Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

Título de Especialista (SBACV)

Certificação em Doppler Vascular (CBR)

Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
SVS CMI 2021 — I2

Indicações para Revascularização na CMI: AMS, MAOD Assintomático e Reconstrução Aórtica — SVS 2021

Quando tratar, quando observar e quais vasos revascularizar na isquemia mesentérica crônica — as 9 recomendações de indicação da Diretriz SVS 2021 com dados de mortalidade e evidências dos principais estudos.

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 19 de junho de 202612 min min de leitura

Resposta direta: CMI sem tratamento tem mortalidade próxima de 100% em 5 anos — indicação de revascularização em todo paciente sintomático (SVS 2021). A AMS é o alvo primário de revascularização (estenose presente em 98% dos casos). Nutrição parenteral total (NPT) não substitui a revascularização e é contraindicada como tratamento definitivo. Doença oclusiva aorto-mesentérica assintomática grave: vigilância anual com DUS — Recomendações 5–13.

Com o diagnóstico de CMI confirmado por DUS e AngioTC, a pergunta seguinte é: quem deve ser revascularizado, quando e qual vaso priorizar? A SVS 2021 responde com 9 recomendações que abordam desde o paciente sintomático (onde a indicação é clara e urgente) até o assintomático com MAOD grave descoberto incidentalmente, passando pelo cenário especial da reconstrução aórtica concomitante.

Infográfico: Indicações para Revascularização na Isquemia Mesentérica Crônica — Diretriz SVS 2021. Semáforo de indicações: Verde = tratar CMI sintomática (Grade 1A), NPT não substitui (Grade 1B); Amarelo = decisão compartilhada para MAOD assintomático e reconstrução aórtica; Azul = vigilância DUS anual. Tabela 9 recomendações com Grade e QoE. AMS como alvo primário (98% com estenose na AMS).
Semáforo de indicações de revascularização na CMI — 9 Recomendações SVS 2021.

Objetivos da Revascularização na CMI

Por que é urgente tratar a CMI sintomática
  • • Mortalidade de 5 anos sem tratamento: ≈ 100%
  • • Até 50% dos casos de AMI têm CMI prévia (trombose sobre placa)
  • • Desnutrição progressiva em 56–70% na apresentação
  • • QoL melhorada com revascularização (Euroqol-5D — Blauw et al.)
Por que a NPT não substitui a revascularização
  • • Risco de deterioração clínica progressiva
  • • Infarto intestinal pode ocorrer mesmo com suporte nutricional
  • • Complicações do cateter venoso central
  • • QoL reduzida com NPT a longo prazo (Baxter et al.)

As 9 Recomendações de Indicação

Rec.RecomendaçãoGradeQoE
1Revascularização para reverter sintomas (dor, emagrecimento, food fear) e melhorar QoLGrade 1 (Strong)A (High)
2NPT NÃO é alternativa aceitável à revascularizaçãoGrade 1 (Strong)B (Mod)
3AMS é o alvo primário de revascularizaçãoGrade 2 (Weak)B (Mod)
4CA e AMA são alvos secundários (quando AMS inadequada)Grade 2 (Weak)B (Mod)
5CMI com MAOD em único vaso (AMS): decisão compartilhadaGrade 2 (Weak)C (Low)
6MAOD grave assintomático: considerar revascularização (decisão compartilhada)Grade 2 (Weak)C (Low)
7MAOD grave assintomático: vigilância clínica anual com DUS mesentéricoGrade 1 (Strong)C (Low)
8MAOD grave + reconstrução aórtica planejada: decisão compartilhadaGrade 2 (Weak)C (Low)
9MAOD + aneurisma mesentérico: revascularizar no momento do tratamento do aneurismaGrade 1 (Strong)C (Low)

AMS — Por que é o Alvo Primário?

Rec. 3 (Grade 2B): A AMS é o alvo primário de revascularização na CMI.

Evidências para AMS como alvo primário
  • • 98% dos pacientes com CMI têm estenose em ≥2 vasos (Oderich et al.)
  • • 92% têm estenose crítica ou oclusão na AMS especificamente
  • • Goldman et al.: revascularização isolada do CA → maior recorrência sintomática
  • • Revascularização da AMS isolada geralmente suficiente pela rede colateral
Quando revascularizar CA e AMA (alvos secundários)
  • • AMS anatomicamente inadequada para revascularização
  • • Resultado técnico da revascularização da AMS insatisfatório
  • • MAOD + aneurisma de artéria mesentérica (Rec. 9)
  • • Rec. 4 (Grade 2B): CA e AMA como alvos secundários

Referência

Huber TS, Björck M, Chandra A, Clouse WD, Dalsing MC, Oderich GS, Smeds MR, Murad MH. Chronic mesenteric ischemia: Clinical practice guidelines from the Society for Vascular Surgery. J Vasc Surg. 2021;73(1S):87S–115S. DOI: 10.1016/j.jvs.2020.10.029

Perguntas Frequentes

A nutrição parenteral total (NPT) pode ser usada como alternativa definitiva à revascularização na CMI?
Não — a Recomendação 2 (Grade 1 Strong, QoE B) da SVS 2021 é explícita: a NPT não é uma alternativa aceitável à revascularização em pacientes com CMI. Os riscos de deterioração clínica progressiva, infarto intestinal e complicações do cateter venoso central tornam essa estratégia inaceitável a longo prazo. A NPT pode ser utilizada como bridge de curta duração (suporte nutricional pré-operatório) em pacientes gravemente desnutridos que aguardam revascularização, ou em casos paliativos com expectativa de vida muito curta. Mesmo com suporte nutricional adequado, sem revascularização a mortalidade de 5 anos para CMI não tratada se aproxima de 100%.
Por que a artéria mesentérica superior é o alvo primário da revascularização e não o tronco celíaco?
A SVS 2021 (Recomendação 3, Grade 2 Weak, QoE B) indica a AMS como alvo primário pelas seguintes razões: (1) maior distribuição para o intestino — a AMS irriga todo o intestino delgado e o cólon direito/transverso, enquanto o CA irriga estruturas do andar superior; (2) Oderich et al. relataram que 98% dos pacientes com CMI têm estenose significativa em dois dos três vasos e 92% têm oclusão crítica ou estenose na AMS; (3) Goldman et al. demonstraram que a revascularização isolada do CA está associada à maior taxa de recorrência sintomática comparada à revascularização da AMS; (4) a revascularização isolada da AMS é geralmente suficiente dado o extenso sistema colateral mesentérico. CA e AMA são alvos secundários (Rec. 4, Grade 2, QoE B) quando a AMS não é adequada para revascularização.
Todo paciente assintomático com MAOD grave deve ser revascularizado?
Não. A conduta padrão para MAOD assintomática grave é vigilância clínica anual com DUS (Recomendação 7, Grade 1 Strong, QoE C). Dados de Wilson et al. (n=553 idosos com rastreio DUS): 71% dos sobreviventes permaneceram assintomáticos em 6,5 anos de seguimento, sem mortes atribuíveis a infarto intestinal. A revascularização profilática pode ser considerada em situações específicas (Recomendação 6, Grade 2 Weak, QoE C): paciente não confiável para vigilância, acesso limitado a cuidados médicos, envolvimento dos 3 vasos mesentéricos (86% desenvolvem sintomas em longo prazo), ou MAOD identificada no contexto de reconstrução aórtica eletiva onde a ligadura colateral pode precipitar AMI.
Qual o risco real de progressão de CMI para isquemia mesentérica aguda em pacientes não tratados?
A mortalidade de pacientes com CMI não tratada se aproxima de 100% em 5 anos — em parte pela progressão direta para AMI e em parte pela desnutrição progressiva e comorbidades associadas. Up to 50% dos casos de AMI ocorrem por trombose aguda sobre uma placa de MAOD preexistente em pacientes com CMI prévia. O risco de progressão de CMI para AMI é difícil de quantificar precisamente pela ausência de estudos randomizados com grupo de não-intervenção (eticamente inviável), mas a revascularização foi associada a melhora significativa de qualidade de vida (Euroqol-5D — Blauw et al.) com melhora nas dimensões de atividade e dor/desconforto. Por isso, a Recomendação 1 (Grade 1 Strong, QoE A) indica revascularização para todos os pacientes com CMI sintomática.
Como manejar MAOD significativa encontrada no pré-operatório de reparo de aneurisma de aorta?
A Recomendação 8 (Grade 2 Weak, QoE C) da SVS 2021 recomenda decisão compartilhada entre paciente e cirurgião para MAOD grave + reconstrução aórtica planejada. A justificativa: a ligadura da AMA durante reparo endovascular (por exclusão do endoprótese) ou aberto (aortobifemoral) pode desorganizar a rede colateral mesentérica em pacientes com MAOD preexistente, precipitando CMI ou AMI no pós-operatório. 25% dos pacientes submetidos a reparo aórtico têm MAOD significativa em CA ou AMS. As diretrizes SVS para aneurisma de aorta abdominal recomendam (2C) tratamento profilático de estenose de AMS em pacientes com AMA que será sacrificada. A Recomendação 9 (Grade 1 Strong, QoE C) é específica para MAOD + aneurismas das artérias mesentéricas: revascularizar a artéria mesentérica ao mesmo tempo do tratamento do aneurisma, caso o reparo isolado do aneurisma romperia a rede colateral.
A CMI pode desenvolver-se com estenose de um único vaso mesentérico?
Sim, embora seja menos comum. A Recomendação 5 (Grade 2 Weak, QoE C) da SVS 2021 reconhece que pacientes com CMI e MAOD isolada em único vaso (geralmente a AMS) devem ter uma discussão compartilhada de revascularização como opção. Van Dijk et al. (n=59 pacientes com CMI + MAOD isolada em CA ou AMS) relataram que 73% tiveram alívio sintomático duradouro após revascularização — sugerindo que, nesses casos, a resolução dos sintomas confirma o diagnóstico de CMI por doença de único vaso com colateral inadequada. A doença isolada do CA com CMI é menos frequente, mas possível em pacientes com síndrome do ligamento arcuato mediano ou quando as colaterais CA-AMS estão comprometidas por doença aterosclerótica ou cirurgia prévia.

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Artigo escrito e validado pelo Dr. Maurício Hiroshi Yamada (CRM-PR 21589 | RQE: 18282). Cirurgião Vascular formado pela UEL, com residência no HSPE/SP e título de especialista pela SBACV. É referência em tratamentos minimamente invasivos (Laser, Radiofrequência e Espuma) na clínica Maringá Vasculares, no Paraná.
⚕️ Aviso médico: O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico especialista. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde habilitado. Dr. Maurício Hiroshi Yamada — CRM-PR 21589.

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