Doença Venosa Crônica (Parte 4.3): Tratamento das Veias Tributárias
Flebectomia ambulatorial (técnica ASVAL) ou escleroterapia com espuma guiada por ultrassom? Veja como tratar as veias tributárias — os 'ramos' visíveis das varizes — e por que preservar a veia safena pode ser importante para o futuro, segundo as Diretrizes ESVS 2022.
Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295
Na Parte 4.2 desta série, vimos as técnicas de ablação da veia safena — o "tronco" do sistema venoso. Mas e os "ramos"? As veias tributárias são exatamente as varizes que você vê e sente na pele: veias saltadas, tortuosas e dilatadas. Este guia traduz, em linguagem acessível, as técnicas modernas para tratar essas veias segundo as Diretrizes 2022 da Sociedade Europeia de Cirurgia Vascular (ESVS).

Assista: Tratamento das Veias Tributárias (Parte 4.3)
1. O Que São as Veias Tributárias?
Para entender a circulação das pernas, vale usar a metáfora de uma árvore. A veia safena funciona como o "tronco" principal, correndo em uma camada mais profunda. Já as veias tributárias são como os "ramos" dessa árvore: estão localizadas no tecido subcutâneo, logo abaixo da pele, e drenam o sangue para o tronco principal.
💡 Veias tributárias, em resumo
Quando as válvulas das veias tributárias não funcionam corretamente, o sangue reflui, causando dilatação e a formação das varizes visíveis: veias saltadas, tortuosas e azuladas que aparecem logo abaixo da pele.
2. Por Que Tratar? Sintomas e Sinais Comuns
O impacto das varizes vai muito além da aparência. É comum que o peso nas pernas transforme uma simples caminhada em um fardo cansativo. O tratamento moderno visa não apenas a estética, mas principalmente a melhora da qualidade de vida e a prevenção de complicações futuras. Os sintomas mais comuns descritos nas diretrizes da ESVS incluem:
- ⚖️ Peso e sensação de pernas pesadas, especialmente ao final do dia.
- 🦵 Sensação de inchaço (edema), mesmo quando o inchaço ainda não é visível.
- 😴 Pernas cansadas ou com fadiga desproporcional ao esforço realizado.
- 💥 Latejamento e dor persistente.
- 🔥 Queimação local.
- 🤏 Prurido, a coceira incômoda sobre as veias doentes.
- 🌙 Cãibras noturnas que podem interromper o sono.
3. Técnica 1: Flebectomia Ambulatorial (Microcirurgia)
A flebectomia ambulatorial é uma técnica minuciosa para remover as veias doentes através de micro-incisões. Uma abordagem de destaque mencionada pela ESVS é o ASVAL (Ambulatory Selective Varicose vein Ablation under Local anaesthesia).
O grande diferencial do ASVAL é que ele foca na remoção das tributárias doentes preservando o "tronco" — a veia safena — caso ela ainda esteja saudável.
💡 Por que preservar a safena é uma vantagem estratégica
A veia safena pode ser necessária no futuro para procedimentos médicos vitais, como uma cirurgia de ponte de safena (bypass) no coração ou nas pernas. Quando ela ainda está saudável, preservá-la é um cuidado que pensa décadas além do tratamento das varizes.
Passos básicos do procedimento:
- 1. Anestesia local: realizada apenas na área onde as veias serão removidas.
- 2. Micro-incisões: pequenos furos na pele por onde as veias são delicadamente extraídas.
- 3. Recuperação sem pontos: devido ao tamanho milimétrico das incisões, geralmente não há necessidade de pontos, o que resulta em uma cicatrização excelente.
4. Técnica 2: Escleroterapia com Espuma
A escleroterapia com espuma guiada por ultrassom (UGFS) é uma alternativa moderna e minimamente invasiva, muitas vezes realizada no próprio consultório. Nesse procedimento, o ultrassom guia a aplicação de uma substância esclerosante em forma de espuma — sendo o polidocanol a mais comum. Essa espuma desloca o sangue e faz com que a veia doente "se feche". Com o tempo, o próprio corpo absorve essa veia desativada, eliminando as varizes sem a necessidade de cortes ou anestesia geral.
5. Comparativo: Flebectomia vs. Escleroterapia
De acordo com a Recomendação 36 das Diretrizes ESVS 2022, tanto a flebectomia quanto a escleroterapia com espuma — ou a combinação de ambas — são opções de tratamento altamente eficazes e seguras.
| Método | Como funciona | Indicação principal |
|---|---|---|
| Flebectomia | Remoção física da veia através de microfuros | Altamente eficaz (Classe I) para veias visíveis e tortuosas |
| Escleroterapia com Espuma | Injeção de substância (polidocanol) para fechar a veia | Altamente eficaz (Classe I) para veias de diversos tamanhos ou recidivadas |
6. A Decisão Médica: O Papel do Ultrassom Duplex
Antes de decidir qual técnica utilizar, é preciso de um "mapa" preciso da circulação. A Recomendação 3 das Diretrizes ESVS 2022 estabelece o Ultrassom Duplex como o teste diagnóstico de escolha e o padrão-ouro para todos os pacientes.
🩺 Dica do especialista
Não aceite um plano de tratamento baseado apenas no exame visual. O Ultrassom Duplex é essencial para identificar a origem exata do problema (o refluxo) e garantir que estamos tratando a causa correta, e não apenas o sintoma visível.
7. Cuidados Pós-Tratamento e Recuperação
A recuperação dos procedimentos modernos é ágil, mas o sucesso do tratamento depende da colaboração do paciente no pós-operatório. O que esperar após o procedimento:
- 🧦 Uso de meias elásticas: a compressão auxilia na cicatrização e reduz o inchaço.
- 📋 Decisão individualizada: conforme a Recomendação 24, não existe uma duração "padrão" para o uso das meias; o tempo de uso é decidido pelo médico caso a caso, dependendo da extensão do tratamento.
- 🚶 Retorno às atividades: a maioria dos pacientes retorna às atividades habituais em poucos dias.
- 🔁 Acompanhamento: consultas de revisão são agendadas para monitorar a absorção das veias tratadas.
Conclusão: Cuidar Também dos "Ramos"
As técnicas modernas, amparadas pela ciência vascular mais atual, permitem tratar as veias tributárias de forma segura, sem longas internações ou recuperações dolorosas. Cuidar dos "ramos" — e não apenas do "tronco" — é investir no conforto diário e na saúde futura das suas pernas.
Se você sente as pernas pesadas ou nota varizes aparentes, não adie sua avaliação. Procure um especialista para realizar seu mapeamento por Ultrassom Doppler e definir o melhor caminho — combinando, se necessário, os pilares vistos em toda esta série: compressão, medicação, ablação da safena e o tratamento das tributárias descrito aqui — sempre à luz das Diretrizes ESVS 2022.
Mas e os "vasinhos" que insistem em voltar, ou aquelas varizes que reaparecem mesmo depois de um bom tratamento? Na Parte 4.4 desta série, explicamos o papel das veias reticulares e perfurantes e as causas reais da recidiva.
*Este texto tem caráter informativo e resume, em linguagem acessível, recomendações de uma diretriz científica internacional baseada em evidências de 2022. A escolha entre flebectomia, escleroterapia com espuma ou a combinação de ambas deve ser sempre definida pelo Cirurgião Vascular, após avaliação individual com Ultrassom Duplex.
Ref: De Maeseneer MG, Kakkos SK, Aherne T, et al. European Society for Vascular Surgery (ESVS) 2022 Clinical Practice Guidelines on the Management of Chronic Venous Disease of the Lower Limbs. Eur J Vasc Endovasc Surg. 2022.
Perguntas Frequentes
Qual a diferença entre a veia safena e as veias tributárias?
O que é o ASVAL e por que preservar a veia safena pode ser importante?
Como funciona a escleroterapia com espuma guiada por ultrassom (UGFS)?
Flebectomia ou escleroterapia com espuma: qual é a melhor opção?
Por que o Ultrassom Duplex é tão importante antes de escolher a técnica?
Depois do procedimento nas tributárias, por quanto tempo preciso usar meia de compressão?
Suas varizes merecem avaliação especializada.
Cada caso é único. O Eco-Doppler Vascular mapeia o refluxo e define qual técnica — espuma, laser, radiofrequência ou cirurgia — é a certa para você.
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