Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

Título de Especialista (SBACV)

Certificação em Doppler Vascular (CBR)

Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
Tratamento Minimamente Invasivo

Doença Venosa Crônica (Parte 7): Quando as Varizes Vêm da Pelve

Distúrbios Venosos Pélvicos (PeVD): por que algumas varizes nas pernas têm origem na pelve, como é feito o diagnóstico (Ultrassom Duplex, RM/TC, venografia) e quando a embolização de veias pélvicas é indicada — ou contraindicada — segundo as Diretrizes ESVS 2022.

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 12 de junho de 20269 min de leitura

Resposta direta: A recidiva de varizes após tratamento ocorre em 20-60% dos casos em 5 anos. Causas: neovascularização, progressão da doença, tratamento incompleto. A abordagem da recidiva combina duplex para mapeamento dos focos, retratamento dos pontos de refluxo remanescentes (EVLA, espuma ou cirurgia), e escleroterapia das varicosidades residuais.

Resposta direta: Os Distúrbios Venosos Pélvicos (PeVD) causam varizes nas pernas por refluxo das veias gonadais ou ilíacas internas, afetando 16-31% das mulheres com dor pélvica crônica (299.740 mulheres avaliadas pela OMS). O diagnóstico inicia pelo Ultrassom Duplex pélvico (Recomendação 84, Classe I, ESVS 2022). A embolização de veias gonadais só é indicada quando há dor pélvica crônica associada (Recomendação 88, Classe IIa) — sem dor pélvica, o tratamento deve ser local nas varizes das pernas.

Muitas pessoas acreditam que o problema das varizes está restrito apenas às pernas. No entanto, em diversos casos a verdadeira origem está localizada mais acima, na região pélvica. Tratar apenas as varizes visíveis nas pernas sem investigar a pelve seria como secar o chão sem consertar o cano quebrado no teto. Este guia explica os Distúrbios Venosos Pélvicos (PeVD) e quando a investigação deve ir além das pernas, segundo as Diretrizes 2022 da Sociedade Europeia de Cirurgia Vascular (ESVS).

Infográfico: Varizes nas Pernas com Origem Pélvica — sinais que indicam origem pélvica (dor pélvica crônica, varizes na vulva, varizes que retornam após cirurgia), o caminho do diagnóstico (Doppler das pernas, exames abdominais e transvaginais) e opções de tratamento (tratamento local vs. pélvico, embolização de veias pélvicas e cuidados na gestação)
Identificando a origem pélvica das varizes e as opções de diagnóstico e tratamento, segundo as Diretrizes ESVS 2022.

Assista: Quando as Varizes Vêm da Pelve (Parte 7)

1. Além das Pernas: o Que São os Distúrbios Venosos Pélvicos (PeVD)?

Imagine o sistema venoso como um conjunto de encanamentos equipados com válvulas que funcionam como comportas. Em um sistema saudável, essas válvulas garantem que o sangue flua em uma única direção: de volta para o coração. Quando essas "comportas" falham, ocorre o que chamamos de refluxo ou incompetência venosa. É como se uma tubulação no andar superior (a pelve) estivesse com um vazamento: a pressão faz com que o sangue "escorra" e se acumule no andar de baixo (as pernas). Esse conjunto de falhas nas veias internas da região do abdome é o que chamamos de Distúrbios Venosos Pélvicos (PeVD).

Segundo a classificação científica, as principais fontes de refluxo são:

  • 🩸 Veias Gonadais: veias que drenam o sangue dos ovários (nas mulheres) ou testículos (nos homens).
  • 🩸 Veias Ilíacas Internas: veias profundas que, quando falham, sobrecarregam todo o sistema ao redor.

Além da falha das válvulas ("vazamento"), às vezes o problema é causado por uma compressão ou estreitamento de uma veia no abdome — como na Síndrome de Nutcracker ou na Síndrome de May-Thurner. Nesses casos, o sangue encontra uma "barreira" e é forçado a buscar caminhos alternativos, dilatando as veias da pelve e das pernas para conseguir passar.

2. Sinais e Sintomas: Quando Suspeitar da Origem Pélvica?

A suspeita de que as varizes têm origem pélvica surge quando elas aparecem em locais "estranhos" ou quando o tratamento convencional nas pernas parece não funcionar.

Sintomas nas Pernas (Sinais de Alerta)Sintomas Pélvicos
Varizes em locais incomuns (atrás da coxa, região glútea ou virilha)Dor pélvica crônica (dor persistente no "pé da barriga" há mais de 6 meses)
Varizes vulvares ou perineaisSensação de peso ou pressão na região pélvica
Varizes que reaparecem rapidamente após uma cirurgia ou tratamento bem-feitoDesconforto que piora após longos períodos em pé ou após relações sexuais

Importante: antes de confirmar o diagnóstico de PeVD, é fundamental excluir outras causas de dor (Recomendação 83). No caso das mulheres, uma avaliação ginecológica é frequentemente necessária para garantir que o desconforto não venha de outros órgãos.

3. O Caminho do Diagnóstico: Como os Médicos Investigam?

Para um diagnóstico preciso, seguimos o padrão-ouro de investigação definido internacionalmente:

  1. Ultrassom Duplex (Abdominal e Transvaginal): nossa primeira escolha (Recomendações 84 e 85). É um exame não invasivo que permite mapear os "pontos de fuga" — os locais exatos onde o sangue está escapando da pelve para as pernas.
  2. Ressonância Magnética (RM) ou Tomografia (TC): exames de imagem detalhados, utilizados principalmente quando precisamos planejar uma intervenção cirúrgica.
  3. Venografia Seletiva: procedimento invasivo. Diferente do ultrassom, não é um exame de rotina de consultório — geralmente é realizado durante o próprio procedimento de tratamento, para confirmar detalhes anatômicos finais enquanto corrigimos o problema.

4. Opções de Tratamento: Duas Estratégias Diferentes

A lógica do tratamento moderno baseia-se na segurança. Não tratamos "veias dilatadas" em exames — tratamos o paciente.

Cenário A: Varizes sem dor pélvica

Se você tem varizes nas pernas que vêm da pelve, mas NÃO sente dor pélvica crônica, o foco deve ser apenas local. Tratamos as varizes das pernas e fechamos os "pontos de fuga" (Recomendações 86 e 87).

⚠️ Aviso Crítico de Segurança

De acordo com a Recomendação 87 (Classe III), a embolização das veias pélvicas (fechar as veias internas) é contraindicada para pacientes sem sintomas pélvicos. Realizar esse procedimento sem dor pélvica associada não traz benefícios e expõe o paciente a riscos desnecessários.

Cenário B: Varizes com dor pélvica crônica

Se as varizes nas pernas vêm acompanhadas de dor pélvica persistente que afeta a qualidade de vida, a estratégia muda. Nestes casos, a embolização de veias pélvicas pode ser considerada (Recomendação 88) para aliviar a pressão na fonte do problema.

5. E Durante a Gestação?

Na gravidez, o aumento do volume sanguíneo e a compressão do útero sobre as veias pélvicas podem produzir varizes vulvares e dos membros inferiores. O tratamento principal durante a gestação é o uso de meias de compressão específicas — a investigação completa e a decisão sobre embolização ou tratamento local, quando necessárias, são geralmente avaliadas após o parto, conforme detalhamos no guia de varizes na gestação.

6. Glossário Rápido para o Paciente

  • Incompetência Venosa: termo técnico para quando as válvulas das veias não funcionam, causando o refluxo (sangue correndo no sentido errado).
  • Embolização: procedimento para "fechar" uma veia doente por dentro, usando pequenas molas ou substâncias específicas.
  • Ultrassom Transvaginal: exame essencial para visualizar com alta precisão as veias ao redor do útero e ovários.
  • Pontos de Fuga Pélvicos: "canais" por onde o sangue sob pressão escapa da pelve e acaba sobrecarregando as veias das pernas.
  • Dor Pélvica Crônica (CPP): dor na região do baixo ventre que dura seis meses ou mais — um dos principais critérios para decidir o tipo de tratamento.

Conclusão: Por Que as Varizes Voltam?

Entendemos o quão frustrante pode ser tratar varizes e vê-las retornar em pouco tempo. Muitas vezes, essa "falha" não é do tratamento em si, mas de um diagnóstico que não considerou a origem pélvica. As Diretrizes ESVS 2022 reforçam que o diagnóstico preciso por um especialista em angiologia e cirurgia vascular é o que separa um resultado temporário de uma melhora real e duradoura. Se você nota varizes em locais atípicos ou sofre com dor pélvica, procure um especialista — um mapeamento venoso correto é o primeiro passo para recuperar sua saúde e bem-estar.

*Este texto tem caráter informativo e resume, em linguagem acessível, recomendações de uma diretriz científica internacional baseada em evidências de 2022. A indicação de embolização de veias pélvicas deve ser sempre definida por uma equipe especializada, após avaliação individual com Ultrassom Duplex e, quando necessário, exames complementares.

Ref: De Maeseneer MG, Kakkos SK, Aherne T, et al. European Society for Vascular Surgery (ESVS) 2022 Clinical Practice Guidelines on the Management of Chronic Venous Disease of the Lower Limbs. Eur J Vasc Endovasc Surg. 2022.

Perguntas Frequentes

O que são os Distúrbios Venosos Pélvicos (PeVD)?
PeVD é a sigla para problemas nas veias da pelve que causam acúmulo de sangue e aumento da pressão venosa. As principais fontes de refluxo são as veias gonadais (ovarianas ou testiculares) e as veias ilíacas internas. Segundo meta-análise da OMS (18 estudos, 299.740 mulheres), a dor pélvica crônica (CPP) afeta 4% a 43% das mulheres, e os PeVD respondem por 16–31% desses casos. A compressão da veia ilíaca comum esquerda (≥50% de redução da área transversal) é encontrada em 25–33% da população geral como achado assintomático. Quando uma veia é comprimida ou estreitada — como na Síndrome de May-Thurner (ilíaca esquerda) ou Síndrome de Nutcracker (veia renal esquerda) — o sangue desvia pelas veias pélvicas, sobrecarregando o sistema venoso dos membros inferiores.
Quais sinais indicam que minhas varizes nas pernas podem ter origem na pelve?
Alguns sinais de alerta: varizes em locais incomuns (atrás da coxa, região glútea ou virilha), varizes vulvares ou perineais, e varizes que reaparecem rapidamente mesmo após uma cirurgia bem-feita. Quando esses sinais aparecem associados a dor pélvica crônica, sensação de peso na pelve ou desconforto que piora após ficar muito tempo em pé ou após relações sexuais, a suspeita de origem pélvica aumenta.
Como é feito o diagnóstico dos Distúrbios Venosos Pélvicos?
O Ultrassom Duplex — abdominal e transvaginal — é a primeira escolha (Recomendações 84 e 85 da ESVS 2022). É um exame não invasivo que mapeia os 'pontos de fuga', os locais exatos onde o sangue escapa da pelve para as pernas. Ressonância Magnética ou Tomografia são usadas quando é preciso planejar uma intervenção. A venografia seletiva, por ser invasiva, geralmente é feita durante o próprio procedimento de tratamento.
Toda pessoa com varizes de origem pélvica precisa de embolização das veias pélvicas?
Não. A decisão depende da presença ou não de dor pélvica crônica. Se você tem varizes nas pernas com origem pélvica mas NÃO sente dor pélvica crônica, o tratamento deve ser apenas local: tratar as varizes das pernas e fechar os 'pontos de fuga' com escleroterapia, flebectomia ou ligação cirúrgica dos pontos de escape pélvicos (Recomendação 86, Classe IIa, Nível C). A Recomendação 87 (Classe III) proíbe a embolização pélvica como tratamento inicial nessas pacientes, pois não há benefício comprovado sobre o tratamento local.
Quando a embolização de veias pélvicas é indicada?
Apenas quando as varizes nas pernas vêm acompanhadas de dor pélvica crônica (CPP) persistente que afeta a qualidade de vida — e após excluir outras causas ginecológicas ou gastrointestinais. Nesses casos, a Recomendação 88 (Classe IIa, Nível B) indica a embolização de veias gonadais para redução da pressão pélvica. A eficácia técnica da embolização é estimada em 96–100%, com redução significativa do escore de dor pélvica (p<0,001 na maioria dos estudos). A taxa de recorrência de sintomas é de até 32%, mas a maioria das pacientes com boa resposta inicial mantém melhora a longo prazo.
Por que a embolização pélvica é contraindicada para quem não sente dor pélvica?
Porque a Recomendação 87 (Classe III — contraindicado) das Diretrizes ESVS 2022 é clara: a embolização de veias pélvicas como tratamento inicial em pacientes sem sintomas pélvicos não tem benefício comprovado e expõe ao risco de migração de molas (coils) para pulmões ou coração — complicação grave. Estudos mostraram que o tratamento local das varizes das pernas com a embolização dos pontos de fuga pélvicos obtém bons resultados em pacientes sem CPP, sem necessidade de embolizar as veias gonadais centrais. A lógica é tratar o paciente e seus sintomas — não os achados de imagem isoladamente.

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Artigo escrito e validado pelo Dr. Maurício Hiroshi Yamada (CRM-PR 21589 | RQE: 18282). Cirurgião Vascular formado pela UEL, com residência no HSPE/SP e título de especialista pela SBACV. É referência em tratamentos minimamente invasivos (Laser, Radiofrequência e Espuma) na clínica Maringá Vasculares, no Paraná.
⚕️ Aviso médico: O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico especialista. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde habilitado. Dr. Maurício Hiroshi Yamada — CRM-PR 21589.

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