Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

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Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

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Título de Especialista (SBACV)

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Certificação em Doppler Vascular (CBR)

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Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
USV DIC/SBC — UV1

Ultrassom no Aneurisma da Aorta Abdominal: Rastreamento, Medida e Pré-Operatório

O que as recomendações do Departamento de Imagem Cardiovascular da SBC (2016 e 2019) dizem sobre quem rastrear, com que intervalo reavaliar, como medir o aneurisma sem erro e que informações o ultrassom pode antecipar ao cirurgião antes do reparo.

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 21 de outubro de 2026⏱ 11 min de leitura

Resposta direta: Rastrear homens de 65–75 anos e homens e mulheres de 55–75 com história familiar de AAA e/ou tabagismo. Medir o diâmetro anteroposterior na sístole, no corte transverso do ponto de maior dilatação, informando se a medida foi externa a externa (padrão da angio-TC) ou interna a interna (~4 mm menor). Reavaliar em 5 anos (2,6–2,9 cm), 24 meses (3,0–3,9), 12 meses (4,0–4,5), 6 meses (4,6–5,0) e 3 meses (>5,0 cm); intervir com ≥5,5 cm, sintomas ou crescimento >1 cm/ano (DIC/SBC 2016 e 2019).

O aneurisma da aorta abdominal costuma ficar em silêncio até romper — e a ruptura mata de 85% a 90% dos pacientes. O exame físico detecta apenas 29% dos aneurismas de 3 a 3,9 cm. Por isso o ultrassom é o centro da estratégia: barato, sem radiação, sem contraste nefrotóxico e com sensibilidade de cerca de 95% e especificidade próxima de 100%. Este post resume o que o Departamento de Imagem Cardiovascular (DIC) da SBC recomenda, da indicação ao laudo.

Infográfico: quem rastrear, intervalos de reavaliação, técnica de medida EAE × IAI, medidas pré-operatórias e laudo do aneurisma da aorta abdominal

Definição e classificação

Aneurisma é a dilatação localizada de pelo menos 50% em relação ao diâmetro arterial proximal esperado, envolvendo obrigatoriamente todas as camadas da parede. Na prática, como o diâmetro médio da aorta infrarrenal é de cerca de 2,0 cm e o limite superior é menor que 3,0 cm, considera-se aneurisma a aorta abdominal acima de 3,0 cm. Para as ilíacas, muitos autores consideram anormal o diâmetro acima de 1,8 cm.

  • Suprarrenal: acima das renais e abaixo do diafragma — exige reimplante de ao menos uma renal no reparo aberto.
  • Justarrenal: junto às renais — exige clampeamento acima delas para a anastomose proximal.
  • Infrarrenal: abaixo das renais — cerca de 85% dos casos. Cerca de 25% dos pacientes têm aneurisma ilíaco associado.
  • Forma: a maioria é fusiforme; saculares e excêntricos não são raros, e a assimetria pode aumentar o risco de ruptura. Com o crescimento, forma-se trombo laminado que mantém a luz quase normal — por isso o diâmetro externo é o que importa.

Quem rastrear

Homens 65–75 anos

Todos, independentemente de fatores de risco.

Homens 55–75 anos

Com história familiar de AAA e/ou tabagismo.

Mulheres 55–75 anos

Com história familiar de AAA e/ou tabagismo.

Os números que sustentam a escolha: fumantes ativos têm probabilidade 7,5 vezes maior de aneurisma e ex-fumantes 3 vezes maior, com aumento de 4% no risco a cada ano de tabagismo; irmãos de portadores têm risco 12 vezes maior. No estudo MASS (67.800 homens de 65 a 75 anos), o rastreamento com acompanhamento reduziu em 42% a mortalidade relacionada ao AAA. Estudos de Vitória e Guarapari (ES) reproduziram no Brasil o mesmo perfil: homem idoso, branco e tabagista.

Uma sugestão simples e de grande alcance do grupo brasileiro: no ecocardiograma de pacientes acima de 55 anos, avaliar rapidamente a aorta abdominal pela janela subxifoide e, se houver dilatação focal, registrar no laudo a necessidade de estudo especializado.

Intervalo de reavaliação

A taxa de crescimento é proporcional ao diâmetro (média de 0,2 a 0,3 cm/ano entre 3,0 e 5,5 cm; nos fumantes a expansão é mais rápida, da ordem de 0,4 cm/ano), e o risco de ruptura sobe exponencialmente acima de 5,5 cm. O DIC adota o escalonamento do modelo sueco, que inclui as dilatações subaneurismáticas — no estudo de Wild et al., 59,6% delas evoluíram para aneurisma.

Diâmetro anteroposteriorRepetir o ultrassom
2,6–2,9 cm (dilatação subaneurismática)Reavaliar em 5 anos
3,0–3,9 cm24 meses
4,0–4,5 cm12 meses
4,6–5,0 cm6 meses
> 5,0 cm3 meses

Fonte: Alcântara ML et al., Arq Bras Cardiol: Imagem Cardiovasc 2016, Quadro 4; Santos SN et al., Arq Bras Cardiol 2019, Tabela 9.

Indicação de intervenção

Diâmetro ≥ 5,5 cm · sintomas relacionados ao aneurisma · crescimento > 1,0 cm ao ano.

Diretrizes mais recentes refinaram esses limiares — a ESVS 2024, por exemplo, considera o reparo em mulheres a partir de 5,0 cm. Veja a série AAA ESVS 2024 para a comparação.

Como medir sem erro

Plano e momento

Transdutor convexo de 2–5 MHz (setorial se a janela for ruim). A partir do corte sagital, obter o transverso no ponto de maior dilatação, com a aorta circular. Ampliar a imagem e concentrar o foco no aneurisma. Medir o diâmetro anteroposterior na sístole, no momento da expansão máxima.

Externa a externa (EAE) × interna a interna (IAI)

A IAI é mais reprodutível e foi usada na maioria dos programas de rastreamento, mas fica cerca de 4 mm abaixo da EAE, que é a medida da angio-TC. A diferença pode mudar o paciente de faixa, embora isso não tenha alterado desfechos nos estudos. O essencial: o laudo deve informar a técnica e o plano usados.

Aorta tortuosa ou muito dilatada

Se o corte transverso não sai circular, a medida "em elipse" superestima o diâmetro. Medir no plano sagital ou coronal e registrar isso para que o próximo exame repita o mesmo plano.

Preparo recomendado para todos os exames da aorta e ramos: de preferência pela manhã, jejum de até 6 horas (dispensável em diabéticos), sem fumar nem mascar chiclete; dieta pobre em farináceos na véspera e simeticona opcional. Pressão contínua do subxifoide ao umbigo e o decúbito lateral ajudam a afastar os gases.

Ruptura: o papel limitado do ultrassom

A ruptura é retroperitoneal (em geral posterolateral esquerda) em cerca de 80% dos casos e anterior em 20%; a anterior costuma ser fatal antes do hospital. A tríade dor, hipotensão e massa pulsátil aparece junta em apenas 26% dos pacientes. O ultrassom pode confirmar o aneurisma à beira do leito, mas tem papel limitado para caracterizar a ruptura — não deve atrasar a angio-TC nem a ida ao centro cirúrgico.

O que o ultrassom informa antes do reparo

Quando o aneurisma atinge o limiar, a angio-TC assume o planejamento. Ainda assim, um exame bem feito antecipa as medidas da Figura 8 da recomendação: diâmetro do colo na renal mais baixa e 15 mm abaixo dela, extensão do colo, ângulo entre colo e eixo do aneurisma, diâmetro máximo, extensão do AAA, diâmetro na bifurcação, ilíacas comuns e bifurcação ilíaca. Vale ainda descrever o trombo (presente em 97% dos AAA acima de 5 cm) e o lúmen residual.

RegiãoAchado desfavorável ao EVARConsequência
AcessoIlíaca externa < 6 mm; femoral com calcificação > 50% da circunferência; tortuosidade ilíaca > 90°; calcificação ilíaca extensaDificuldade ou impossibilidade de passar a bainha
Fixação proximalColo > 32 mm; colo < 15 mm; formato cônico ou cônico invertido; trombo ou cálcio; angulação > 60° com o eixo do AAAFora das especificações ou risco de falha de selamento (endoleak tipo I)
Fixação distalIlíaca comum > 25 mm ou com < 10 mm de segmento sadio; aneurisma ilíacoExtensão para a ilíaca externa e exclusão da hipogástrica (isquemia pélvica, disfunção erétil)
Saco e ramosLúmen residual < 18 mm; aorta distal estreita; mesentérica inferior > 3 mm; renais acessóriasDificuldade de liberar o dispositivo, kinking, endoleak tipo II, infarto polar renal

Adaptado de Alcântara ML et al., 2016, Quadro 5. Muitas são contraindicações relativas, que somadas aumentam o risco de insucesso.

O que não pode faltar no laudo

  • Dificuldades técnicas, quando houver.
  • Maior diâmetro da aorta, com plano e técnica de medida (EAE ou IAI).
  • Tortuosidade ou alongamento.
  • Localização (supra, justa ou infrarrenal) e forma (fusiforme, sacular, outras).
  • Trombo mural, diâmetro intraluminal e sinais de ruptura, quando presentes.
  • No pré-operatório: as medidas de colo, saco e ilíacas listadas acima.

Referências:

Alcântara ML, Santos SN, Freire CMV, Cantisano AL, Teodoro JAR, Porto CLL, et al. Recomendações para Avaliação Ultrassonográfica da Aorta Abdominal e Ramos: Grupo de Trabalho do Departamento de Imagem Cardiovascular da Sociedade Brasileira de Cardiologia – DIC – SBC. Arq Bras Cardiol: Imagem Cardiovasc. 2016;29(nº especial):e1-e68. doi:10.5935/2318-8219.20160012

Santos SN, Alcantara ML, Freire CMV, Cantisano AL, Teodoro JAR, Porto CLL, et al. Posicionamento de Ultrassonografia Vascular do Departamento de Imagem Cardiovascular da Sociedade Brasileira de Cardiologia – 2019. Arq Bras Cardiol. 2019;112(6):809-849. doi:10.5935/abc.20190106

Resumo independente, sem vínculo com as sociedades autoras. Não substitui a leitura dos documentos originais.

Perguntas Frequentes

A partir de que diâmetro a aorta abdominal é considerada aneurismática?
O diâmetro médio da aorta infrarrenal é de cerca de 2,0 cm e o limite superior da normalidade é menor que 3,0 cm. Por isso, o DIC/SBC considera aneurisma a aorta acima de 3,0 cm, ou uma dilatação localizada de pelo menos 50% em relação ao diâmetro proximal esperado, envolvendo todas as camadas da parede. Entre 2,6 e 2,9 cm fala-se em dilatação subaneurismática, que merece reavaliação em 5 anos.
Devo medir o aneurisma de parede externa a parede externa ou de parede interna a parede interna?
As duas técnicas são aceitas, desde que o laudo diga qual foi usada. A medida interna a interna (IAI) é mais reprodutível e foi usada na maioria dos programas de rastreamento, mas fica em média 4 mm menor que a medida externa a externa (EAE), que é a adotada pela angiotomografia. O quadro-resumo do DIC/SBC sugere medir de adventícia a adventícia, no diâmetro anteroposterior, na sístole.
Quando o ultrassom deve ser repetido em um aneurisma pequeno?
Pelo modelo adotado pelo DIC/SBC: 2,6–2,9 cm em 5 anos; 3,0–3,9 cm a cada 24 meses; 4,0–4,5 cm a cada 12 meses; 4,6–5,0 cm a cada 6 meses; e acima de 5,0 cm a cada 3 meses. A intervenção é considerada com 5,5 cm ou mais, sintomas atribuíveis ao aneurisma ou crescimento maior que 1 cm ao ano.
O ultrassom substitui a angiotomografia antes do EVAR?
Não. A angiotomografia é o exame de eleição para o planejamento, porque mede com mais precisão diâmetros, comprimentos e ângulos. O ultrassom, porém, costuma ser o primeiro a sinalizar que o aneurisma chegou ao limiar de tratamento e pode antecipar dificuldades: ilíacas finas ou tortuosas, colo curto, angulado ou cônico, trombo extenso e artéria mesentérica inferior calibrosa.
Por que mulheres entram no rastreamento só quando têm fatores de risco?
No seguimento de 15 anos citado pelo DIC, mulheres sem história familiar nem tabagismo tiveram prevalência baixa de aneurisma (1,3% contra 7,5% nos homens) e desfechos semelhantes aos do grupo não rastreado. Por isso a recomendação brasileira limita o rastreamento feminino às mulheres de 55 a 75 anos com história familiar de AAA e/ou tabagismo.

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Este conteúdo é voltado para profissionais de saúde. Para encaminhamento de paciente, segunda opinião ou discussão de conduta com o Dr. Maurício, entre em contato direto pelo WhatsApp.

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Artigo escrito e validado pelo Dr. Maurício Hiroshi Yamada (CRM-PR 21589 | RQE: 18282). Cirurgião Vascular formado pela UEL, com residência no HSPE/SP e título de especialista pela SBACV. É referência em tratamentos minimamente invasivos (Laser, Radiofrequência e Espuma) na clínica Maringá Vasculares, no Paraná.
⚕️ Aviso médico: O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico especialista. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde habilitado. Dr. Maurício Hiroshi Yamada — CRM-PR 21589.

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