Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

Título de Especialista (SBACV)

Certificação em Doppler Vascular (CBR)

Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
Tromboembolismo

Embolia Pulmonar (TEP)

A 3ª causa de morte cardiovascular mundial começa com um coágulo silencioso na perna. Entenda como o êmbolo percorre o caminho até os pulmões, o colapso cardíaco que provoca, como diferenciá-la de infarto e ansiedade — e o protocolo de diagnóstico e tratamento.

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 07 de junho de 2026

A embolia pulmonar afeta 10 milhões de pessoas por ano no mundo e é a 3ª causa de morte cardiovascular — atrás apenas do infarto e do AVC. O problema: ela começa silenciosamente, nas veias das pernas. Quando o êmbolo chega aos pulmões, o paciente pode ter minutos. Reconhecer os sinais e agir rápido é o que separa a sobrevivência da fatalidade.

Infográfico: Embolia Pulmonar — caminho do êmbolo das pernas aos pulmões, sintomas, Escore de Wells e tratamento

Em casos maciços, 11% dos pacientes morrem na primeira hora. O diagnóstico precoce é a única forma de interromper esse desfecho.

Assista: Embolia Pulmonar Explicada

1. Como o Coágulo se Forma: A Tríade de Virchow

Todo trombo nasce da combinação de três fatores descritos pelo patologista Rudolf Virchow no século XIX — e ainda válidos como base da trombologia moderna:

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1. Estase Venosa

Sangue que circula lentamente ou para de fluir. Ocorre na imobilidade prolongada — internações, recuperação cirúrgica, viagens aéreas longas. Sem a bomba muscular da panturrilha, o sangue "poça" nas veias e coagula.

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2. Lesão Endotelial

Qualquer dano ao revestimento interno das veias ativa a cascata de coagulação. Traumatismos, fraturas, cirurgias e substâncias químicas do tabagismo são gatilhos frequentes.

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3. Hipercoagulabilidade

Tendência bioquímica do sangue para coagular excessivamente. Pode ser genética (trombofilias) ou adquirida: câncer, gestação, anticoncepcionais hormonais e terapia de reposição hormonal.

2. O Caminho do Êmbolo: Das Pernas aos Pulmões

O processo ocorre em etapas rápidas. O trombo formado nas veias profundas das pernas pode se desprender a qualquer momento — muitas vezes sem aviso:

1

Formação do Trombo (TVP)

O coágulo se forma aderido à parede da veia profunda da perna. Sintomas: inchaço desproporcional, dor em queimação, calor e vermelhidão. Muitas vezes, completamente silencioso.

2

Desprendimento do Êmbolo

A força da corrente sanguínea ou um esforço físico desprende um fragmento do trombo. Esse fragmento — agora chamado de êmbolo — entra na circulação.

3

Viagem pelo Sistema Venoso

O êmbolo viaja rapidamente pelas veias, atravessa a veia cava inferior, entra pelo lado direito do coração e é bombeado diretamente para a artéria pulmonar.

4

Obstrução Pulmonar

Nos pulmões, os vasos se ramificam e estreitam progressivamente. O êmbolo avança até encontrar um vaso mais fino que ele mesmo — e se encrava como uma rolha. O fluxo cessa. A oxigenação para. A embolia pulmonar está instalada.

3. O Colapso Cardíaco: Por que a EP Mata Tão Rápido

A morte na embolia pulmonar não é causada apenas pela falta de oxigênio — mas pela falência do ventrículo direito:

🫀 Cor Pulmonale Agudo — O Mecanismo Fatal

O ventrículo direito (VD) foi projetado para trabalhar sob baixa pressão. Quando as artérias pulmonares são bloqueadas, a pressão dispara bruscamente. O VD — incapaz de suportar essa carga — dilata de forma extrema. Essa dilatação "amassa" o ventrículo esquerdo, impedindo que ele envie sangue para o cérebro e os rins.

30%
mortalidade sem tratamento imediato
11%
morrem na primeira hora (embolias maciças)

4. "A Grande Simuladora": Como Diferenciar de Infarto e Ansiedade

A embolia pulmonar imita diversas condições torácicas graves. Identificar as diferenças é crítico para o diagnóstico correto:

CaracterísticaCrise de Ansiedade / PânicoInfarto do MiocárdioEmbolia Pulmonar (TEP)
ComportamentoAgitação extrema, incapaz de ficar paradoQuietude, letargia, poupa energiaInquietação ligada à falta de ar e dor ao respirar
Tipo de DorPontadas localizadas, apontadas com um dedoPressão ou esmagamento difuso ("peso no peito")Pontada aguda, cortante, tipo "facada" lateral
RespiraçãoHiperventilação rápida e superficialRespiração curta, sem dor ao respirarDor intensa ao inspirar fundo ou tossir
Sinais ÚnicosFormigamento nas mãos e lábios, medo de enlouquecerSuor frio, náuseas, dor que irradia para braço esquerdo e mandíbulaTosse com sangue (hemoptise) + histórico recente de imobilidade ou cirurgia

5. Escore de Wells para EP: A Triagem Clínica

O Escore de Wells para Embolia Pulmonar é o instrumento validado internacionalmente para estimar a probabilidade pré-teste e orientar quais exames pedir — evitando radiação desnecessária e atrasos no diagnóstico:

Critérios do Escore de Wells para EP

Sinais clínicos de TVP (edema assimétrico + dor à palpação)+3,0
Diagnóstico de EP mais provável que diagnóstico alternativo+3,0
Frequência cardíaca > 100 bpm (taquicardia)+1,5
Imobilização ≥ 3 dias ou cirurgia nas últimas 4 semanas+1,5
TVP ou EP prévia documentada+1,5
Hemoptise (tosse com sangue)+1,0
Câncer ativo (tratamento nos últimos 6 meses)+1,0
≤ 4 pontos
Baixa probabilidade
→ D-dímero primeiro
4–6 pontos
Probabilidade moderada
→ Angio-TC pulmonar
> 6 pontos
Alta probabilidade
→ Tratar sem esperar exame

6. O Papel do Ultrassom Doppler no Diagnóstico

Como 90% das embolias fatais nascem de tromboses nas pernas, o Ultrassom Doppler Venoso dos membros inferiores é uma peça-chave no protocolo diagnóstico — especialmente em pacientes nos quais a angiotomografia tem limitações:

🔵 Sinal da Compressibilidade

Uma veia saudável "some" ao ser pressionada pela sonda ultrassonográfica. Uma veia com trombose permanece rígida e não colapsa — sinal definitivo de TVP. O fluxo é visualizado em cores (vermelho = arterial, azul = venoso) em tempo real.

🤰 Gestantes: Exame Preferencial

O Doppler é especialmente indicado em gestantes com suspeita de TEP: sem radiação ionizante e sem contraste iodado, que poderia prejudicar o desenvolvimento fetal. A identificação de TVP nas pernas direciona o tratamento sem necessidade de angiotomografia.

7. Tratamento: Anticoagulantes, Trombólise e Filtro de Veia Cava

O tratamento varia conforme a gravidade hemodinâmica da embolia. Um mito importante a desfazer primeiro:

💡 Os Anticoagulantes Não "Derretem" o Coágulo

Os anticoagulantes agem bloqueando novas camadas de fibrina — impedem que o coágulo cresça, mas não o dissolvem ativamente. Isso permite que o organismo "ancore" o trombo na parede da veia, evitando novos êmbolos, e que o próprio sistema de limpeza natural do corpo (proteólise) absorva o resíduo ao longo de semanas a meses.

💉 Anticoagulação (Padrão)

Para a maioria dos casos de EP não maciça:

  • • Heparina de baixo peso molecular (fase aguda)
  • • DOACs orais (Rivaroxabana, Apixabana) — 3 a 6 meses
  • • Varfarina com monitoramento de RNI

⚡ Trombólise (EP Maciça)

Reservada para colapso hemodinâmico:

  • • Alteplase IV — dissolve ativamente o êmbolo
  • • Indicada quando há choque circulatório ou PCR
  • • Risco de sangramento significativo

🔧 Filtro de Veia Cava

Dispositivo metálico implantado na VCI:

  • • Indicado quando anticoagulação é contraindicada
  • • Ou em embolias recorrentes sob anticoagulação
  • • "Captura" grandes êmbolos antes do coração

8. Prevenção no Hospital: Mecânica e Farmacológica

Para pacientes acamados ou em pós-operatório, dois tipos de medidas são usados em conjunto para eliminar a estase venosa da Tríade de Virchow:

🧦 Medidas Mecânicas

  • Meias de compressão graduada: mantêm pressão externas nas veias, reduzindo a estase.
  • Botas pneumáticas de compressão sequencial: inflam e desinflam ritmicamente, simulando ativamente a bomba muscular da panturrilha — eliminam a estase venosa mesmo em membros completamente imóveis.
  • Mobilização precoce: levantar e caminhar nas primeiras 24h após cirurgia é uma das intervenções mais eficazes.

💊 Profilaxia Farmacológica

  • Heparina de baixo peso molecular (HBPM) subcutânea: iniciada antes ou logo após cirurgias de alto risco (ortopédicas, oncológicas, grandes cirurgias abdominais).
  • Enoxaparina ou Fondaparinux: mantidos por 10 a 35 dias no pós-operatório conforme o risco.
  • DOACs profiláticos: aprovados para profilaxia em cirurgia de quadril e joelho.

🚨 Sinais de Alerta — Procure Emergência Imediatamente

  • 🫁 Falta de ar súbita sem causa aparente
  • 💢 Dor no peito lateral que piora ao respirar
  • 🩸 Tosse com sangue (hemoptise)
  • 💓 Frequência cardíaca acelerada (taquicardia)
  • 😵 Tontura, desmaio ou sensação de colapso
  • 🦵 Perna inchada + qualquer sintoma respiratório

A combinação de sintoma respiratório + histórico de imobilização recente ou cirurgia deve levantar suspeita imediata de embolia pulmonar. Não espere.

Perguntas Frequentes

O que é embolia pulmonar e qual a diferença para TVP?
A trombose venosa profunda (TVP) é a formação de um coágulo (trombo) dentro de uma veia profunda, geralmente nas pernas. A embolia pulmonar ocorre quando um fragmento desse coágulo se desprende, transforma-se em êmbolo e viaja pelo sistema venoso até obstruir uma artéria pulmonar. São dois estágios da mesma doença: o tromboembolismo venoso (TEV). A TVP pode existir sem causar embolia, mas toda embolia pulmonar tem, na grande maioria dos casos, origem em uma TVP — muitas vezes silenciosa.
Quais são os sintomas da embolia pulmonar?
Os sintomas mais característicos são: (1) falta de ar súbita e intensa (dispneia), sem causa aparente; (2) dor torácica cortante tipo 'facada' na lateral do peito, que piora ao inspirar fundo ou tossir; (3) tosse, às vezes com sangue (hemoptise); (4) frequência cardíaca acelerada (taquicardia); (5) hipotensão e sensação de desmaio nos casos mais graves. Atenção: muitos pacientes têm poucos sintomas ou sintomas atípicos — daí o apelido de 'a grande simuladora'.
Como a embolia pulmonar mata?
A morte ocorre principalmente pela falência do ventrículo direito do coração, não apenas pela falta de oxigênio. Quando a artéria pulmonar é obstruída, a pressão no circuito pulmonar dispara. O ventrículo direito — projetado para trabalhar sob baixa pressão — dilata de forma extrema (cor pulmonale agudo). Essa dilatação comprime o ventrículo esquerdo, impedindo que ele envie sangue para órgãos vitais como cérebro e rins. Sem tratamento imediato, a mortalidade pode chegar a 30%. Em embolias maciças, 11% dos pacientes morrem na primeira hora.
Como é feito o diagnóstico de embolia pulmonar?
O diagnóstico segue um protocolo em etapas: (1) Escore de Wells para EP — avalia probabilidade pré-teste com base na história clínica; (2) D-dímero — exame de sangue com alto valor preditivo negativo: se baixo em paciente de baixo risco, afasta EP; (3) Angiotomografia pulmonar (angio-TC) — o padrão-ouro, visualiza diretamente o êmbolo nas artérias pulmonares; (4) Ultrassom Doppler de membros inferiores — identifica a TVP de origem, sem radiação, especialmente útil em gestantes.
Qual o tratamento da embolia pulmonar?
O tratamento principal são os anticoagulantes — que não 'derretem' o coágulo imediatamente, mas impedem que ele cresça, permitindo que o próprio organismo o dissolva gradualmente. As opções incluem heparina de baixo peso molecular (HBPM) na fase aguda, seguida de anticoagulantes orais (DOACs ou Varfarina) por 3 a 6 meses. Em casos de embolia maciça com colapso hemodinâmico, usa-se trombólise (medicamento que dissolve ativamente o coágulo) ou embolectomia cirúrgica. Para pacientes que não toleram anticoagulantes, existe o filtro de veia cava.
Quem tem mais risco de ter embolia pulmonar?
Os principais fatores de risco incluem: imobilização prolongada (internação, viagens aéreas longas); pós-operatório de cirurgias de grande porte (especialmente ortopédicas e oncológicas); câncer ativo; gestação e puerpério; uso de anticoncepcionais hormonais ou terapia de reposição hormonal; histórico pessoal ou familiar de TVP/EP; trombofilias genéticas (Fator V de Leiden, Protrombina G20210A, deficiências de Proteína C/S); e obesidade com IMC acima de 30.
Como prevenir a embolia pulmonar no hospital?
A prevenção é obrigatória em pacientes de risco e inclui medidas mecânicas e farmacológicas: meias de compressão graduada para manter a pressão venosa; botas pneumáticas que inflam e desinflam ritmicamente, simulando a bomba muscular da panturrilha; e heparina profilática subcutânea para pacientes cirúrgicos e clínicos de alto risco. A mobilização precoce após cirurgias — levantar e caminhar nas primeiras 24h — é uma das medidas mais eficazes e seguras.

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⚕️ Aviso médico: O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico especialista. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde habilitado. Dr. Maurício Hiroshi Yamada — CRM-PR 21589.

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