Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

Título de Especialista (SBACV)

Certificação em Doppler Vascular (CBR)

Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
SVS 2023 — P2 G13

Sangramento por Varizes: Conduta de Emergência e Prevenção da Recorrência — Guideline 13 SVS 2023

O SVS 2023 Part II Guideline 13 protocola o manejo do sangramento por varizes: elevar + comprimir → escleroterapia com espuma (0% vs 23% de recorrência) → especialista vascular → ablação definitiva (85% livres de sangramento em 2,26 anos). Nunca torniquete. Todos os enunciados são Consensus baseados em evidência indireta — o evento é raro mas potencialmente fatal.

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 17 de junho de 202610 min de leitura

Resposta direta: Sangramento de variz é emergência: elevar a perna imediatamente e comprimir o local com pano limpo. SVS 2023 Guideline 13: escleroterapia com espuma reduz recorrência de hemorragia de 23% para 0% em 12 meses (vs compressão isolada) e acelera cicatrização (7 vs 14 dias). Após controle do episódio agudo: ablação endovenosa da fonte do refluxo (Rec 89, Classe I, ESVS 2022). Todo sangramento de variz deve ter seguimento com especialista vascular urgente.

O Guideline 13 das Diretrizes SVS 2023 Part II (Gloviczki et al., J Vasc Surg Venous Lymphat Disord 2024;12:101670) aborda um evento subestimado: o sangramento agudo por varizes. Com ~4% de prevalência, são raras as fatalidades — mas ocorrem (23 mortes/ano na Inglaterra e País de Gales em 2001). Todos os enunciados são Consensus: elevar, comprimir, escleroterapia, nunca torniquete e tratar a causa.

Infográfico: sangramento por varizes — conduta aguda e prevenção da recorrência — Guideline 13 SVS 2023

Epidemiologia e Perfil de Risco

Dados Epidemiológicos

  • ~4% dos pacientes com varizes têm episódio de sangramento
  • 23 mortes/ano documentadas — Inglaterra e País de Gales (2001)
  • Localização típica: tornozelo e pé (máxima pressão hidrostática)
  • Aneurisma venoso em úlcera: sangramento pode ser pulsátil e volumoso

Perfil de Alto Risco para Fatalidade

Idoso solitário
Anticoagulado
Mobilidade reduzida
Fragilidade cutânea
Insuficiência cardíaca
Úlcera venosa exposta
Sem acesso rápido a cuidados
Cardiomiopatia

Conduta Aguda — Sequência Hierárquica

Guideline 13.1 — Protocolo de Controle do SangramentoConsensus

① Elevar o membro imediatamente

Reduz a pressão venosa hidrostática — controla a maioria dos sangramentos. Manter elevado durante toda a avaliação.

② Compressão direta firme no ponto de sangramento

Tamponamento mecânico por vários minutos. Compressa + pressão firme sustentada.

③ Escleroterapia com líquido ou espuma (preferencial)

Cicatrização em 7 vs 14 dias; recorrência 0% vs 23% em 12 meses (série 72 pacientes vs ligadura). Preferível à sutura.

④ Ligadura de sutura

Apenas se as etapas anteriores falharem. Último recurso — traumatiza o tecido e não trata a causa.

⑤ Encaminhar ao especialista vascular

Obrigatório após controle agudo para avaliação definitiva e tratamento da incompetência venosa.

⚠️ NUNCA usar torniquete venoso

O torniquete aumenta a pressão venosa local e agrava o sangramento. A hemostasia em varizes é obtida por elevação + compressão direta, não por oclusão proximal.

Prevenção da Recorrência — Tratar a Causa

Guideline 13.3 — Ablação da Incompetência SuperficialConsensus
Após controle do sangramento agudo: DUS para mapear incompetência superficialablação do tronco causador. Dados de seguimento: ablação (n=13) resultou em 85% livres de recorrência em 2,26 anos. A hipertensão venosa não tratada é a causa real — o sangramento é o sintoma.
Guideline 13.4 — Orientação ao Paciente e FamíliaConsensus
Ensinar ao paciente e familiares a técnica de compressão manual direta e elevação do membro. Essa orientação pode ser lifesaving em um episódio futuro antes da chegada ao atendimento — especialmente nos perfis de risco (idosos, anticoagulados, moradores sozinhos). Identificar e documentar o perfil de risco de cada paciente.

Escleroterapia vs Ligadura no Controle do Sangramento

72
Pacientes
Série comparativa
7 vs 14d
Cicatrização
Espuma vs ligadura
0% vs 23%
Recorrência 12m
Espuma vs ligadura

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Perguntas Frequentes

Por que o sangramento por varizes é considerado potencialmente fatal?
O sangramento por variz — especialmente no tornozelo, onde a pressão venosa é máxima — pode ser volumoso e rápido. A pele sobrejacente é fina e friável, o sangue venoso não coagula sob pressão venosa elevada, e o paciente frequentemente está sozinho, anticoagulado ou com mobilidade reduzida. Na Inglaterra e País de Gales (2001) foram documentadas 23 mortes por ano por sangramento de varizes — a maioria em idosos solitários. O perfil de risco: idoso, sozinho, imóvel, anticoagulado, com fragilidade cutânea, insuficiência cardíaca ou úlcera venosa exposta. Aneurismas venosos em úlceras podem sangrar de forma pulsátil.
Qual a sequência correta de conduta no sangramento por variz?
O Guideline 13 (todos Consensus) estabelece sequência hierárquica: (1) Elevar o membro imediatamente — reduz a pressão venosa e controla a maioria dos sangramentos; (2) Compressão direta firme no ponto de sangramento — sustentada por vários minutos; (3) Escleroterapia com líquido ou espuma como próximo passo preferencial (série 72 pacientes: cicatrização em 7 vs 14 dias, recorrência 0% vs 23% em 12 meses com ligadura); (4) Ligadura de sutura apenas se as etapas anteriores falharem — último recurso; (5) Encaminhar ao especialista vascular para avaliação definitiva. NUNCA usar torniquete venoso — aumenta a pressão venosa local e agrava o sangramento.
Por que não se deve usar torniquete em sangramento por variz?
O torniquete é contraindicado porque comprime os vasos linfáticos e superficiais sem obstruir completamente o fluxo venoso profundo retornando ao local — resultando em aumento da pressão venosa distal e agravamento do sangramento. A hemostasia em varizes é obtida pela combinação de elevação (reduz pressão hidrostática) e compressão direta (tamponamento mecânico), não por oclusão proximal. O torniquete pode ainda causar lesão isquêmica em pacientes idosos com doença arterial coexistente.
Qual é a prevalência e o perfil do sangramento por varizes?
Aproximadamente 4% dos pacientes com varizes apresentam pelo menos um episódio de sangramento. O sangramento ocorre tipicamente em veias do tornozelo ou pé, onde a pressão venosa hidrostática é máxima, a pele é mais delgada e há maior propensão a trauma mínimo. O perfil de risco para sangramento fatal inclui: idosos solitários (sem socorro imediato disponível), pacientes anticoagulados (sem capacidade de hemostasia espontânea), mobilidade reduzida (incapazes de elevar o membro), fragilidade cutânea (pele muito fina), insuficiência cardíaca com estase importante, e presença de úlcera venosa com variz aneurismática exposta.
Como prevenir a recorrência do sangramento por variz?
O Guideline 13.3 (Consensus) recomenda que após controle do sangramento agudo, o paciente seja avaliado para incompetência venosa superficial e submetido a intervenção para reduzir a hipertensão venosa — a causa real do evento. Os dados de seguimento: ablação endovenosa (n=13 pacientes de uma série) resultou em 85% livres de recorrência de sangramento em 2,26 anos de seguimento médio. A escleroterapia com espuma no seguimento eletivo também é válida. A orientação ao paciente (Guideline 13.4) é essencial: ensinar técnica de compressão manual direta e elevação pode ser lifesaving em um episódio futuro antes da chegada ao atendimento.
Quando encaminhar o paciente ao especialista vascular após sangramento por variz?
O Guideline 13.2 (Consensus) recomenda encaminhamento ao especialista vascular em todos os casos após controle do sangramento agudo — independentemente da gravidade percebida do episódio. O sangramento por variz indica hipertensão venosa significativa e geralmente incompetência safena tratável. O especialista deve: realizar DUS para mapear a incompetência; definir o tratamento definitivo (ablação endovenosa, cirurgia ou escleroterapia); orientar o paciente sobre prevenção de recorrência; e identificar o perfil de risco para eventos futuros. O sangramento por variz nunca deve ser tratado como evento isolado — é sintoma de doença subjacente que precisa de intervenção.

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Artigo escrito e validado pelo Dr. Maurício Hiroshi Yamada (CRM-PR 21589 | RQE: 18282). Cirurgião Vascular formado pela UEL, com residência no HSPE/SP e título de especialista pela SBACV. É referência em tratamentos minimamente invasivos (Laser, Radiofrequência e Espuma) na clínica Maringá Vasculares, no Paraná.
⚕️ Aviso médico: O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico especialista. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde habilitado. Dr. Maurício Hiroshi Yamada — CRM-PR 21589.

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