Doença Sistêmica, Avisos e Precauções na Escleroterapia — UIP 2023 (K4)
Obesidade BMI ≥40 contraindicação relativa (Classe III). DRC: limitar STS e tromboprofilaxia obrigatória. Matting (TM): 15-24%, pode ser pior que o problema inicial — alertar pacientes C1. PSP: 5-30%, medir ferritina, suspender minociclina 4 semanas. Tamoxifeno: NÃO nos primeiros 2 anos. Síndrome dismórfica corporal: encaminhar psiquiatria.
Escrito e revisado por Dr. Maurício Hiroshi Yamada — Cirurgião Vascular e Endovascular | CRM-PR 21589 | RQE 18281 · 18282 · 18294 · 18295
Resposta direta: Obesidade BMI ≥40: NÃO rotina (Classe III); emergência com anticoagulação. DRC: limitar volume STS (Classe IIb); tromboprofilaxia obrigatória. Matting (TM): 15-24% — alertar que pode ser PIOR que telangiectasias iniciais (Classe I). PSP 5-30%: medir ferritina antes; minociclina suspender ≥4 semanas. Necrose: 4 mecanismos — prevenção via UGS e baixas concentrações. Tamoxifeno: NÃO primeiros 2 anos (Classe III). Anticoagulação: NÃO descontinuar (Classe III Nível A). BDS: encaminhar psiquiatria — NÃO oferecer escleroterapia cosmética (Classe III).
O encerramento das contraindicações relativas (seção 2.5) e toda a seção de Avisos e Precauções do Consenso UIP 2023 cobrem um espectro que vai de doenças sistêmicas crônicas a complicações cosméticas e aspectos psicossociais. São tópicos que, embora frequentemente ignorados na prática diária, têm importância clínica e medicolegal direta — especialmente o matting, a pigmentação e o manejo de pacientes com síndrome dismórfica corporal.

Assista: Doença Sistêmica e Avisos — UIP 2023 (K4)
2.5 Doença Sistêmica Crônica Mal Controlada
| Condição | Escleroterapia | Conduta Especial | Classe |
|---|---|---|---|
| Asma crônica / atopia / mastocitose | CI relativa (esp. com STS) | Atenção especial com STS; protocolo de anfilaxia | IIb |
| DRC grave | Possível com tromboprofilaxia | Tromboprofilaxia obrigatória; limitar volume STS | I (profilaxia) / IIb (limite STS) |
| DRC moderada + síndrome nefrótica | Possível | Considerar tromboprofilaxia | IIa |
| Cirrose hepática | Médica apenas, com hepatologista | Paradoxo trombose + sangramento (hipertensão portal) | IIb |
| Obesidade mórbida (BMI ≥40) | NÃO rotina | Emergência: anticoagulação obrigatória | III (rotina) / I (emergência) |
| Tendência hemorrágica | Identificar antes; técnica modificada | Omega-3: suspender 10d antes de dermais. AAS prescrito: NÃO suspender sem consultar prescritor | I / IIb |
| Imunocomprometidos | NÃO cosmética/não-essencial | Médica: técnica estéril + ATB profiláticos | III (não-essencial) / I (ATB se médica) |
3.1 Complicações Cosméticas — Os 3 Avisos Principais
Necrose Cutânea — 4 Mecanismos
A necrose cutânea pós-escleroterapia pode ocorrer por 4 mecanismos distintos:
Telangiectatic Matting (TM)
| Incidência | 15–24% após escleroterapia |
| Definição | Erupção de microvasos dérmicos (<0,1mm) em área previamente tratada ou adjacente |
| Fatores de risco | Sexo feminino, obesidade, hipersensibilidade, tendência hemorrágica, coxa anterolateral e joelho medial |
| Obrigação legal (Classe I) | Alertar TODOS os pacientes com CEAP C1 que TM pode ser pior visualmente que as telangiectasias originais |
| Se TM ocorrer | Oferecer: (1) sem mais tratamento (Classe I); (2) 2ª opinião (Classe I); (3) otimização técnica se prosseguir (Classe IIa) |
Pigmentação Pós-Escleroterapia (PSP)
- Incidência: 5–30% após escleroterapia
- Mecanismo duplo: (1) hemossiderina — lise eritrocitária pelo detergente + extravasamento; (2) melanina — flebite pós-escleroterapia com melanogênese local
- Ferritina alta: medir antes em pacientes de risco (hemocromatose, porfiria) — se elevada, alertar e considerar redução antes do procedimento (Classe I, Nível C)
- STS maior que POL em risco de PSP pela maior atividade lítica eritrocitária — especialmente em altas concentrações
- Minociclina: suspender ≥4 semanas antes (Classe I, Nível C) — cria complexos hemossiderina-minocilcina de pigmentação cinza-preta persistente
- Técnica de veia vazia: reduz sangue no lúmen, minimizando hemólise e PSP
3.2 Medicamentos — Resumo das Condutas
| Medicamento | Conduta | Classe / Nível |
|---|---|---|
| OCP/HRT em paciente com trombofilia | NÃO escleroterapia de rotina | III / A |
| OCP/HRT: TODAS as mulheres | Alertar sobre risco VTE + discutir opção de suspender | I / A |
| OCP: decisão de suspender | Caso a caso; respeitar preferência da paciente; não impor | IIa / C |
| Tamoxifeno (primeiros 2 anos) | NÃO escleroterapia | III / C |
| Inibidores aromatase 3ª geração | Podem continuar — sem risco VTE adicional | IIa / C |
| Dissulfiram + POL (álcool-based) | Evitar: aguardar ≥2 semanas após dissulfiram | III / C |
| Minociclina | Suspender ≥4 semanas antes | I / C |
| Anticoagulação terapêutica/profilática | NÃO descontinuar | III / A |
3.3 Fatores Psicossociais e Psiquiátricos
Síndrome Dismórfica Corporal (BDS) — Alerta Crítico
Pacientes que solicitam tratamento para vasos imperceptíveis ou praticamente invisíveis podem estar apresentando Body Dysmorphic Syndrome — preocupação obsessiva com um defeito percebido na aparência física. No contexto da escleroterapia, isso se manifesta como busca por tratamento de telangiectasias que outros não conseguem ver ou que são mínimas.
- Encaminhar psiquiatria: avaliação recomendada (Classe I, Nível C)
- NÃO oferecer escleroterapia cosmética: pacientes com BDS são muito improváveis de ficarem satisfeitos e o resultado pode ser pior (TM, pigmentação) — Classe III, Nível C
Dor e Ansiedade — Protocolo Progressivo:
- EMLA tópico (lidocaína 2,5%/prilocaína 2,5%): aplicar ≥1h antes sob curativo oclusivo — Classe IIb; cuidado: pode causar vasoconstrição e reduzir visibilidade das veias
- Ansiolíticos inalados (N₂O/O₂ "gás hilariante" ou Metoxiflurano): para ansiedade e dor — Classe IIb
- Sedação/Anestesia Geral: NÃO de rotina (Classe I, Nível C); apenas em circunstâncias excepcionais (crianças com malformações vasculares, adultos com ansiedade intratável) em hospital licenciado com monitoramento cardiovascular por anestesiologista (Classe I, Nível A)
Não-conformidade e expectativas irrealistas: NÃO iniciar tratamento se conformidade improvável (Classe III, Nível C); alinhar expectativas ANTES do início (Classe I, Nível C); comportamento rude/abusivo: NÃO oferecer (Classe III, Nível A). O médico tem o direito legal de recusar atender um paciente não-urgente com comportamento inapropriado, desde que o dismissal seja feito corretamente com handover adequado.
O Flebologista Moderno — 5 Competências do Consenso UIP 2023
- Técnica: domínio de UGS, CDS e microescleroterapia; diferenciação de esclerosantes e concentrações
- Clínica: conhecimento das contraindicações absolutas (K2) e relativas (K3, K4) para seleção correta de pacientes
- Medicolegal: consentimento informado robusto, divulgação de riscos materiais, documentação (K1)
- Ecográfica: DUS independente para diagnóstico e guia do procedimento
- Emergência: BLS/ACLS + protocolo de anafilaxia em toda clínica (Classe I, Nível B)
Ref: Wong M, Parsi K et al. Sclerotherapy of lower limb veins. Phlebology 2023;38(4):205–258. DOI: 10.1177/02683555231151350.
Ref: Wong M, Parsi K et al. Consensus UIP 2023. Phlebology 2023;38(4):205–258. DOI: 10.1177/02683555231151350.
Perguntas Frequentes
A pigmentacao pós-escleroterapia é permanente? Como preveni-la?
O que é o matting e por que pode ser pior do que as telangiectasias originais?
Pacientes com obesidade grave ou doença renal crônica podem fazer escleroterapia?
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