Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

Título de Especialista (SBACV)

Certificação em Doppler Vascular (CBR)

Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
Tratamento Minimamente Invasivo

Doença Venosa Crônica (Parte 6): Guia de Manejo da Úlcera Venosa

Úlcera venosa (CEAP C6): os pilares do tratamento segundo as Diretrizes ESVS 2022 — equipe especializada, cuidado da ferida, compressão de alta pressão com segurança, ablação endovenosa precoce e prevenção da recidiva (C5).

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 12 de junho de 20269 min de leitura

Resposta direta: A úlcera venosa (C6 na classificação CEAP) é a complicação mais grave da DVC — afeta 1-2% da população adulta. O tratamento combina: compressão multicomponente (maior evidência — reduz úlcera em 65-70% em 12 semanas), curativos adequados, ablação endovenosa quando há refluxo tratável, e MPFF para acelerar cicatrização. Recidiva em 70% sem tratamento adequado da causa.

Resposta direta: A úlcera venosa ativa (CEAP C6) exige compressão com pressão ≥40 mmHg (Recomendação 70, Classe I, Nível A) combinada com ablação endovenosa precoce das veias incompetentes. O estudo EVRA (450 pacientes) demonstrou que a ablação endovenosa precoce eleva a cicatrização em 24 semanas para 85,6% vs 75,4% com tratamento tardio (p<0,001). Após cicatrização (C5), compressão contínua e correção do refluxo reduzem recorrência de 56% para 31% em 4 anos (ESCHAR trial, 500 pacientes).

A úlcera venosa é a manifestação mais grave da Doença Venosa Crônica. Seu impacto vai muito além da ferida física: gera dor crônica, limita a mobilidade e com frequência provoca isolamento social que prejudica a qualidade de vida. Este guia traduz o manejo baseado em evidências para pacientes e cuidadores — segundo as Diretrizes 2022 da Sociedade Europeia de Cirurgia Vascular (ESVS).

Infográfico: Guia Prático — Como Tratar e Curar Úlceras Venosas. Pilares da cicatrização (terapia de compressão, avaliação das artérias, medicamentos auxiliares) e correção da causa para prevenir recaídas (ablação endovenosa precoce, procedimentos minimamente invasivos, prevenção após a cura)
Os pilares da cicatrização e da prevenção da recidiva, segundo as Diretrizes ESVS 2022.

Assista: Guia de Manejo da Úlcera Venosa (Parte 6)

1. O Que é a Úlcera Venosa?

A úlcera venosa representa o estágio avançado da Doença Venosa Crônica (DVC), classificada na escala CEAP como C6 (úlcera ativa). Ela é o resultado final de um processo chamado hipertensão venosa: quando o sangue encontra dificuldade para retornar das pernas ao coração, ele se acumula, aumentando a pressão interna nas veias. Essa pressão excessiva inflama os tecidos e prejudica a microcirculação da pele. Com o tempo, a pele perde sua integridade e rompe-se, formando uma ferida aberta. Quando a ferida é fechada com sucesso, o paciente passa ao estágio C5 (úlcera cicatrizada), que exige vigilância constante para evitar a recidiva.

2. Princípios Gerais: Uma Equipe, Não Apenas um Curativo

O tratamento eficaz requer uma visão multidisciplinar, unindo tecnologia médica e engajamento do paciente:

  • 👩‍⚕️ Cuidados especialistas: o manejo deve ser realizado por uma equipe que inclua cirurgiões vasculares e enfermeiros especialistas em estomaterapia — profissionais qualificados no tratamento de feridas complexas.
  • 💊 Controle da dor: o manejo analgésico é prioridade clínica. A dor não tratada impede a mobilidade e a adesão ao uso da compressão.
  • 🦵 O "coração das pernas": ao caminhar, os músculos da panturrilha apertam as veias, empurrando o sangue para cima contra a gravidade. A ativação dessa bomba muscular — com fisioterapia e exercícios para o tornozelo — é essencial para reduzir a pressão venosa.
  • ⚖️ Controle de comorbidades: tratar obesidade, diabetes e pressão arterial é fundamental para que o corpo tenha condições de regenerar o tecido.

3. O Cuidado com a Ferida (Wound Care)

O objetivo local é preparar o "leito" da ferida para a cicatrização:

  • ✂️ Desbridamento: remoção de tecido morto ou infectado — passo necessário para permitir o crescimento de células saudáveis.
  • 🩹 Curativos: a escolha depende da umidade e do estado da ferida. Existem diversas opções tecnológicas (agentes tópicos) prescritas conforme a necessidade de cada fase.
  • ⚡ Terapias avançadas: se o cuidado padrão não apresentar resultados após algumas semanas, podem ser consideradas terapias como ultrassom terapêutico, eletromagnética ou pressão negativa (vácuo).

4. A Compressão: o "Motor" da Cicatrização

A compressão é o "padrão-ouro" do tratamento, com Recomendação Classe I para acelerar o fechamento da ferida. Para úlceras ativas, recomenda-se uma pressão de ≥ 40 mmHg no tornozelo.

Material de CompressãoCaracterísticas e Benefícios
Bandagens (Elásticas/Inelásticas)Aplicadas em camadas; as inelásticas são altamente eficazes durante o exercício.
Meias de Compressão (ECS)Ideais para úlceras menores ou após a cicatrização (fase C5).
Dispositivos Ajustáveis (ACG)Feitos com tiras de velcro; oferecem grande facilidade de uso para pacientes com mobilidade reduzida ou pouca força manual.

⚠️ Segurança e Limites da Compressão

Antes de iniciar a compressão forte, a circulação arterial deve ser avaliada com o Índice Tornozelo-Braquial (ITB/ABI). A compressão forte é contraindicada se:

  • • O ITB/ABI for menor que 0,6;
  • • A pressão no tornozelo for inferior a 60 mmHg;
  • • A pressão no hálux (dedão do pé) for inferior a 30 mmHg — especialmente importante em diabéticos.

5. Quando a Cirurgia Entra em Cena?

Tratar a origem do problema — o refluxo venoso — é crucial para uma cura definitiva:

  • 🔥 Ablação Endovenosa: fechamento da veia doente por meio de calor (laser ou radiofrequência), utilizando um pequeno cateter, sem a necessidade de cortes tradicionais — como detalhamos na Parte 4.2.
  • ⏱️ Tratamento precoce (Recomendação Classe I): a intervenção nas veias superficiais deve ser realizada o quanto antes após o surgimento da úlcera, para acelerar a cura.
  • 🔗 Veias superficiais e profundas: mesmo que o paciente tenha problemas nas veias profundas, o tratamento do refluxo nas veias superficiais e perfurantes traz benefícios clínicos significativos.

6. Prevenindo o Retorno: Como Evitar Novas Úlceras?

Uma úlcera cicatrizada (C5) ainda exige cuidados rigorosos para não reabrir:

  • 🧦 Uso crônico de meias: após a cicatrização, o uso contínuo de meias de compressão é uma recomendação forte para reduzir o risco de recorrência a longo prazo.
  • 🩺 Tratamento do refluxo remanescente: a eliminação cirúrgica de veias com refluxo persistente reduz drasticamente as chances de a ferida voltar a abrir no futuro.

Conclusão: As 4 Dicas de Ouro

A ciência médica, exemplificada pelas Diretrizes ESVS 2022, demonstra que a úlcera venosa não precisa ser uma condição eterna. Com o manejo correto baseado em evidências, a cicatrização e a retomada da sua rotina são metas plenamente alcançáveis.

  1. Busque um especialista: o diagnóstico preciso via Ultrassom Doppler é indispensável.
  2. Não ignore a dor: o conforto é essencial para manter o movimento e o tratamento.
  3. Siga a compressão à risca: ela é o motor que impulsiona o sangue e fecha a ferida.
  4. Considere o tratamento invasivo cedo: a ablação endovenosa precoce é hoje o tratamento de escolha para acelerar a cura.

E se as varizes nas pernas voltarem mesmo após o tratamento da úlcera — sem que nenhuma veia óbvia explique o porquê? Na Parte 7, explicamos os Distúrbios Venosos Pélvicos: quando a origem do problema está mais acima, na pelve, e como isso é diagnosticado e tratado.

*Este texto tem caráter informativo e resume, em linguagem acessível, recomendações de uma diretriz científica internacional baseada em evidências de 2022. A escolha do esquema de compressão, dos curativos e o momento da ablação endovenosa devem ser sempre definidos por uma equipe especializada, após avaliação individual com Doppler e ITB.

Ref: De Maeseneer MG, Kakkos SK, Aherne T, et al. European Society for Vascular Surgery (ESVS) 2022 Clinical Practice Guidelines on the Management of Chronic Venous Disease of the Lower Limbs. Eur J Vasc Endovasc Surg. 2022.

Perguntas Frequentes

O que significam os estágios C5 e C6 da úlcera venosa?
C6 é a úlcera venosa ativa (ferida aberta), resultado da hipertensão venosa crônica que inflama e rompe a pele. C5 é a úlcera cicatrizada — pele fechada, mas fragilizada e com alto risco de recidiva. A prevalência de úlcera ativa (C6) é de 0,4% na população geral, chegando a 3% em pessoas com mais de 80 anos. Até 93% das úlceras venosas cicatrizam dentro de 12 meses com tratamento adequado, mas 7% permanecem abertas após 5 anos. A taxa de recorrência dentro de 3 meses após o fechamento pode ser de até 70% sem tratar a causa venosa subjacente — daí a importância do seguimento prolongado mesmo após a cicatrização.
Por que o controle da dor é tão importante no tratamento da úlcera venosa?
Porque a dor não tratada impede a mobilidade e a adesão ao uso da compressão — os dois pilares do tratamento. Uma meta-análise de 36 publicações mostrou que a prevalência de dor de fundo relacionada à ferida em pacientes com úlcera venosa é de 80% (IC 95% 65–92%), com intensidade média de 4 pontos em uma escala de 0–10. Sem controle analgésico adequado, o paciente não caminha (inativando a bomba muscular da panturrilha) e não tolera a compressão. O creme EMLA (anestesia local eutética) foi superior ao placebo no controle da dor durante o desbridamento da ferida (diferença média −20,65 numa escala de 100 mm, IC 95% −12,19 a −29,11). A escada analgésica da OMS para dor crônica é aplicável ao manejo da dor em úlceras venosas.
Qual é o 'padrão-ouro' do tratamento da úlcera venosa e qual pressão é recomendada?
A compressão é o padrão-ouro, com Recomendação 69 (Classe I, Nível A). Para úlceras ativas (C6), a Recomendação 70 (Classe I, Nível A) indica bandagens multicamadas ou inelásticas com pressão alvo de pelo menos 40 mmHg no tornozelo — quanto maior a pressão, menor a taxa de recorrência. Para úlceras pequenas e de início recente, a Recomendação 71 (Classe IIa, Nível B) indica meias de compressão sobrepostas (ECS superpostas) com pressão ≥40 mmHg. Em um grande ECR (457 participantes com úlcera venosa), meias superpostas alcançaram cicatrização em 99 dias (IC 95% 84–126) vs 98 dias com bandagem de 4 camadas (IC 95% 85–112). Dispositivos ajustáveis de velcro (ACG) com pressão ≥40 mmHg são uma alternativa eficaz com alta adesão (Recomendação 70, Classe I, Nível A).
A compressão de alta pressão pode ser perigosa? Quando ela é contraindicada?
Sim — por isso a circulação arterial deve ser avaliada antes de iniciar a compressão forte. Ela é contraindicada se o Índice Tornozelo-Braquial (ITB/ABI) for menor que 0,6, se a pressão no tornozelo for inferior a 60 mmHg, ou se a pressão no hálux (dedão do pé) for inferior a 30 mmHg — um cuidado especialmente importante em pacientes diabéticos. É por isso que a avaliação arterial é etapa obrigatória antes de iniciar o tratamento.
Por que tratar a veia doente logo no início ajuda a cicatrizar a úlcera mais rápido?
O estudo EVRA (450 pacientes com úlceras de 6 semanas a 6 meses de duração) demonstrou que ablação endovenosa precoce (dentro de 2 semanas) acelerou a cicatrização: 85,6% de cicatrização em 24 semanas no grupo de intervenção precoce vs. 75,4% no grupo de intervenção tardia (p<0,001). Com base nesses dados, a Recomendação 76 (Classe I, Nível B — nova em 2022) estabelece que a ablação endovenosa precoce é indicada para pacientes com úlcera ativa e incompetência venosa superficial. O estudo ESCHAR (500 pacientes com úlceras ativas ou recentemente curadas) mostrou que a cirurgia venosa reduziu a recorrência de úlcera a 4 anos de 56% (somente compressão) para 31% (compressão + cirurgia), sem diferença na velocidade de cicatrização. Mesmo na presença de refluxo venoso profundo, o tratamento da incompetência superficial melhora clinicamente os pacientes (Recomendação 79, Classe I, Nível A).
Depois que a úlcera cicatriza (C5), ainda preciso de cuidados?
Sim, e são permanentes. A Recomendação 77 (Classe I, Nível A) estabelece que, para úlceras cicatrizadas (C5), o tratamento das veias superficiais incompetentes é indicado para reduzir o risco de recorrência. O ESCHAR trial demonstrou redução de recorrência de 56% para 31% em 4 anos quando a cirurgia venosa foi adicionada à compressão. A Recomendação 75 (Classe IIa, Nível B — nova em 2022) também recomenda compressão a longo prazo após a cicatrização para reduzir o risco de recidiva. Estudos mostram que os pacientes mais aderentes ao uso de meias de compressão — independentemente da pressão — têm as menores taxas de recorrência de úlcera venosa.

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Artigo escrito e validado pelo Dr. Maurício Hiroshi Yamada (CRM-PR 21589 | RQE: 18282). Cirurgião Vascular formado pela UEL, com residência no HSPE/SP e título de especialista pela SBACV. É referência em tratamentos minimamente invasivos (Laser, Radiofrequência e Espuma) na clínica Maringá Vasculares, no Paraná.
⚕️ Aviso médico: O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico especialista. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde habilitado. Dr. Maurício Hiroshi Yamada — CRM-PR 21589.

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