Artéria Vertebral, Reestenose Pós-CEA e Situações Especiais — ESVS 2023
Encerramento da Série ESVS 2023 Carotídea. As Diretrizes ESVS 2023 (Naylor AR et al., EJVES 2023;65:7–111) cobrem: VAST trial (BMT superior ao stenting vertebral), síndrome do roubo da subclávia, reestenose pós-CEA (hiperplasia precoce vs aterosclerose tardia), estenose por radiação e sequência no tratamento bilateral.
Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295
Resposta direta: VAST trial: terapia medicamentosa máxima (BMT) é superior ao stenting de artéria vertebral em prevenção de AVC posterior. Síndrome do roubo da subclávia: tratamento endovascular (angioplastia/stent) é primeira escolha quando sintomática. Reestenose pós-CEA: <30% = seguimento; ≥50% = reintervenção; hiperplasia miointimal precoce tem melhor resposta à angioplastia — ESVS 2023 E8.
Encerramos a série com os casos que ninguém encontra com frequência, mas exigem protocolo próprio. A ESVS 2023 (Naylor AR et al., EJVES 2023;65:7–111) tem posição clara sobre artéria vertebral — com evidência surpreendente do VAST trial —, reestenose pós-CEA, carótida irradiada e bilateral.

Doença de Artéria Vertebral — Epidemiologia e Diagnóstico
20%
dos AVCs isquêmicos são de circulação posterior
V0–V1
Origem vertebral — segmento mais comum e acessível para tratamento
BMT
1ª linha para estenose vertebral sintomática — ESVS 2023 Grau 1B
Síndrome de AVC Posterior — Diagnóstico Frequentemente Atrasado
Vertigem + diplopia + disfagia + ataxia + síndrome de Wallenberg (Horner ipsilateral + hemianestesia facial + hemianestesia corporal cruzada). Diferencial com labirintite e vertigem posicional → manter índice de suspeita alto. Duplex vertebral: PSV >120 cm/s na origem como critério de estenose significativa.
VAST Trial — O Trial que Mudou a Prática na Vertebral
182
Pacientes
AVC/AIT de circulação posterior + estenose vertebral
3 anos
Seguimento
Desfecho primário: AVC recorrente
Lancet Neurol 2017
Publicação
VAST Investigators
Stenting + BMT
7%
AVC recorrente em 3 anos
+ 5% AVC perioperatório do stenting
BMT isolada
4%
AVC recorrente em 3 anos
Sem risco procedural
HR 1,45 — Stenting piorou os desfechos
O stenting vertebral não apenas não beneficiou os pacientes — apresentou tendência a resultados piores que a BMT isolada. O risco perioperatório do stenting (5% de AVC) consumiu completamente qualquer benefício potencial a longo prazo.
ESVS 2023 — Grau 1B: BMT otimizada como primeira linha para estenose vertebral sintomática. Stenting somente após falha de BMT após 3–6 meses de tratamento otimizado.
Síndrome do Roubo da Subclávia — Diagnóstico e Tratamento
Estenose da subclávia proximal à origem da vertebral → gradiente de pressão → fluxo retrógrado na vertebral durante exercício do membro superior → isquemia de circulação posterior.
Fase 1
Alternante
Assintomático
Fase 2
Diminuído
Oligossintomático
Fase 3
Totalmente retrógrado
Sintomático (síncope/AVC)
Tratamento
Angioplastia com stent da artéria subclávia — taxa de sucesso técnico >95%. Resolução imediata do roubo confirmada pelo Duplex intraoperatório. Alternativa cirúrgica: transposição subclávia para carótida (bypass), reservada para falha endovascular ou anatomia desfavorável.
Reestenose Pós-CEA — Dois Mecanismos, Duas Condutas
| Característica | Precoce (< 2 anos) | Tardia (> 2 anos) |
|---|---|---|
| Mecanismo | Hiperplasia intimal | Aterosclerose verdadeira |
| Aspecto no Duplex | Lisa, hipoecóica | Placa típica, ecogenicidade variável |
| Risco embólico | Baixo | Alto (como estenose primária) |
| Sintomas | Raramente sintomática | Pode ser sintomática |
| Conduta geral | Vigilância com Duplex | Mesmos critérios da estenose primária |
| Se sintomática | CAS preferencial (campo fibrótico) | CEA ou CAS — campo fibrótico ainda favorece CAS |
Situações Especiais — Radiação e Estenose Bilateral
Estenose por Radiação
→ Fibrose mediastinal e cervical pós-radioterapia
→ Nervos cranianos no campo irradiado — dissecção de alto risco
→ Tecidos frágeis: sangramento, cicatrização comprometida
ESVS 2023 — Recomendação
CAS ou TCAR como abordagem preferencial — tanto no sintomático quanto no assintomático que preenche critérios
Estenose Bilateral — Sequência
Série ESVS 2023 Carotídea — Encerramento
8 posts · 8 infográficos · Naylor AR et al., EJVES 2023;65:7–111
E1
Imagem + Risco
E2
Assintomática: Historia
E3
Assintomática: CEA/CAS
E4
Sintomática: Timing
E5
Sintomática: CEA técnica
E6
CAS vs CEA + TCAR
E7
AVC Agudo + Emergência
E8
Vertebral + Especiais
Referências
- Naylor AR, Ricco JB, de Borst GJ, et al. Management of Atherosclerotic Carotid and Vertebral Artery Disease: 2023 Clinical Practice Guidelines of the ESVS. Eur J Vasc Endovasc Surg. 2023;65(1):7-111.
- Markus HS, Larsson SC, Kuker W, et al. Stenting for symptomatic vertebral artery stenosis: the Vertebral Artery Ischaemia Stenting Trial (VAST). Neurology. 2017;89(12):1229-36.
- Halliday A, Bulbulia R, Naughten E, et al. Second asymptomatic carotid surgery trial (ACST-2). Lancet. 2021;398(10309):1467-81.
- Chimowitz MI, Lynn MJ, Derdeyn CP, et al. Stenting versus aggressive medical therapy for intracranial arterial stenosis (SAMMPRIS). N Engl J Med. 2011;365(11):993-1003.
- Brott TG, Hobson RW 2nd, Howard G, et al. Stenting versus endarterectomy for treatment of carotid-artery stenosis (CREST). N Engl J Med. 2010;363(1):11-23.
- Paraskevas KI, Mikhailidis DP, Veith FJ, et al. Comparison of the five 2011 and 2017 ESVS guidelines for management of extracranial carotid and vertebral artery disease. J Vasc Surg. 2018;68(2):612-22.
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Perguntas Frequentes
O que o VAST trial mostrou sobre o stenting da artéria vertebral?
Como se diagnostica e trata a síndrome do roubo da subclávia?
Qual a diferença entre reestenose pós-CEA precoce e tardia?
Por que a estenose carotídea por radiação é tratada preferencialmente por via endovascular?
Como sequenciar o tratamento na estenose carotídea bilateral?
Qual a abordagem recomendada para estenose da artéria vertebral intracraniana (V4)?
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