Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

Título de Especialista (SBACV)

Certificação em Doppler Vascular (CBR)

Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
UIP 2023 — K3

Contraindicações Relativas: TVE, Gravidez e Risco Neurológico — UIP 2023 (K3)

Gravidez: escleroterapia de rotina contraindicada (Classe III). Escore de Caprini para escleroterapia com protocolo de tromboprofilaxia. PFO em 27% da população — triagem apenas quando há AVC criptogênico ou embolia paradoxal (Classe I Nível A). Otimização técnica da espuma é mandatória para TODOS (Classe I Nível C).

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 20 de junho de 202614 min de leitura

Resposta direta: Escleroterapia em gestação: rotina Classe III (FDA: STS cat. C, POL cat. B3). Emergência com HBPM profilática. DVT sintomático pós-escleroterapia: 0,02-1,3%; DVO assintomático até 23% (não é DVT). Caprini modificado: 1-4=baixo; 5-8=moderado (HBPM 7-10d); ≥9=alto+DUS. Trombofilias: rastreamento rotineiro NÃO recomendado (Classe III Nível A). PFO 27% população — triagem rotineira NÃO indicada (Classe III); indicada em AVC criptogênico (Classe I Nível A). Otimização técnica espuma: Classe I Nível C para todos.

Contraindicações relativas são condições onde o risco de complicações é elevado, mas pode ser mitigado por medidas adicionais — tornando o procedimento possível em casos selecionados, com precauções específicas. O capítulo de contraindicações relativas do Consenso UIP 2023 é o mais extenso do documento, cobrindo 5 grandes categorias. Este post aborda as 4 primeiras — gravidez/puerpério, risco de TVE, risco neurológico e risco cardíaco.

Infográfico: Contraindicações Relativas Escleroterapia TVE e Neurológico UIP 2023. Caprini escleroterapia, gravidez prazos, PFO algoritmo, otimização técnica espuma.
Contraindicações relativas — TVE, gravidez e neurológico. Consenso UIP 2023.

Assista: Contraindicações Relativas TVE e Neurológico — UIP 2023 (K3)

2.1 Gravidez, Puerpério e Amamentação

SituaçãoRecomendaçãoClasse / Nível
Gravidez: escleroterapia de rotinaNÃO realizarIII / C
Gravidez: emergência (varizes sangrantes)Possível com HBPM profilática; preferir 3º trimestre; técnica rigorosaIIb / C
Puerpério <3 mesesNÃO de rotina — coagulação não normalizadaIII / C
Amamentação: indicação não-médicaNÃO realizarIII / C
Amamentação: indicação médicaDescartar leite materno por 2 DIAS antes de retomar amamentaçãoI / C

Quanto à categoria de risco: STS é categoria B2 (TGA) e Categoria C (FDA); POL é categoria B3 (TGA) e Categoria C (FDA) — nenhum foi adequadamente estudado em humanos. POL e seus metabólitos foram detectados no leite de ratas lactantes. Por precaução, a recomendação de descartar o leite por 2 dias é Classe I, Nível C.

2.2 Risco de TVE — Escore de Caprini para Escleroterapia

DVT sintomático pós-escleroterapia: 0,02%–1,3%. DVO (Deep Vein Occlusion) assintomático: até 23% ao DUS — mas DVO não é DVT: não progride para embolia pulmonar e não requer anticoagulação. A distinção DVO vs DVT pelo DUS é fundamental clinicamente.

Protocolo de Tromboprofilaxia — Escore de Caprini Modificado (Tabelas 8 e 9)

Escore CapriniRisco VTECompressãoAnticoagulaçãoDUS pós
1–4BaixoSim + mobilização
5–8ModeradoSim + mobilizaçãoHBPM/DOAC 7–10 dias
≥9AltoSim + mobilizaçãoHBPM/DOAC 7–10 diasSim antes de suspender
Histórico pessoal/familiar TVE ou trombofiliasSimHBPM 14–28 diasSim antes de suspender

Trombofilias: rastreamento rotineiro NÃO recomendado antes de escleroterapia (Classe III, Nível A) — sem evidência de que altere conduta na maioria dos casos. Pacientes com trombofilias conhecidas (FVL, PTG) podem fazer escleroterapia com tromboprofilaxia conforme Caprini (Classe IIb, Nível B). Trombofilias de alto risco (deficiência de antitrombina, proteína C/S, SAF): anticoagulação prolongada, avaliar caso a caso.

Viagem de longa distância (>6h ou >6.000 milhas): evitar escleroterapia dentro de 2 semanas antes ou depois (Classe III, Nível C). Viagem imprevista pós-escleroterapia: DUS bilateral + anticoagulação profilática + compressão (Classe IIb, Nível C).

2.3 Risco Neurológico e PFO

PFO (Forame Oval Patente) é prevalente em 27% da população geral — ainda mais frequente em pacientes com varizes (maior pressão venosa pode manter o forame aberto). Após injeção de espuma em safena, bolhas chegam ao coração direito em 10–45 segundos. Na presença de PFO, podem passar para a circulação arterial causando eventos neurológicos.

Situação do PFOCondutaClasse / Nível
Rastreamento rotineiroNÃO indicadoIII / C
AVC criptogênico, AIT, embolia paradoxal, MRI sugestivoRastrear com bubble contrast studyI / A
PFO sintomático confirmadoOpinião neurológica/cardiológica + alternativas. Escleroterapia com otimização técnica pode ser consideradaIIb / C
PFO assintomáticoEscleroterapia de rotina com otimização técnicaIIb / B

Otimização Técnica para TODOS — Classe I, Nível C (independente de PFO)

  • ✓ Volumes menores de espuma por sítio de injeção (múltiplas pequenas injeções vs bolo único)
  • ✓ Evitar manobra de Valsalva durante e imediatamente após o procedimento
  • ✓ Seringas ≤3mL — menor coalescência de bolhas → microfoam mais estável
  • ✓ CO₂ ou CO₂/O₂ como gás — maior biocompatibilidade, menor risco neurológico que ar
  • ✓ Tratar veias tronculares com ablação térmica ANTES de usar espuma nas tributárias
  • ✓ Posição de decúbito dorsal com elevação do membro após a injeção

2.4 Risco Cardíaco

História de doença cardíaca com morte súbita em familiar de 1º grau requer avaliação cardiológica pré-operatória para determinar aptidão ao procedimento (Classe I, Nível C). Técnicas de otimização para reduzir cardiotoxicidade incluem seleção cuidadosa do esclerosante e concentração — STS em altas concentrações tem efeito proarrítmico documentado. Em altas concentrações, detergentes podem gerar cardiotoxicidade direta (endotelina-1 e outros fatores sistêmicos liberados pelo sítio de injeção).

Mensagem Prática

A maioria das contraindicações relativas a TVE — gravidez, histórico de TVE, trombofilias, neoplasia, imobilidade, viagem — não elimina a escleroterapia como opção, mas exige avaliação individualizada do risco-benefício e implementação de medidas de mitigação (escore de Caprini, tromboprofilaxia, DUS de seguimento). Para o risco neurológico/PFO, a otimização técnica da espuma é mandatória para TODOS os pacientes — independentemente de triagem de PFO — e reduz significativamente o risco de eventos neurológicos ao minimizar o volume e tamanho das bolhas que alcançam a circulação sistêmica.

Ref: Wong M, Parsi K et al. Sclerotherapy of lower limb veins. Phlebology 2023;38(4):205–258.

Ref: Wong M, Parsi K et al. Consensus UIP 2023. Phlebology 2023;38(4):205–258. DOI: 10.1177/02683555231151350.

Perguntas Frequentes

Uma paciente usando pílula anticoncepcional pode realizar escleroterapia? Deve suspender?
Não há consenso sobre a suspensão do OCP (oral contraceptive pill) antes da escleroterapia — e o Consenso UIP 2023 reflete essa controvérsia. O que é estabelecido: (1) ALERTAR TODAS as pacientes sobre o risco de TVE associado ao estrogênio oral, especialmente ao OCP — Classe I, Nível A; (2) NÃO realizar escleroterapia de rotina em pacientes com OCP que tenham trombofilias diagnosticadas ou sejam consideradas de alto risco para TVE — Classe III, Nível A; (3) a decisão de suspender o OCP deve ser feita caso a caso, considerando o risco de TVE versus o risco de gravidez indesejada, e respeitando a preferência da paciente — Classe IIa, Nível C; (4) o médico NÃO deve recusar tratar a paciente se seu julgamento clínico divergir da vontade da paciente de continuar o OCP, desde que os riscos tenham sido claramente comunicados — Classe III, Nível C. O mecanismo: OCP oral aumenta fatores VII, VIII, X e reduz antitrombina, gerando estado hipercoagulável. O risco VTE com OCP é 4x maior que sem hormônio. BMI > 25 + OCP: risco DVT 10x maior. Preparações transdérmicas (patch, anel vaginal) bypassam o metabolismo hepático de 1ª passagem e têm menor impacto na coagulação.
Quem deve ser rastreado para Forame Oval Patente (PFO) antes da escleroterapia?
O rastreamento rotineiro de PFO em pacientes antes de escleroterapia NÃO é indicado — Classe III, Nível C. O PFO está presente em 27% da população geral, e rastrear todos os candidatos à escleroterapia seria inviável e não mudaria a conduta na maioria dos casos (já que todos devem receber otimização técnica independentemente da presença de PFO). O rastreamento É indicado (Classe I, Nível A) em pacientes com: AVC criptogênico (sem causa identificada apesar de investigação completa); AIT (ataque isquêmico transitório) prévio; achado incidental de RM cerebral sugestivo de AVC embólico; DVT com embolia paradoxal confirmada; síndrome de descompressão (mergulhadores); platypneia-orthodeoxia. Nesses pacientes, o teste de contraste bolha (bubble contrast study) com TCD ou ETE é necessário. Se PFO sintomático for confirmado: avaliação neurológica e cardiológica obrigatória + discussão de alternativas ao esclerosante em espuma. Se PFO assintomático for identificado incidentalmente: escleroterapia com otimização técnica pode ser realizada (Classe IIb, Nível B).
Como calcular o escore de Caprini para planejar a tromboprofilaxia após escleroterapia?
O Escore de Caprini Modificado (Tabela 8 do Consenso UIP 2023) atribui pontos por fatores de risco: 1 ponto cada para idade 41-60 anos, BMI >25, varizes, pós-parto, aborto espontâneo recorrente, OCP ou HRT, sepse (<1 mês), pneumopatia, IAM, ICC, acamado, membro inferior com plesso; 2 pontos para idade 61-74 anos, cirurgia artroscópica, neoplasia, confinado ao leito >72h; 3 pontos para idade >75 anos, histórico de TVE, história familiar de TVE, Fator V Leiden, protrombina G20210A, lupus anticoagulante, anticorpos anticardiolipina, homocisteína elevada, HIT, outras trombofilias congênitas ou adquiridas; 5 pontos para AVC (<1 mês), artroplastia eletiva, fratura quadril/pelve/membro, lesão medular aguda. A estratificação de risco (Tabela 9) e a tromboprofilaxia recomendada são: Caprini 1-4 = baixo risco → compressão elástica + mobilização precoce; Caprini 5-8 = moderado → compressão + anticoagulação farmacológica por 7-10 dias; Caprini ≥9 = alto → compressão + anticoagulação 7-10 dias + DUS antes de suspender; Histórico pessoal ou familiar de TVE/trombofilias → anticoagulação 14-28 dias + DUS.

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Artigo escrito e validado pelo Dr. Maurício Hiroshi Yamada (CRM-PR 21589 | RQE: 18282). Cirurgião Vascular formado pela UEL, com residência no HSPE/SP e título de especialista pela SBACV. É referência em tratamentos minimamente invasivos (Laser, Radiofrequência e Espuma) na clínica Maringá Vasculares, no Paraná.
⚕️ Aviso médico: O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico especialista. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um profissional de saúde habilitado. Dr. Maurício Hiroshi Yamada — CRM-PR 21589.

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