vascular Surgery, American College of Phlebology, Society for Vascular Medicine, and International Union of Phlebology. J Vasc Surg Venous Lymphat Disord. 2019;7(1):17-28.

Perguntas Frequentes

O que diz a Recomendação 4.1 sobre compressão em úlceras venosas?
A Recomendação 4.1 afirma: 'Em um paciente com úlcera venosa de perna, recomendamos a terapia de compressão em vez de nenhuma compressão para aumentar a taxa de cicatrização da úlcera venosa e diminuir o risco de recorrência da úlcera.' É classificada como Recomendação Forte (GRADE 1), Nível de Evidência B — a recomendação mais robusta de toda a diretriz, aplicável à grande maioria dos pacientes.
Se a evidência é de Nível B, por que essa recomendação é chamada de 'extrapolação'?
Porque, segundo Lurie et al. (2019), não existem publicações que avaliem especificamente o papel da compressão exclusivamente no cenário pós-tratamento de veias superficiais em pacientes com úlcera venosa de perna (aberta ou já cicatrizada). A força 'GRADE 1B' vem da evidência consolidada sobre compressão no manejo da úlcera venosa em geral — não de estudos pós-ablação. Dada a fisiopatologia da hipertensão venosa persistente, a diretriz considera a compressão uma 'pedra angular' (keystone) que deve ser mantida como prática padrão de excelência, mesmo após eliminar o refluxo superficial.
Como saber se um paciente com úlcera pode receber compressão com segurança?
É essencial descartar ou quantificar a doença arterial periférica (DAP) antes de comprimir. A comorbidade arterial está presente em até 25% dos casos de úlcera de perna, o que exige triagem rigorosa. Os limites mínimos seguros são Índice Tornozelo-Braquial (ITB) > 0,5 e pressão absoluta de tornozelo > 60 mmHg. Dentro desses critérios, a diretriz sugere compressão modificada com pressão reduzida (GRADE 2C). Fora deles, a compressão em membros com perfusão arterial significativamente comprometida é considerada insegura.
Quando o paciente pode trocar a bandagem/bota de Unna por meias elásticas?
A transição para meias elásticas de manutenção ocorre após a cicatrização da úlcera. Durante a fase ativa de tratamento, bandagens de elasticidade curta, sistemas multicomponentes, botas de Unna ou compressão pneumática são as modalidades recomendadas. Uma vez cicatrizada a lesão, as meias elásticas passam a ser prescritas para prevenir a recorrência — desde que o paciente consiga aplicá-las corretamente.
Por que dispositivos de Velcro podem ser superiores às meias elásticas em alguns pacientes?
Os dispositivos de compressão ajustáveis com Velcro são inelásticos e possuem alta rigidez (stiffness), o que gera picos de pressão elevados durante a contração muscular da deambulação — um 'efeito de bomba' mais eficaz no esvaziamento venoso do que a pressão estática das meias. Além disso, são ajustáveis conforme o volume da perna diminui ao longo do dia (mantendo a pressão terapêutica constante) e são mais fáceis de aplicar em pacientes com artrite, obesidade mórbida ou força manual reduzida — fatores que frequentemente comprometem a adesão a meias de alta compressão.
Quais lacunas de evidência a diretriz reconhece para a compressão na úlcera venosa?
A diretriz reconhece que o nível de evidência para o manejo pós-procedimento em pacientes com VLU permanece baixo a moderado, com uma lacuna crítica de dados de Nível 1 que foquem exclusivamente no impacto da compressão após o sucesso da ablação térmica ou cirúrgica. Recomenda-se que futuros estudos incorporem métricas de qualidade de vida centradas no paciente. Até que essas evidências surjam, a prescrição deve ser personalizada, ajustando o dispositivo às limitações físicas e à gravidade da insuficiência venosa de cada paciente.

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Este conteúdo é voltado para profissionais de saúde. Para encaminhamento de paciente, segunda opinião ou discussão de conduta com o Dr. Maurício, entre em contato direto pelo WhatsApp.

⚕️ Aviso médico: O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico especialista. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde habilitado. Dr. Maurício Hiroshi Yamada — CRM-PR 21589.

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