Dr. Mauricio Hiroshi Yamada

Excelência Técnica e Formação Sólida

Dr. Mauricio Hiroshi Yamada é referência em Cirurgia Vascular e Endovascular. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), consolidou sua especialização nos maiores centros médicos de São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

Residência em Cirurgia Vascular (IAMSPE-SP)

Título de Especialista (SBACV)

Certificação em Doppler Vascular (CBR)

Cirurgia Endovascular (CBR)

Maringá Vasculares
UIP 2023 — K4

Doença Sistêmica, Avisos e Precauções na Escleroterapia — UIP 2023 (K4)

Obesidade BMI ≥40 contraindicação relativa (Classe III). DRC: limitar STS e tromboprofilaxia obrigatória. Matting (TM): 15-24%, pode ser pior que o problema inicial — alertar pacientes C1. PSP: 5-30%, medir ferritina, suspender minociclina 4 semanas. Tamoxifeno: NÃO nos primeiros 2 anos. Síndrome dismórfica corporal: encaminhar psiquiatria.

Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular em Maringá

Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295

📅 20 de junho de 202613 min de leitura

Resposta direta: Obesidade BMI ≥40: NÃO rotina (Classe III); emergência com anticoagulação. DRC: limitar volume STS (Classe IIb); tromboprofilaxia obrigatória. Matting (TM): 15-24% — alertar que pode ser PIOR que telangiectasias iniciais (Classe I). PSP 5-30%: medir ferritina antes; minociclina suspender ≥4 semanas. Necrose: 4 mecanismos — prevenção via UGS e baixas concentrações. Tamoxifeno: NÃO primeiros 2 anos (Classe III). Anticoagulação: NÃO descontinuar (Classe III Nível A). BDS: encaminhar psiquiatria — NÃO oferecer escleroterapia cosmética (Classe III).

O encerramento das contraindicações relativas (seção 2.5) e toda a seção de Avisos e Precauções do Consenso UIP 2023 cobrem um espectro que vai de doenças sistêmicas crônicas a complicações cosméticas e aspectos psicossociais. São tópicos que, embora frequentemente ignorados na prática diária, têm importância clínica e medicolegal direta — especialmente o matting, a pigmentação e o manejo de pacientes com síndrome dismórfica corporal.

Infográfico: Doença Sistêmica Avisos Precauções Escleroterapia UIP 2023. Tabela doenças sistêmicas, 3 complicações cosméticas, algoritmo psicossocial, medicamentos críticos.
Doença sistêmica, avisos e precauções — Consenso UIP 2023 (K4).

Assista: Doença Sistêmica e Avisos — UIP 2023 (K4)

2.5 Doença Sistêmica Crônica Mal Controlada

CondiçãoEscleroterapiaConduta EspecialClasse
Asma crônica / atopia / mastocitoseCI relativa (esp. com STS)Atenção especial com STS; protocolo de anfilaxiaIIb
DRC gravePossível com tromboprofilaxiaTromboprofilaxia obrigatória; limitar volume STSI (profilaxia) / IIb (limite STS)
DRC moderada + síndrome nefróticaPossívelConsiderar tromboprofilaxiaIIa
Cirrose hepáticaMédica apenas, com hepatologistaParadoxo trombose + sangramento (hipertensão portal)IIb
Obesidade mórbida (BMI ≥40)NÃO rotinaEmergência: anticoagulação obrigatóriaIII (rotina) / I (emergência)
Tendência hemorrágicaIdentificar antes; técnica modificadaOmega-3: suspender 10d antes de dermais. AAS prescrito: NÃO suspender sem consultar prescritorI / IIb
ImunocomprometidosNÃO cosmética/não-essencialMédica: técnica estéril + ATB profiláticosIII (não-essencial) / I (ATB se médica)

3.1 Complicações Cosméticas — Os 3 Avisos Principais

Necrose Cutânea — 4 Mecanismos

A necrose cutânea pós-escleroterapia pode ocorrer por 4 mecanismos distintos:

1.
Injeção intra-arterial inadvertida: o mecanismo mais grave — esclerosante entra em artéria e causa necrose isquêmica imediata; prevenção: UGS em tempo real
2.
Extravasamento: especialmente osmóticos e irritantes químicos (glicerina cromada, salina hipertônica); prevenção: velocidade lenta, baixa pressão
3.
Reflexo VAR-VAS (Veno-Arteriolar Reflex): injeção IV desencadeia vasospasmo arteriolar reflexo — mais comum em pacientes com instabilidade vasomotora; concentrações mínimas eficazes reduzem risco
4.
Comunicações artério-venosas (AVAs/shunts): injeção próxima a AVAs — esclerosante passa para o lado arterial causando isquemia; identificar com DUS pré-procedimento

Telangiectatic Matting (TM)

Incidência15–24% após escleroterapia
DefiniçãoErupção de microvasos dérmicos (<0,1mm) em área previamente tratada ou adjacente
Fatores de riscoSexo feminino, obesidade, hipersensibilidade, tendência hemorrágica, coxa anterolateral e joelho medial
Obrigação legal (Classe I)Alertar TODOS os pacientes com CEAP C1 que TM pode ser pior visualmente que as telangiectasias originais
Se TM ocorrerOferecer: (1) sem mais tratamento (Classe I); (2) 2ª opinião (Classe I); (3) otimização técnica se prosseguir (Classe IIa)

Pigmentação Pós-Escleroterapia (PSP)

  • Incidência: 5–30% após escleroterapia
  • Mecanismo duplo: (1) hemossiderina — lise eritrocitária pelo detergente + extravasamento; (2) melanina — flebite pós-escleroterapia com melanogênese local
  • Ferritina alta: medir antes em pacientes de risco (hemocromatose, porfiria) — se elevada, alertar e considerar redução antes do procedimento (Classe I, Nível C)
  • STS maior que POL em risco de PSP pela maior atividade lítica eritrocitária — especialmente em altas concentrações
  • Minociclina: suspender ≥4 semanas antes (Classe I, Nível C) — cria complexos hemossiderina-minocilcina de pigmentação cinza-preta persistente
  • Técnica de veia vazia: reduz sangue no lúmen, minimizando hemólise e PSP

3.2 Medicamentos — Resumo das Condutas

MedicamentoCondutaClasse / Nível
OCP/HRT em paciente com trombofiliaNÃO escleroterapia de rotinaIII / A
OCP/HRT: TODAS as mulheresAlertar sobre risco VTE + discutir opção de suspenderI / A
OCP: decisão de suspenderCaso a caso; respeitar preferência da paciente; não imporIIa / C
Tamoxifeno (primeiros 2 anos)NÃO escleroterapiaIII / C
Inibidores aromatase 3ª geraçãoPodem continuar — sem risco VTE adicionalIIa / C
Dissulfiram + POL (álcool-based)Evitar: aguardar ≥2 semanas após dissulfiramIII / C
MinociclinaSuspender ≥4 semanas antesI / C
Anticoagulação terapêutica/profiláticaNÃO descontinuarIII / A

3.3 Fatores Psicossociais e Psiquiátricos

Síndrome Dismórfica Corporal (BDS) — Alerta Crítico

Pacientes que solicitam tratamento para vasos imperceptíveis ou praticamente invisíveis podem estar apresentando Body Dysmorphic Syndrome — preocupação obsessiva com um defeito percebido na aparência física. No contexto da escleroterapia, isso se manifesta como busca por tratamento de telangiectasias que outros não conseguem ver ou que são mínimas.

  • Encaminhar psiquiatria: avaliação recomendada (Classe I, Nível C)
  • NÃO oferecer escleroterapia cosmética: pacientes com BDS são muito improváveis de ficarem satisfeitos e o resultado pode ser pior (TM, pigmentação) — Classe III, Nível C

Dor e Ansiedade — Protocolo Progressivo:

  1. EMLA tópico (lidocaína 2,5%/prilocaína 2,5%): aplicar ≥1h antes sob curativo oclusivo — Classe IIb; cuidado: pode causar vasoconstrição e reduzir visibilidade das veias
  2. Ansiolíticos inalados (N₂O/O₂ "gás hilariante" ou Metoxiflurano): para ansiedade e dor — Classe IIb
  3. Sedação/Anestesia Geral: NÃO de rotina (Classe I, Nível C); apenas em circunstâncias excepcionais (crianças com malformações vasculares, adultos com ansiedade intratável) em hospital licenciado com monitoramento cardiovascular por anestesiologista (Classe I, Nível A)

Não-conformidade e expectativas irrealistas: NÃO iniciar tratamento se conformidade improvável (Classe III, Nível C); alinhar expectativas ANTES do início (Classe I, Nível C); comportamento rude/abusivo: NÃO oferecer (Classe III, Nível A). O médico tem o direito legal de recusar atender um paciente não-urgente com comportamento inapropriado, desde que o dismissal seja feito corretamente com handover adequado.

O Flebologista Moderno — 5 Competências do Consenso UIP 2023

  1. Técnica: domínio de UGS, CDS e microescleroterapia; diferenciação de esclerosantes e concentrações
  2. Clínica: conhecimento das contraindicações absolutas (K2) e relativas (K3, K4) para seleção correta de pacientes
  3. Medicolegal: consentimento informado robusto, divulgação de riscos materiais, documentação (K1)
  4. Ecográfica: DUS independente para diagnóstico e guia do procedimento
  5. Emergência: BLS/ACLS + protocolo de anafilaxia em toda clínica (Classe I, Nível B)

Ref: Wong M, Parsi K et al. Sclerotherapy of lower limb veins. Phlebology 2023;38(4):205–258. DOI: 10.1177/02683555231151350.

Ref: Wong M, Parsi K et al. Consensus UIP 2023. Phlebology 2023;38(4):205–258. DOI: 10.1177/02683555231151350.

Perguntas Frequentes

A pigmentacao pós-escleroterapia é permanente? Como preveni-la?
A pigmentação pós-escleroterapia (PSP) ocorre em 5-30% dos casos e resulta de dois mecanismos: (1) deposição de hemossiderina pela lise eritrocitária causada pelo detergente esclerosante — STS tem maior atividade lítica que POL, gerando mais PSP; (2) deposição de melanina secundária à flebite pós-escleroterapia, que causa inflamação perivascular com melanogênese local. Na maioria dos pacientes, a PSP regride parcial ou totalmente em meses a anos. Em alguns casos, especialmente com concentrações excessivamente altas de esclerosante ou quando há hemossiderose subjacente, a pigmentação pode ser mais persistente. Estratégias de prevenção: (a) medir ferritina sérica antes do procedimento — ferritina elevada (hemocromatose, porfiria, sobrecarga de ferro) aumenta significativamente o risco de PSP; se elevada, discutir manejo e informar o paciente (Classe I, Nível C); (b) usar a menor concentração eficaz de esclerosante — concentrações altas causam mais hemólise e mais hemossiderina; (c) suspender minociclina pelo menos 4 semanas antes (Classe I, Nível C) — a minocilcina causa pigmentação cinza-preta por acúmulo de complexos de hemossiderina/minocilcina que pode durar anos; (d) técnica de veia vazia (empty vein technique): usando saline flush ou tumescência perivenosa para reduzir o sangue presente no lúmen antes da injeção do esclerosante.
O que é o matting e por que pode ser pior do que as telangiectasias originais?
Telangiectatic matting (TM) é a erupção de novos microvasos dérmicos (<0,1mm) que surgem como uma mácula eritematosa, frequentemente maior que a área tratada originalmente. A incidência é de 15-24% após escleroterapia. A fisiopatologia envolve processos pró-inflamatórios e pró-angiogênicos desencadeados pelo procedimento. Fatores de risco incluem: sexo feminino, obesidade, hipersensibilidade, tendência hemorrágica e certas regiões anatômicas (face anterolateral da coxa, joelho medial). O TM pode ser percebido como pior que as telangiectasias originais pelo paciente — a aparência de mácula eritematosa difusa é frequentemente mais visível e esteticamente mais impactante que os vasinhos pontuais iniciais. Por isso, o Consenso UIP 2023 estabelece como Classe I que pacientes com CEAP C1 (que buscam tratamento cosmético) devem ser ALERTADOS do risco de TM e que o resultado pode ser esteticamente pior que o estado inicial. Se TM ocorrer: discutir opção de interromper o tratamento (Classe I), encaminhar para 2ª opinião (Classe I) e, se prosseguir, empregar estratégias de otimização técnica (Classe IIa). A técnica subjacente às veias de alimentação do TM (usando DUS de alta frequência) pode às vezes resolver o matting.
Pacientes com obesidade grave ou doença renal crônica podem fazer escleroterapia?
Depende do contexto. Obesidade mórbida (BMI ≥40 kg/m²): NÃO deve ser submetida a escleroterapia de rotina (Classe III, Nível C) — pelo risco elevado de TVE (BMI ≥35 em mulheres: risco PE 6x maior), dificuldade técnica (DUS de menor qualidade, acesso venoso mais difícil, aplicação de compressão mais complexa) e desafios analgésicos. Para escleroterapia de emergência médica em obesos, anticoagulação é mandatória conforme risco VTE/sangramento (Classe I, Nível C). Doença Renal Crônica (DRC) grave: possível com tromboprofilaxia obrigatória (Classe I, Nível C) — risco VTE é 5,5x maior em DRC grave e 1,7x maior em DRC moderada com albuminúria. Ponto crítico: o volume total de STS deve ser limitado em pacientes com insuficiência renal (Classe IIb, Nível C) — STS é excretado principalmente pela urina e se acumula em IR. Cirrose hepática: escleroterapia medicalmente indicada pode ser considerada, mas em consulta com o hepatologista (Classe IIb, Nível C) — pela complexidade do paradoxo trombose + sangramento nessa população.

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Artigo escrito e validado pelo Dr. Maurício Hiroshi Yamada (CRM-PR 21589 | RQE: 18282). Cirurgião Vascular formado pela UEL, com residência no HSPE/SP e título de especialista pela SBACV. É referência em tratamentos minimamente invasivos (Laser, Radiofrequência e Espuma) na clínica Maringá Vasculares, no Paraná.
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