Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

Título de Especialista (SBACV)

Certificação em Doppler Vascular (CBR)

Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
Tratamento Minimamente Invasivo

Doença Venosa Crônica (Parte 4.4): Vasinhos, Perfurantes e Recidiva

Por que tratar a 'raiz' é fundamental antes de tratar a aparência? Quando as veias perfurantes realmente precisam de intervenção? E por que as varizes voltam mesmo após um bom tratamento? Veja as respostas segundo as Diretrizes ESVS 2022.

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 12 de junho de 20269 min de leitura

Na Parte 4.3 desta série, vimos como tratar as veias tributárias. Mas duas das maiores angústias dos pacientes ainda ficam de fora: a sensação de que "vasinhos" nunca acabam e o medo de que as varizes voltem depois do tratamento. Este guia explica, em linguagem acessível, por que isso acontece e o que a ciência recomenda — segundo as Diretrizes 2022 da Sociedade Europeia de Cirurgia Vascular (ESVS).

Infográfico: Guia de tratamento vascular — vasinhos, veias reticulares e perfurantes, comparação de técnicas para veias pequenas (escleroterapia, laser transcutâneo, técnica híbrida) e o desafio das varizes recorrentes (recanalização, neovascularização, falha técnica) com laser, radiofrequência e espuma como melhores opções
Vasinhos, veias perfurantes e varizes que voltam: o que diz a ciência.

Assista: Vasinhos, Perfurantes e Recidiva (Parte 4.4)

1. Vasinhos e Veias Reticulares: Muito Além da Estética

Quando olhamos para pernas com a classificação C1, encontramos dois tipos de vasos que exigem olhares distintos:

  • 🔴 Telangiectasias (vasinhos): veias muito finas, superficiais, de cor avermelhada ou arroxeada.
  • 🔵 Veias Reticulares: vasos de cor azulada, um pouco mais profundos (até 3mm), que frequentemente funcionam como "nutritrizes", enviando pressão para os vasinhos menores.

💡 A lógica do tratamento: o "padrão descendente"

Tentar tratar um vasinho sem checar a veia maior que o alimenta é como tentar pintar uma parede que tem uma infiltração interna: a mancha voltará. A Recomendação 39 da ESVS é clara: devemos tratar primeiro as veias incompetentes maiores (a fonte do refluxo) antes de partirmos para os vasos menores. É tratar a causa antes da consequência.

Mesmo que o seu caso pareça puramente estético, a Recomendação 38 preconiza que o Ultrassom Doppler (DUS) deve ser realizado. Ele é essencial para mapear se há falhas em válvulas internas que não vemos a olho nu.

MétodoIndicação principalClasse de recomendação (ESVS 2022)
EscleroterapiaVeias reticulares e vasinhosClasse I (padrão-ouro)
Laser Transcutâneo / Luz PulsadaTelangiectasias (vasinhos)Classe IIa (eficaz e seguro)

🩺 Nota do especialista

Durante o tratamento da veia safena parva (SSV) na região da panturrilha, temos um cuidado redobrado com o nervo sural. Utilizamos a técnica de tumescência ou monitoramento por ultrassom para proteger os nervos próximos e garantir a sua segurança (Recomendação 41).

2. Veias Perfurantes: Os Canais de Conexão

As veias perfurantes são "pontes" que conectam o sistema venoso superficial (perto da pele) ao sistema profundo (dentro dos músculos).

💡 Você sabia?

Graças à bomba muscular da panturrilha, o fluxo normal do sangue deve ser sempre da superfície para o fundo da perna. Quando as válvulas dessas "pontes" falham, o sangue é empurrado de volta para a pele sob alta pressão.

De acordo com as Recomendações 49 e 50, a regra de ouro para tratar veias perfurantes é a presença de dano tecidual. Geralmente, não indicamos tratamento cirúrgico para perfurantes se o paciente tem apenas varizes simples (C2) sem alterações na pele. A intervenção (ablação ou ligadura) é reservada para casos onde há manchas, endurecimento da pele ou úlceras (C4b, C5 ou C6), para acelerar a cicatrização.

3. Por que as Varizes Voltam? Entendendo a Recidiva

É frustrante ver varizes reaparecerem, mas isso não significa necessariamente que o primeiro tratamento falhou. A DVC é uma doença sistêmica e evolutiva. As causas principais de recorrência baseadas na literatura médica são:

  • 🔄 Recanalização: a veia que foi tratada (por laser ou espuma) consegue "reabrir" com o tempo.
  • 🌱 Neovascularização: o corpo, em uma tentativa de cicatrização após cirurgias antigas de corte, cria minúsculos novos vasos no local.
  • 📈 Novas Falhas (Progressão): veias que eram saudáveis no primeiro tratamento agora apresentam defeitos. Um culpado muito comum é a Veia Safena Acessória Anterior (AASV).

Como tratamos o retorno? Se o tronco principal da safena continuar fechado e o problema for apenas nas veias colaterais, a Recomendação 57 sugere o uso da Escleroterapia com Espuma Guiada por Ultrassom (UGFS) ou a flebectomia (microcirurgia). A UGFS é particularmente útil em casos de recidiva por ser menos invasiva em áreas já operadas anteriormente — evitando uma nova cirurgia aberta na virilha.

4. O Papel do Doppler no Sucesso do Tratamento

Não existe flebologia moderna sem o Mapeamento Venoso por Doppler (DUS). Ele é o nosso GPS. De acordo com a Recomendação 3, o Doppler é a ferramenta fundamental para planejar qualquer intervenção. É através dele que identificamos a hipertensão venosa e decidimos exatamente qual "cano" precisa de reparo, evitando tratamentos desnecessários ou incompletos.

Conclusão: Um Cuidado Contínuo

Precisamos encarar a saúde das veias como um cuidado contínuo. O histórico Estudo de Edimburgo, que acompanhou pacientes por 13,4 anos, revelou que 31,9% das pessoas apresentam alguma progressão da doença ao longo desse tempo.

A doença venosa é crônica, mas perfeitamente controlável. O surgimento de novas veias faz parte da história natural da doença, mas com um diagnóstico preciso via Doppler e um plano de tratamento personalizado, é possível garantir pernas saudáveis e livres de complicações graves. Se os "vasinhos" incomodam ou as varizes voltaram, procure um especialista para uma avaliação atualizada, sempre à luz das Diretrizes ESVS 2022.

Para fechar esta série, a Parte 4.6 reúne o "mapa" anatômico das veias avaliadas no Doppler e o checklist de perguntas para levar à sua consulta.

*Este texto tem caráter informativo e resume, em linguagem acessível, recomendações de uma diretriz científica internacional baseada em evidências de 2022. A indicação de tratamento para vasinhos, perfurantes ou varizes recidivadas deve ser sempre definida pelo Cirurgião Vascular, após avaliação individual com Ultrassom Doppler.

Ref: De Maeseneer MG, Kakkos SK, Aherne T, et al. European Society for Vascular Surgery (ESVS) 2022 Clinical Practice Guidelines on the Management of Chronic Venous Disease of the Lower Limbs. Eur J Vasc Endovasc Surg. 2022.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre telangiectasias (vasinhos) e veias reticulares?
As telangiectasias, ou 'vasinhos', são veias muito finas e superficiais, de cor avermelhada ou arroxeada. As veias reticulares são vasos um pouco mais profundos (até 3mm), de cor azulada, que frequentemente funcionam como 'nutritrizes' — enviam pressão para os vasinhos menores. Tratar apenas o vasinho sem identificar a reticular que o alimenta costuma levar ao retorno rápido do problema.
Meu problema é só estético — ainda preciso fazer Ultrassom Doppler antes de tratar os vasinhos?
Sim. A Recomendação 38 da ESVS 2022 preconiza que o Ultrassom Doppler (DUS) deve ser realizado mesmo em casos que parecem puramente estéticos. Ele mapeia falhas em válvulas internas que não vemos a olho nu. Além disso, a Recomendação 39 estabelece o 'padrão descendente': tratar primeiro as veias incompetentes maiores (a fonte do refluxo) antes de partir para os vasos menores — como tentar consertar uma infiltração antes de pintar a parede.
Toda veia perfurante incompetente precisa ser tratada?
Não. As veias perfurantes são 'pontes' que conectam o sistema venoso superficial ao profundo. De acordo com as Recomendações 49 e 50 da ESVS 2022, a regra de ouro é a presença de dano tecidual: geralmente não indicamos tratamento cirúrgico das perfurantes em pacientes com varizes simples (C2) sem alterações de pele. A intervenção é reservada para casos com manchas, endurecimento da pele ou úlceras (C4b, C5 ou C6), para acelerar a cicatrização.
Minhas varizes voltaram — isso significa que o primeiro tratamento falhou?
Não necessariamente. A Doença Venosa Crônica é sistêmica e evolutiva. As principais causas de recidiva são: recanalização (a veia tratada reabre com o tempo), neovascularização (o corpo cria novos vasos minúsculos após cirurgias antigas) e novas falhas/progressão — frequentemente envolvendo a Veia Safena Acessória Anterior (AASV), que era saudável no primeiro tratamento.
Como tratamos as varizes que retornaram?
Se o tronco principal da safena continuar fechado e o problema estiver apenas nas veias colaterais, a Recomendação 57 sugere a Escleroterapia com Espuma Guiada por Ultrassom (UGFS) ou a flebectomia (microcirurgia). A UGFS é particularmente útil em casos de recidiva por ser menos invasiva em áreas já operadas anteriormente — evitando uma nova cirurgia aberta na virilha.
As varizes vão continuar voltando para sempre?
O histórico Estudo de Edimburgo, que acompanhou pacientes por 13,4 anos, revelou que 31,9% das pessoas apresentam alguma progressão da doença ao longo desse tempo. O surgimento de novas veias faz parte da história natural da Doença Venosa Crônica — mas com diagnóstico preciso por Doppler e acompanhamento contínuo, ela é perfeitamente controlável, garantindo pernas saudáveis e livres de complicações graves.

Suas varizes merecem avaliação especializada.

Cada caso é único. O Eco-Doppler Vascular mapeia o refluxo e define qual técnica — espuma, laser, radiofrequência ou cirurgia — é a certa para você.

⚕️ Aviso médico: O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico especialista. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde habilitado. Dr. Maurício Hiroshi Yamada — CRM-PR 21589.

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