Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

Título de Especialista (SBACV)

Certificação em Doppler Vascular (CBR)

Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
UIP 2023 — K2

Contraindicações Absolutas à Escleroterapia — UIP 2023 (K2)

As 5 contraindicações absolutas ao procedimento: hipersensibilidade (anafilaxia), TVE aguda, eventos neurológicos/cardíacos graves pós-escleroterapia, doença sistêmica aguda e isquemia crítica de membro. Anticoagulação NÃO deve ser descontinuada — Classe III, Nível A.

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 20 de junho de 202612 min de leitura

Resposta direta: 5 contraindicações absolutas à escleroterapia — UIP 2023. (1) Hipersensibilidade: anafilaxia ao mesmo esclerosante (Classe III Nível A); asma/mastocitose apenas com indicação médica (não cosmética). (2) TVE aguda: DVT/PE aguardar 12 sem; SVT extensa 6 sem; SVT não-extensa 2 sem — NÃO descontinuar anticoagulação (Classe III Nível A). (3) AVC/TIA/eventos cardíacos pós-escleroterapia (Classe III Nível B). (4) Doença sistêmica aguda/infecção (Classe III Nível C). (5) CLI: ABI <0,5 ou pressão <50 mmHg (Classe III Nível B).

Contraindicações absolutas são condições onde o risco de dano severo ou morte supera qualquer benefício potencial em qualquer circunstância. O Consenso UIP 2023 (Wong M, Parsi K et al., Phlebology 2023;38:205–258) define 5 categorias. Diferente das contraindicações relativas — onde o risco pode ser mitigado por medidas adicionais — nas absolutas não existe intervenção razoável que justifique o procedimento de rotina.

Infográfico: 5 Contraindicações Absolutas à Escleroterapia UIP 2023. Anafilaxia, TVE aguda, neuro/cardíaco grave, doença sistêmica aguda e isquemia crítica. Tabela de prazos e Nível de evidência.
As 5 contraindicações absolutas à escleroterapia — Consenso UIP 2023.

Assista: Contraindicações Absolutas — UIP 2023 (K2)

Visão Geral das Contraindicações Absolutas

Contraindicação AbsolutaClasseNívelObservação
Anafilaxia ao mesmo esclerosanteIIIAProduto idêntico ou similar ao causador
DVT aguda ou EPIIICAguardar mínimo 12 semanas
SVT extensa aguda (≥5cm)IIICAguardar mínimo 6 semanas
SVT não-extensa agudaIIICAguardar mínimo 2 semanas
Anticoagulação — descontinuarIIIANÃO descontinuar — o único Nível A do bloco
AVC/TIA/cardíaco grave pós-escleroterapiaIIIBOu associados a PFO (ver K3)
Doença sistêmica aguda ou infecçãoIIICInclui infecção do membro a tratar
CLI (ABI <0,5 ou pressão <50 mmHg)IIIBIsquemia crítica de membro
DAP moderada (ABI 0,5–0,8)IIbBPode ser considerada SEM compressão excessiva

1.1 Hipersensibilidade a Esclerosantes

Anafilaxia verdadeira (IgE-mediada) ocorre em 0,01%–0,1% de todos os procedimentos. A frequência de reações não-fatais (urticária, prurido, eritema) é maior: 0,03%–0,3% com esclerosantes líquidos. O FAERS registrou 4 mortes por anafilaxia com STS em 51 anos — 3 dos quais tinham asma concomitante.

Pontos críticos do consenso sobre hipersensibilidade:

  • Anafilaxia prévia ao mesmo esclerosante: contraindicação absoluta (Classe III, Nível A) para o produto idêntico ou similar. NÃO há reatividade cruzada entre STS e POL — anafilaxia a STS não contraindica POL
  • Asma/mastocitose/atopia grave: escleroterapia apenas com indicação médica (não cosmética), apenas se nenhuma outra opção existe (Classe I, Nível B) — especialmente com STS
  • Pré-medicação em alto risco: prednisolona 0,5 mg/kg/dia por 2 dias antes do procedimento; anti-histamínico
  • Monitoramento perioperatório: anestesiologista ou profissional treinado em anafilaxia presente durante o procedimento (Classe I, Nível C)
  • Infraestrutura obrigatória: BLS training + adrenalina + oxigênio + DEA disponíveis em TODA clínica (Classe I, Nível B)

1.2 TVE Aguda e Anticoagulação

Regra de Ouro — Classe III, Nível A

A anticoagulação terapêutica ou profilática para indicações clínicas estabelecidas NÃO deve ser descontinuada antes da escleroterapia. Esta é uma das poucas recomendações com Nível A neste consenso — o mais alto grau de evidência — baseada em metanálise que demonstrou que interromper a anticoagulação sem benefício terapêutico expostos a riscos trombóticos desnecessários.

SituaçãoPrazo mínimoClasse / Nível
DVT proximal aguda ou EP12 semanasIII / C
SVT extensa aguda (≥5cm ou acima do joelho)6 semanasIII / C
SVT não-extensa (abaixo do joelho, <5cm)2 semanas (fase aguda)III / C
Escleroterapia emergência em anticoaguladosPossível para varizes sangrantes localizadasIIb / C

1.3 Eventos Neurológicos ou Cardíacos Graves

Pacientes com histórico documentado de eventos neurológicos sérios (TIA, AVC, convulsões epilépticas) ou cardíacos graves após escleroterapia prévia, ou associados a FOP (Forame Oval Patente), constituem contraindicação absoluta a novos procedimentos com o mesmo método (Classe III, Nível B). Esses pacientes devem ser encaminhados para avaliação neurológica e cardiológica antes de qualquer decisão sobre escleroterapia futura, e alternativas de tratamento venoso devem ser oferecidas. O manejo do PFO e a otimização técnica para reduzir embolia gasosa são detalhados no post K3 desta série.

1.4 Doença Sistêmica Aguda ou Infecção

Pacientes com doença sistêmica aguda (asma exacerbada, diabetes descompensado, IAM recente, insuficiência cardíaca aguda) ou infecção ativa não controlada não devem realizar escleroterapia de rotina (Classe III, Nível C). O risco é especialmente grave quando há infecção do próprio membro a ser tratado: injeção de esclerosante em território infectado pode disseminar o processo, causando celulite extensa ou septicemia. Nesses casos, tratar a condição aguda primeiro e reavaliar a indicação de escleroterapia após estabilização.

1.5 Doença Arterial Periférica Grave

CondiçãoABI / PressãoCondutaClasse / Nível
CLI — Isquemia CríticaABI <0,5 ou pressão <50 mmHgNÃO escleroterapiaIII / B
DAP ModeradaABI 0,5–0,8, pressão 60–100 mmHgPossível SEM compressão excessivaIIb / B
Úlcera Mista (arterio-venosa)ABI >0,5Tratar refluxo venoso PRIMEIROIIb / B

Na CLI (ABI <0,5), a escleroterapia não apenas está contraindicada — a compressão pós-procedimento também seria contraindicada, reduzindo ainda mais o fluxo arterial já comprometido. Nos casos de DAP moderada, os dados de Mosti e Partsch demonstraram que bandagens inelásticas até 40 mmHg não impedem a perfusão arterial — dando a base para a recomendação IIb de que escleroterapia pode ser considerada desde que compressão excessiva seja evitada. Na úlcera mista (ABI >0,5), tratar o refluxo venoso superficial primeiro pode reduzir a hipertensão venosa e, paradoxalmente, melhorar a cicatrização da componente arterial.

A Lógica das Contraindicações Absolutas

Contraindicações absolutas não significam que o paciente nunca poderá fazer escleroterapia — mas que no momento atual, em qualquer circunstância, não existem medidas de mitigação suficientes para justificar o procedimento de rotina. Com exceção da anafilaxia ao mesmo agente (Nível A permanente), as demais contraindicações absolutas são temporárias: após resolução da TVE aguda, controle da doença sistêmica ou avaliação e otimização técnica para o risco neurológico/cardíaco, o paciente pode tornar-se candidato à escleroterapia sob critérios de contraindicação relativa (ver K3 e K4).

Ref: Wong M, Parsi K et al. Sclerotherapy of lower limb veins: Indications, contraindications and treatment strategies to prevent complications. Phlebology 2023;38(4):205–258.

Ref: Wong M, Parsi K et al. Consensus UIP 2023. Phlebology 2023;38(4):205–258. DOI: 10.1177/02683555231151350.

Perguntas Frequentes

Um paciente em uso de anticoagulante pode fazer escleroterapia? Precisa parar o medicamento?
Não apenas pode fazer — como a anticoagulação NÃO deve ser descontinuada para a realização de escleroterapia. Esta é uma das recomendações mais importantes e contraintuitivas do Consenso UIP 2023: Classe III, Nível A (a mais forte do documento). A lógica é que a anticoagulação terapêutica ou profilática está sendo utilizada por indicação clínica relevante, e interrompê-la para realizar escleroterapia exporia o paciente ao risco de trombose sem benefício comprovado. Além disso, a anticoagulação pode até reduzir o risco de DVT pós-escleroterapia. O que está absolutamente contraindicado é iniciar escleroterapia de rotina em pacientes com TVE aguda ativa (DVT ou PE) — nesses casos, aguardar o período mínimo de 12 semanas após DVT/PE ou 6 semanas após SVT extensa. A anticoagulação em andamento por outras indicações não contraindica o procedimento.
Qual o mínimo de tempo para esperar após uma trombose antes de realizar escleroterapia?
Os prazos mínimos são: 12 semanas após DVT (Trombose Venosa Profunda) aguda ou EP (Embolia Pulmonar) — Classe III, Nível C; 6 semanas após SVT (Trombose Venosa Superficial) extensa, definida como SVT >= 5cm de comprimento — Classe III, Nível C; 2 semanas após SVT não-extensa (SVT abaixo do joelho ou SVT < 5cm) — para aguardar a fase inflamatória aguda. Esses prazos são conservadores e baseados em consenso de especialistas, não em estudos randomizados (daí o Nível C). Se houver fatores de risco persistentes — trombo proximal, SVT recorrente, trombofilias — o prazo deve ser maior. Em todos os casos, é fundamental documentar as circunstâncias da trombose, avaliar o DUS residual para obstrução profunda e realizar avaliação hematológica para excluir trombofilias antes de retomar a escleroterapia.
Como deve ser estruturado um servico de escleroterapia para gerenciar a anafilaxia com segurança?
O Consenso UIP 2023 é explícito (Classe I, Nível B): toda clínica que oferece escleroterapia deve ter disponíveis medicamentos e equipamentos para manejo de anafilaxia e outras emergências. Isso inclui: adrenalina 1:1000 para injeção IM, anti-histamínico IV, corticoide IV, oxigênio, desfibrilador (DEA) e vias para acesso venoso. Todos os membros da equipe — incluindo recepcionistas e auxiliares — devem ser treinados para identificar uma reação e acionar o protocolo de emergência. O profissional que realiza o procedimento deve ter treinamento em suporte básico de vida (BLS) como mínimo, preferencialmente ACLS. Para pacientes de alto risco de anafilaxia (asma, mastocitose, história de hipersensibilidade a esclerosantes), a escleroterapia deve ser realizada apenas em unidades com capacidade de monitoramento cardiovascular e anestesiologista disponível. A incidência de anafilaxia verdadeira é 0,01-0,1% de todos os procedimentos — rara, mas potencialmente fatal sem estrutura adequada.

Quer uma segunda opinião?

Este conteúdo é voltado para profissionais de saúde. Para encaminhamento de paciente, segunda opinião ou discussão de conduta com o Dr. Maurício, entre em contato direto pelo WhatsApp.

Artigo escrito e validado pelo Dr. Maurício Hiroshi Yamada (CRM-PR 21589 | RQE: 18282). Cirurgião Vascular formado pela UEL, com residência no HSPE/SP e título de especialista pela SBACV. É referência em tratamentos minimamente invasivos (Laser, Radiofrequência e Espuma) na clínica Maringá Vasculares, no Paraná.
⚕️ Aviso médico: O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico especialista. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde habilitado. Dr. Maurício Hiroshi Yamada — CRM-PR 21589.

Leia também

Tem dúvidas? Agende uma avaliação vascular

Agendar pelo WhatsApp